30 de janeiro de 2017

Capítulo 27

 Dorian não se atreveu a se mover quando Rolfe soltou um grunhido.
— Eu tenho uma lembrança distinta, Celaena Sardothien, de dizer que se você pisasse no meu território mais uma vez, você perderia a vida.
— Ah — Aelin exclamou, abaixando as mãos, mas deixando seus pés ainda apoiados na mesa de Rolfe.  — Mas aonde estaria a diversão nisso?
Rowan ainda era como a morte ao lado dele. O sorriso de Aelin tornou-se felino quando ela finalmente baixou os pés e esticou as mãos ao longo de cada lado da mesa, avaliando a madeira lisa como se esta fosse um cavalo premiado. Ela inclinou a cabeça para Dorian.
— Olá, Majestade.
— Olá, Celaena — ele respondeu o mais calmo que pôde, bem consciente de que os dois feéricos atrás dele podiam ouvir seu coração trovejando.
Rolfe balançou a cabeça para ele. Porque era Celaena que estava sentada ali, para qualquer fim, era Celaena Sardothien nesta sala.
Ela empurrou o queixo para Rolfe.
— Você já viu melhores dias, mas considerando que metade da sua frota o abandonou, eu diria que você parece decente.
— Saia da minha cadeira — Rolfe falou em voz baixa.
Aelin não o obedeceu. Ela apenas lançou a Rowan um olhar sensual dos pés à cabeça. A expressão de Rowan permaneceu ilegível, olhos atentos – quase brilhantes. E então Aelin disse a Rowan, com um sorriso secreto:
— Você, eu não conheço. Mas eu gostaria.
Os lábios de Rowan se esticaram para cima.
— Eu não estou no mercado, infelizmente.
— Pena — Aelin respondeu, inclinando a cabeça quando notou uma tigela de pequenas esmeraldas na mesa de Rolfe.
Não faça isso, não...
Aelin encheu uma mão com esmeraldas, pescando-as enquanto olhava para Rowan sob seus cílios.
— Ela deve ser uma rara beleza impressionante para torná-lo tão fiel.
Que os deuses salvassem a todos. Ele podia jurar que Fenrys tossiu atrás dele. Aelin atirou as esmeraldas para o prato de metal como se fossem pedaços de cobre, uma por uma.
— Ela deve ser inteligente — um barulho. — E fascinante. — Pluc. — E muito talentosa. — Pluc, pluc, pluc, fizeram as esmeraldas. Ela examinou as quatro gemas restantes em sua mão.  — Ela deve ser a pessoa mais maravilhosa que já existiu.
Outra tosse por trás dele, de Gavriel desta vez. Mas Aelin só tinha olhos para Rowan enquanto o guerreiro a respondia.
— Ela é realmente isso. E mais.
— Hmmm — Aelin refletiu, revirando as esmeraldas em sua palma cicatrizada com facilidade especialista.
— O que... você... está... fazendo... aqui? — Rolfe rosnou.
Aelin despejou as esmeraldas em seu prato.
— Isso é jeito de falar com uma velha amiga?
Rolfe caminhou para a mesa e Rowan tremia com contenção enquanto o lorde pirata apoiava as mãos na superfície de madeira.
— Pelo o que ouvi, seu mestre estava morto e você vendeu a Guilda para seus subordinados. Você é uma mulher livre. O que está fazendo na minha cidade?
Aelin encontrou aqueles olhos verde mar com uma irreverência que fez Dorian se perguntou se ela tinha nascido com a habilidade, sede de sangue e aventura ou se tinha afinado ao longo do tempo.
— A guerra está chegando, Rolfe. Não tenho o direito de ponderar minhas opções? Pensei em ver o que você planejava fazer.
Rolfe olhou por cima do ombro largo de Dorian.
— Há rumores de que ela foi sua campeã neste outono. Deseja lidar com isso?
— Vai descobrir, Rolfe, que não se lida com Celaena Sardothien — Dorian falou suavemente. — Se sobrevive a ela.
Um flash de um sorriso a partir de Aelin.
Rolfe revirou os olhos e se virou para a rainha assassina.
— Então, qual é o plano? Você fez um acordo para sair de Endovier, tornou-se Campeã do Rei e agora que ele está morto, deseja ver como pode lucrar?
Dorian tentou não recuar. Morto, o seu pai estava morto, por suas próprias mãos.
— Você sabe como funcionam os meus gostos — respondeu Aelin. — Mesmo com a fortuna de Arobynn e a venda da Guilda... a guerra pode ser uma época rentável para as pessoas que são inteligentes com seus negócios.
— E onde está a pirralha de dezesseis anos que destruiu seis dos meus navios, roubou dois deles e destruiu a minha cidade, tudo por causa de duzentos escravos?
Uma sombra cintilou nos olhos de Aelin, enviando um arrepio pela espinha de Dorian.
— Quando se passa um ano em Endovier, Rolfe, você rapidamente aprende a jogar um tipo diferente de jogo.
— Eu lhe disse — Rufe soltou um veneno baixo — que você um dia pagaria por essa arrogância.
O sorriso de Aelin tornou-se letal.
— Na verdade eu paguei. Assim como Arobynn Hamel.
Rolfe piscou apenas uma vez, então se endireitou.
— Saia da minha cadeira. E devolva a esmeralda você escondeu na manga.
Aelin bufou, e com um movimento de seus dedos, uma esmeralda, a quarta que Dorian tinha esquecido, apareceu entre os dedos.
— Bom. Pelo menos a sua visão não está falhando em sua velhice.
— E a outra — Rolfe disse entre os dentes cerrados.
Aelin sorriu novamente. E, em seguida, recostou-se na cadeira de Rolfe, inclinou a cabeça e cuspiu uma esmeralda que ela de alguma forma manteve escondida sob a língua. Dorian observou a gema se mover pelo ar. Seu pluc ao atingir o prato foi o único som.
Dorian olhou para Rowan. Prazer brilhava nos olhos do príncipe, prazer, orgulho e luxúria fervente. Dorian rapidamente desviou o olhar.
— Eu tenho duas perguntas para você — Aelin falou para o Lorde Pirata.
A mão de Rolfe se contraiu em direção a sua espada.
— Você não está em posição para fazer perguntas.
— Não? Afinal, eu fiz um juramento há dois anos e meio. Uma que você assinou.
Rolfe rosnou.
Aelin apoiou o queixo sobre o punho.
— Você ou algum de seus navios compraram, negociaram ou transportaram escravos desde aquele... dia infeliz?
— Não.
Um pequeno aceno satisfeito.
— E você tem fornecido abrigo para eles aqui?
— Nós não saímos para buscá-los, mas se algum chegou, sim.
Cada palavra era mais apertada do que a última, uma mola prestes a estourar para frente e estrangular a rainha. Dorian rezou para o homem não fosse burro o suficiente para tentar. Não com Rowan assistindo cada respiração dele.
— Bom e bom — disse Aelin. — Esperto você, por não mentir para mim. Já que tomei a liberdade quando cheguei esta manhã de olhar em seus armazéns, perguntar ao redor nos mercados. E então vim aqui... — ela passou as mãos sobre os papéis e livros sobre a mesa. — Para ver os seus livros por mim mesma. — Ela arrastou um dedo por uma página que continha várias colunas e números. — Têxteis, especiarias, porcelana, arroz do continente sul, e muito de contrabando, mas... sem escravos. Tenho que dizer, estou impressionada. Tanto por honrar sua palavra quanto pelo seu registro detalhado.
Um baixo grunhido.
— Você sabe quanto a sua façanha me custou?
Aelin desviou os olhos para um pergaminho na parede, onde vários punhais, espadas e até mesmo tesouras estavam presos – aparentemente, treino para tiro a alvo de Rolfe.
— Bem, há uma conta de bar que deixei de pagar... — ela falou enquanto examinava o documento, que era de fato uma lista de itens, e santos deuses, uma grande soma de dinheiro.
Rolfe se voltou para Rowan, Fenrys e Gavriel.
— Vocês querem o meu apoio nesta guerra? Aqui está o custo. Matem-na. Agora. Então meus navios e homens serão seus.
Os olhos escuros de Fenrys brilhavam, mas não para Rolfe, quando Aelin se levantou. Suas roupas pretas estavam desgastadas, seu cabelo dourado brilhando sob a luz cinza. E mesmo em uma sala de assassinos profissionais, ela tomava a maior parte do ar.
— Oh, não penso que eles farão isso — ela comentou. — Ou até mesmo possam fazê-lo.
Rolfe se voltou para ela.
— Você vai descobrir que não é tão hábil quando se trata de guerreiros feéricos.
Ela apontou para uma das cadeiras diante da mesa.
— Você pode querer sentar-se.
— Vá para o inferno.
— Permita-me apresentar-lhe, capitão Rolfe, a incomparável, bela e absolutamente perfeita Rainha de Terrasen — Aelin soltou um assobio.
Dorian arqueou as sobrancelhas. Então passos soaram e os homens se moveram quando Aelin Galathynius entrou na sala, vestida com uma túnica verde escura igualmente desgastada e suja, seus cabelos dourados soltos, os olhos turquesa e dourados, rindo enquanto passava por um Rolfe boquiaberto e empoleirado no braço da cadeira de Aelin.
Dorian não podia ter certeza, sem o olfato de um féerico, ele não poderia dizer.
— O que... que diabos é isso? — Rolfe sibilou, dando um passo para trás.
Aelin e Aelin entreolharam. A de preto sorriu para o recém-chegado.
— Ah, você é linda, não é?
A de verde sorriu, mas apesar de sua alegria, toda a sua malícia travessa... era um sorriso mais suave, feito com uma boca que talvez fosse menos habituada a rosnar, mostrar os dentes e se safar com palavras hediondas e arrogantes. Lysandra, então.
As duas rainhas enfrentaram Rolfe.
— Aelin Galathynius não tinha uma irmã gêmea — ele rosnou, uma mão na espada.
A Aelin de preto – a verdadeira Aelin, que esteve entre eles o tempo todo – revirou os olhos.
— Ugh, Rolfe. Você arruína minha diversão. É claro que eu não tenho uma irmã gêmea.
Ela empurrou o queixo para Lysandra e a pele da metamorfa brilhou e mudou, o cabelo se tornando mais pesado e escuro, sua pele ficando morena, os olhos erguendo-se num verde impressionante.
Rolfe rosnou em alarme e cambaleou para trás somente para Fenrys firmá-lo com uma mão em seu ombro enquanto o guerreiro feérico dava um passo adiante, os olhos arregalados.
— Uma metamorfa — Fenrys sussurrou.
Aelin e Lysandra fixaram o guerreiro com um olhar pouco impressionado que teria feito homens mais fracos fugirem.
Até mesmo o rosto calmo de Gavriel estava sem reação ao ver a trocadora de forma, suas tatuagens se mexendo enquanto ele engolia. O pai de Aedion. E se Aedion estivesse aqui com Aelin...
— Tão intrigante quanto estou ao ver que o esquadrão está presente — Aelin observou. — Vocês confirmarão à Sua Pirateza que eu sou quem digo que sou, de modo que possamos passar para assuntos mais urgentes?
O rosto de Rolfe ficou branco de fúria quando ele percebeu que todos eles sabiam quem realmente se sentava diante deles.
— Ela é Aelin Galathynius. E Celaena Sardothien — Dorian confirmou.
Mas foi para Fenrys e Gavriel, a parte externa, que Rolfe se voltou. Gavriel assentiu, os olhos de Fenrys agora fixos na rainha.
— Ela é quem diz ser.
Rolfe se voltou para Aelin, mas a rainha fazia uma careta para Lysandra enquanto a metamorfa lhe entregava um tubo selado com cera.
— Você tornou o seu cabelo mais curto.
— Tente ter cabelos tão longos e veja se passa de um dia — respondeu Lysandra, tocando o cabelo que roçava sua clavícula.
Rolfe ficou boquiaberto.
Aelin sorriu para sua companheira e enfrentou o lorde pirata.
— Então, Rolfe — a rainha falou lentamente, jogando o tubo de uma mão para a outra. — Vamos discutir este pequeno negócio sobre você se recusar a ajudar a minha causa.

27 comentários:

  1. NUSSSSSSS.....A BICHA É DESTRUIDORA MESMO MINHA GENTE!!!

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    1. Ninguém pode dizer que ela não tem estilo. Destruidora desde sempre!!!

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  2. aelin como sempre fazendo uma entrada triunfal

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  3. É CLAROO QUE AELIN NÃO IA CHEGAR DISCRETAMENTE NÃO É MESMO, CLARO QUE ELA IA CHEGAR DESTRUINDO

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    1. Lacradora, aquela que queima sem se chamuscar, quebradora de correntes, assassina e salvadora de bruxas, mãe dos escravos, Luz da escuridão, portadora do olho que tudo vê, morrida e vivida em combate, rainha dos assassinos kkkkk tem mais títulos que Daeneris

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  4. Gente, entrada estilo Aelin <3 Meldels, eu esperava pelo reencontro deles desde que li lâmina da assassina. Também tô esperando a Azel (acho que o nome é assim) aparecer também, a do Deserto Vermelho.

    -B.Bunny

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  5. Aelin chegou chegando no estilo Celaena! Como eu me diverti lendo esse capítulo! !

    Flavia

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  6. Eu ri demais lendo esse capítulo kkkkkkk

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  7. Nossa, a Aelin é tipo: se não for pra causar, eu nem vou kkkkkkk
    ~Maah Santos~

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    1. Totalmente kkkkk eu quase morri de rir o capítulo todo, mas a parte da Lyssandra foi hilária.

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  8. é isso ai minha fia pacifico é oceano nois tamo aqui pra causar

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  9. Melhor capitulo ever <3
    Adoro essa mulher gente!! Segura esse forninho Giovana que essa mina é louca, diva e poderosa!!

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  10. Cara d pau como ela não há! Rindo mt cm esse capítulo kkkkk

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  11. Hahaha um dos melhores capítulo até agora. Aelin chega pra causar mesmo!

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  12. Ri MUITO com esse capítulo, mas ri mais ainda com os comentários... vcs são DEMAIS, gente! ♡♡♡

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  13. TODOS REVERENCIEM A RAINHA CADELA CUSPIDORA DE FOGO LACRADORA TERROR DAS RECALCADAS Q TODOS AMAM E RESPEITAM!

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  14. 100oooooorrrr kkkk que capitulo foi esse!!!! chorando de rir com os comentarios da galera

    Karina, vc vai postar aq no blog corte de espinhos e rosas?

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  15. A Aelin é tão fodaaaaaaa

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  16. E tipo assim porraaa (」゚ロ゚)」

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  17. Devoradora de livros14 de julho de 2017 16:50

    imagina lendo essa parte ouvindo * Cheguei, chegando bagunçando a zorra toda.....*

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  18. SAMBOU NA CARA DA SOCIEDADE! 😂😂🎉

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Boa leitura :)