26 de janeiro de 2017

Capítulo 31

A primeira ordem do dia foi inspecionar o andamento dos reparos à paliçada.
Halt ficou em silêncio por vários minutos enquanto estudava a seção ocidental enfraquecida. O grupo de trabalho Kikori estava ocupado cavando as fundações para novas vigas verticais. Eles estavam bem organizados e o trabalho decorria sem problemas.
Os Kikori, após gerações de corte e arrasto das imensas árvores da montanha, estavam acostumados a trabalhar juntos, com o mínimo de confusão. A todos foi atribuída uma tarefa e todos as executaram de forma eficiente.
Will observou como um grupo levantava uma grande viga mestra da madeira sobre um dos buracos da fundação. Eles trabalhavam de maneira suave e eficiente, reagindo imediatamente com as instruções gritadas pelo seu chefe.
— Eles são bem disciplinados  Will comentou.
Horace assentiu.
— Sim. Eles cooperam bem. Eu diria que é porque eles precisam trabalhar em equipe quando derrubam árvores realmente grandes e então têm de movê-las pelas montanhas. Cada homem tem que poder contar com os ao lado dele.
— Horace  Halt interrompeu — você poderia pará-los apenas por um momento? Fazê-los parar o que estão fazendo.
Horace olhou para ele com surpresa, então chamou o capataz e disse a ele para deixar os homens esperar por um momento. Ele voltou-se a Halt.
— Há algo de errado, Halt?  Perguntou, e o arqueiro balançou a cabeça.
— Não. Não. Nós poderíamos ter uma oportunidade aqui.
Seus olhos se estreitaram enquanto ele estudava a seção danificada. Então ele pareceu voltar a uma decisão.
— Quantos homens Arisaka têm? E quanto tempo antes de chegar aqui?
— Cinco ou seis centenas de guerreiros, tão próximo quanto nossos batedores podem nos dizer  Horace disse ele. — A maior parte do seu exército está cerca de três semanas afastado. Nós os forçamos a um longo desvio quando derrubamos a ponte. Mas se ele pensar um pouco, vai enviar um grupo na frente nesse meio tempo para tentar entrar aqui antes que a neve bloqueie o vale.
Halt assentiu. Era o que ele esperava.
— Então, podemos esperar um grupo de talvez uma centena de homens em algum momento nos próximos dez dias?
— Isso é certo. Poderia ser mais cedo, mas eu duvido. Mesmo viajando leve e sem nenhuma bagagem real, é difícil.
— E se pudéssemos lhes ensinar uma lição, seria útil  disse Halt.
Novamente, Horace acordou.
— Qualquer redução para os números de Arisaka seria útil.
— Tudo bem. Aqui está o que vamos fazer. Pare os reparos naquela seção. Arrume-a, mas faça isto mal. Use a madeira podre que estava ali. Torne-o um óbvio ponto fraco.
Horace balançou a cabeça, pensativo.
— Você está planejando concentrar os ataques em uma região?
Ele não tinha certeza se era uma boa ideia, mas nunca tinha visto Halt ter uma ruim.
— Um pouco mais do que isso. Dentro da seção enfraquecida, vamos construir uma segunda parede... faça-a em forma de U e um pouco mais baixa que a paliçada para que eles não possam vê-la. Nós vamos deixá-los criar uma brecha. Quando eles se concentrarem no meio, perceberão que o espaço é fechado por três lados, com paredes mais fortes. Nós os teremos concentrados em uma área e realmente podemos fazer algum dano a eles. Teremos troncos e pedras na parte de baixo da paliçada, para que, uma vez que estiverem dentro dele, podemos deixá-los na brecha e prendê-los. Pelo menos, vamos tornar mais difícil para eles recuarem.
Selethen estava concordando, seus olhos sobre a paliçada e a muralha de pedra íngreme ao lado.
— Nós poderíamos também acumular rochas e troncos naquela parede de rocha — acrescentou. — Vai ser fácil construir um muro e mantê-los no lugar. Então, uma vez que o inimigo esteja dentro, destruímos o muro e criamos uma avalanche sobre eles.
Halt olhou rapidamente para o arridi.
— Boa ideia.
Pela primeira vez em várias semanas, Horace podia sorrir com o pensamento do conflito iminente. Haveria pouco combate corpo-a-corpo envolvido. Os Kikori teriam a vantagem de combate a partir do topo da paliçada. Pedras, lanças e troncos seriam armas eficazes. Poderiam destruir qualquer pequena força de ataque antes de ter que entrar na verdadeira batalha.
— Estou tão feliz que vocês pensaram nisso — disse o cavaleiro.
— No mínimo, vamos diminuir os números de Arisaka — Halt falou. — O truque só funciona uma vez, mas vai reduzir sua velocidade e, em seguida, a neve pode estar aqui.
Horace chamou o líder dos lenhadores e eles explicaram o novo plano para ele. Seus olhos brilharam quando ele agarrou a ideia e ele concordou com entusiasmo, sorrindo para Halt e Selethen, como os autores do estratagema. Não foi necessário dar-lhe os planos detalhados para a nova seção da parede. Ele seria mais do que capaz de planejar isso.
Eles o deixaram para reorganizar os trabalhadores e foram assistir ao pequeno grupo de Senshi que estava praticando suas habilidades com a espada. Como Horace, os três recém-chegados ficaram impressionados com a velocidade e a precisão da técnica os guerreiros nihon-jins.
— Eles são bons  disse Selethen. — Muito bons.
Horace olhou para ele.
— De homem para homem, eu diria que eles são melhores que os nossos cavaleiros de Araluen.
Doía-lhe admiti-lo, mas o fato era inevitável.
— Nossos melhores guerreiros seriam praticamente iguais ao seu melhor, mas é como indivíduo que eles têm a vantagem. As fileiras Senshi são mais hábeis do que a média de um graduado a partir de uma escola de batalha em Araluen.
Halt concordou com ele.
— Faz sentido. Você nos disse que eles começam a praticar quando têm dez anos. Nossas escolas de batalha não aceitam alunos até que eles estejam com quinze.
Selethen alisou a barba.
— Eu concordo  disse ele. — Como indivíduos, eles são impressionantes.
As palavras criaram uma centelha de uma vaga lembrança na mente de Will. Ele franziu a testa enquanto tentava encontrá-la, mas para o momento em que lhe escapou. Ele olhou para longe, distraído, para os trabalhadores no vale, que estavam subindo ao longo da paliçada, colocando madeiras na nova posição e agora trabalhando sobre as toras que formariam a nova seção de parede interna.
Notou o quão bem eles trabalharam em harmonia uns com os outros. Não parecia haver desperdício de esforços e nenhuma confusão em suas ações. Ele sacudiu a cabeça, um pouco aborrecido, enquanto tentava recuperar a ideia tentadora que estava mexendo na sua cabeça.
O que Selethen tinha dito? Como indivíduos, eles são impressionantes. Isso se relacionava de alguma forma, à vista das equipes de Kikoris disciplinados no trabalho.
— Uma hora eu lembro  disse a si mesmo, e correu para apanhar com os outros.
Mais uma vez, Moka foi trabalhar com seu pequeno grupo de Kikori, tentando transformá-los em espadachins. Houve alguma melhora, Horace pensou. Os Kikori estavam aptos e bem coordenados. Mas a diferença entre estes novos alunos e os que Senshi que tinha acabado de assistir era por muito evidente.
— Quantos Senshi em forma que você tem prontos para lutar?  Halt perguntou.
— Talvez quarenta. O suficiente para manter a paliçada contra um ataque. Mas depois disso...
Moka gesticulou em dúvida. Ele sabia que Arisaka não se assustaria com as baixas iniciais. Uma vez que tinha um número esmagador no lugar, ele continuaria jogando seus homens contra a parede de madeira.
— E Arisaka tem... Quantos? Quinhentos?
— Algo como isso.
O tom de Horace foi abatido. Não importava o que eles poderiam planejar, táticas para atrasar Arisaka, mais cedo ou mais tarde, eles teriam que enfrentar o seu grande número de guerreiros treinados.
— E você tem duzentos Kikori quem irão lutar?  Selethen pediu e, como Horace assentiu, ele acrescentou: — E sobre as armas?
— Machados  disse Horace. — Algumas facas. E a maioria deles tem lanças. Nós encontramos um arsenal de velhas armas mais acima do vale quando chegamos aqui. O local tem sido utilizado como uma fortaleza mais de uma vez ao longo dos anos. Mas eram velhas e principalmente enferrujadas. Eu não confiaria na têmpera das lâminas, elas são dificilmente utilizáveis.
Halt olhou para o céu. Havia nuvens cinza correndo baixo acima deles, com uma “barriga” inchada com a umidade.
— Vamos torcer para nevar em breve — disse ele.


— Então, como estão as coisas entre você e Will?  Horace perguntou.
Alyss virou para ele e um sorriso lento iluminou seu rosto.
— Ótimas  disse ela. — Está tudo certo.
Havia dois dias desde os araluenses e Selethen haviam chegado a Ran-Koshi. Nesse tempo, o trabalho que Halt e Selethen sugeriram havia avançado bem. Como Horace tinha comentado anteriormente, os Kikori eram um grupo útil de ter com você se fosse necessário construir em madeira. O jovem guerreiro tinha sentido uma sensação de alívio por poder entregar esses detalhes para homens mais velhos e mais experientes.
— Eu não sou um planejador — falou a si mesmo. — Sou um realizador.
Hoje, Halt e o wakir estavam supervisionando a colocação do muro de contenção que Selethen tinha sugerido.
Evanlyn estava enclausurada em outra longa discussão com Shigeru. O imperador estava interessado em aprender sobre a estrutura social em Araluen. Era uma hierarquia bem menos opressiva do que aquela que existia em Nihon-Ja há séculos e ele pensou que poderia ser capaz de usá-la como um modelo para sua nova sociedade.
Horace e Alyss, encontrando-se sem nada para fazer, tiveram a oportunidade de ter algumas horas juntos. Os dois eram velhos amigos. Haviam crescido juntos como órfãos na ala no Castelo Redmont e estavam à vontade na companhia um do outro. Haviam tido a refeição do meio-dia em um afloramento rochoso acima do vale, onde poderiam relaxar e olhar para baixo sobre todos os trabalhos em curso. Os sons de batidas e serragem e os gritos dos Senshi aos que cuidavam das brocas se misturaram e chegou a eles.
— Você sabe  começou Horace — quando estávamos voltando de Macindaw naquele tempo, pensei que eu ia ter que levar vocês dois e bater suas cabeças juntas. Era tão óbvio que havia algo acontecendo e nenhum de vocês iria admitir isso.
Ele sorriu com a memória. Ficou satisfeito com a relação que se desenvolveu entre Alyss, a quem ele pensava como uma irmã, e Will, seu melhor amigo.
— Sim  Alyss disse — cada um de nós tinha medo de dizer alguma coisa e o outro não se sentir da mesma maneira.
Horace riu baixinho com a memória.
— O problema é que vocês dois pensam muito. Eu disse naquele tempo. Acredito que se você se sentir assim sobre alguém, deveria sair e dizer isso.
— É mesmo?  Alyss perguntou e Horace e balançou a cabeça, fazendo seu melhor para parecer sábio e conhecedor.
— Sempre o melhor plano — falou definitivamente.
— Assim, como estão as coisas entre você e a princesa? — Alyss perguntou abruptamente e ficou encantada ao ver que o rosto de Horace ficou num tom de rosa quando ele hesitou em responder.
— Bem... ah... o que quer dizer, eu e a princesa?  Ele conseguiu deixar escapar depois de alguns segundos.
Mas a hesitação disse a Alyss tudo o que ela precisava saber.
— Aham!  disse ela. — Tá na cara. Ora, ela mal conseguia tirar suas mãos de você quando nós o encontramos pela primeira vez! Ela estava toda sobre você.
— Ela não estava!  Horace insistiu.
— Ah, por favor! Eu não sou cega. Ela foi correndo para você, jogou os braços ao seu redor e te abraçou.
— Assim como você  assinalou Horace, mas ela acenou que não.
— Eu não quase quebrei nenhuma de suas costelas  disse ela. — Além disso, você acha que é completamente normal para a princesa atravessar todo o mundo em uma busca para encontrar um cavaleiro que está perdido?
Ele baixou o olhar e ela viu um sorriso tímido formando em seu rosto.
— Bem, talvez, uma vez que você colocá-lo dessa maneira...
Alyss reagiu com prazer.
— Portanto, há algo entre vocês! Eu sabia! Eu disse a Will, mas ele não acreditou.
— Bem, não vamos fazer muito barulho sobre isso, tudo bem? Não poderia vir a ser alguma coisa. Só que, antes de eu sair de Araluen, nós estivemos... nos vendo um pouco.
— Eu acho que é por isso que Duncan te mandou embora — brincou ela e imediatamente se arrependeu quando viu uma nuvem de dúvida o seu rosto.
— Você acha mesmo? Isso me ocorreu. Afinal, ela é a princesa e eu não sou ninguém...
Ela tomou seu braço e sacudiu-o, irritado com si mesma por colocar a dúvida em sua mente.
— Horace! Você definitivamente não é um Zé Ninguém! Como pode dizer isso? Duncan deve estar feliz de você cortejar sua filha!
— Mas eu era um órfão. Eu não tenho origem nobre...  começou ele, mas ela o interrompeu.
— Duncan não se preocupa com isso! Ele não é esnobe. E você é um herói, não percebe? Você é o principal cavaleiro jovem do reino. Ele ficaria feliz de ter você como genro.
Agora pânico queimou nos olhos de Horace com suas palavras.
— Uau! Não tão rápido! Seu genro? Quem disse algo sobre ser seu genro?
— Foi apenas um pensamento passageiro  disse Alyss. — Figura de linguagem. Nada mais que isso.
Horace relaxou um pouco, mas sorriu interiormente.
Se Horace não tivesse pensamentos sérios nesse sentido, ele simplesmente riria da ideia. Eu sabia, ela pensou. Me pergunto se ele sabe disso também?
Procurando uma maneira de mudar de assunto, Horace olhou em volta e seu olhar caiu iluminado sobre Will. O jovem arqueiro estava mais baixo no vale, sentado no chão, numa conversa profunda com um grupo de Kikori mais velhos.
— O que ele está fazendo?  perguntou.
Estava gesticulando muito e desenhando no chão com pedaços de pau. Mãos dizendo que não, vozes que balbuciavam, os ajustes que seriam feitos para o que foi elaborado e, em seguida, o grupo chegou a um acordo, acenando e sorrindo, batendo-se mutuamente sobre os ombros como eles chegaram a um ponto de vista comum.
Alyss ainda estava sorrindo sobre o que ela considerava ser um deslize de Horace.
— Não sei. Ele ficou quieto durante os últimos dois dias. Vagueia muito. Algo que parece ser errado. Eu perguntei, mas ele foge do assunto.
Mas Horace tinha visto esse tipo de comportamento de seu amigo várias vezes antes e sabia o que estava acontecendo.
— Não há nada de errado — respondeu— Ele está planejando algo.

2 comentários:

  1. Ele está pensando em usar o mesmo jeito da toscana, quando ele viu no início do livro

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    Respostas
    1. Khalifa é vc?😂😂😂

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Boa leitura :)