26 de janeiro de 2017

Capítulo 1

Tinham sido três longos e duros dias.
Will tinha estado em um tour pelas aldeias ao redor do Castelo Redmont. Isso era algo que ele fazia regularmente, ter contato com os aldeões e seus chefes, mantendo o controle dos acontecimentos do cotidiano. Ele tinha aprendido que às vezes pequenos trechos de fofocas, algo trivial no momento, poderiam ser úteis na hora de problemas e atritos dentro do feudo.
Isso era parte de ser um arqueiro. Informação. Não importa o quão insignificante possa parecer à primeira vista, mas era um elemento vital para a Ordem.
Agora, no final da tarde, enquanto cavalgava cansado para a sua cabana junto às árvores, ele ficou surpreso ao ver luzes acesas e a silhueta de alguém sentado na pequena varanda.
A surpresa tornou-se prazer quando reconheceu Halt. Nestes dias, o mentor de Will era um visitante pouco frequente na cabana, passando a maior parte do tempo em quartos fornecidos para ele e Lady Pauline no castelo.
Will desmontou da sela e esticou os músculos cansados com gratidão.
— Olá! — ele cumprimentou. — O que te traz por aqui? Espero que tenha trazido café.
— O café está pronto — respondeu Halt. — Cuide de Puxão e depois venha se juntar a mim. Preciso falar com você. — Sua voz soou tensa.
Com a curiosidade atiçada, Will levou Puxão ao estábulo atrás do chalé, tirou a sela, escovou o pelo de cima para baixo e deu comida e água fresca. O pequeno cavalo sacudiu a cabeça como forma de gratidão. Ele deu um tapinha no pescoço de Puxão e voltou para a cabana.
Halt ainda estava na varanda. Ele tinha conseguido duas xícaras de café em uma mesa pequena e Will sentou em uma das cadeiras lona, bebericando com gratidão a bebida refrescante. Ele sentiu o fluxo de calor através de seus músculos rígidos e gelados. O inverno estava chegando e o vento tinha sido frio e cortante o dia inteiro.
Ele olhou para Halt. O arqueiro de barba grisalha parecia estranhamente desconfortável. E apesar da alegação de que deveria conversar com Will, uma vez que os comprimentos de costume estavam fora do caminho, ele parecia estar relutante em começar a conversa.
— Você tem alguma coisa para me dizer? — Will solicitou.
Halt se mexeu desconfortavelmente na cadeira. Então, com um esforço óbvio, ele começou.
— Tem algo que você deveria saber. Algo que eu provavelmente deveria ter lhe dito a muito tempo. É só... O momento nunca pareceu o certo.
A curiosidade de Will cresceu. Ele nunca tinha visto Halt tão inseguro. Ele esperou, dando tempo para seu mentor organizar os pensamentos.
— Pauline acha que é hora de eu lhe dizer. Assim como Arald. Ambos sabem disso já faz um tempo. Então, talvez eu deva... ir em frente.
— É algo ruim? — Will perguntou, e Halt olhou diretamente para ele pela primeira vez em vários minutos.
— Eu não tenho certeza. Você pode achar que sim.
Por um momento, Will se perguntou se queria mesmo ouvir, o que quer que fosse. Então, vendo o desconforto no rosto de Halt, ele percebeu que, bom ou ruim, era algo que o seu mestre tinha que tirar do peito. Ele gesticulou para Halt continuar.
Halt parou por alguns segundos, então começou.
— Suponho que começou logo após as batalhas contra as forças de Morgarath, em Hackham Heath. Elas estiveram em retirada durante vários dias. Então pararam e ficaram em posição. Nós tínhamos rechaçado o ataque principal e estávamos forçando-os para trás. Mas eles foram se reunindo no lado direito, onde acharam um ponto fraco na nossa linha...

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Boa leitura :)