30 de janeiro de 2017

Capítulo 34

Ela era um mentirosa, uma assassina e uma ladra, e Aelin tinha a sensação de que seria chamada de coisas muito piores ao fim desta guerra. Mas enquanto a escuridão não natural se reunia no horizonte, ela se perguntava se poderia ter abocanhado mais do que ela e todos os seus amigos poderiam mastigar em uma única mordida.
Ela não deu ao medo um centímetro de espaço.
Não fez nada, exceto deixar o fogo negro ondular através dela.
Proteger esta aliança era apenas parte disto. A outra parte, a parte maior... era a mensagem. Não para Morath.
Mas para o mundo.
Para todos os aliados potenciais olharem para este continente, contemplando, se de fato era uma causa perdida.
Hoje a sua mensagem trovejaria através dos reinos.
Ela não era uma princesa rebelde, destruindo castelos inimigos e matando reis.
Ela era uma força da natureza. Ela era uma calamidade e uma comandante de guerreiros lendários e imortais. E se esses aliados não se juntassem a ela... ela queria que eles pensassem no dia de hoje, no que ela faria, e se perguntassem se poderiam encontrá-la atrás de si, em seus portos, um dia, também.
Eles não vieram há dez anos. Queria que eles soubessem que ela não tinha esquecido.
Rolfe terminou de berrar as ordens para seus homens e correu a bordo do Dragão Marinho, Aedion e Dorian galopando cavalos que os levassem às suas respectivas torres de vigia. Aelin virou-se para Lysandra, a metamorfa monitoramento calmamente a todos.
— Sabe o que eu preciso que você faça? — Aelin perguntou calmamente.
Os olhos verde-musgo de Lysandra estavam brilhantes quando ela acenou com a cabeça.
Aelin não se permitiu abraçar a metamorfa. Não se permitiu nem tocar a mão da amiga. Não com Rolfe assistindo. Não com os cidadãos desta cidade observando, os micênicos perdidos entre eles. Então Aelin apenas disse:
— Boa caça.
Fenrys soltou um som abafado, como se percebesse o que ela tinha de fato exigido da metamorfa. Ao lado dele, Gavriel ainda estava ocupado demais olhando para Aedion, que não lançara exatamente um olhar arrependido para o pai antes de colocar o seu escudo e espada nas costas, montado a égua e galopado para a torre de vigia.
Aelin disse a Rowan, o vento já dançando no cabelo de prata de seu príncipe guerreiro:
— Nós nos movemos agora.
Assim o fizeram.
As pessoas estavam em pânico nas ruas quando a força escura tomou forma no horizonte: os enormes navios com velas negras, convergindo para a baía como se estivessem efetivamente sendo empurrados por um vento sobrenatural.
Mas Aelin, Lysandra perto dela, caminharam para o imponente Dragão Marinho, Rowan e seus dois companheiros as seguindo.
Pessoas passavam gritando em espanto enquanto eles subiam a passarela de segurança e reorganizavam suas armas. Facas e espadas, o machado de Rowan brilhando enquanto ele o prendia ao seu lado, um arco e uma aljava cheia de flechas de penas pretas que Aelin assumiu que Fenrys podia disparar com precisão mortal, e mais lâminas. Quando eles foram para o convés balançando suavemente do Dragão Marinho, a madeira meticulosamente polida, Aelin supôs que, juntos, eles formavam um arsenal ambulante.
Gavriel tinha acabado de pôr o pé a bordo quando a passarela foi içada pelos homens de Rolfe. Os outros, sentados em bancos que ladeavam o convés, levantaram remos, dois homens em cada assento. Rowan empurrou o queixo para Gavriel e Fenrys, e os dois silenciosamente foram se juntar aos homens, sua equipe se postando na hierarquia e ritmo que eram mais antigos do que alguns reinos.
Rolfe saiu de uma porta que, sem dúvida, levava a seu escritório, dois homens atrás dele carregando enormes correntes de ferro.
Aelin caminhou até eles.
— Prendam-nas no mastro principal e certifiquem-se de que haja comprimento suficiente para elas para chegarem até... aqui. — Ela apontou para onde ela estava agora no coração do navio. Espaço suficiente claro para todos, espaço suficiente para ela e Rowan trabalharem.
Rolfe gritou uma ordem para começarem a remar, olhando uma vez para Fenrys e Gavriel – cada um equipado com um remo para si, mostrando os dentes à medida que aplicavam força considerável no movimento.
Lentamente, o navio começou a se mover – os outros ao seu redor se agitando também.
Mas eles tinham que estar fora da baía primeiro, tinham que ter passado do limite da Quebra-Navios.
Os homens de Rolfe enrolaram as correntes em torno do mastro, deixando comprimento suficiente para chegar até Aelin.
O ferro proporcionaria um aperto, uma âncora para lembrar quem ela era, o que ela era. O ferro a manteria presa quando a vastidão de sua magia, a magia de Rowan, ameaçasse correr para longe.
Dragão Marinho avançou sobre o porto, os chamados e grunhidos dos homens de Rolfe enquanto eles remavam abafando o barulho da cidade atrás deles.
Ela lançou um olhar em direção a torre de vigia para ver Dorian chegar – em seguida, ver o cabelo dourado comprido de Aedion, até a escada em espiral exterior, montando o enorme arpão no topo. Seu coração ficou tenso por um momento enquanto ela vivia entre o agora e o momento em que ela tinha visto Sam correndo por aquelas mesmas escadas – não para defender esta cidade, mas para destruí-la.
Ela sacudiu o aperto gelado da memória e virou-se para Lysandra, de pé no parapeito da plataforma, observando seu primo também.
— Agora.
Até mesmo Rolfe fez uma pausa à sua palavra de ordem.
Lysandra graciosamente sentou-se no comprido parapeito de madeira, girou as pernas para o lado... e caiu na água.
Os homens de Rolfe correram para a grade. Pessoas em barcos flanqueando-os fizeram o mesmo, assistindo o mergulho da mulher no azul vívido.
Mas não era uma mulher que voltou a superfície.
Abaixo, no fundo, Aelin pôde distinguir o brilho mudando e se espalhando. Homens começaram a xingar. Mas Lysandra estava crescendo e crescendo abaixo da superfície, ao longo do chão de areia do porto.
Mais rápido, os homens remaram.
Mas a velocidade do navio não era nada comparado à velocidade da criatura que emergiu das ondas.
Um enorme focinho verde-jade, salpicado por de dentes brancos afiados, soprou um jato de água forte, em seguida, arqueou de volta sob a água, revelando um lampejo de uma enorme cabeça e olhos astutos quando ela desapareceu.
Alguns homens gritaram. Rolfe apoiou uma mão no leme. Seu primeiro comandante, a espada do Dragão Marinho recém-polida ao seu lado, caiu de joelhos.
Lysandra subiu, e ela os deixou ver o corpo longo e poderoso que quebrou a superfície por um curto tempo, quando ela mergulhou para baixo, suas escamas de jade brilhando como joias ofuscantes ao sol do meio dia. Vendo a lenda seguindo paralela às suas profecias: os micênicos só voltariam quando os dragões marinhos o fizessem.
E assim Aelin se assegurou que um aparecesse bem em seu porto, deuses malditos.
— Pelos deuses — Fenrys murmurou de onde ele remava.
Na verdade, essa foi a única reação que Aelin pôde ver quando o dragão mergulhou fundo ao mar, em seguida, nadou à frente.
Porque aquelas eram poderosas barbatanas – asas que Lysandra espalhava sob a água, colocando em seus pequenos braços frontais e as pernas para trás, sua cauda maciça agindo como um leme.
Alguns dos homens de Rolfe estavam murmurando:
— Um dragão... Um dragão para defender o nosso navio... As lendas de nossos pais...
De fato, o rosto de Rolfe estava pálido enquanto olhava na direção de onde Lysandra havia desaparecido no azul, ainda segurando o leme como se este fosse impedi-lo de cair.
Duas serpentes do mar... contra um dragão marinho.
Porque todo o fogo do mundo não agiria sob o mar. E se eles fossem ter uma chance de dizimar esses navios, não poderia haver interferência abaixo da superfície.
— Vamos, Lysandra — Aelin sussurrou, e enviou uma oração a Temis, a deusa das Coisas Selvagens, para manter a metamorfa rápida e firme sob as ondas.



Aedion tirou o escudo de suas costas e caiu no assento diante do lançador de arpão de ferro gigante, seu comprimento, talvez, uma mão mais alto que ele, a cabeça da lança maior do que a sua própria. Havia apenas três lanças. Ele teria que economizar em seus tiros.
Do outro lado da baía, ele podia distinguir o rei tomando uma posição ao longo do parapeito no nível mais baixo da torre.
Na baía em si, o navio de Rolfe remava mais e mais perto, aproximando-se da Quebra-Navios abaixo.
Aedion pisou em um dos três pedais operacionais que lhe permitiam girar o lançador, segurando as alças de ambos os lados, e posicionou a lança no lugar. Cuidadosamente, precisamente, ele apontou o arpão em direção à borda mais exterior da baía, onde os dois braços da ilha se inclinavam um para o outro para fornecer uma passagem estreita para o porto.
Ondas quebravam um pouco além – um recife. Bom para quebrar navios – e, sem dúvida, onde Rolfe plantaria seu navio, a fim de fazer a frota de Morath se quebrar sozinha.
— Que diabos é aquilo? — Uma das sentinelas que equipava o artilheiro ofegou, apontando para as águas da baía.
Uma sombra poderosa e enorme tomava a parte inferior da água à frente do Dragão Marinho, mais rápido do que o navio, mais rápido do que um golfinho. Seu corpo longo serpentino subia através do mar, mostrando asas que poderiam também ser barbatanas.
O coração de Aedion parou.
— É um dragão marinho — ele conseguiu dizer.
Bem, pelo menos agora ele sabia em qual forma secreta Lysandra estava trabalhando.
E porque Aelin tinha insistido em ficar dentro do templo de Brannon. Não apenas para ver o rei, e não apenas para recuperar a cidade para os micênicos e Terrasen, mas... para Lysandra estudar o tamanho natural, as esculturas detalhadas desses dragões do mar. Para se tornar um mito vivo.
Essas duas... Oh, demoniazinhas espertas e conspiradoras. Uma rainha de lendas, de fato.
— Como... como... — a sentinela se virou para as outros, balbuciando entre si. — Vai nos defender?
Lysandra se aproximou da Quebra-Navios, ainda baixada sob a superfície, girando em formando arcos, descendo juntamente com as rochas como se experimentando sua nova forma. Se acostumando a ela pelo pouco de tempo que tinham.
— Sim — Aedion respirou quando terror inundou suas veias. — Sim, ela vai.



A água era quente e silenciosa e eterna.
E ela era uma sombra em degradê que deixava os peixes coloridos, cor de joia, correndo para suas casas de corais, ela era uma ameaça que subia através da água, que fazia os pássaros brancos se dispersarem em voo da superfície quando eles sentiam sua passagem abaixo.
Raios de sol entravam em colunas através da água, e Lysandra, na pequena parte dela que permanecia humana, sentia como se estivesse deslizando através de um templo de luz e sombra.
Mas ali estava – na frente à distância, perceptíveis em ecos e vibração – os sentiu.
Mesmo os predadores maiores destas águas passavam rapidamente, rumando para o mar aberto, além das ilhas. Nem mesmo a promessa de água manchada de vermelho poderia mantê-los no caminho das duas forças prestes a colidir.

À frente, a poderosa corrente da Quebra-Navios descia profundamente, como o colar colossal de uma deusa inclinando-se para beber do mar.
Ela estivera lendo sobre eles – os dragões do mar há muito esquecidos e há muito mortos – a mando de Aelin. Porque sua amiga soubera que aquele exército armado de Rolfe com os micênicos os levariam longe agora, mas se eles quisessem exercer o poder da lenda... para as pessoas se reunirem em torno deles. E com um lar para finalmente lhes oferecer, entre estas ilhas e Terrasen...
Lysandra estudara as esculturas dos dragões do mar no templo, uma vez que Aelin queimara a sujeira sobre elas. Sua magia tinha preenchido as lacunas das esculturas que não apareciam. Assim como as narinas interceptaram cada aroma na corrente, os ouvidos desvendando diferentes camadas de som.
Lysandra varreu o recife um pouco além dos lábios entreabertos da ilha. Ela teria que recolher as asas, mas aqui... aqui ela os impediria.
Aqui ela teria de libertar todos os seus instintos selvagens, rendendo a parte dela que sentia e cuidava.
Aqueles animais, no entanto eles eram forjados, eram só isso: bestas. Animais.
Eles não lutariam com moral e códigos. Eles lutariam até a morte, e lutariam pela sobrevivência. Não haveria nenhuma piedade, nenhuma compaixão.
Ela teria que lutar como eles. Ela tinha feito isso antes – tinha se tornado feral, não apenas naquele dia que o castelo de vidro tinha quebrado, mas na noite em que foi capturada e aqueles homens tinham tentado tomar Evangeline. Isto não seria diferente.
Lysandra cravou as garras curvadas na plataforma do recife para manter sua posição contra o movimento da corrente, e olhou para o azul silencioso que se estendia indefinidamente à frente.
Então ela começou sua vigília mortal.

14 comentários:

  1. Eeeeiiiiitaaaaa!
    Isso não vai prestar!

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  2. Essas duas... Oh, demoniazinhas espertas e conspiradoras. Uma rainha de lendas, de fato.
    cara tudo que a aelin faz tem um motivo meu zeus
    quero nem ver as lendas da rainha cadela e cuspidora de fogo rsrsrs

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  3. Tô com medo que algo aconteça a ela 😞

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  4. Que os deuses as proteja, porque to sentindo que vai dar merda, so nao sei pra que lado.

    ps: lokaaaaa pra ver tds esses mulheres juntas e tramando, OMG, ja pensou Manon e as bruxas com Alien e Lys, meu coração nao vai aguentar.

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  5. Já penso quando uni td mundo Aelin Manon e as treze Elide Lyzandra Rowan Aedion Dorian Chaol Faliq Lorcan Gavriel Fenrys
    Meus amores o bixo vai pegar corre pras montanhas...

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  6. É uma grande transformação. Espero que isso não a mate! :/

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  7. Espero q lyzandra não fique sem magia na batalha e não morra para as serpentes marinhas.
    Nossa o poder de aelin é tão grande que ela pedido correntes de ferro.
    Ass: Milly *-*

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  8. Devoradora de livros14 de julho de 2017 18:05

    Pq estou sentindo q vai da merda? já sei........PQ SEMPRE DÁ MERDA.
    Arrase Aelin

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  9. Cara, Aelin é inteligente d+
    oh demoniazinha esperta 😀
    Adorei Lysandra como Dragão Marinho, espero q merdas n aconteçam.. 🙏

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Boa leitura :)