30 de janeiro de 2017

Capítulo 26

Mesmo depois de duas semanas na Baía da Caveira, sendo totalmente ignorados por Rolfe apesar de seus pedidos para se encontrar com ele, Dorian ainda não estava inteiramente acostumado ao calor e umidade locais. Era incomodado dia e noite, acordado do sono encharcado de suor, acompanhando-o para dentro da Rosa do Oceano quando o sol estava em seu apogeu.
E uma vez que Rolfe se recusava a vê-los, Dorian tentou preencher os seus dias com outras coisas além de se queixar do calor. As manhãs serviam para praticar sua magia em uma clareira na floresta a alguns quilômetros de distância. Pior, Rowan o fazia correr até lá na ida e na volta, e quando eles voltavam na hora do almoço, ele tinha a escolha de comer antes ou depois dos exercícios extenuantes de Rowan.
Honestamente, Dorian não tinha ideia de como Aelin sobrevivera durante meses disto, e muito menos se apaixonado pelo guerreiro enquanto isso. Embora ele supusesse que tanto a rainha e quanto o príncipe possuíssem um toque de sadismo que os tornava compatíveis.
Alguns dias, Fenrys e Gavriel encontravam com eles no pátio da pousada, quer para se exercitar também, ou dar dicas indesejadas sobre a técnica de Dorian com a espada e o punhal. Algumas vezes, Rowan os deixava ficar; outras, ele os chutava para fora com um grunhido.
Esta última, Dorian percebeu, acontecia quando o calor e o sol não conseguiam afastar as sombras dos meses passados – quando ele acordava com o suor que parecia como o sangue de Sorscha, quando não podia suportar nem mesmo o roçar de sua túnica contra o pescoço. Ele não tinha certeza se devia agradecer ao príncipe feérico por sua percepção, ou odiá-lo por sua bondade.
Durante a tarde, ele e Rowan percorriam a cidade em busca de fofocas e notícias, observando os homens de Rolfe, tanto quanto eram vigiados. Apenas sete capitães da armada empobrecida de Rolfe estavam na ilha – oito incluindo Rolfe, com menos navios ainda ancorados na baía. Alguns fugiram após o ataque valg, alguns agora dormiam com os peixes no fundo do porto, os navios acompanhando-os.
Relatórios chegavam de Forte da Fenda: da cidade sob o comando das bruxa, de mais da mesma destruição, a nobreza e os comerciantes fugindo para suas casas de campo e deixando os pobres para se defenderem sozinhos. As bruxas controlavam os portões da cidade e do cais, nada nem ninguém entrava sem que eles soubessem. Pior, navios do Desfiladeiro Ferian navegavam pelo Avery para Forte da Fenda, transportando soldados estranhos e feras que transformariam a cidade em seu próprio terreno de caça pessoal.
Erawan não foi tolo com o planejamento desta guerra. Aqueles navios rondando o Avery eram muito pequenos, Rowan soubera, e não havia como a força no Fim da Linha ser a totalidade do exército de Erawan. Então, onde a frota de Adarlan esteve esse tempo todo?
Rowan descobriu a resposta após cinco dias de sua estadia: o Golfo de Oro. Parte da frota havia sido posicionada perto da costa noroeste de Eyllwe, outros escondidos nos portos de Melisande, onde, dizia-se, sua rainha estava permitindo que soldados de Morath atravessassem para qualquer direção que quisesse. Erawan tinha habilmente dividido a sua frota, colocando-a em locais chave suficientes para que Rowan informasse Dorian de eles teriam que sacrificar terra, aliados e vantagens geográficas a fim de manter outros.
Dorian odiava admitir ao guerreiro feérico que não ouvira qualquer um desses planos nos últimos anos – suas reuniões do conselho eram todas sobre política, comércio e escravos. Uma distração, ele percebeu – uma maneira de manter os senhores e governantes do continente focados numa coisa, enquanto outros planos eram postos em movimento. E agora... se Erawan convocasse a frota do Golfo, eles provavelmente dariam a volta na costa sul de Eyllwe e saqueariam cada cidade até chegarem às porta de Orynth.
Talvez eles tivessem sorte e a frota de Erawan desse de cara com a de Maeve. Não que eles tivessem ouvido falar de algo desta último. Nem mesmo um sussurro de onde e quão rápido seus navios navegavam. Ou um sussurro sobre onde Aelin Galathynius fora. Era por notícias dela, Dorian sabia, que Rowan percorria as ruas da cidade.
Assim, Dorian e Rowan colecionavam informações e retornavam à estalagem todas as noites para analisá-las sobre os mapas e cartas que tinham comprado na cidade, acompanhados de camarões temperados das águas mornas do arquipélago e arroz cozido dos comerciantes do sul do continente, além de copos de água com infusão de laranja. As informações eram principalmente de segunda ou terceira mão e uma prostituta comum andando pelas ruas parecia saber tanto quanto os marinheiros que trabalhavam nas docas.
Mas nenhuma das prostitutas, ou os marinheiros, ou os comerciantes tiveram notícias do príncipe Hollin ou do destino da rainha Georgina. A guerra estava chegando e o destino de uma criança e uma rainha irreverente que nunca se preocuparam em tomar o poder para si era de pouco interesse para qualquer um além de Dorian, ao que parecia.
Em uma tarde particularmente úmida, refrescando-se agora, graças a uma tempestade deslumbrante, Dorian pousou o garfo ao lado do prato de peixes de recife cozidos a vapor e disse a Rowan:
— Estou cansado de esperar que Rolfe se encontre conosco.
O garfo de Rowan bateu contra o seu prato quando ele o abaixou e esperou em silêncio sobrenatural. Onde Gavriel e Fenrys estavam durante a tarde, ele não se importava. Dorian estava na verdade grato por sua ausência quando falou:
— Eu preciso de papel – e um mensageiro.



Rolfe convocou os dois e os juramentados de sangue de Maeve para a taberna Dragão Marinho três horas mais tarde. Rowan o ensinara a se proteger durante os últimos dias e Dorian ergueu um escudo em torno de si mesmo enquanto Rolfe conduzia os quatro ao longo do salão acima da taberna, indo em direção ao escritório.
Sua ideia se desdobrara perfeitamente bem. Ninguém notara que a carta que Rowan enviara após o almoço era a mesma que foi posteriormente entregue a Dorian na pousada. Mas os espiões de Rolfe notaram o choque que Dorian exibiu ao lê-la – a consternação, o medo e a raiva por qualquer que fosse a notícia que ele recebeu. Rowan, um verdadeiro ator, andara de um lado para o outro e grunhira com a notícia que os alcançara. Eles tiveram a certeza de que o rapaz que limpava o corredor ouvisse os dois conversando sobre uma informação que alteraria a guerra, que o próprio Rolfe poderia ganhar bastante com isso, ou perder tudo.
E agora, caminhando para o escritório do homem, Dorian não podia dizer se o agradava ou irritava o fato de eles estarem sendo tão estreitamente vigiados que seu plano funcionara. Gavriel e Fenrys, felizmente, não fizeram perguntas.
O lorde pirata, vestido com uma jaqueta desbotada azul e dourada, parou diante da porta de carvalho para o seu escritório. Calçava suas luvas, seu rosto um pouco abatido. Dorian duvidava que a expressão de Rolfe melhoraria quando percebesse que não havia notícia alguma e ele teria que enfrentar esta reunião quisesse ou não.
Dorian pegou os três homens feéricos avaliando cada respiração de Rolfe, sua postura, ouvindo os sons do imediato e do intendente no andar abaixo. Todos os três trocaram acenos quase imperceptíveis. Aliados – ao menos até Rolfe ouvi-los.
Rolfe abriu a porta, murmurando.
— É melhor que isso valha o meu tempo.
E entrou na penumbra aguardando além. Então parou. Mesmo à luz tremeluzente, Dorian podia perfeitamente ver a mulher sentada na mesa de Rolfe, suas roupas pretas e sujas, as armas reluzentes e os pés apoiados na superfície de madeira escura.
Aelin Galathynius, com as mãos cruzadas atrás da cabeça, sorriu para todos eles e falou:
— Eu gosto mais deste escritório muito mais que o outro, Rolfe.

14 comentários:

  1. kkkkkkkkkkk Aelin M.A.R.A.V.I.L.H.O.S.A

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    1. Sempre tem que ter uma entrada marcante kkkk

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    2. Ela tem as melhores entradas dramáticas

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  2. Esta sabe sacudir as estrelas

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  3. "— Eu gosto mais deste escritório muito mais que o outro, Rolfe".
    Hahaha 😁

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  4. "Honestamente, Dorian não tinha ideia de como Aelin sobrevivera durante meses disto, e muito menos se apaixonado pelo guerreiro enquanto isso. Embora ele supusesse que tanto a rainha e quanto o príncipe possuíssem um toque de sadismo que os tornava compatíveis." Dorian e seus pensamentos ♡♡♡
    Aelin ou Celaena, não importa, ela nunca perde o show!♡,♡

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  5. Essa sabe fazer uma entrada kkkkkkkkkkkkk

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  6. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK E A CENA SE REPETE! 😂😂😂 JA SE ESPERAVA UMA ENTRADA COMO ESSA KKKKKKK

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  7. Embora ele supusesse que tanto a rainha e quanto o príncipe possuíssem um toque de sadismo que os tornava compatíveis. sera que so eu dei risada <3

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  8. potterhead-selecionada18 de novembro de 2017 09:43

    Aelin e suas entradas dramáticas. Já o Dorian que orgulho desse meu rei inteligente que só.

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Boa leitura :)