30 de janeiro de 2017

Capítulo 36

Havia tal tranquilidade sob as ondas, mesmo quando os sons abafados de gritos, colisão e morte ecoaram em sua direção.
Aelin caía, quando caiu em seu poder, o peso da chave de Wyrd em torno de seu pescoço como uma pedra...
Deanna. Ela não sabia como, não sabia por que...
A Rainha Que Foi Prometida.
Seus pulmões se apertaram e queimavam.
Choque. Talvez este aquilo fosse o choque.
Para baixo ela caiu, tentando sentir o caminho de volta para seu corpo, sua mente.
A água salgada ardia em seus olhos.
Uma mão grande e forte agarrou a parte de trás de seu colarinho e puxou, arrastando-a em puxões – em movimentos firmes.
O que ela tinha feito, o que ela tinha feito, o que ela tinha feito...
Luz e ar quebravam em torno dela, e aquela mão segurando seu colarinho agora a giravam para cima, puxando-a contra um corpo macho e duro, mantendo sua cabeça acima das ondas agitadas.
— Peguei você — disse uma voz que não era de Rowan.
Outros. Havia outros no navio, e ela podia muito bem ter matado a todos...
— Majestade — o macho chamou, uma pergunta e ordem silenciosa.
Fenrys. Esse era o nome dele.
Ela piscou, e seu nome, seu título, seu poder eviscerado veio debatendo-se de volta para ela – o mar e a batalha e a ameaça atrelada de Morath.
Mais tarde. Mais tarde, ela lidaria com aquela deusa que tinha pensado em usá-la como uma sacerdotisa do templo. Mais tarde, ela contemplaria como ela rasgaria através de cada mundo para encontrar Deanna e fazê-la pagar.
— Espere — disse Fenrys sobre o caos agora filtrado: os gritos dos homens, o gemido de coisas quebrando, o crepitar das chamas. — Não solte.
Antes que ela pudesse se lembrar de como falar, eles desapareceram – se tornaram nada. Na escuridão que era ao mesmo tempo sólida e insubstancial quando ele a apertou com força.
Em seguida, eles estavam na água novamente, balançando sobre as ondas enquanto ela se reorientava e engasgava em busca de ar. Ele os moveu, de alguma forma – saltou entre as distâncias, a julgar pela diferença total entre os destroços girando ao redor deles.
Fenrys segurou-a contra si, sua respiração ofegante e difícil. Como se a magia que possuía para saltar entre curtas distâncias usasse tudo o que tinha. Ele sugou uma respiração profunda.
Em seguida, eles se foram novamente, para aquele espaço escuro e vazio, ainda apertado. Apenas um punhado de batimentos cardíacos se passou antes que a água e o céu voltassem.
Fenrys grunhiu, apertando um braço ao redor dela enquanto nadava com o outro em direção à costa, empurrando os detritos de lado. Sua respiração era difícil agora. Seja lá o que a magia fosse, estava gasta.
Mas Rowan – onde estava Rowan...
Ela fez um som que poderia ter sido seu nome, poderia ter sido um soluço.
Fenrys ofegou:
— Ele está no recife, ele está bem.
Ela não acreditou nele. Debateu-se contra o braço do guerreiro feérico até que ele a soltou, e ela deslizou para o mar aberto e frio e girou para onde Fenrys se dirigia. Outro pequeno som saiu dela quando ela viu Rowan de pé até os joelhos na água no topo do recife. Seu braço já estava estendido, apesar dos trinta metros que ainda os separava.
Bem. Ileso. Vivo. E um igualmente encharcado Gavriel estava ao lado dele, de frente para...
Oh, deuses, oh, deuses.
Sangue manchava a água. Havia corpos por toda parte. E a frota de Morath...
A maior parte se fora. Nada mais do que madeira preta estilhaçada em todo o arquipélago e pedaços queimados de lona e corda. Mas três navios permaneceram.
Três navios agora convergindo para as ruínas do Dragão Marinho, uma vez que tombou sobre a água, se aproximando como nuvens negras...
— Você tem que nadar — Fenrys rosnou ao lado dela, seu cabelo dourado encharcado grudado na cabeça. — Agora mesmo. O mais rápido possível.
Ela virou a cabeça para ele, desviando o olhar das ondas do mar.
— Nade agora — Fenrys estalou, caninos cintilando, e ela não se deixou considerar o que estava rondando debaixo deles quando ele a agarrou pelo colarinho novamente e praticamente a atirou na frente.
Aelin não esperou. Concentrou-se na mão estendida de Rowan enquanto nadava, seu rosto tão cuidadosamente calmo – o comandante num campo de batalha. Sua magia estava estéril, sua magia era um deserto, e ela... Ela tinha roubado seu poder dele...
Pense nisso mais tarde. Aelin se empurrou através da água e abaixou-se sob grandes pedaços de detritos, passando por...
Passando por homens. Os homens de Rolfe. Mortos na água. Estaria o capitão entre eles em algum lugar?
Ela provavelmente tinha matado seu primeiro e único aliado humano nesta guerra – e seu único caminho direto para aquele cadeado. E se a notícia do antigo se propagasse...
— Mais rápido! — Fenrys latiu.
Rowan embainhou a espada, os joelhos dobrados...
Então, ele estava nadando até ela, rápido e suave, cortando entre e sob as ondas, a água parecendo papel para ele. Ela queria rosnar, poderia fazê-lo sozinha, mas...
Ele a alcançou sem dizer nada antes de deslizar para trás dela. De guarda com Fenrys.
E o que ele poderia fazer na água sem nenhuma magia, contra uma goela escancarada de uma serpente do mar?
Ela ignorou o aperto esmagador em seu peito e fez força para o recife, Gavriel esperando agora onde Rowan estivera. Abaixo dela, a última plataforma de coral surgiu, e ela quase soluçou, seus músculos tremendo enquanto Gavriel se agachava para que ela pudesse alcançar sua mão estendida.
O Leão facilmente a puxou para fora da água. Seus joelhos se dobraram quando as botas pousaram em cima dos corais irregulares, mas Gavriel manteve seu aperto sobre ela, deixando-a sutilmente escorada contra ele. Rowan e Fenrys chegaram um batimento cardíaco mais tarde, e o príncipe instantaneamente estava lá, as mãos em seu rosto, alisando o cabelo para trás encharcado, examinando seus olhos.
— Eu estou bem — ela murmurou, sua voz rouca. Fosse pela magia ou pela deusa ou pela água salgada que tinha ingerido. — Eu sou eu mesma.
Isso foi bom o suficiente para Rowan, que encarou os três navios agora caindo sobre eles.
Do outro lado dela, Fenrys tinha se curvado, mãos nos joelhos enquanto ofegava. Ele levantou a cabeça para encontrar o olhar dela, o cabelo pingando, mas disse para Rowan:
— Estou esgotado. Teremos que esperar reabastecer ou nadar até a costa.
Rowan deu-lhe um aceno de cabeça afiado que Aelin interpretou como compreensão e agradecimento, e ela olhou para trás. O recife parecia ser uma extensão da costa rochosa preta muito atrás, mas com a maré alta, eles realmente teriam que nadar em alguns pontos. Tendo que arriscar com o que havia debaixo da água...
Sob a água. Com Lysandra.
Não havia nenhum sinal da serpente marinha ou do dragão.
Aelin não sabia se isso era uma coisa boa ou ruim.



Aelin e os machos feéricos haviam chegado ao recife e agora estavam até os joelhos na água acima dela.
O que quer que tivesse acontecido... dera horrivelmente errado. Tão errado que Lysandra poderia ter jurado que a presença feroz e selvagem, que ela nunca, algum dia poderia se esquecer, se escondeu em sua longa sombra quando o mundo de cima explodiu.
Ela se afastou do coral, a corrente rachando e dando voltas. Madeira, corda e lona choveram sobre a superfície, alguns mergulhando profundo. Então corpos e braços e pernas.
Mas – ali estava o capitão e seu primeiro comandante debatendo-se contra os destroços que os emaranhavam, tentando arrastá-los para o fundo de areia.
Sacudindo seu choque, Lysandra correu para ambos.
Rolfe e seu homem congelaram à sua abordagem, pegando armas em suas laterais sob as ondas. Mas ela arrancou os destroços que certamente os afogaria, em seguida, continuou em frente – deixando-os se agarrar a ela. Ela não tinha muito tempo...
Rolfe e o seu primeiro companheiro agarraram as pernas dela, prendendo-se como percevejos quando ela impulsionou-os através da água – além da ruína agora em chamas. O trabalho de um instante, depositando-os em uma plataforma rochosa, e ela emergiu apenas o tempo suficiente para engolir um fôlego antes de mergulhar.
Havia mais homens que lutavam na água. Ela foi na direção deles, desviando dos detritos, até...
Sangue manchou a água. E não os sopros que tinham colorido a água desde que o navio explodiu.
Grandes nuvens turvas de sangue. Como se enormes mandíbulas tivessem alcançado um corpo e se fechado.
Lysandra se lançou para frente, a poderosa cauda estalando de um lado para o outro, o corpo ondulando, correndo para os três barcos que atacavam os sobreviventes. Ela tinha que agir agora, enquanto as serpentes marinhas estavam distraídas saciando-se.
O mau cheiro do barco preto chegou até ela, mesmo sob as ondas. Como se a madeira escura tivesse sido embebida em sangue apodrecido.
E quando ela se aproximou da barriga gorda do navio mais próximo, duas formas poderosas tomaram forma contra a imensidão azul. Lysandra sentiu a atenção focada nela no momento em que bateu com a cauda no casco.
Uma vez. Duas vezes.
Madeira rachou. Gritos abafados a atingiram de acima.
Ela deu a volta, contraindo a cauda, e acertou o casco uma terceira vez.
Madeira quebrou e rasgou dentro dela, arrancando escamas, mas o estrago estava feito. Água foi sugada por ela, cada vez mais, escancarando a madeira como a sua morte, o buraco crescendo e crescendo. Ela recuou do vácuo da água – lançando-se para baixo, cada vez mais para baixo enquanto as duas serpentes marinhas deleitavam-se em pausas nos homens desesperados.
Lysandra correu para o próximo navio. Afundaria os navios, então seus aliados poderiam apanhar os soldados que restassem um por um, enquanto nadavam até a costa.
O segundo navio foi mais sábio.
Lanças e flechas zuniam através da água, na direção dela. Ela mergulhou para o chão de areia, em seguida, nadou para cima, cima, cima, apontando para a barriga vulnerável do navio, o corpo se preparando para o impacto...
Ela não atingiu o navio antes de sentir outro choque.
Mais rápido do que ela poderia sentir, deslizando ao redor do outro lado do navio, a serpente marinha a acertou.
Garras rasgando e cortando, e ela cedeu ao instinto, chicoteando sua cauda tão forte que a serpente saiu girando na água.
Lysandra se lançou para trás, conseguindo uma boa visão enquanto olhava para baixo.
Oh, deuses.
Era quase o dobro do tamanho dela, num azul mais profundo, sua barriga branca salpicada com o mais pálido azul. O corpo era quase serpentino, asas pouco mais que barbatanas em suas laterais. Feitas não para cruzar velozmente os oceanos, mas... mas pelas longas garras curvas, para a bocarra que agora estava aberta, provando o sangue, sal e o cheiro dela, revelando dentes tão finos e afiados quanto os de uma enguia.
Dentes em forma de gancho. Para morder e retalhar.
Atrás da serpente marinha, a outra se posicionou.
Os homens estavam se jogando e gritando em cima dela. Se ela não afundasse os navios inimigos...
Lysandra dobrou suas asas bem apertadas. Ela desejava ter tomado um grande gole de ar, ter enchido esses pulmões com a capacidade máxima. Abanando a cauda na corrente, ela deixou o sangue que escorria de suas feridas causadas pela madeira do navio anterior derivar para elas.
Ela soube no momento em que o sangue atingiu as bestas.
No momento em que ela percebeu que não era apenas um animal comum.
E então Lysandra mergulhou.
Rápida e suavemente, ela mergulhou fundo. Se eles tinham sido criados para a matança bruta, então ela usaria a velocidade.
Lysandra passou debaixo deles, passando sob as sombras escuras antes que elas pudesse sequer virar. Em direção ao mar aberto.
Vamos lá, vamos lá, vamos lá...
Como cães atrás de uma lebre, eles a perseguiram.
Havia um banco de areia ladeado por recifes seguindo para o norte.
Ela foi para lá, nadando como o inferno.
Uma das serpentes era mais rápida do que a outra, rápida o suficiente para que sua boca se fechasse sobre a água se agitando em torno de sua cauda...
A água tornou-se mais clara, mais brilhante. Lysandra disparou em linha reta para o recife aparecendo ao fundo, um pilar de vida cuja atividade continuava desaparecida. Ela deu a volta ao redor do banco de areia...
A outra apareceu na frente dela, a segunda serpente ainda perto de sua cauda.
Coisas inteligentes.
Mas Lysandra se jogou para o lado – para as águas rasas do banco de areia, e deixou o impulso levá-la, mais e mais, mais e mais perto do limite estreito da faixa de areia. Ela cravou as garras no fundo, desacelerando para uma parada, a areia pulverizando em crostas, e sua cauda se erguendo, seu corpo pesado emergindo para fora da água...
A serpente marinha que havia pensado em pegá-la desprevenida, nadando ao redor do outro caminho, lançou-se para fora da água e para o banco de areia.
Lysandra atacou, rápida como uma víbora.
O pescoço da criatura exposto, ela apertou as mandíbulas em torno dele e mordeu.
A besta resistiu, o rabo golpeando, mas ela bateu a própria cauda contra a coluna vertebral da criatura. Quebrando suas costas ao mesmo tempo em que rachava seu pescoço.
Sangue negro que tinha gosto de carne rançosa inundou sua garganta.
Deixando a serpente morta cair, ela esquadrinhou as águas azul-turquesa, os destroços, os dois navios restantes e porto...
Onde estava a segunda serpente marinha? Onde diabos aquilo estava?
Inteligente o bastante, ela percebeu, para saber quando a morte estava sobre ela e foi procurar uma presa mais fácil.
Por isso havia agora uma barbatana dorsal submergindo. Rumando para...
Para onde Aelin, Rowan, Gavriel e Fenrys estavam no topo do recife, espadas em punho. Rodeados de água por todos os lados.
Lysandra mergulhou nas ondas, areia e sangue sendo lavados. Mais uma – apenas mais uma serpente marinha, então ela poderia destruir os barcos...
A serpente marinha restante atingiu o afloramento do coral, ganhando velocidade, como se fosse saltar da água e engolir a rainha inteira numa abocanhada.
Ela não estava a menos de seis metros da superfície.
Lysandra se arremessou contra a serpente, ambas acertando o recife de coral com tanta força que ele estremeceu debaixo delas. Mas suas garras estavam cravadas na coluna da besta, a boca em torno do seu pescoço, apertando, obediente à canção da sobrevivência, às exigências daquele corpo de matar, matar, matar...
Elas caíram em mar aberto, a serpente marinha ainda lutando, seu aperto se afrouxando no pescoço...
Não. Um navio de guerra apareceu em cima, e Lysandra cavou bem fundo, reunindo a sua força mais uma vez quando abriu aquelas asas e as bateu...
Ela lançou a serpente marinha contra o casco do barco agora acima delas. A fera rugiu em fúria. Ela atirou novamente, e novamente. O casco estalou. Assim como o corpo da serpente do mar.
Ela assistiu a besta ficar mole. Assistiu a água correndo para dentro da barriga rachada do navio. Ouviu os soldados a bordo começarem a gritar.
Ela aliviou as garras da besta e a deixou flutuar para o fundo do mar.
Mais um navio. Apenas mais um...
Estava tão cansada. Se transformar mais tarde poderia até não ser possível por algumas horas.
Lysandra rompeu a superfície, puxando ar, preparando-se.
Os gritos de Aelin a atingiram antes que ela pudesse mergulhar novamente.
Não de dor... mas um aviso. Uma palavra, de novo e de novo. Uma palavra para ela.
Nade.
Lysandra esticou a cabeça para onde a rainha estava no topo do recife. Mas Aelin estava apontando para trás de Lysandra. Não para o navio restante... mas para o mar aberto.
Onde três formas maciças assolavam através das ondas, com o alvo certo para ela.

8 comentários:

  1. Quando é que ad trezes vão aparecer

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  2. Ai, não aguento essas guerras. Meu coração para de funcionar assim
    E a Lysandra é maravilhosa hein 💜

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  3. Me segua se nao eu caio! Nade, Lys, nade!

    -B.Bunny

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  4. Lyssandra também é muito foda, ela é corajosa e faz tudo pelas pessoas q ama...só digo uma coisa, NADA SUA LOKA, CORRA, VOE SEI LÁ, MAS VC Ñ PODE MORRER o.O

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  5. Esse "A Rainha que foi Prometida" me lembra a lenda do Azor Ahai em As cronicas de Gelo e Fogo, o Príncipe que foi Prometido.

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  6. Esse Dorian NÃO FAZ NADA! Peso morto da pêga kkkkkkk pq não usa a magia dele pra ajudar? Ohh raiva

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  7. Sim. Essa coisa de Rainha Prometida é totalmente Azor Ahai de Asoiaf.

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  8. Devoradora de livros14 de julho de 2017 18:59

    Mano, meu coração ta acelerado aqui,Pelo anjo senhor

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Boa leitura :)