30 de janeiro de 2017

Capítulo 19

Elide Lochan manteve silêncio durante os dois dias em que ela e Lorcan viajaram através das fronteiras orientais da Floresta Carvalhal, seguindo para as planícies além.
Ela não lhe tinha feito as perguntas que pareciam mais importar, deixando-o pensar que ela fosse uma menina tola, cega pela gratidão por ele tê-la salvado.
Ele rapidamente se esquecera que, embora ele a tivesse carregado para longe, ela própria se salvara. E ele aceitou seu nome – o nome de sua mãe – sem uma pergunta. Se Vernon estivesse em seu encalço... fora um erro tolo, mas havia como desfazê-lo, não sem levantar suspeitas de Lorcan.
Assim, ela manteve a boca fechada, engoliu as perguntas. Como por que ele a estivera caçando. Ou por que sua senhora enviaria tal poderoso guerreiro – por que ele queria entrar em Morath, por que ele continuava tocando certo objeto sob sua jaqueta escura. E por que ele parecia tão surpreso, embora ele tivesse tentado esconder, quando ela mencionou Celaena Sardothien e Aelin Galathynius.
Elide não tinha dúvida de que o guerreiro mantinha seus próprios segredos, e que apesar de sua promessa de protegê-la, no momento em que tivesse todas as respostas que precisava, tal proteção teria fim.
Porém ela dormiu profundamente durante estas duas últimas noites, graças à barriga cheia – cortesia da carne de caça de Lorcan. Ele estripara dois coelhos, e quando ela devorou tudo em questão de minutos, ele lhe cedeu e metade que ainda restava a ele. Ela não se preocupou em ser educada e recusar.
Era meio da manhã quando a luz na floresta ficou mais brilhante, o ar, mais fresco. E então ouviram o bramido de águas poderosas – o Acanthus.
Lorcan perseguiu na frente, e Elide pôde jurar que até mesmo as árvores se inclinaram para longe quando ele levantou a mão em um movimento silencioso de espera.
Ela obedeceu, demorando-se na escuridão das árvores, rezando para que ele não os fizesse voltar ao emaranhado de Carvalhal, que não lhe fosse negado este passo para o brilhante e escancarado mundo...
Lorcan acenou novamente para ela se aproximar. Tudo estava limpo.
Elide ficou em silêncio enquanto saía da cobertura da última fileira de árvores, piscando pela inundação de luz do sol para ficar ao lado de Lorcan em uma margem alta e rochosa do rio.
O rio era enorme, correndo em tons de cinza e marrom – esta última por causa do derretimento do gelo das montanhas. Tão largo e selvagem que ela sabia que não poderia atravessar a nado, e que a passagem teria que ser feita em outro lugar. Mas passado o rio, como se a água fosse um limite entre dois mundos...
Montanhas e prados de ramos altos verde esmeralda balançavam do outro lado do Acanthus, como um mar sibilando sob um céu azul sem nuvens, estendendo-se para sempre para o horizonte.
— Não me lembro — ela murmurou, as palavras quase inaudíveis sobre a música bramido do rio — a última vez que vi...
Em Perranth, trancada na torre, ela só tinha uma vista da cidade, talvez do lago, se o dia estivesse claro o suficiente. Em seguida, ela estivera naquele vagão de prisão, depois em Morath, onde tudo era apenas montanhas e cinzas e exércitos. E durante o voo com Manon e Abraxos, ela estivera perdida demais em terror e dor para perceber alguma coisa. Mas agora... Ela não conseguia se lembrar da última vez que tinha visto a luz do sol sobre o prado, ou passarinhos marrons que voando e deslizando na brisa quente sobre ele.
— A estrada fica a cerca de um quilômetro e meio rio acima — disse Lorcan, seus olhos escuros indiferentes ao Acanthus ou as gramas ondulantes além. — Se quiser seguir em frente com seu plano, agora seria a hora para se preparar.
Ela lançou-lhe um olhar cortante.
— Você precisa trabalhar melhor — um movimento das sobrancelhas negras. Elide esclareceu: — Para essa artimanha ter sucesso, você pelo menos precisa... fingir ser humano. — Nada sobre o homem sugeria que sua herança humana dominava. — Oculte mais de suas armas — ela prosseguiu. — Deixe apenas a espada.
Mesmo a lâmina poderosa seria uma indicação de que Lorcan não era um viajante comum.
Ela pescou uma pulseira extra de couro do bolso do casaco.
— Prenda o cabelo. Você vai parecer menos... — ela parou ao ver a diversão fraca tingida de advertência em seus olhos. — Selvagem — obrigou-se a dizer, balançando a pulseira de couro entre eles. Os dedos largos de Lorcan fecharam-se em torno dele, uma carranca em seus lábios quando ele obedeceu. — E desabotoe a jaqueta — continuou ela, vasculhando seu catálogo mental de traços que ela notara parecerem menos ameaçadores, menos intimidantes. Lorcan obedeceu a ordem, também, e logo a camisa cinza escura debaixo de sua jaqueta preta justa estava à mostra, revelando o largo e musculoso peito. Parecia mais inclinado para o trabalho sólido do que matanças no campo, pelo menos.
— E você? — ele perguntou, as sobrancelhas ainda erguidas.
Elide estudou a si mesma, e largou a bolsa. Em primeiro lugar, ela tirou a jaqueta de couro, apesar de ter deixado uma sensação de uma camada de pele sendo arrancada, então enrolou as mangas de sua camisa branca. Mas sem o couro apertado, o tamanho total dos seios pôde ser visto, marcando-a como mulher e não como a menina que as pessoas achavam que ela fosse. Então arrumou o cabelo, soltando-o de sua trança e realinhando-o em um nó no alto da cabeça. O penteado de uma mulher casada, e não as mechas soltas ou o trançado da juventude.
Ela guardou o casaco em sua bolsa, erguendo-se ereta para enfrentar Lorcan.
Seus olhos viajaram dos pés à cabeça, e ele franziu a testa novamente.
— Mamas maiores não revelarão ou esconderão nada.
Suas bochechas se aqueceram.
— Talvez eles mantenham os homens distraídos apenas o suficiente para que eles não façam perguntas.
Com isso, ela começou a andar, tentando não pensar sobre os homens que a tinham tocado e escarnecido dela naquela prisão. Mas se isso a mantivesse segura através do rio, ela usaria seu corpo como vantagem. Os homens veriam o que queriam: uma mulher bonita que não ofenderia com sua atenção, que falava gentil e calorosamente. Alguém de confiança, alguém doce, ainda que não marcante.
Lorcan a seguiu, então começou a andar ao seu lado como um real acompanhante e não uma escolta ligada por uma promessa, pelo meio quilômetro final, fazendo a curva no rio.
Cavalos, carroças e gritos saudaram-nos antes de a visão abrir-se para eles.
Lá estava: uma larga ponte de pedra desgastada, carroças, carrinhos e condutores alinhados densamente de ambos os lados. E cerca de duas dezenas de guardas de cores adarlanianas monitorando, fosse monitorando as próprias margens, coletando pedágio e...
Verificando carroças, inspecionando cada rosto, cada pessoa.
Os ilken sabiam sobre seu coxear.
Elide diminuiu a velocidade, mantendo-se perto de Lorcan à medida que se aproximavam dos quartéis dois andares negligenciados do seu lado do rio. Na estrada abaixo, ladeada por árvores, alguns poucos edifícios com a mesma aparência desolada estavam em uma enxurrada de atividades. Uma pousada e uma taberna. Para os viajantes que esperavam fora das filas por uma bebida ou uma refeição, ou talvez alugar um quarto durante o tempo inclemente.
Então, muitas pessoas – humanos. Ninguém parecia em pânico ou ferido ou doente. E os guardas, apesar de seus uniformes, moviam-se como homens, enquanto procuravam nas carroças que passavam pela caserna que servia de pedágio e quarto de dormir.
Ela disse baixinho para Lorcan enquanto se dirigiam para a estrada de terra e parte de trás distante da fila:
— Eu não sei que magia você possui, mas se puder tornar o meu coxear menos notável...
Antes que ela pudesse terminar, uma força como um vento fresco da noite empurrou contra seu tornozelo e panturrilha, envolvendo-os num aperto sólido. Uma órtese.
Seus passos nivelaram, e ela teve que ocultar seu desejo de se embasbacar com a sensação de andar em linha reta e direito. Ela não se permitiu apreciar, saborear, não quando provavelmente só duraria até que eles atravessassem a ponte.
Carroças de comerciantes abarrotadas de mercadorias provenientes daqueles que não queriam correr o risco de tomar o rio Avery para o norte enchiam o espaço, os seus condutores enfrentando a espera e inspeções iminentes. Elide examinou os condutores, os comerciantes, os outros viajantes... Cada um deles fazia seus instintos gritarem que seriam traídos no segundo em que pedissem para montar ou oferecerem uma moeda para manter o silêncio.
Se arrastar pela fila poderia chamar a atenção dos guardas, então Elide usou cada passo para estudá-los, embora aparentemente estivessem voltados para a direção oposta. Mas ela chegou ao fim da fila de mãos vazias.
Lorcan, no entanto, deu um olhar penetrante por trás dela, em direção à taverna caiada de branco sem dúvida escondendo pedras quase em ruínas.
— Vamos comer alguma coisa antes de esperar — sugeriu ele, alto o suficiente para a carroça à frente deles para ouvir e descartá-los.
Ela assentiu com a cabeça. Alguém poderia estar lá dentro, e seu estômago estava resmungando. Exceto...
— Eu não tenho nenhum dinheiro — ela murmurou quando se aproximaram da porta de madeira clara. Mentira. Ela tinha ouro e prata de Manon. Mas não o mostraria na frente de Lorcan, com promessa ou não.
— Eu tenho bastante — disse ele com força, e ela delicadamente limpou a garganta.
Ele levantou as sobrancelhas.
— Você não vai ganhar os aliados que procuram assim — ela observou, e lhe deu um pequeno sorriso doce. — Entre ali parecendo um guerreiro e você será notado.
— E o que eu seria, então?
— O que precisarmos que você seja quando chegar a hora. Mas... não encare ameaçadoramente.
Ele abriu a porta, e no tempo que os olhos de Elide levaram para se adaptar ao brilho dos lustres de ferro forjado, o rosto de Lorcan tinha mudado. Seus olhos não podiam ser mais quentes, um sorriso sem graça estava em seu rosto, os ombros relaxados, como se ele estivesse um pouco incomodado por esperar, mas ansioso por uma boa refeição.
Ele quase parecia humano.
A taberna estava lotada, o barulho tão ensurdecedor que mal conseguiram falar alto o suficiente com a garçonete mais próxima para encomendar o almoço. Eles espremeram-se entre mesas abarrotadas, e Elide notou que mais do que alguns pares de olhos foram para seus seios, então para seu rosto. E se demoraram ali.
Ela afastou a sensação de estar sendo examinada e manteve seus passos sem pressa enquanto apontava para uma mesa escondida contra a parede dos fundos que um casal de aparência cansada tinha acabado de desocupar.
Uma comemoração ruidosa de oito integrantes estava espremida em volta de uma mesa a poucos passos de distância, uma mulher de meia-idade com uma risada estrondosa instantaneamente destacando-se como seu líder. Os outros na mesa – uma mulher bonita de cabelos negros; um homem barbudo de peito largo cujas mãos eram tão grandes quanto pratos de jantar; e algumas pessoas de aparência rude – ficavam todos olhando para a mulher mais velha, avaliando suas respostas e ouvindo atentamente o que ela tinha a dizer.
Elide deslizou na cadeira de madeira gasta, Lorcan reivindicando aquele em frente a ela, o seu tamanho lhe valendo um olhar a partir do homem de barba e a mulher de meia-idade na outra mesa.
Elide pesou aquele olhar.
Avaliação. Não para uma luta; não uma ameaça. Mas, apreciação e cálculo.
Elide se perguntou por um instante se a própria Anneith fizera com que o outro saísse e desocupasse esta mesa para eles. Por aquele olhar.
Elide colocou a mão sobre a mesa, a palma para cima, e deu um sorriso sonolento a Lorcan – o mesmo que ela viera uma vez uma ajudante de cozinha de Morath oferecer a um cozinheiro.
— Marido — ela falou docemente, balançando os dedos.
A boca de Lorcan apertou-se, mas ele tomou-lhe a mão – seus dedos entrelaçaram-se aos dela.
Seus calos rasparam contra os dela. Ele percebeu no mesmo momento que ela, deslizando a mão para segurar a dela por fora e inspecionando sua palma. Ela fechou os dedos, girando a mão para agarrar a dele novamente.
— Irmão — Lorcan murmurou para que ninguém mais pudesse ouvir. — Eu sou seu irmão.
— Você é meu marido — disse ela no mesmo tom. — Somos casados há três meses. Siga o meu comando.
Ele olhou em volta, não tendo notado o olhar avaliador que recebera. A dúvida ainda dançava em seus olhos, juntamente com uma pergunta silenciosa.
Ela disse simplesmente:
— Os homens não temem a ameaça de um irmão. Eu ainda não teria sido reclamada – ainda estar aberta para... convites. Vi quão pouco respeito os homens têm por qualquer coisa que eles pensem ter direito. Então você é meu marido — ela sussurrou — até que eu diga o contrário.
Uma sombra cintilou nos olhos de Lorcan, juntamente com outra pergunta. Que ela não queria e não podia responder. Sua mão apertou a dela, exigindo que ela olhasse para ele. Ela recusou.
A comida deles chegou, felizmente, antes de Lorcan pudesse perguntar.
Um guisado – raízes e coelho. Ela atacou a comida, quase derretendo o céu da boca na primeira mordida.
O grupo por trás deles começou a falar de novo, e ela ouviu enquanto comia, selecionando partes e pedaços, como se eles fossem conchas em uma costa.
— Talvez nós lhes ofereçamos uma performance e eles nos descontem o pedágio pela metade — isso veio do homem loiro, de barba.
— Não — disse a líder. — Esses idiotas nos cobrariam para nos apresentar. Pior, eles desfrutar do nosso desempenho e exigiriam que permanecêssemos por algum tempo. Não podemos permitir a espera. Não quando outras companhias já estão em movimento. Não queremos alcançar todas as cidades da planície depois de todos os outros.
Elide quase engasgou com o ensopado. Anneith deve ter liberado esta mesa, então. Seu plano tinha sido encontrar uma trupe ou grupo de teatro para entrar, disfarçar-se como trabalhadores, e isso...
— Nós pagaremos o preço total do pedágio — disse a mulher bonita — e chegaremos nesta primeira cidade famintos e mal capazes de trabalhar.
Elide levantou os olhos para os de Lorcan – ele acenou.
Ela tomou uma última colherada de seu guisado, preparando-se, pensando em Asterin Bico Negro. Charmosa, confiante, sem medo. Ela sempre mantinha a cabeça em um ângulo jocoso, os seus membros soltos, uma sugestão de um sorriso nos lábios. Elide respirou, deixando essas lembranças afundarem em seus músculos, carne e ossos.
Então ela girou em sua cadeira, um braço apoiado no encosto, e se inclinou na direção da mesa deles, falando com um sorriso:
— Desculpem-me interromper sua refeição, mas não pude deixar de ouvir a conversa de vocês — todos se voltaram para ela, sobrancelhas elevadas, os olhos da líder indo direito para o rosto de Elide. Ela viu a avaliação: jovem, bonita, pura, imaculada por uma vida dura. Elide manteve sua própria expressão agradável, desejando que seus olhos iluminassem. — Vocês são algum tipo de trupe de shows? — ela apontou para Lorcan com uma inclinação de sua cabeça. — Meu marido e eu temos procurado uma para entrar faz semanas, mas sem de sorte – estão todos cheios.
— Assim como nós — respondeu a líder.
— Certo — Elide respondeu alegremente. — Mas aquele pedágio é exorbitante – para qualquer um. E se tivéssemos no negócio juntos, talvez numa base temporária... — o joelho de Lorcan roçou o dela em advertência. Ela o ignorou — nós ficaríamos felizes em pagar uma taxa – fazer alguma devida diferença.
A apreciação da mulher tornou-se cautela.
— Somos uma trupe, de fato. Mas não temos necessidade de novos membros.
O homem de barba e a mulher bonita dispararam olhares para a líder, repreensão em seus olhos.
Elide deu de ombros.
— Tudo bem então. Mas caso mudem de ideia antes de partir, o meu marido — um gesto para Lorcan, que estava dando o seu melhor para colocar um sorriso fácil no rosto — é um especialista em atirar espadas. E em nossa trupe anterior, ele fez boa quantia contra homens que tentaram superá-lo em termos de força.
A líder virou seus olhos penetrantes para Lorcan – para sua altura, músculos e postura.
Elide sabia que tinha acertado na vaga que eles precisavam preencher quando a mulher perguntou:
— E o que você fazia para eles?
— Eu trabalhava como vidente – eles me chamavam de oráculo — um dar de ombros. — Principalmente sombras e conjecturas.
Tinha que ser, considerando o pequeno fato de que ela não podia ler.
A mulher permaneceu sem se impressionar.
— E qual era o nome do seu grupo?
Eles provavelmente conheciam todos – conheciam cada trupe que viajavam pelas planícies. Ela vasculhou sua memória por qualquer coisa útil, qualquer coisa...
Pernas Amarelas. As bruxas de Morath mencionaram uma vez Baba Pernas Amarelas, que tinha viajado em uma trupe para evitar ser detectada, que morrera em Forte da Fenda neste inverno sem nenhuma explicação... Detalhe depois de detalhe, enterrada nas catacumbas de sua memória, derramou-se.
— Estávamos no Parque dos Espelhos — respondeu Elide. Reconhecimento – surpresa, respeito – acenderam nos olhos da líder. — Até que Baba Pernas Amarela, nossa mantenedora, foi morta em Forte da Fenda no último inverno. Saímos, e estamos à procura de trabalho desde então.
— De onde vocês vem, então? — perguntou o homem barbado.
Foi Lorcan que respondeu:
— Minha família vive no lado ocidental dos Caninos. Nós passamos os últimos meses com eles, esperamos até que as neves derretessem, uma vez que a passagem é tão traiçoeira. Coisas estranhas andam acontecendo — ele acrescentou — nas montanhas nos dias de hoje.
A companhia parou.
— De fato — disse a morena. Ela olhou para a líder deles. — Eles poderiam ajudar a pagar o pedágio, Molly. E desde que Saul saiu, o ato está vazio... —provavelmente aquele que trabalhava com lâminas.
— Como eu disse — Elide entrou na conversa com o sorriso bonito de Asterin — estaremos aqui por um tempo, por isso, se mudarem de ideia... avisem-nos. Senão... —ela os saudou com a colher amassada. — Viajem com segurança.
Algo brilhou nos olhos de Molly, mas a mulher olhou-os uma vez mais.
— Viajem com segurança — ela murmurou.
Elide e Lorcan voltaram para sua refeição.
E quando a garçonete veio trazer a conta, Elide enfiou a mão no bolso interno e tirou uma moeda de prata.
Os olhos da garçonete estavam arregalados, mas foram os olhos afiados de Molly, e dos outros na mesa, que Elide notou enquanto a menina correu e trouxe de volta o seu troco.
Lorcan manteve-se em silêncio enquanto Elide deixava uma gorjeta generosa sobre a mesa, mas ambos ofereceram sorrisos agradáveis para a trupe enquanto desocupavam o lugar e saíam da taverna.
Elide foi direto para o final da fila, ainda mantendo aquele sorriso no rosto, as costas retas.
Lorcan aproximou, não de todo notável pela fachada que eles estavam vestindo.
— Não tem dinheiro, não é?
Ela lhe deu um olhar de soslaio.
— Parece que eu estava enganada.
Um reluzir de dentes brancos enquanto ele sorria – genuinamente neste momento.
— Bem, espero que você e eu tenhamos o suficiente, Marion, porque Molly está prestes a fazer uma oferta.
Elide se virou ao som de passos e encontrou Molly diante deles, os outros vagando –  alguns dando a volta na taverna, para recuperar, sem dúvida, as carroças.
O rosto duro de Molly estava vermelho – como se eles tivessem discutido. Mas ela só estalou a língua e disse:
— Estadia temporária. Se vocês forem uma droga, estão fora, e não devolveremos o dinheiro do pedágio.
Elide sorriu, não fingindo inteiramente.
— Marion e Lorcan, a seu serviço, senhora.



A esposa dele. Deuses do céu.
Ele passava dos 500 anos de idade e essa... essa garota, jovem mulher – demônio, era o que ela era, tinha simplesmente blefado e mentido para conseguir um emprego. Um atirador de espadas, de fato.
Lorcan permaneceu do lado de fora da taberna, Marion ao seu lado. Uma pequena trupe – daí a falta de fundos – e uma que tinha visto dias melhores, ele percebeu enquanto dois vagões pintados de amarelo espalhafatoso eram trazidos à vista, puxados por quatro pequenos cavalos.
Marion cuidadosamente observou Molly subir para o assento do condutor ao lado da bela morena, que não deu a Lorcan absolutamente nenhuma atenção.
Bem, ter Marion como sua maldita esposa certamente colocava fim a algo mais do que a apreciação da deslumbrante mulher.
Foi um esforço não rosnar. Ele não estivera com uma mulher fazia meses. E, é claro, claro que quando tinha tempo e interesse em uma... estava algemado pelas mentiras de outra.
A esposa dele.
Não que Marion fosse ruim de se olhar, ele notou enquanto ela obedecia a ordem latida de Molly para subir na parte traseira da segunda carroça. Alguns dos outros membros da trupe seguiram montados nos pobres pangarés.
Marion pegou a mão estendida do homem de barba e ele facilmente a puxou para dentro do vagão. Lorcan se aproximou, avaliando todos ali, todos na pequena cidade improvisada. Certo número de homens e algumas mulheres, tinha notado Marion quando ela caminhou por eles.
O rosto doce emparelhado com curvas pecaminosas e sem o coxear, o cabelo fora do rosto... Ela sabia exatamente o que estava fazendo. Sabia que as pessoas perceberiam essas coisas, pensariam nessas coisas, em vez de na mente astuta e nas mentiras com que os alimentou.
Lorcan ignorou a mão que o homem de barba oferecia e saltou para a traseira da carroça, lembrando-se de sentar perto de Marion, colocar um braço em volta dos ombros ossudos e parecer aliviado e feliz por ter uma trupe novamente.
Suprimentos enchiam a carroça, juntamente com outras cinco pessoas que sorriram todas para Marion – e então rapidamente desviaram o olhar.
Marion colocou a mão sobre seu joelho, e Lorcan evitou a tentação de recuar. Tinha sido um choque, anteriormente, sentir a aspereza daquelas mãos delicadas.
Ela não fora apenas uma prisioneira em Morath, mas uma escrava.
Os calos eram antigos e grossos o suficiente para que ela provavelmente tivesse trabalhado durante anos. Trabalho duro, a partir da aparência deles – e da perna em ruínas...
Ele tentou não pensar no cheiro penetrante do medo e da dor que ele sentiu quando ela falou sobre o quão pouco acreditava na bondade e decência dos homens. Ele não deixou sua imaginação mergulhar muito fundo sobre os motivos de ela sentir-se assim.
O vagão estava quente, o ar embebido com suor humano, feno e esterco dos cavalos alinhados diante deles, além do cheiro de ferro das armas.
— Não muito em questão de pertences? — perguntou o homem barbudo – Nik, ele se chamava.
Merda. Ele tinha se esquecido que seres humanos viajavam com bagagem quando estavam indo para algum lugar...
— Perdemos a maior parte das coisas na viagem para fora das montanhas. Meu marido — Marion falou com aborrecimento charmoso — insistiu em atravessarmos uma correnteza. Tenho sorte de que ele ter se preocupado em me ajudar a sair, uma vez que ele certamente não foi atrás das nossas coisas.
Uma risada baixa de Nik.
— Suspeito que ele estivesse mais focado em salvar você do que os pacotes.
Marion revirou os olhos, dando um tapinha no joelho de Lorcan. Ele quase se encolheu com cada toque. Mesmo com suas amantes, fora da própria cama ele não gostava de contato casual, descuidado. Com algumas isso se descobria intolerável. Algumas pensavam que podiam quebrá-lo n um homem decente que só queria uma casa e uma boa fêmea para trabalhar ao seu lado. Nenhuma delas tinha conseguido.
— Eu posso me salvar — Marion disse brilhantemente. — Mas suas espadas de atirar, nossos utensílios de cozinha, minhas roupas... — um balançar de cabeça. — O ato dele pode ser um pouco sem brilho até que possamos encontrar um lugar para comprar mais suprimentos.
Nik encontrou os olhos de Lorcan, segurando-os por mais tempo que a maioria dos homens se atrevia. O que ele fazia para a trupe, Lorcan não tinha certeza. Alguma performance – mas definitivamente segurança. O sorriso de Nik desvaneceu um pouco.
— A terra além dos Caninos não está boa. Seu grupo deve ser bem popular para viver lá fora.
Lorcan assentiu.
— Uma vida mais áspera — disse ele — da que desejo para a minha esposa.
— A vida na estrada não é muito melhor — Nik respondeu.
— Ah — Marion entrou na conversa — não é? Uma vida de céus abertos e estradas, de vaguear para onde o vento o levar, sem responder a nada e a ninguém? Uma vida de liberdade... — ela balançou a cabeça. — O que mais eu poderia pedir do que viver uma vida sem as barras de uma gaiola?
Lorcan sabia que as palavras não eram mentira. Ele tinha visto seu rosto quando eles viram a planície.
— Você fala como alguém que passou tempo suficiente na estrada — observou Nik. — Sempre acontece com o nosso tipo: você se acalma e nunca viaja novamente, ou você anda para sempre.
— Eu quero ver a vida – ver o mundo — Marion disse, sua voz suavizando-se. — Quero ver tudo.
Lorcan se perguntou se Marion faria mesmo isso se ele falhasse em sua tarefa, se a chave de Wyrd que ele carregava acabasse em mãos erradas.
— Melhor não andar muito longe — respondeu Nik, franzindo a testa. — Não com o que aconteceu em Forte da Fenda, ou o que está se formando em Morath.
— O que aconteceu em Forte da Fenda? — Lorcan interrompeu, cortante o suficiente para Marion apertar seu joelho.
Nik coçou sua barba cor de trigo.
— A cidade inteira foi saqueada – arrasada, dizem eles, por bestas aterradoras e mulheres demônios montando-as. Bruxas, se quisermos acreditar nos rumores. Dentes de Ferro, lendo nas entrelinhas. — Um tremor.
Deuses santos. A destruição fora um espetáculo para ser visto. Lorcan forçou-se a ouvir, concentrar-se e não começar a calcular as baixas e o que isso significaria para esta guerra, enquanto Nik continuava:
— Nenhuma palavra sobre o jovem rei. Mas a cidade pertence às bruxas e aos seus animais. Dizem que viajar para o norte é agora enfrentar uma armadilha de morte; viajar ao sul é outra armadilha mortal... Então — um dar de ombros — vamos dirigir para o leste. Talvez possamos encontrar uma maneira de contornar o que nos espera em qualquer direção. Talvez a guerra venha, e todos nós nos espalharemos ao vento. — Nik olhou para ele. — Homens como você e eu poderiam ser recrutados.
Lorcan reprimiu uma risada escura. Ninguém poderia forçá-lo a qualquer coisa – salvo por uma pessoa, e ela... seu peito apertou-se. Era melhor não pensar em sua rainha.
— Você acha que ambos os lados fariam isso? Forçar os homens a lutar? — as palavras de Marion eram sem fôlego.
— Não sei — disse Nik, o cheiro e o som do rio agora esmagadores o suficiente para que Lorcan soubesse que eles estavam perto do pedágio. Ele enfiou a mão no casaco para pegar o dinheiro que Molly exigira. Muito mais do que deveriam compartilhar, mas ele não se importava. Essas pessoas poderiam ir para o inferno no momento em que estivessem em segurança, escondidos nas planícies infinitas. — As forças de duque Perrington podem até não nos querer, se eles têm as bruxas e as bestas ao seu lado.
E muito pior, Lorcan queria dizer. Cães de caça de wyrd, ilken e os deuses sabiam mais o quê.
— Mas Aelin Galathynius — Nik refletiu. A mão de Marion ficou inerte no joelho de Lorcan. — Quem sabe o que ela fará? Ela não pediu ajuda, não pediu soldados. No entanto, tomou Forte da Fenda e matou o rei, destruiu seu castelo. E devolveu a cidade.
O banco sob eles gemeu quando Marion se inclinou para frente.
— O que você sabe de Aelin?
— Rumores, aqui e ali — disse Nik, encolhendo os ombros. — Dizem que ela é bonita como pecado, e mais fria que o gelo. Dizem que ela é uma tirana, uma covarde, uma prostituta. Dizem que ela é abençoada pelos deuses – ou condenada pelos deuses. Quem sabe? Dezenove anos parece jovem demais para carregar tais encargos... mas os rumores dizem que sua corte é forte, apesar de tudo. Uma metamorfa guarda suas costas e dois guerreiros príncipes a flanqueiam de ambos os lados.
Lorcan pensou nessa metamorfa, que tão sem cerimônia vomitou não uma vez, mas duas, em cima dele; pensou nesses dois guerreiros príncipes... Um deles filho de Gavriel.
— Será que ela vai salvar ou condenar a todos? — Nik considerou, agora examinando a fila que serpenteava atrás do vagão deles. — Eu não sei se gosto muito do pensamento de tudo descansando nas mãos dela, mas... se ela ganhar, talvez a terra fique melhor – talvez a vida melhore. E se ela falhar... talvez todos nós mereçamos ser condenados, de qualquer maneira.
— Ela vai vencer — Marion disse com força tranquila.
As sobrancelhas de Nik ergueram-se.
Homens gritavam, e Lorcan interrompeu:
— Eu gostaria de deixar essa conversa sobre ela para outra hora.
Som de passos, e, em seguida, homens uniformizados apareceram nos fundos da carroça.
— Saiam — um deles ordenou. — Façam uma fila. — Os olhos do homem focaram-se em Marion.
O braço de Lorcan envolveu-a enquanto uma luz muito familiar enchia os olhos do soldado. Lorcan reprimiu seu rosnado quando falou:
— Venha, esposa.
O soldado o percebeu, então. O homem recuou um passo, um pouco pálido, em seguida, ordenou que os suprimentos fossem examinados.
Lorcan saltou primeiro, apoiando as mãos na cintura de Marion enquanto a ajudava a descer do vagão. Quando ela fez um movimento para se afastar, ele a puxou de volta contra si, um braço envolvendo seu abdômen. Ele encontrou o olhar de cada soldado enquanto eles passavam e se perguntou quem estava cuidando da beleza de cabelos escuros na frente deles.
Um momento depois, ela e Molly vieram. Um chapéu estava apoiado sobre sua bela cabeça, a metade de seu rosto moreno claro obscurecida, seu corpo escondido por um casaco pesado que afastava os olhos de quaisquer curvas femininas. Mesmo o traço de sua boca era desagradável, como se a mulher tivesse deslizado totalmente na pele de outra pessoa.
Ainda assim, Molly empurrou a mulher entre Lorcan e Nik. Em seguida, tomou a bolsa de dinheiro da mão livre de Lorcan sem nenhum agradecimento.
A bela morena se inclinou para murmurar para Marion:
— Não olhe nos olhos deles, e não responda.
Marion concordou com a cabeça, queixo abaixando enquanto ela se concentrava no chão. Contra ele, ele podia sentir seu coração acelerado – selvagem, apesar da submissão calma escrita em cada linha de seu corpo.
— E você — a bela assobiou para ele enquanto os soldados revistavam seus pertences e levavam o que eles queriam. — Molly disse que se você entrar em uma confusão, se estiver desaparecido, não o resgataremos da prisão. Então deixe-os falar e rir, mas não interfira.
Lorcan debateu dizer que ele poderia abater toda essa guarnição, se quisesse, mas concordou.
Depois de cinco minutos, outra ordem foi gritado. Molly entregou o dinheiro de Lorcan e seu própria para pagar o pedágio, além de um extra para “passagem acelerada”. Em seguida, eles estavam todos de volta no vagão, nenhum deles se atrevendo a examinar o que fora roubado. Marion tremia um pouco onde ele a manteve escondida em seu lado, mas seu rosto estava vazio, entediado.
Os guardas não os tinham sequer questionado – não perguntaram por uma mulher que mancava.
O Acanthus rugiu debaixo deles enquanto atravessavam a ponte, as rodas de carroça fazendo barulho sobre as pedras antigas. Marion continuou tremendo.
Lorcan estudou seu rosto mais uma vez, a sugestão de vermelho ao longo de suas maçãs do rosto salientes, a boca apertada.
Não tremendo de medo, ele percebeu enquanto capturava uma lufada de seu cheiro. Um leve cheiro de, talvez, mas principalmente algo incandescente, algo selvagem e furioso e...
Raiva. Ele fervia com tanta raiva que isso a fazia tremer. Pela inspeção maliciosa dos guardas.
Uma idealista, isto é o que Marion era. Alguém que queria lutar por sua rainha, que acreditava, como Nik, que este mundo poderia ser melhor.
Enquanto eles atravessavam a ponte, os soldados os deixaram passar sem problemas, e uma vez que serpentearam pela fila do outro lado da ponte e saíram para as planícies em si, Lorcan admirou sua raiva – sua crença em um mundo melhor.
Ele não tinha vontade de dizer a Marion ou Nik que o sonho deles era o sonho de um tolo.
Marion relaxou o suficiente para olhar pela parte de trás do vagão – para o prado que flanqueava grande parte da estrada de terra, para o céu azul, para o rio rugindo e a expansão iminente de Carvalhal atrás deles. E apesar de sua raiva, uma espécie de possível admiração cresceu em seus olhos escuros. Ele a ignorou.
Lorcan tinha visto o pior e o melhor nos homens em quinhentos anos.
Não havia tal coisa como um mundo melhor – nem algo como um final feliz.
Porque não havia finais.
E não havia nada esperando por eles nesta guerra, nada esperando uma escrava fugitiva, além de uma cova rasa.

30 comentários:

  1. TAVA COMEÇANDO A GOSTAR DELE....BUNDÃO!!

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  2. Não sei vocês,mas eu shippo. 😂😂

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    1. Dai a Sarah complica em nao tentaar shippar eles!!

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  3. 500 anos o Lorcan ainda não aprendeu que são esses "idealistas" que mundam as coisas...mesmo que não do jeito que ele pensa

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  4. Esse não renega o coração peludo, deixa estar a Marion vai depila-lo a laser kkkkkk

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    1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKK CHORANDO...DE RIR COM ESSE COMENTARIO KKKKKKKKK

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  5. Shippo pra krl esses dois *-* seria tão fofo a Elide conseguir mudar o Lorcan, tô começando a gostar dele. Eita q otimismo é o ponto forte do Lorcan hein heuheu -_-'
    #Elican

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  6. Já amei.esse é meu casal favorito. Elide dobrando o selvagem Lorcan .Ta ficando mansinho kk

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    1. hahaha eu adoro essas pessoas que shippam e declaram como OTP um casal sem indicio nenhum de romance, que nem conversam direito e se conhecem a poucos dias kkk Me incluo nisso, shippo a Manon eo Dorian desde o primeiro ponto de vista da Manon , e olha que eles nem sabiam da existência um do outrokkk
      Somos tudo iludida

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  7. Também shippo <3

    Mas eu entendo o pessimismo do Lorcan, se for ver a situação tá todos reinos divididos e as pessoas em ruinas, sem nenhum poder sólido, sem ser o de Erawan... É dificil ter esperança depois de você viver 500 anos e ver muitos reinos caírem.

    Esperando o encontro e união de Aelin-Dorian-Manon-Elide-Chaol ( o que ele tá fazendo afinal?)

    Quem sabe até a Maeve e o Lorcan e os fantasminhas lá e o povo pequeno e sei lá mais quem porque PQP a coisa tá feia viu?

    Mas vai dar tudo certo eu sei... 😌😓😏

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  8. Lorcan Elidevsi amansar vc vai ficar mansinho kkk

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  9. Se isso lorcan não quisesse mais serápido um guerreiro ele teria um grande futuro como palestrante motivácional pra criancinhas...Só acho

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  10. Lorcan e seu otimismo cativante kkk

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  11. Lorcan é igual eu, otimista até o último suspiro! #Elorcan amo esse casal! E Chaol lindinho fofinho e queridinho? KD?

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  12. Chaol vai ter um livro só dele, indo pro continente sul para se curar

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    1. SERIO... QUE CHATO

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    2. Msm reaçao Mirelli, nao sei como que eu vou suportar ler esse livro inteiro.. A Sarah falou que vai ser basicamente um ToG 6, que não tem como entender o proximo se não ler esse... OU seja...
      O que vai salvar vai ser a Nesryn, gosto dela. Tanto que ela merecia alguem melhor que o Chaol

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  13. Gente, se o Lorcan terminar com a Elide, vou rir muito da cara dele, considerando o tanto que ele xingou o Rowan por gostar de uma mortal... AHSUAHSUSH

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  14. Tomara que ele diga logo que Aelin e Celaena são as mesmas pessoa

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    1. Tomara q ele fale logo mesmo q aelin e celaena são a mesma pessoa.
      Espero q a Elide amoleça o coração de Lorcan e ele se torne uma pessoa melhor.
      Apesar de saber q não vai dar certo por causa de Maeve.
      Ass: Milly *-*

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  15. "...cuidando da beleza de cabelos escuros beleza na frente deles."
    Acho que tem um erro aí, Karina

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  16. Devoradora de livros14 de julho de 2017 16:22

    Não havia tal coisa como um mundo melhor – nem algo como um final feliz.
    Porque não havia finais.
    E não havia nada esperando por eles nesta guerra, nada esperando uma escrava fugitiva, além de uma cova rasa.

    Sempre otimista né Lorcan

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  17. Só eu que acho q o Lorcan é igualzinho ao Rowan quando ele conheceu a Aelin? Mano, parecem a mesma pessoa pqp

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  18. Bora vê por quanto tempo Lorcan pensa assim? 😋

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  19. MANÍACA POR LIVROS25 de setembro de 2017 15:10

    "LINDA COMO O PECADO E FRIA COMO O GELO"ESSA E MINHA AELIN

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Boa leitura :)