26 de janeiro de 2017

Capítulo 36

Evanlyn girou lentamente na extremidade da corda como a equipe de Kikori acima dela gradualmente, permitindo a ela descer.
Ela foi suspensa no espaço, vários metros afastados da face do penhasco. Mas a poucos metros abaixo dela, um afloramento de rocha deslizou, barrando o caminho. Quando ela se virou para enfrentar o precipício, mais uma vez, o paciente Kikori soltou mais alguns metros de corda, até que seus pés tocassem a pedra. Apoiando seus pés contra a rocha, ela andou para baixo do penhasco, usando suas pernas e pés para manter-se salva enquanto o homem continuava a descê-la. Então ela passou o afloramento e, lentamente, girando no espaço ela continuou.
— Você está perto daqui  Alyss chamou de baixo.
Evanlyn olhou por cima de seu ombro e pôde ver a mensageira esperando ao pé do precipício, quase quinze metros abaixo dela. Ela olhou para trás até onde a corda já havia deslizado sobre o afloramento de rocha. Um pouco mais disso e a corda iria partir, ela pensou. Mas a pedra era lisa e não havia muito a fazer. Ela sentiu seus pés tocarem o chão, e a mão de Alyss sobre seu cotovelo para estabilizá-la. A corda ficou frouxa e ela deixou escapar um enorme suspiro de alívio. Não tinha percebido que estava segurando a respiração. Suas pernas estavam um pouco instáveis, uma reação ao fato de que ela havia sido pendurada no espaço durante uma queda enorme, como uma aranha em um fio de teia.
Alyss correu para ajudar a libertá-la do cinto de corda que o Kikori havia criado para mantê-la em segurança enquanto eles a baixaram até a falésia.
— Fico feliz que acabou  disse Evanlyn.
Alyss assentiu com a cabeça em concordância sincera.
— Se há uma coisa que me apavora, é altura.
Evanlyn olhou para ela surpresa.
— Mas você se ofereceu para ir primeiro.
— Somente porque eu pensei que se eu visse você descendo, eu nunca teria a coragem de seguir. Passei a maior parte do tempo com os olhos fechados.
Eles desprenderam até perder o último sinal de que a corda tinha sido amarrada ao redor de Evanlyn, e Alyss puxou forte a corda quatro vezes – um sinal combinado para contara Kikori acima de que Evanlyn estava segura no fundo do precipício.
De repente, a corda começou uma rápida subida, enquanto as duas meninas faziam um balanço da sua situação.
As falésias tinham duzentos e cinquenta metros de altura e eles fizeram a descida em três etapas, com os escaladores Kikori escolhendo pontos de parada adequados ao longo do caminho. Em cada ponto, um alpinista tinha esperado com Alyss e Evanlyn enquanto o resto da equipe desceu, até que as garotas tivessem descido até a próxima fase. O caiaque, amarrado em um feixe estreito, estava nas pedras ao lado delas. Um dos Kikori tinha feito o estágio final da descida com ele, passando da obstrução do afloramento de rocha e desvincularam-se na parte inferior. Ele tinha então subido rapidamente de volta, auxiliado por seus companheiros de tração na corda, para informar que estava tudo bem.
A poucos metros, as águas do Mizu-Umi Bakudai batiam gentilmente contra a costa. Evanlyn ficou aliviada ao ver que a água estava calma. O dia tinha sido suficientemente de arrepiar os cabelos, pensou ela, sem a complicação de águas turbulentas para a sua iniciação na arte de caiaque.
— Eu acho que seria melhor começar a montagem do barco  disse ela.
Mas antes que Alyss pudesse responder, uma pequena chuva de pedras deslizou do afloramento de rocha acima deles. Ambos cobriram as suas cabeças contra qualquer pedra que pudesse cair e então um par de botas apareceu na beirada da pedra. O Kikori que tinha feito a descida chamou seus companheiros para parar de descer. Ele deslizou para fora da rocha e enfiou uma almofada de pele de carneiro entre a corda e a face da rocha. Obviamente, ele dividiu o mesmo pensamento de Evanlyn mais cedo sobre o desgaste da corda. Então ele sinalizou e recomeçou a descida. Ele caiu rapidamente para as rochas ao lado deles, em seguida, olhou para cima, sorrindo.
— Você veio mais rápido do que nós, Eiko — Evanlyn falou.
Ele deu de ombros.
— Faço isso várias vezes.
As meninas notaram que ele tinha desprezado usar o cinto de acordo como havia sido planejado para elas. Ele simplesmente amarrou um laço na extremidade da corda e colocou um pé nela, como os outros o baixaram. Alyss tremeu com o pensamento.
Eiko tinha pacotes de viagem sobre o seu ombro e os tirou e colocou os no chão ao lado do maço de madeiras e oleado. Ele gesticulou para os pacotes.
— Você precisa de ajuda?
Alyss abanou a cabeça.
— Nós devemos nos habituar a montá-lo nós mesmas.
Ele assentiu e se afastou, observando como elas rapidamente desenrolaram o pacote, organizado as estruturas e os tecidos oleados, e em seguida, prenderam o apoio a madeira de modo que o esqueleto do barco tomou forma.
Quando começaram a esticar o oleado sobre a estrutura, lutando contra o laço para trazê-lo apertado, ele fez um estalo com a língua e as deteve.
— Melhor assim!
Removendo os pinos de fixação, ele deslizou uma das estruturas principais para os lados, relaxando a tensão para que as madeiras do barco caíssem um pouco.
— Amarre agora  disse ele, acompanhando a palavra com gestos. — Em seguida, aperte a estrutura novamente.
As meninas rapidamente captaram a ideia. Elas esticaram um oleado apertado sobre o barco parcialmente montado, atando-o firmemente no lugar, então ajeitaram a estrutura, voltando assim a posição original, de modo que qualquer folga restante na pele do barco já estava esticada.
— Boa ideia  disse Alyss apreciativa. — Isso torna muito mais fácil.
— Sim. Eu estava receosa de que iria quebrar uma unha  Evanlyn acrescentou.
Alyss olhou para ela severamente, a ponto de fazer um comentário depreciativo, quando percebeu que a princesa estava brincando. Sentindo-se um pouco tola, inclinou a cabeça para a tarefa de prender a última das amarras. Quando o último nó foi amarrado, eles voltaram e examinaram sua obra.
— Excelente  disse Alyss.
Evanlyn assentiu.
— Você pode quase jurar que é um barco.
Desta vez, Alyss não reagiu. Ela tinha um sentimento de que as piadas de Evanlyn foram destinadas para ocultar seu nervosismo em se aventurar através do lago nesta estrutura aparentemente frágil.
Alyss poderia entender isso. Mas ela também sabia que o caiaque era muito mais robusto e navegável do que parecia.
Os dois remos de pontas duplas tinham sido amarrados no pacote original e ela apanhou-os e levou-os alguns metros à beira da água. Quando voltou, viu que Eiko tinha estado ocupado, enchendo as duas bexigas de ar feitas de couro de porco que servia de câmaras de flutuação no caso de o barco ser pego no mau tempo. Eles empurraram as bexigas para a proa e a popa do caiaque, para cunhá-los no lugar entre as longarinas, então arrumaram os pacotes de viagem entre os dois bancos, prendendo uma capa de oleado por cima deles para mantê-los secos.
— Certo  disse Alyss. — Agarre um lado e vamos embora.
As meninas se inclinaram para pegar o barco, mas Eiko acenou negativamente. Ele pegou facilmente o barco equilibrou em seu quadril, e sorriu para elas.
— Eiko  Evanlyn disse — nós dissemos. Temos que...
— Sim, sim! — respondeu, acenando com a mão livre com desdém. — Vocês tem que fazer vocês mesmas. Podem fazer amanhã e depois de amanhã e depois. Eu faço hoje.
Alyss e Evanlyn trocaram um olhar. Então Alyss encolheu os ombros.
— Por que não? Afinal de contas, nós podemos fazê-lo amanhã e depois de amanhã e depois.
Ela curvou-se e varreu com a mão a beira do lago.
— Eiko, meu amigo, depois de você.
Sorrindo, o Kikori caminhou em direção ao lago, as duas meninas a seguir. Ele colocou o caiaque nas águas rasas da beira do lago, deixando metade dentro e metade fora da água. As duas meninas olharam para a vasta extensão de água. A partir da falésia, não eram capazes de ver a outra margem, um longo, longo caminho. A partir do nível da água, não havia sinal dele. Eles poderiam estar na borda de um oceano.
— É certamente um grande lago  Evanlyn disse calmamente.
Ela olhou para Eiko.
— Eiko, o que significa “Mizu-Umi Bakudai”?
O lenhador franzindo a testa, hesitante.
— Significa “Mizu-Umi Bakudai”.
Evanlyn fez um gesto impaciente.
— Sim, sim. Obviamente. Mas o que essas palavras significam?
Alyss tossiu e Evanlyn virou-se para ela. A mensageira estava reprimindo um sorriso.
— Quer dizer Grande Lago  disse ela.
Eiko assentiu alegremente e Evanlyn sentiu as suas bochechas ficarem rosadas.
— Ah, é claro. Lógico, eu acho.
— Os nihon-jins têm uma propensão para nomes literais de lugares, eu tenho notado — Alyss disse a ela.
Em seguida, bruscamente, ela espanou as mãos para fora e inclinou sobre o caiaque, empurrando-o plenamente em águas rasas.
— Vamos verificar se não há nenhum vazamento.
A água estava a poucos centímetros de profundidade a costa, mas, após dois ou três metros, já tinha meio metro de profundidade. De lá, rapidamente se tornou mais profunda e com fundo de areia e pedra, facilmente visível quando se aproximava até se perder de vista. Alyss reagiu ao choque da água gelada.
— Ai! Isso é frio! Certifique-se de ir para a ponta do barco, Evanlyn.
— Certifique-se de si mesma  Evanlyn respondeu secamente.
Mas, secretamente, ela sabia que se alguém estava indo para a ponta do barco, seria ela. Ela passou a entrar na água para ajudar, mas Alyss acenou de volta.
— Eiko pode me ajudar. Ele é mais pesado.
Ela virou-se para o Kikori e apontou para o barco.
— Empurre para baixo tanto quanto você puder, por favor, Eiko.
Ele acenou como sinal de compreensão e entrou no seu lado. Descendo, ele apoiou a sua mão contra as paredes da estrutura e inclinou seu peso para o barco. O casco afundou ainda sob o peso dele e Alyss inclinou-se, buscando de cima para baixo qualquer sinal de vazamento. Mas o oleado apertado criou uma excelente barreira à prova d'água e não havia nenhum sinal de vazamento.
— Isso é ótimo  disse Alyss, endireitando-se. Ela acenou para Evanlyn. — Ok, pegue seu remo e suba abordo. Pegue o banco da frente. Dessa forma eu posso manter um olho em você.
Eiko agiu rapidamente no sentido de Evanlyn, fazendo um gesto para indicar que ele iria levantá-la para o barco, mas Alyss deteve.
— Não, Eiko. Melhor se ela se acostumar a fazer isso sem ajuda. Subir pode ser um pouco complicado  ela explicou para Evanlyn.
A outra menina concordou e com o remo na mão, entrou na água. Ela também prendeu a respiração com o toque gelado do lago.
— Eu posso ver porque você não quer cair no lago.
Movendo-se sem jeito, ela levantou um pé molhado e foi passar para o caiaque, tentando equilibrar-se. Mas Alyss a parou.
— Não é dessa forma. Vire as costas para o caiaque e suba de costas em primeiro lugar. Sente-se lateralmente com suas costas no assento. Isso faz com que a maior parte de seu corpo esteja dentro do barco, e então só faltam suas pernas.
Cuidadosamente, Evanlyn abaixou-se para trás até alcançar o assento de madeira. O barco inclinou e ela ficou tensa, nervosa. Mas Alyss segurou firme o caiaque.
— Eu seguro. Pode se soltar. Agora, levante seus pés e balance-os dentro do barco. Coloque-os sobre a estrutura ou apoie no assento da frente, não no oleado — acrescentou. — Nunca coloque o peso sobre isso.
Evanlyn olhou para ela.
— Você tem mais algum conselho óbvio para mim?  Ela perguntou sarcasticamente e Alyss encolheu os ombros.
— Não faz mal lembrar.
Ela esperou enquanto Evanlyn balançava as pernas e os pés dentro do barco, instalando-se no lugar. Em seguida, Alyss soltou seu lado da popa e se mudou para o lado do caiaque. Eiko se adiantou para segurar o barco firme como ela vinha fazendo, mas ela acenou negativamente.
— Eu estou bem  disse ela.
Ela entregou seu remo a Evanlyn, que estava esperando um pouco ansiosa.
— Evanlyn, o barco vai estalar quando eu começar a entrar. Barcos fazem isso. É perfeitamente normal. Não tente combater. Vai se recuperar. Basta manter o seu peso no centro e seu corpo solto, ok?
Evanlyn, tensa como uma corda de violino, acenou com a cabeça.
Movendo-se rapidamente e sem problemas, Alyss jogou seu peso no banco de trás e trouxe suas pernas para dentro. O barco balançou sob seu peso – parecia violentamente para Evanlyn, que não podia deixar de emitir um grito de alarme. Em seguida, ela se firmou e percebeu que estavam flutuando, à deriva no banco e Eiko em pé na beira, com os joelhos dentro d’água. Ele sorriu encorajador para elas e acenou.
As pequenas ondas faziam um pok constante contra o oleado apertado do caiaque e, pela segunda vez naquele dia, Evanlyn soltou um suspiro que não tinha percebido que estava segurando.
— Ok, me passa o remo — ela ouviu Alyss dizer e ela virou-se desajeitadamente para passar o remo de volta para sua companheira.
Quando ela fez isso, o barco balançou e ela imediatamente ficou tensa mais uma vez, virando rapidamente de volta para enfrentar o arco.
— Relaxe  disse Alyss a ela. — Basta pegar o ritmo, da mesma maneira que em um cavalo. Se de repente você ficar rígida, vai ser mais difícil se manter equilibrada e relaxada. Agora vamos tentar com o remo novamente. E veja se você pode evitar deixá-lo cair.
Dessa vez, Evanlyn deslizou o remo para trás sem se virar. Ela ouviu um gemido de dor quando o remo pegou Alyss nas costelas.
— Obrigada por isso  disse a mensageira.
— Desculpe  respondeu Evanlyn.
Ela odiava a sensação de estar fora de controle.
— Agora, vamos continuar nos movendo  Alyss disse a ela. — O lado esquerdo primeiro. Reme suave e lentamente. Não tente fazer demais. Acima de tudo, tente não jogar água em cima de mim. Na minha contagem.
Evanlyn levantou o desconhecido remo, à espera da contagem de Alyss.
— Tudo bem... primeiro à esquerda. Um... e dois... um... dois... é isso. Continue assim. Suave... e lentamente. Um e... Ai, caramba! Se você espirrar em mim novamente, eu vou jogá-la para fora. Agora, Seja cuidadosa!
Ao pensamento de Evanlyn, essa não era a maneira certa de falar com a princesa de Araluen.

5 comentários:

  1. Karina, achei um erro aqui. :D
    "Então um par de botaR (BOTAS) apareceu na beirada da pedra."

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  2. Meu Deus, não sabia que a Alyss era tão mandona kkkkkkkkkkkkkkk

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  3. Estou amando essas duas malucas! kkkkkkkkkkkk
    Ass: Bina.

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  4. Kkkkkkkkkk tb estou amando as Bina.
    Ass: Lua

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Boa leitura :)