26 de janeiro de 2017

Capítulo 18

Parte dos cavaleiros Senshi emergiram da floresta em uma formação irregular e desceram em uma área comum do Vilarejo da Margem.
Nada se mexia no vilarejo. As aves da floresta, que ficaram silenciosas com a passagem barulhenta de estrangeiros, gradualmente começaram a cantar novamente nas árvores ao redor do círculo de cabanas. O pequeno rio que corria do outro lado da vila, que deu o nome ao lugar, borbulhava e escalava as rochas, o barulho parecia anormalmente alto no silêncio.
O cavaleiro líder tocou as rédeas impacientes, observando ao redor as cabanas aparentemente vazias.
— Kikori! — ele chamou. — Mostrem-se! Queremos bebida e comida, e queremos agora.
A floresta pareceu absorver a voz dele. Não houve resposta, só pássaros e o rio.
— Não há ninguém aqui, Chui  falou um dos tenentes.
O comandante olhou para o homem que havia falado. Ele estava cansado, dolorido devido à desconfortável sela e estava ficando cada vez mais bravo com aqueles denominados Kikori, que se recusavam a responder suas perguntas ou fugiam para a floresta ao primeiro sinal dele e de seus homens. “É hora de ensinar a esses camponeses insolentes uma lição”, ele pensou.
Ele desmontou, estava com os músculos rígidos tendo alguns passos para esticar seus músculos cansados. Cavalgar nesses terrenos montanhosos com intensa mudança de inclinações e ângulos era um péssimo negócio.
— Desmontem  ele disse aos seus homens e eles seguiram o seu exemplo.
O comandante apontou um dedo para o homem que tinha falado.
 Você, vá e inspecione essas cabanas.
Ele indicou as três casas maiores agrupadas e viradas para a área comum.
— Vá com ele  ordenou a um segundo guerreiro.
Os dois homens seguraram os cabos de suas espadas, caminharam com dificuldade devido à rigidez de suas pernas e subiram os degraus da cabana mais próxima. O primeiro homem chutou a porta, quebrando o batente. A porta abriu torta, ele caminhou e olhou para dentro, suas botas sujas marcando e arranhando o piso de madeira polida.
Foi o ato final de arrogância dos nihon-jins entrar em uma casa escondido sem remover os sapatos. Os cavaleiros que estavam do lado de fora ouviram o baque de suas botas no piso de madeira enquanto ele se movia pela casa. Depois de um tempo ele apareceu na porta e disse:
— Vazio.
O outro homem que estava na próxima casa tinha acabado de ouvir a voz do amigo disse:
— Mesma coisa aqui Chui, parece que eles se foram.
O tenente murmurou uma maldição aos moradores ausentes. Agora ele e seus homens teriam que procurar comida no vilarejo e eles mesmos teriam que prepará-la. Isso não funcionava para os Senshi, ele pensou. Era trabalho para camponeses, feitos para servi-los. Ele refletiu irritado que os moradores provavelmente estavam escondendo suas historias antes de fugirem. Mais tempo perdido, mais inconveniência.
— Ok  ele disse rápido — Vamos queimar essas cabanas!
As casas, julgando por sua posição, provavelmente seriam dos idosos do vilarejo. “Bom, eles que aprendam a não fazer um guerreiro Senshi ficar parado esperando enquanto era requisitado seus serviços”, ele pensou.
Havia uma leve brisa soprando enquanto as chamas que queimavam as três cabines se expandiam para o resto dos edifícios, destruindo completamente todo o vilarejo. “Da próxima vez, eles poderiam fugir se soubessem que aquilo aconteceria”, ele pensou severamente.
O homem pegou a tocha da varanda da maior cabana e estava agora ocupado em acendê-la. O tenente esfregou suas costas rígidas com os punhos cerrados. Ele estava apreciando ver as cabanas queimarem. Ver um edifício pegar fogo sempre o deixava com um sentimento de satisfação.
O homem que tinha dois feixes de palha e gravetos recolhidos que agora pegavam fogo, olhou interrogativamente para seu líder, que fez um gesto imperioso com as costas da mão.
— Vamos logo com isto!
Assim que ele se dirigiu para a cabana maior, uma voz atrás dele o chamou.
— Senhor! Por Favor! Não queime minha casa, eu lhe imploro!
Uma figura irregular com uma túnica Kikori simples veio correndo entre as árvores que circundavam a vila. Dois Senshi se moveram para interceptar, mas o líder fez um gesto seco para deixar a figura se aproximar dele. Ele parou a poucos metros do líder e caiu de joelhos com a cabeça baixa.
— Por favor, senhor. Não destrua nosso vilarejo  disse em tom servil.
A mão do soldado caiu no cabo da espada e deu um passo mais perto da figura rebaixada e perguntou:
— Quem é você?
— Sou Jito, senhor. Sou o chefe desse vilarejo.
— Quanto tempo mais você queria manter eu e meus homens esperando?  O líder se enfureceu e perguntou: — Onde estão os moradores?
— Eles fugiram, estavam com medo.
— E você não os impediu?
— Eu tentei, senhor, mas eles não me ouviram.
— MENTIROSO!  A palavra foi gritada com violência e o homem ajoelhado vacilou para trás. — Você é um mentiroso, você os mandou ir e disse a eles para esconder qualquer comida desse vilarejo de mim.
— Não, senhor, eu...
— Mentiroso!  A palavra foi gritada dessa vez mais alta.
O oficial estava num frenesi de ódio. Seus homens se entreolharam. Tinham visto isso acontecer e sabiam muito bem o destino do chefe da aldeia.
— Não, senhor, por favor...
— Você está mentindo pra mim, e insultou a mim e a meus homens! Onde está sua hospitalidade? Onde está o devido respeito aos membros da ordem Senshi? Você, Kikore sujo, devia estar de joelhos nos implorando para comer de seu arroz e tomar seu vinho. Estamos lhes honrando por vir a seu vilarejo e vocês fogem para a floresta como ladrões!
— Não, senhor, por favor, estaríamos honrados.
— Cale sua boca mentirosa  o tenente gritou — vou lhe mostrar como lidamos com ladrões e vamos queimar esse vilarejo até tudo virar cinzas!
Houve um silvo do toque do aço contra madeira envernizada quando ele sacou a espada longa de sua bainha, dando um aperto de duas mãos.
— Ajoelhe-se em linha reta e abaixe a cabeça, ladrão!  Ele gritou.
Finalmente, o chefe pareceu aceitar que não havia sido nada bom ele estar sentado sobre as pernas, mas agora ele ajoelhou-se e inclinou a cabeça para frente e renunciou à espada do tenente, o tenente levantou a longa arma e se preparou para cortar.
Ele levantou a arma longa acima de sua cabeça, se preparando para varrer para baixo e emitiu um grunhido de prazer animal quando pairou acima do aldeão.
Então as coisas aconteceram muito rapidamente.
O chefe do vilarejo que estava ajoelhado veio para cima de seu joelho direito. Sua mão surgiu sobre o manto esfarrapado Kikore com uma espada reluzente Senshi curta. Usando o pé como apoio, ele se jogou para frente, empurrando a lâmina sem misericórdia no tenente.
O tenente olhou com horror, surpreso com seu atacante. Agora, como o manto esfarrapado foi colocado de lado, ele viu que aquele não era morador idoso, lamentando-se.
Foi uma armadilha. Era um guerreiro forte Senshi, seu cabelo preto cheio de fuligens para torná-lo grisalho. No peito de sua jaqueta havia uma bordado do brasão triplo de cereja.
A espada caiu da mão do tenente e ele se dobrou, morto antes de bater no chão. Rapidamente, Shukin trocou a espada curta para a mão esquerda, se inclinou e pegou a katana do tenente. Os homens do grupo de ataque ficaram atordoados por alguns segundos, mas agora eles arrancavam suas espadas e estavam preparados para vingar a morte de seu líder.
Eles não estavam completamente certos de como isso tinha acontecido. Um momento antes, o morador havia ficado intimidado em sua apresentação, no seguinte o seu líder estava cambaleando e caindo diante dele. O que quer que tenha acontecido, o morador traiçoeiro iria morrer por isso.
Mas quando se preparavam, outras figuras apareceram nas árvores atrás deles, correndo do flanco e juntando-se para perto do Shukin.
Os dois homens que haviam sido enviados para atear fogo nas cabanas estavam perto dele e ele virou-se para enfrentá-los. Bloqueou o primeiro homem cortando seu facilmente golpe, sacudindo a espada para um lado e, no mesmo movimento, um corte de modo que parte se sua própria lâmina atingiu o pescoço do homem. Quando o homem caiu, o Shukin bloqueou a lâmina do segundo homem, cortou com a espada curta na mão esquerda, depois virou para a direita, sua espada longa chegando por cima do ombro direito como parte do movimento. Ele deu um passo curto quando o homem caiu, alguns segundos depois de seu companheiro.
Agora, os invasores não teriam tempo para vingar seu líder caído. Eles encontraram-se cercado por trinta guerreiros Senshi armados, todos vestidos com o símbolo do imperador.
Por alguns breves minutos, a compensação tocou com o tinir das espadas e os gritos dos feridos. Os homens de Arisaka lutaram ferozmente, mas nunca tiveram chance.
Horace, atribuído à guarda do imperador em uma das cabanas da segunda linha, observava a luta curioso.
Cada um dos inimigos foi cercado por dois ou três homens de Shigeru. No entanto, eles nunca atacaram todos juntos, optando por desafiar os atacantes em uma série de combates individuais. Ele comentou sobre este fato ao imperador e Shigeru simplesmente assentiu.
— Esta é a forma como é feito  disse ele. — Não é honroso lutar os três de uma vez contra um homem somente. Ganhamos ou perdemos como indivíduos.
Horace balançou a cabeça.
— De onde eu venho, uma vez que uma luta começa, tudo vira um derradeiro inferno  disse ele.
Ele viu que Shigeru não entendeu a expressão, mas ele não fez nenhuma tentativa de explicar.
Gradualmente, os sons de luta acabaram com o último dos homens de Arisaka caindo. Mas eles não tinham sido derrotados tão facilmente. Quatro guerreiros Shigeru também estavam em silêncio sobre o solo manchado de sangue do terreno comum e outros dois foram feridos e estavam na enfermagem.
Shigeru e Horace deixaram a casa onde haviam ficado escondidos e saíram para se juntar a Shukin.
Aos poucos, os moradores começaram a reaparecer, surgindo em volta de seus esconderijos na floresta. Eles consideravam o Senshi caído com algo como respeito.
Jito olhou Shigeru e inclinou a cabeça ligeiramente.
— Este foi um bom trabalho, senhor Shigeru.
Eiko também tinha um olhar de satisfação no rosto. Estes foram os homens que mataram os seus amigos, vizinhos e destruíram a aldeia, enquanto foi obrigado a ficar e assistir. “Foi bom”, pensou ele, “ver como o sapato era no outro pé”. Mas
Shigeru estava incomodado. Ele indicou as formas ensanguentadas no chão.
— Arisaka ouvirá falar disto. Ele irá responsabilizá-lo e vai declarar guerra — disse ele.
Jito lançou um olhar depreciativo nos invasores mortos. Seus ombros se endireitaram levantou a cabeça com orgulho.
— Deixe-o! Leve-nos a Ran-Koshi e nos ensine a lutar, senhor Shigeru. Os Kikori estão declarando guerra a Arisaka.
Houve um murmúrio de concordância entre as pessoas das duas aldeias, uma vez que ouviram suas palavras. Eles se reuniram em torno de Shigeru, tocando-o, se curvando a ele, prometendo a sua lealdade. Shukin e Horace trocaram sorrisos severos.
— Temos homens  disse Shukin.
Horace assentiu.
— Agora só temos que transformá-los em guerreiros.

Um comentário:

  1. Um pequeno erro.
    "— Arisakaouvirá(Arisaka ouvirá) falar disto. Ele irá responsabilizá-lo e vai declarar guerra — disse ele."

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Boa leitura :)