26 de janeiro de 2017

Capítulo 2

— Eu olhei todos os arquivos noite passada — Gilan relatou a Crowley na manhã seguinte. O comandante deu-lhe um sorriso amarelo.
— Todos eles? Gostaria de poder dizer o mesmo. Burocracia é a maldição da minha vida.
— Esse é o preço da sua alta posição, Crowley — Gilan disse com um sorriso. — É por isso que você é bem remunerado.
Crowley olhou para o rosto alegre ao lado dele.
— Você sabe, há algumas pessoas que possam pensar que é um bom passo na carreira mostrar simpatia pelos problemas de seu comandante — ele disse. Então, ele suspirou. — Mas muito poucas dessas pessoas foram treinadas por Halt.
Gilan pensou nisso por um segundo ou dois.
— É verdade.
Eles passeavam por uma paisagem verde, ao sul do Castelo de Araluen. Crowley muitas vezes realizava debates com seus arqueiros ao ar livre. Ele afirmou que era uma boa medida de segurança. Dentro de um castelo, nunca se sabia quem poderia estar ouvindo do outro lado de uma parede ou atrás de uma porta. Aqui, ninguém poderia vir ao alcance da voz sem ser visto.
Gilan suspeitava que igualmente importante era o amor de Crowley por espaços aberto e ar fresco. O comandante foi ouvido constantemente resmungando sobre ficar “confinado entre quatro paredes o dia todo”.
— Então, você descobriu algo importante? — Crowley perguntou, depois de uma breve pausa.
— Eu poderia ter — respondeu Gilan. — Há nove casos ainda pendentes. Destes, sete são questões relativamente pequenas – um assalto aqui, um roubo lá. Às vezes, os ladrões pararam viajantes sozinhos na estrada e os roubavam. Em outras ocasiões, eles invadiram pequenas tabernas isoladas ou assentamentos. Em todos esses casos, as quantias de dinheiro levadas são relativamente pequenas. A maior era de quinze moedas de ouro. É pouco mais do que pequenos roubos e eu não posso imaginar Foldar ajustar seus padrões para algo tão baixo.
— Quinze moedas de ouro é muito para uma pequena taverna — Crowley interpôs.
Gilan assentiu impaciente.
— Eu não estou dizendo que é insignificante para as vítimas. Mas para Foldar? São participações muito pequenas. Quero dizer, ele estava ajudando Morgarath a conquistar o trono. Para um homem como esse, quinze moedas são quase imperceptíveis.
— E os outros dois feudos? — Crowley perguntou.
Ele pensou que Gilan tinha um bom ponto. Foldar nunca tinha sido um medíocre. Havia pouco que sugerisse que ele poderia ter se tornado um. Ele pensava em termos muito maiores.
— Um era uma quantidade muito grande. Um comerciante foi assaltado e os ladrões fugiram com uma grande quantidade de moedas de ouro e prata.
— Isso é mais promissor — Crowley concordou.
Mas Gilan fez um gesto negativo com a mão.
— O tamanho do crime é mais de acordo com o que sabemos de Foldar. Mas o método não se encaixa nele. Foi feito à noite, sem que o comerciante ou o sua família ouvissem algo. Eles não sabiam que tinham sido roubados até a manhã seguinte. O ladrão ainda trancou as portas atrás dele quando ele saiu.
— Entendo onde você quer chegar. Se Foldar tivesse invadido, o provável é que tivesse matado todos enquanto dormiam, só por diversão.
— Exatamente o que pensei — Gilan confirmou.
— O que deixa o outro caso — Crowley o incitou.
O jovem arqueiro assentiu.
— Como você disse, o outro caso. Foi um ataque a uma bem protegida caravana de carroças no feudo Highcliff, carregando prata e ouro para pagar as guarnições em castelos distantes. Highcliff, aliás, atualmente está sem seu arqueiro. Ele foi ferido na guerra e não está pronto para retomar suas funções.
— O que pode torná-lo uma base atraente de operações para Foldar — Crowley disse, pensativo.
— Isso me ocorreu também. A caravana foi atacada por cerca quinze a vinte homens, todos bem armados e treinados. Metade dos guardas foram mortos. Os outros fugiram para a floresta. Os condutores não tiveram tanta sorte.
— Isto tem a marca de Foldar estampada — Crowley observou.
— Foi o que pensei. Além da organização do ataque e a brutalidade envolvida, há uma boa chance de que um informante no Castelo Highcliff dava informações sobre a carruagem com o pagamento. Era para ser um segredo.
— Exatamente o tipo de coisa com que Foldar se envolveria — disse Crowley. — Então, qual é o seu próximo passo?
— Eu pensei em viajar para Highcliff e ver se consigo pensar em algum tipo de armadilha para prender Foldar – e seu informante. Vou precisar vasculhar em torno do lugar um pouco antes de arquitetar qualquer plano definitivo.
Crowley concordou.
— Parece uma boa ideia para mim. Traga-o vivo, se possível. Muito bem, Gilan — então ele franziu a testa. — Estou surpreso que Halt não chegou à mesma conclusão. Ele é geralmente muito rápido em absorver essas coisas.
— Eu pensei a mesma coisa. Mas lembre-se, Halt estava distraído, preocupado com Will. E ele tendia a se concentrar primeiramente nos casos mais próximos de Araluen.
— O que lhe deu muitas oportunidades para atormentar a mim e a Duncan — disse Crowley. — Se ele estivesse fora, no oeste em Highcliff, não teria sido capaz me incomodar a cada dois dias para deixá-lo ir.
— Considerando que eu não tenho nenhuma razão para não ir para o feudo Highcliff e deixá-lo com sua papelada — disse Gilan.
A boca de Crowley se contraiu nos cantos em uma expressão de desgosto.
— Ah sim, a papelada. Você não considerou uma troca de lugares? Você fica e preenche os formulários e requisições. Eu vou correndo atrás Foldar.
Gilan levantou uma sobrancelha para ele.
— Você está certo. Eu não considerei isso.
— Eu poderia pedir que você fizesse isso, eu acho — Crowley falou melancolicamente e Gilan pensou que ele estivesse apenas metade brincando.
— Você poderia. E eu provavelmente insultaria o Rei em público e seria expulso — respondeu ele.
Crowley sacudiu a cabeça.
— Às vezes me pergunto se é uma boa ideia deixar Halt formar aprendizes. Ele parece não ensinar-lhes o respeito pela autoridade.
— Oh, ele nos ensina a respeitar autoridade — Gilan disse inocentemente. — Ele só nos ensinou a ignorá-la quando necessário. Eu vou esta tarde — acrescentou, e Crowley concordou.
— Quanto mais cedo você partir, mais cedo vai estar de volta.
Era o jeito dos arqueiros, no final das contas. Não fazia sentido deixar a grama crescer sob seus pés se havia trabalho a ser feito.
— Sim. E, além disso, eu deveria ir antes que você decida me mandar ficar.

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