26 de janeiro de 2017

Capítulo 29

Horace estava estudando o lado ocidental do colapso da paliçada com o chefe de trabalho atribuído a repará-la. Esta seção do trabalho tinha ficado para trás do resto dos reparos. A maior parte da paliçada estava boa agora, as passagens tinham sido reforçadas e em alguns lugares substituída inteiramente, as tábuas da parede renovadas sempre que necessário com novos e fortes troncos.
Mas a seção recolhida tinha problemas para além de simples estragos do tempo. O chefe apontou para um canal profundo cortado no chão sob a paliçada arruinada.
— Esta área se torna um curso de água quando a neve derrete, Kurokuma  disse ele. — A água da enxurrada gradualmente erodiu as fundações do muro neste momento e as levou. Nós vamos ter que definir novas bases.
Horace coçou o queixo.
— E espero que não chova. Não há como reparar isso se tudo for varrido novamente  disse ele, pensativo.
Mas o chefe sacudiu a cabeça.
— Está muito frio para chover. Vai nevar. Mas não haverá água a correr por aqui até a primavera, quando a neve derreter. Mesmo assim, levaria algumas estações para dano suficiente ser feito. Isso não acontecerá em um ou dois anos.
Horace estudou o homem por um momento. Ele parecia confiante e certamente parecia saber o seu ofício.
— Muito bem. Vamos continuar com isso. Eu não vou estar feliz até que eu saiba que toda a paliçada está completa.
— Nós devemos ser capazes de consertá-la em poucos dias. Agora que os outros reparos estão quase terminados, posso atribuir grupos de trabalho extras para esta parte.
— Muito bem  disse Horace.
Ele gesticulou para o homem ir em frente e virou-se, voltando a inclinar-se para o pequeno povoado de chalés que já tinha sido construído pelo trabalho duro dos Kikori.
Um pequeno grupo de homens mais jovens tinha sido dispensado do trabalho e o comandante da guarda pessoal de Shigeru tinha começado a sua instrução na arte da técnica Senshi da espada. Ele estava demonstrando os movimentos básicos para eles agora, pedindo um tempo para cada corte de blocos, ou impulso. Horace parou para assistir, fascinado pelo estilo diferente. Parecia muito mais ornamentado e ritualístico do que os treinos que ele estava acostumado. Mais... ele procurou por uma palavra e, em seguida, encontrou... extravagante, com seus giros e varreduras. Mas além da técnica estrangeira ele podia discernir uma semelhança de efeito.
Agora Moka, o comandante da guarda, parou sua demonstração e pediu para os Kikori repetirem a sequência. Eles estavam armados com espadas retiradas do grupo de ataque dizimado na Vila da Margem.
Moka assistiu de rosto duro, enquanto os jovens Kikori tentavam imitar seus movimentos. Eles eram, infelizmente, sem coordenação e desajeitados na sua execução. Reito estava perto, assistindo também. Ele viu Horace e moveu-se para se juntar a ele.
— Eles não são muito bons, são?  Horace disse.
Reito encolheu os ombros.
— Senshis começam a aprender quando têm dez anos de idade  disse ele. — É pedir muito para os lenhadores aprendê-lo em poucas semanas.
— Eu me pergunto se eles vão aprender em poucos meses  disse Horace melancolicamente. — Eles vão estar enfrentando guerreiros que já estão treinando desde que tinham dez.
Reito assentiu. Ele pensou a mesma coisa.
— Mas qual é a alternativa?
Horace balançou a cabeça.
— Eu gostaria de saber.
Mesmo se a paliçada e as falésias enormes de ambos os lados os mantessem seguros para o inverno, ele descobriu que temia o confronto com o exército Senshi de Arisaka na primavera.
— Às vezes, penso que nós estamos apenas adiando o inevitável  disse ele.
Antes que Reito pudesse responder, ouviram o nome de Horace sendo gritado. Eles se viraram e olharam para o vale, para onde se podia ver a figura animada de Mikeru e dois de seus jovens companheiros. Vários dos Kikori pararam seu treinamento de espada para virar e olhar também. Conforme eles fizeram, seu instrutor gritou com eles para voltar ao trabalho.
Timidamente, eles retomaram a prática.
— Vamos ver o que Mikeru quer  disse Horace.
— Ele parece animado  Reito observou. — Talvez seja uma boa notícia.
— Isso iria fazer uma mudança — Horace replicou enquanto desciam o vale inclinado para satisfazer o jovem.
Mikeru os viu chegando e parou de correr. Ele fez uma pausa, curvado com as mãos sobre os joelhos, enquanto ele recuperava o fôlego.
— Nós descobrimos, Kurokuma  disse ele, ainda um pouco ofegante.
Por um momento, Horace não tinha certeza do que ele estava falando. Sua cabeça ainda estava cheia de pensamentos dos reparos à paliçada e a tarefa aparentemente impossível de transformar lenhadores em espadachins qualificados no espaço de poucos meses.
Então ele lembrou-se da tarefa que tinha estabelecido para Mikeru alguns dias antes.
— A saída secreta?
O rapaz acenou, sorrindo triunfante para ele.
— Você estava certo, Kurokuma! Estava lá o tempo todo! É estreita e é difícil e da voltas e mais voltas. Mas ela está lá!
— Vamos dar uma olhada  disse Horace e Mikeru assentiu com ansiedade.
Eles deram uma meio-corrida, e depois pararam após poucos metros, olhando para trás para ver se Horace e Reito estavam seguindo. Ele lembrava a Horace um filhote ansioso, esperando impacientemente por seu mestre para alcançá-los.
— Devagar, Mikeru — disse ele com um sorriso. — Ela está lá há centenas de anos. Não vai a lugar nenhum agora.
Como o menino havia dito, o caminho bem escondido era estreito e difícil. Era um barranco íngreme que descia pela montanha, escavando seu caminho através da rocha. Em alguns lugares, Horace pensou, parecia ter sido escavado pela mão. Aparentemente, os ocupantes originais de Ran-Koshi tinham encontrado uma série de fendas estreitas que desciam a montanha e ligavam para formar um caminho quase imperceptível que levava para baixo através das paredes de rocha.
Eles entraram e escorregaram por um caminho íngreme, enviando uma chuva de pequenos seixos em cascata antes deles, despejando as paredes de pedra do outro lado.
— Não é muito fácil chegar a este caminho  Reito observou.
Horace olhou para ele.
— Esse é o pretendido. A maioria das pessoas olha para isto e não reconhece como um caminho de volta para a fortaleza. E mesmo que um invasor saiba sobre isso, vi uma meia dúzia de pontos onde dez homens poderiam adiar um exército.
— Muitos lugares para construir precipícios e armadilhas também  Reito disse. — Você só poderia vir até aqui em uma fila única.
— Mesma coisa indo para baixo  disse Horace casualmente. — Você precisaria de muito tempo, se quisesse passar uma força aqui em baixo.
— Baixo? Por que você quer ir para baixo? Quero dizer, é bom conhecer esta rota aqui. Nós certamente precisamos fortalecê-la e estabelecer posições defensivas para impedir os Arisaka de usá-la e nos apanhar de surpresa. Mas por que você iria querer passar uma força para baixo?
Ele sabia que Horace não poderia pensando naquilo como uma rota de fuga para o grupo inteiro. Eram mais de quatrocentos Kikori com eles agora, muitos deles mulheres e crianças. Levaria semanas para chegar a todos por este caminho íngreme até o platô da serra abaixo. E mesmo se pudesse passar todos para baixo, eles seriam vistos quase tão rapidamente quando tentassem fugir, atravessando o campo aberto na parte inferior.
Horace encolheu os ombros e não respondeu. Era apenas uma vaga ideia se agitando em sua mente. Tudo o que ele tinha feito até então tinha sido puramente defensivo. Reconstruir a paliçada. Encontre este caminho, que o instinto lhe disse que estará aqui, e criem defesas.
Mas o ataque era da natureza de Horace, levar a luta ao inimigo, surpreendê-los. Este caminho poderia tornar isso possível. Apesar de que ele como ele iria montar um ataque contra guerreiros profissionais com apenas os trabalhadores de madeira apressadamente treinados, ele não tinha ideia. Não pela primeira vez, ele reconheceu o fato de que não era um planejador ou um inovador. Ele sabia como organizar as defesas. Poderia estudar uma posição de avaliar suas potenciais fraquezas e mover-se para fortalecer e consolidá-las. Mas quando necessitava a concepção de um método pouco tradicional ou inesperado de ataque, ele simplesmente não sabia por onde começar.
— Preciso de Halt ou Will para isso  murmurou para si mesmo.
Reito olhou com curiosidade.
— O que foi, Kurokuma?
Horace balançou a cabeça.
— Nada de importante, Reito-san. Vamos seguir essa trilha de cabra até o fundo.
Ele partiu depois de Mikeru. Como de costume, o rapaz havia disparado na frente deles, pulando como um bode montanhês de uma rocha para outra.
No fundo, a trilha estreita dava no terreno plano. A entrada era bem escondida. Após alguns metros, fazia uma curva acentuada à direita. Para um olhar casual, parecia ser uma caverna sem saída que terminava em uma parte da montanha. Arbustos e árvores tinham crescido sobre a entrada e enormes pedras estavam empilhadas sobre ela.
Horace estava disposto a apostar que não tinha acontecido por acaso. A entrada principal para o vale que levava a Ran-Koshi era em torno de uma falésia, a cerca de trezentos metros de distância e escondido da vista.
Horace estudou o terreno.
— Digamos que eu trouxesse uma centena de homens para baixo. Fila única. Sem mochilas. Apenas armas. Levaria a maior parte do dia. Eu poderia mantê-los escondidos aqui, enquanto eles se formavam. Talvez fazer isso no escuro, assim haveria menos chances de sermos vistos.
Mais uma vez ele não notou que tinha falado em voz alta seus pensamentos. Ele estava um pouco surpreso quando Reito lhe respondeu.
— Você poderia fazer isso  ele concordou. — Mas quem são esses cem homens que você está falando? Temos no máximo quarenta Senshi prontos para lutar agora e Arisaka terá dez vezes mais que isso.
Horace assentiu, cansado.
— Eu sei, eu sei  respondeu. — Eu apenas não posso deixar de pensar. Se tivéssemos uma força de combate decente, poderíamos ser capazes de dar uma sacudida desagradável nos Arisaka.
— E se nós tivéssemos asas, poderíamos ser capazes de voar com segurança por cima de seu exército  Reito respondeu.
Horace encolheu os ombros.
— Sim. Eu sei. Se, se e se. Bem. Nós vimos a saída dos fundos. Vamos voltar até o vale.
A escalada de volta foi ainda mais demorada. Anoitecia quando Reito e Horace emergiram da queda de rochas. Suas roupas estavam rasgadas em vários lugares e Horace estava sangrando um arranhão de muito tempo em sua mão direita, onde tinha tentado em vão parar de se deslizar para baixo em um monte íngreme de cascalho e pedras.
— Você estava certo  disse Horace a seu companheiro. — Seria impossível subir lá e lutar contra um defensor determinado ao mesmo tempo.
— Vamos ter certeza de que temos defensores no lugar  disse Reito.
Horace assentiu. Outro detalhe para cuidar, ele pensou.
Enquanto passavam no final da trilha principal para a ravina, as vozes começaram a chamar-lhes. Horace estreitou os olhos contra a escuridão crescente. Parecia haver um grande grupo de pessoas reunidas pela cabana de lados abertos que havia sido construída como uma casa de pasto comunal.
Ele liderou o caminho em direção a eles, mas um dos Kikori destacou-se do grupo e correu para encontrá-los.
— Kurokuma! Venha depressa. Nós pegamos cinco espiões.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Pelo anjo! Eu estava para der um infarto de tanto esperar!
    Ass: Bina.

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Boa leitura :)