26 de janeiro de 2017

Capítulo 30

O grupo reunido de Kikori e Senshi se separou diante deles e Horace e Reito seguiram seu caminho. O jovem guerreiro viu os cativos cercados por uma escolta de Kikori armados, e o seu coração sentiu uma alegria indescritível. Por enquanto, os cinco recém-chegados estavam virados para o outro lado e não tinham percebido sua chegada.
— Kurokuma!  chamou o líder da escolta, empurrando a pequena multidão para cumprimentar Horace. — A patrulha os pegou em terras baixas, perto da costa. Eles não dizem por que estão aqui. Pensamos que eles são espiões. Eles são estrangeiros — acrescentou ele, como um adendo.
— Então são eles  respondeu Horace. — Talvez devêssemos açoitá-los. Isso poderia acabar com o problema em suas línguas.
Ao som de sua voz, os prisioneiros se viraram e o viram. Houve um momento de não-reconhecimento, devido ao fato de que ele estava usando o uniforme nihon-jin – calça e camisa, com um robe que chegava a coxa, mantido no lugar por um cinto, um gorro de pele, mesmo em baixo na cabeça e com abas laterais para proteger as orelhas do frio, completava o uniforme.
Então Evanlyn soltou um grito de prazer crescente.
— Horace!  Antes de o Kikori assustado pudesse pará-la, ela jogou-se para ele e atirou os braços em torno de seu pescoço, abraçando-o com tanta força que ele achou difícil de respirar corretamente.
Dois dos homens que estavam guardando o grupo moveram-se para afastá-la, mas Horace os deteve com um gesto de mão. Ele estava gostando de ter o abraço de Evanlyn.
— Tudo bem  disse ele. — Eles são meus amigos.
Um pouco relutante, ele se desvencilhou do abraço de Evanlyn, mas ele estava satisfeito que ela permaneceu perto dele, o braço possessivamente ao redor de sua cintura.
O cavaleiro sorriu para Halt, Will e Alyss, que também tinham reconhecido o seu velho amigo apesar de estar mal vestido, como um lenhador nihon-jin despenteado.
— Eu não tenho a mínima ideia de como todos vocês chegaram aqui  disse ele. — Mas graças a Deus que vocês chegaram!
Os Kikoris, ainda perplexos, mas percebendo agora que os estrangeiros não representavam nenhuma ameaça, ficaram de lado quando o três araluenses avançaram para cumprimentar Horace, batendo nas costas – no caso de Will e Halt – e abraçando-o novamente no caso de Alyss.
Evanlyn não abandonou a sua reserva em torno da cintura de Horace e, quando ela considerou que o abraço tinha ido longe demais, ela mudou-lhe sutilmente longe do abraço da mensageira.
Por alguns momentos confusos, todos falavam ao mesmo tempo, em um murmúrio louco de perguntas sem resposta e declarações de alívio. Então, Horace percebeu uma figura estranha parada logo atrás dos outros. Ele olhou mais de perto.
— Selethen?  disse, surpresa em sua voz. — De onde foi que você apareceu?
O alto arridi avançou então e, na forma do seu povo, abraçou Horace, em seguida, fez o gesto com a mão graciosa da boca para testa e de volta à boca.
— Horace  disse ele, com um largo sorriso no rosto. — Como é bom te ver vivo e bem. Nós todos estávamos preocupados com você.
— Mas...  Horace olhou de um rosto familiar para outro. — Como você veio para...?
Antes que ele pudesse terminar a pergunta, Will o interrompeu, pensando em esclarecer as coisas, mas apenas tornando-as mais enigmáticas – como tantas vezes acontece.
— Estávamos todos na Toscana para a assinatura do tratado  começou ele, depois se corrigiu. — Bem, Evanlyn não estava. Ela veio mais tarde. Mas, quando chegou, nos disse que estava desaparecido, então todos nós pegamos o navio de Gundar... você deve vê-lo. É um projeto novo que pode navegar contra o vento. Mas de qualquer forma, isso não é importante. E pouco antes de sairmos, Selethen decidiu se juntar a nós, já que você que é um antigo camarada de armas de todos e...
Ele não foi mais longe. Halt, vendo a crescente confusão no rosto de Horace, levantou a mão para parar seu balbuciante antigo aprendiz.
— Hey! Hey! Vamos com um fato de cada vez, certo? Horace, existe algum lugar em que possamos conversar? Talvez devêssemos sentar calmamente e conversar sobre o que está acontecendo.
— Boa ideia, Halt  disse Horace, alívio evidente em seu tom.
Will parou, um pouco envergonhado quando percebeu que estava correndo com a narração.
— De qualquer maneira, estamos aqui  terminou.
Em seguida, o embaraço desvaneceu-se e não podia parar o largo sorriso que estava aparecendo em seu rosto ao ver seu melhor amigo. Horace respondeu na mesma moeda. Ele instintivamente compreendeu que a explosão de Will foi o resultado de intenso alívio de que ele, Horace, estava seguro e bem.
Horace apresentou seus amigos a Reito, que se curvou à moda nihon-jin como ele cumprimentou cada um deles. Os araluenses curvaram-se, mas Horace, agora acostumado à ação, viu que eles eram um pouco duros e incertos em sua resposta. Selethen foi o único que conseguiu uma resposta graciosa, combinando a curva com o gesto de mão padrão arridi.
O grupo nihon-jin estava ali, espectadores interessados em tudo aquilo.
Depois que Reito havia conhecido os seus amigos, Horace apresentou-os em massa para os nihon-jins que os assistiam. Os Kikori e os Senshi se curvaram. Novamente, os recém-chegados responderam.
— Há muito de se curvar neste país  Will disse, com o canto da boca.
— Acostume-se  Horace disse-lhe alegremente.
A sensação de alívio que sentiu ao ver seu velho amigo era quase irresistível. Ele estava começando a se sentir fora de sua responsabilidade.
O grupo nihon-jin, vendo que os recém-chegados não representavam nenhum perigo, começou a afastar-se.
— Nós vamos para a minha cabana conversar  disse Horace. — Reito-san, você perguntaria ao imperador se ele pode ver-nos em meia hora? Eu gostaria de apresentar meus amigos.
— Naturalmente, Kurokuma — Reito respondeu.
Ele curvou-se rapidamente e virou-se apressado. Horace respondeu automaticamente com uma curva rápida de sua autoria.
Will, assistindo, imitou a ação incerta, não tenho certeza se ele deveria ou não participar.
— Todos se curvam para todos aqui? — perguntou.
— Muito — Horace respondeu.
A cabana de um quarto que os Kikori haviam construído para Horace era espaçosa e confortável. Seu saco de dormir estava dobrado em um canto. Uma mesa baixa tinha sido construída e foi colocada no meio do piso de madeira, enquanto um pequeno recipiente com carvão criava um círculo alegre de calor. O grupo de amigos se sentou à mesa e trocaram informações sobre os eventos ao longo dos últimos meses.
— Eu não sei o que aconteceu com Atsu  Halt falou quando chegaram ao final de sua história. — Ele provavelmente vai arrumar as coisas lá no acampamento.
— Vou mandar alguém para que ele saiba que vocês estão aqui. Ele não vai encontrar nenhum dos Kikori local  disse Horace. — Eles estão todos aqui conosco. Os que encontraram vocês era uma patrulha que enviamos para vigiar os homens de Arisaka. Mas me diga, porque não disseram que estavam procurando por mim, ou Shigeru?
Ele abordou a questão a Alyss, como era a tradutora de nihon-jin no grupo. Ela encolheu os ombros.
— Nós não estávamos totalmente certos do com que estávamos lidando — explicou. — Não queríamos mencionar o imperador, para o caso de serem aliados de Arisaka. Eu acho que eles sentiram a mesma coisa sobre nós. Pareciam pensar que éramos espiões. Eles provavelmente desconfiaram porque nós somos estrangeiros.
Horace balançou a cabeça, pensativo.
— Eu acho que sim.
Ele ainda estava um pouco sobrecarregado pela visão de Alyss com cabelo curto e escuro.
— E eles nunca mencionaram o seu nome  Will interveio. — Tudo que nós conseguimos tirar deles era que eles estavam levando-nos a “Kurokuma”. Não sabíamos se isso era um lugar ou uma pessoa. O que significa, a propósito?
— Disseram-me que é um termo de grande respeito  disse Horace, não querendo admitir que ele não sabia.
— Conte-nos mais sobre o imperador  Halt lembrou. — Você está obviamente impressionado com ele.
— Estou  Horace concordou. — Ele é um homem bom. Amável, honesto e incrivelmente corajoso. Está tentando melhorar a sorte das pessoas comuns aqui e dando-lhes mais do seu posso dizer.
— O que é, naturalmente, odiado por Arisaka  disse Halt.
— Exatamente. Shigeru tem a coragem de não recuar de Arisaka, mas infelizmente, ele não é líder militar. Foi treinado como um Senshi, claro. Todos os membros de sua classe são. Mas ele não tem as habilidades militares mais amplas, ideia de tática ou de estratégia.
— Esse era o papel de Shukin, imagino?  Evanlyn disse.
Um olhar triste tomou conta do rosto de Horace.
— Sim. Ele esteve cuidando deste lado das coisas. Acho que sua morte abalou muito o imperador. Ele precisa de ajuda.
— Que você está fornecendo  Selethen disse calmamente.
Horace encolheu os ombros.
— Eu não poderia deixá-lo para se defender. Seus conselheiros são outros cortesãos, e não líderes de guerra. E quaisquer de seus guerreiros experientes são muito jovens para planejar uma grande campanha. — Seu rosto se iluminou. — Por isso eu fiquei tão feliz em vê-lo.
— Talvez devêssemos ir ao encontro deste seu imperador  Halt disse.


Shigeru cumprimentou-os cortesmente, acolhendo-os para o seu país e pedindo detalhes de sua jornada. Ele pediu desculpas para a situação que agora se encontravam.
— Arisaka jogou meu país em desordem  falou tristemente. — Temo não poder recebê-los com as honras que merecem.
Halt sorriu para o imperador.
— Nós não merecemos muita honra, Vossa Excelência.
— Todos os amigos do Kurokuma  disse Shigeru, indicando Horace com uma inclinação de cabeça — Merecem grande honra neste país. O seu jovem amigo me serviu bem, Halto-san.
No caminho até a cabine do imperador, fixado no topo do vale, Horace explicou rapidamente alguns dos caprichos de pronúncia do idioma nihon-jin.
— Eles parecem ter dificuldade para terminar uma palavra com uma consoante dura, como “T”. Normalmente acrescentam uma vogal depois dela. Então, se você não se importar, Halt, vou apresentá-lo como “Halto”. Will pode ser “Wirru”.
Fez uma pausa para explicar melhor.
— “L” não é um som que eles estão totalmente confortáveis, também.
— Suponho que vai me fazer “Arris”? — Alyss disse e Horace assentiu.
— E sobre Selethen e eu? — Evanlyn perguntou.
Horace considerou por um momento.
— Os L's em seus nomes provavelmente serão um pouco arrastados  afirmou. — E eles vão pronunciar as três sílabas em seus nomes com igual ênfase. Vocês não serão E-van-lyn ou Sel-eth-en, como dizê-las. Eles não se prolongar mais qualquer uma sílaba do que as outras. Vão dizer todas as três em uma espécie de ritmo.
Ele provou estar correto. Shigeru ouviu atentamente como Horace apresentou seus amigos, usando os nomes adaptados que ele lhes tinha dado, e depois os repetiu cuidadosamente. Naturalmente, o educado termo “san” foi adicionado a cada nome também.
Após as formalidades serem atendidas, Shigeru enviou-os para o chá, e todos eles tomavam com gratidão à bebida quente. Havia uma ponta afiada no tempo – uma grande nevasca ia começar.
Horace considerava o seu copo. O chá verde foi tudo bem, pensou ele. Mas não era a sua bebida favorita.
— Vocês trouxeram qualquer café com vocês?  Perguntou aos dois arqueiros.
— Nós temos um pouco  Will respondeu e como os olhos de Horace brilharam, ele continuou — mas está tudo no nosso acampamento na costa.
— Ah. Logo agora que você me deu esperança. Vou mandar homens para trazer seu equipamento até aqui  disse Horace.
Shigeru estava acompanhando a troca com um sorriso. O alívio de Horace era óbvio agora que os seus amigos estavam aqui – especialmente o homem mais velho, de barba.
Shigeru sabia que Horace tinha assumido muito depois da morte Shukin e ele temia que pudesse ser um fardo muito pesado para esse jovem. Agora, ele poderia compartilhar esse fardo, o imperador pensou. E ele sentia instintivamente confiança na capacidade deste Halto-san para encontrar uma maneira de se opor a Arisaka. Horace tinha dito a ele uma grande quantidade de coisas enigmáticas sobre o arqueiro nas últimas semanas.
— Kurokuma sente falta de seu café — disse Shigeru.
— Sua alteza?  Era o mais jovem dos dois arqueiros, obviamente com uma pergunta, e Shigeru assentiu com a cabeça para ele continuar.
— O que é esse nome que você deu a ele? Kurokuma?
— É um título de grande respeito  o imperador respondeu gravemente.
— Sim. Horace nos disse. Mas o que isso significa?
— Penso  Alyss começou hesitante  que tem algo a ver com um urso? Um urso negro?
Shigeru inclinou a cabeça na direção dela.
— Você tem um excelente entendimento de nossa língua, Arris-san  ele disse a ela.
Ela corou um pouco e curvou-se em resposta ao elogio.
Horace, que havia tentado descobrir o significado de Kurokuma já há algum tempo, sentiu o prazer de ouvir a tradução.
— Urso negro  repetiu. — É, sem dúvida, porque eu sou tão terrível na batalha.
— Eu acho que sim  Will falou. — Eu vi você na batalha e você é definitivamente horrível.
— Talvez  disse Halt rapidamente, acabando com quaisquer outras trocas entre eles — poderemos ter uma excursão das defesas. Já tomei muito do tempo de Sua Excelência.
— Por favor, Halto-san, me chame de Shigeru. Eu não me sinto como uma excelência nestas montanhas.
Seu olhar passou pelos outros.
— Todos vocês, por favor, me chamem de Shigeru-san. Isso vai salvá-los de muitas confusões.
Seu sorriso abraçou-os e eles todos murmuraram em reconhecimento. Então, quando eles começaram a levantar e ficar em pé, ele levantou a mão.
— Princesa Ev-an-in  disse ele — talvez você e Arris-san possam ficar e falar mais. Gostaria de saber mais sobre seu pai e seu reino de Araluen.
— Oh é claro, Vossa Exc...  Evanlyn começou, mas depois se conteve. — Eu quero dizer, claro, Shigeru-san.

Um comentário:

  1. Eles encontraram Horace muito fácil, achei que ia levar uns dois capítulos e muita luta.

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Boa leitura :)