30 de janeiro de 2017

Capítulo 24

O Cantor Vento deixou Ilium ao amanhecer, sua tripulação e o capitão sem saber que os dois indivíduos encapuzados – e seu falcão de estimação – que tinham pago em ouro não tinham a intenção de seguir toda a jornada até Leriba. Se eles soubessem que esses dois estranhos eram o general e rainha que libertaram sua cidade na noite anterior, também não deixaram transparecer.
Esta era considerada uma viagem fácil, descer a costa do continente, embora Aelin se perguntasse se fazer tal afirmação seria uma garantia que não ter uma viagem fácil. Em primeiro lugar, havia a questão de navegar através das águas de Adarlan – perto de Forte da Fenda, especificamente. Se as bruxas patrulhassem o mar...
Mas eles não tinham outra escolha, não com a rede de Erawan se estendendo por todo o continente. Não com sua ameaça de encontrar e capturar Rowan e Dorian ainda soando fresca em sua mente, juntamente com o pulsar da mancha roxa e profunda em seu peito, bem em cima de seu coração.
De pé no convés do navio, o sol nascente pintando a baía azul-turquesa de Ilium de dourado e rosa, Aelin se perguntou se na próxima vez que ela visse essas águas, elas estariam vermelhas. Perguntou-se quanto tempo os soldados adarlanianos permaneceriam do lado deles da fronteira.
Aedion deu um passo para o seu lado, terminando sua terceira inspeção.
— Tudo parece bem.
— Lysandra disse que tudo estava limpo — de fato, a partir do alto do mastro principal do navio, os olhos de falcão de Lysandra não perdiam nada.
Aedion franziu a testa.
— Sabe, vocês moças poderiam deixar nós, os machos fazerem as coisas de vez em quando.
Aelin levantou uma sobrancelha.
— E onde estaria a diversão nisso?
Mas ela sabia que esta seria uma discussão constante – ficar para trás de outros, de modo que Aedion pudesse lutar por ela. Ele estivera mal o suficiente em Forte da Fenda, mal o suficiente em saber que aqueles anéis e colares poderiam escravizá-los – e o que Erawan fizera àquele superintendente... como um experimento...
Aelin olhou para a tripulação correndo e gritando atrás dela por sua demanda para se apressarem. Cada minuto de atraso poderia ser um que Erawan capturava Rowan e Dorian. Era apenas uma questão de tempo antes de ele receber um relatório a respeito de onde eles foram vistos. Aelin bateu o pé no convés.
O balanço do navio sobre as ondas calmas ecoaram a batida de seu pé. Ela sempre amou o cheiro e a sensação do mar. Mas agora... até mesmo o marulhar dessas ondas pareciam dizer depressa, depressa.
— O Rei de Adarlan – e Perrington, eu suponho – me tiveram a seu alcance por anos — disse Aedion. Sua voz era contida o suficiente para que Aelin se virasse do mar para encará-lo. Ele agarrava o parapeito de madeira, as cicatrizes em suas mãos destacadas contra a sua pele bronzeada de verão. — Eles se encontraram comigo em Terrasen, em Adarlan. Me tiveram em seu calabouço, deuses do céu. E ainda assim não fizeram aquilo comigo. Ele me ofereceu o anel, mas não percebeu que eu usava um falso no lugar. Por que não me abriu e me corrompeu? Ele tinha que saber, tinha que saber que você viria para me buscar.
— O rei deixou Dorian sozinho por tanto tempo quanto podia, talvez tenha estendido a bondade para você, também. Talvez soubesse que, se você se fosse, eu poderia muito bem decidir deixar este mundo ir para o inferno e nunca libertá-lo por despeito.
— Gostaria de ter feito isso?
As pessoas que ama são apenas armas que serão usadas contra você, Rowan dissera uma vez a ela.
— Não desperdice sua energia se preocupando com o que poderia ter sido. — Ela sabia que não tinha respondido sua pergunta.
Aedion não olhou para ela enquanto falava:
— Eu sabia do que aconteceu em Endovier, Aelin, mas ver aquele superintendente, ouvir o que ele falou... — sua garganta se fechou. — Eu estava tão perto das minas de sal. Aquele ano... eu estava acampado com a Devastação logo na fronteira durante três meses.
Ela virou a cabeça para ele.
— Nós não seguiremos por este caminho. Erawan mandou aquele homem por um motivo – por esta razão. Ele conhece o meu passado – quer que eu saiba que ele está ciente e vai usá-lo contra mim. Contra nós. Ele usará todos que conhecemos, se precisar.
Aedion suspirou.
— Você me contaria o que aconteceu noite passada se eu não estivesse lá?
— Eu não sei. Aposto que você teria despertado assim que eu tivesse desencadeado o meu poder sobre ele.
Ele bufou.
— Seria difícil de perder.
O grito das gaivotas sobrevoando o mar preencheu o silêncio que se seguiu. Apesar de sua declaração não continuar no passado, Aelin falou cuidadosamente:
— Darrow alegou que você lutou em Theralis — ela queria perguntar fazia semanas, mas não conseguira juntar a coragem.
Aedion fixou seu olhar sobre a água agitada.
— Foi há muito tempo.
Ela engoliu a queimação em sua garganta.
— Você não tinha nem quatorze anos.
— É.
Sua mandíbula apertou-se. Ela só podia imaginar a carnificina. E o horror, não apenas de um menino matando e lutando, mas vendo as pessoas que ele gostava caírem. Uma por uma.
— Sinto muito — ela falou — que você teve que suportar isso.
Aedion se virou para ela. Nenhum indício da arrogância e insolência sempre presentes ali.
— Theralis é o campo de batalha que vejo na maior parte... dos meus sonhos — ele esfregou uma mancha no parapeito. — Darrow fez com que eu ficasse na retaguarda, mas fomos surpreendidos. Foi inevitável.
Ele nunca contou a ela que Darrow tentara protegê-lo. Ela colocou a mão sobre a de Aedion e a apertou.
— Sinto muito — ela falou novamente. Ela não teve coragem de perguntar mais.
Ele deu de ombros.
— Minha vida como guerreiro foi escolhida muito antes desse campo de batalha.
Na verdade, ela não podia imaginá-lo sem essa espada e escudo, atualmente preso nas costas. Ela não conseguia decidir se era algo bom.
O silêncio se estabeleceu entre eles, pesado, antigo e cansado.
— Eu não o culpo — disse Aelin finalmente. — Eu não culpo Darrow por me separar de Terrasen. Eu faria o mesmo, julgaria igual, se fosse ele.
Aedion franziu a testa.
— Pensei que você lutaria contra esse decreto.
— Eu lutarei — ela jurou. — Mas... eu entendo porque Darrow fez isso.
Aedion observou-a antes de concordar. Um aceno seco, de um soldado para outro.
Ela colocou a mão contra o amuleto sob suas roupas. Seu antigo poder sobrenatural roçou contra ela, e um calafrio desceu por sua espinha. Encontre o cadeado.
Que bom que Baía da Caveira ficava em seu caminho para o Pântano de Pedra de Eyllwe.
E que bom que seu governante possuía um mapa mágico que cobria suas mãos. Um mapa que revelava inimigos, tempestades... e tesouros escondidos. Um mapa para encontrar coisas que não desejam ser encontradas.
Aelin baixou as mãos, apoiando-as no parapeito e examinando a cicatriz em cada palma. Assim, muitas promessas e juramentos feitos. Muitas dívidas e favores ainda a cobrar.
Aelin se perguntou que respostas e juramentos poderia encontrar esperando-a na Baía da Caveira. Se eles chegassem lá antes de Erawan.

10 comentários:

  1. P*** M***!!!!!!! A Maeve vai atrás do tal do cadeado, só pode!!!! A merda tá feita!!!!!

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    1. Acho que não, ela não iria querer mandar as chaves de volta, e sim possuir- las junto com o poder que elas contém

      Mas também ela pode querer pegar, para que não haja o perigo que a Aelim as mandassem de volta

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  2. Nossa pelo visto a batalha entre Maeve e Aelin, será pelo cadeado.... Só acho! Estou super animada para vê como termina. Devorando o livro!!!😁🛡🗡⚒💰☠👑📚

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  3. Maeve vai atrás do cadeado, isso vai dar mesa, chego a estar nervosa😓🙈💩

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  4. Ai não né? Coraçãozinho das fangirl num guenta não!

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  5. eu num sei galera game of thrones é legal

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  6. Gente é impressão minha ou a parte que Rolfe disse que tem os monstros marinhos e o mapa dele não consegue ver é aonde esta o cadeado??

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  7. Devoradora de livros14 de julho de 2017 16:38

    🙈🙈🙈🙈

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  8. Deuses... 13 anos e tao cedo, principal para lutar e ver os horrores de uma guerra. Deuses, o Aedion é foda msm.

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Boa leitura :)