30 de janeiro de 2017

Capítulo 15

O mar pareceu parar.
Aelin puxou a chave de Wyrd de dentro de seu casaco, deixando-a descansar entre seus seios enquanto se sentou na borda saliente da pedra e olhou para fora, para a noite velada do mar.
E esperou.
A lasca de lua crescente começava a descer quando uma voz masculina falou atrás dela:
— Você parece mais jovem do que eu pensava.
Aelin continuou encarando o mar, mesmo quando seu estômago apertou-se.
— Porém mais bonita, certo?
Ela não ouviu quaisquer passos, mas a voz estava definitivamente mais perto quando ele respondeu:
— Pelo menos a minha filha estava certa quanto a sua humildade.
— Engraçado, ela nunca implicou que você tivesse um senso de humor.
Um sussurro de vento à direita, em seguida, pernas longas e musculosas encimadas por uma armadura antiga apareceram ao seu lado, os pés protegidos por sandálias. Ela finalmente se atreveu a girar a cabeça, descobrindo que a armadura continuava por um corpo masculino poderoso e chegava a um rosto bonito e de boa ossatura. Ele poderia enganar qualquer um fazendo-o pensar que era de carne e sangue – se não fosse o brilho pálido de luz azul que escapava de seu corpo.
Aelin baixou a cabeça ligeiramente para Brannon.
Um meio sorriso foi o único reconhecimento dele, o cabelo vermelho-dourado balançando ao luar.
— Uma batalha brutal, mas eficiente — comentou ele.
Ela deu de ombros.
— Foi-me dito para vir a este templo. Encontrei-o ocupado. Então eu o desocupei. De nada.
Seus lábios se torceram em um sorriso.
— Eu não posso ficar muito tempo.
— Mas ficará o suficiente para dar tantos avisos enigmáticos quanto possível, certo?
As sobrancelhas de Brannon se ergueram, seus olhos cor de conhaque enrugando-se com diversão.
— Pedi para meus amigos lhe enviarem uma mensagem para vir até aqui por uma razão, você sabe.
— Oh, eu tenho certeza disso — ela não teria arriscado recuperar o templo de outra forma. — Mas primeiro me fale sobre Maeve.
Ela esperara o suficiente para que ele despejasse a mensagem em seu colo. Tinha suas próprias malditas perguntas.
A boca de Brannon apertou-se.
— Especifique o que precisa saber.
— Ela pode ser morta?
A cabeça do rei chicoteou em sua direção.
— Ela é velha, herdeira de Terrasen. Ela era velha quando eu era uma criança. Seus planos são abrangentes...
— Eu sei eu sei. Mas ela morrerá se eu enfiar uma lâmina em seu coração? Arrancar sua cabeça?
Uma pausa.
— Eu não sei.
— O quê?
Brannon sacudiu a cabeça.
— Eu não sei. Todos os feéricos podem ser mortos, e mesmo assim ela sobreviveu o nossa vida prolongada alcança, e seu poder... ninguém entende seu poder.
— Mas você viajou com ela para recuperar as chaves...
— Eu não sei. Mas ela sempre temeu a minha chama. E a sua.
— Ela não é valg, é?
Uma risada baixa.
— Não. Tão fria quanto um, mas não.
As bordas de Brannon começaram a tremeluzir um pouco.
Mas ele viu a pergunta em seus olhos e acenou para que ela prosseguisse.
Aelin engoliu, sua mandíbula apertando um pouco enquanto ela forçava uma respiração.
— Será que o poder nunca fica mais fácil de controlar?
O olhar de Brannon suavizou uma fração.
— Sim e não. A maneira como ela afeta seus relacionamentos com aqueles ao seu redor se torna mais difícil do que o controle do poder – ainda está ligada a isso também. Magia não é dom fácil em qualquer forma, mas o fogo... nós não queimamos apenas o própria magia, mas também nossas próprias almas. Para o melhor ou para o pior — sua atenção voltou-se para Goldryn, espreitando por cima do ombro de Aelin, e ele riu com surpresa tranquila. — A besta na caverna morreu?
— Não, mas ela me disse que sente sua falta e que você devia fazer-lhe uma visita. Ele é solitário lá.
Brannon riu novamente.
— Nós teríamos nos divertido juntos, você e eu.
— Estou começando a desejar que eles tivessem te enviado para lidar comigo em vez de sua filha. O senso de humor parece pular uma geração.
Talvez tenha sido a coisa errada a dizer. Porque o senso de humor desapareceu instantaneamente daquele belo rosto bronzeado, e olhos cor de conhaque se tornaram frios e duros. Brannon fez o movimento para segurar a mão dela, mas seus dedos a atravessaram – direto através da própria pedra.
— O cadeado, herdeira de Terrasen. Eu a chamei aqui para isso. No Pântano de Pedra, lá reside uma cidade afundada – o cadeado está escondido lá. Ele é necessária para unir as chaves aos portões de Wyrd quebrados. É a única maneira de devolvê-las para aquele portão e selá-lo permanentemente. Minha filha implora que você...
— Que cadeado...?
— ... encontre o cadeado.
— Onde no Pântanos de Pedra? Não é exatamente um lugar pequeno...
E Brannon se fora.
Aelin fez uma careta e empurrou o Amuleto de Orynth de volta para dentro da roupa.
— É claro que há um maldito cadeado — ela murmurou.
Ela gemeu um pouco enquanto ela alongava os pés, e franziu a testa para o mar escuro cujas ondas quebravam a apenas alguns metros de distância. Para a antiga rainha que estava do outro lado, preparando um exército.
Aelin mostrou a língua.
— Bem, se Maeve já não estava pronta para atacar, certamente o fará agora — Aedion observou das sombras de um pilar nas proximidades.
Aelin endureceu, sibilando.
Seu primo sorriu para ela, seus dentes brancos ao luar.
— Acha que eu não sabia que você tinha outro motivo para ter tomado de volta este templo? Ou pensa que esta primavera em Forte da Fenda não me ensinou nada sobre a sua tendência de planear várias coisas ao mesmo tempo?
Ela revirou os olhos, dando um passo para fora da pedra sagrada e descendo as escadas.
— Suponho que tenha escutado tudo.
— Brannon até mesmo piscou para mim antes de desaparecer.
Ela trincou a mandíbula.
Aedion inclinou seu ombro contra o pilar esculpido.
— Um cadeado, hein? E quando, precisamente, você nos informaria sobre esta nova mudança de direção?
Ela caminhou até ele.
— Quando eu tivesse vontade. E não é uma mudança de direção, não ainda. Aliados continuam sendo a nossa meta, e não as ordens enigmáticas da realeza morta.
Aedion apenas sorriu. Um movimento nas sombras do templo chamou sua atenção, e Aelin soltou um suspiro.
— Vocês dois são sinceramente insuportáveis.
Lysandra pousou em cima de uma estátua nas proximidades e estalou seu bico um vez em saudação.
Aedion deslizou um braço em volta dos ombros de Aelin, guiando-a de volta para a residência em ruínas dentro do templo.
— Nova Corte, novas tradições, você disse. Mesmo para você. Começando com a diminuição dos esquemas e segredos que tomaram anos da minha vida a cada vez que você fez uma grande revelação. Embora eu certamente tenha apreciado o novo truque com as cinzas. Bastante artístico.
Aelin deu-lhe uma cotovelada.
— Você não...
As palavras se interromperam enquanto passos soaram contra a terra seca do pátio nas proximidades. O vento veio na direção deles, carregando um cheiro que eles conheciam muito bem.
Valg. Um poderoso, se ele atravessou sua parede de fogo.
Aelin desembainhou Goldryn enquanto a própria lâmina de Aedion chiava baixinho, a Espada de Orynth brilhando como aço recém-forjado sob o luar. Lysandra permaneceu no alto, mergulhando mais fundo nas sombras.
— Denunciados ou a droga de uma má sorte? — Aedion murmurou.
— Provavelmente ambos — Aelin sussurrou de volta quando a figura apareceu entre dois pilares.
Ele era atarracado, um pouco acima do peso, sem toda a beleza inimaginável que os príncipes valg preferiam quando habitavam um corpo humano. Mas o fedor desumano, mesmo com aquele colar em seu pescoço largo, era muito mais forte do que o habitual.
Claro, Brannon não poderia ter se incomodado em avisá-la. O valg entrou na luz dos braseiros sagrados.
Os pensamentos em sua cabeça travaram quando viu o rosto dele.
E Aelin sabia que Aedion estava certo: suas ações esta noite tinham enviado uma mensagem. Uma declaração definitiva de sua localização. Erawan estava esperando por este encontro há muito mais do que algumas horas. E o rei valg conhecia ambos os lados da história dela.
Pois era o superintendente-chefe de Endovier que agora sorria para eles.



Ela ainda tinha pesadelos com ele.
Daquele rosto vermelho comum olhando de soslaio para ela, para as outras mulheres em Endovier. De sua risada quando ela estava nua e sendo chicoteada a céu aberto, depois era levada algemada para ficar sob o tempo frio ou a ardência do sol. Do seu sorriso quando ela era empurrada para poços escuros, o sorriso ainda maior quando a tiravam deles dias ou semanas mais tarde.
O punho de Goldryn tornou-se escorregadio em sua mão. Chamas instantaneamente queimaram junto dos dedos da outra mão. Ela amaldiçoou Lorcan por roubar de volta o anel de ouro, por tirar aquele pouco de imunidade, de redenção.
Aedion olhava entre eles, lendo o reconhecimento em seus olhos.
O superintendente de Endovier zombou ela:
— Não vai nos apresentar, escrava?
A quietude absoluta que rastejou sobre o rosto de seu primo lhe disse o suficiente sobre as peças que ele juntara – assim como o olhar que ele lançou para as leves cicatrizes em seus pulsos, onde algemas estiveram.
Aedion deu um passo entre os dois, sem dúvida examinando cada som, sombra e cheiro para ver se o homem estava sozinho, estimando quão dura e continuamente eles teriam que lutar para abrir caminho para fora. Lysandra voou para outro pilar, pronta para se transformar e dar o bote em uma única palavra.
Aelin tentou reunir a arrogância com que se blindara e blefara para sair de quase todas as situações. Mas tudo o que via era o homem arrastando as mulheres para trás dos edifícios; tudo o que ouvia era a batida da grade de ferro sobre seu poço sem iluminação; tudo o que cheirava era o sal e o sangue e os corpos sujos; tudo o que sentia era o chicote queimando, seu sangue escorrendo pelas costas destruídas...
Eu não terei medo; eu não terei medo...
— Terão gasto todos os garotos bonitos para os reis e sobrado apenas este para você usar? — Aedion enrolou, comprando-lhes tempo para descobrir as probabilidades.
— Chegue um pouco mais perto — convidou o superintendente, sorrindo — e veremos se você se ajusta melhor, General.
Aedion soltou uma risada baixa, a Espada de Orynth se erguendo um pouco mais.
— Não acho que você irá embora.
E foi a visão daquela lâmina, a lâmina de seu pai, a lâmina de seu povo...
Aelin ergueu o queixo, e as chamas que cercavam sua mão esquerda queimaram mais intensamente.
Os lacrimejantes olhos azuis do superintendente deslizaram para a ela, estreitando-se em diversão.
— Pena que você não tinha esse pequeno dom quando eu a coloquei nos poços. Ou quando pintei a terra com seu sangue.
Um grunhido baixo foi a resposta de Aedion.
Mas Aelin obrigou-se a sorrir.
— É tarde. Acabei de trucidar seus soldados. Vamos ter essa conversa outro dia para que eu possa ter algum descanso.
O lábio do superintendente enrolou-se.
— Você aprenderá maneiras adequadas em breve, menina. Ah, aprenderá.
O amuleto entre seus seios parecia vibrar, um lampejo de força bruta, antiga. Aelin o ignorou, afastando qualquer pensamento dele. Se o valg, se Erawan, tivesse uma pista de que ela possuía o que ele queria tão desesperadamente...
O superintendente abriu novamente a boca. Ela atacou.
Fogo explodiu vindo da parede próxima, indo garganta abaixo, através de seus ouvidos, nariz. Chama que não queimava, chama que era mera luz, cegamente branca...
O superintendente rugiu, debatendo-se enquanto sua magia se arrastava para ele, se fundiram a ele.
Mas não havia nada dentro para agarrar. Sem escuridão para queimar, sem brasas restantes para dar vida. Somente...
Aelin cambaleou para trás, a magia de desaparecendo e os joelhos vacilando, como se ela tivesse sido atingida. Sua cabeça pulsou, e náuseas reviraram seu intestino. Ela conhecia aquela sensação – aquele gosto.
Ferro. Como se o núcleo do homem fosse feito disso. E aquele gosto no final, oleoso e hediondo... pedra de Wyrd.
O demônio dentro do superintendente soltou uma risada abafada.
— O que são colares e anéis em comparação a um coração sólido? Um coração de ferro e pedra de Wyrd, para substituir o coração covarde que batia aqui dentro.
— Por quê? — ela engasgou.
— Eu estava plantada aqui para demonstrar o que lhe espera se você e sua corte visitarem Morath.
Aelin atirou seu fogo nele, vasculhando suas entranhas, golpeando o núcleo de pura escuridão lá dentro. De novo, de novo e de novo. O superintendente continuou rugindo, e Aelin continuou atacando, até...
Ela vomitou sobre as pedras entre eles. Aedion a ergueu. Aelin levantou a cabeça. Ela tinha queimado as roupas dele, mas sua pele estava intocada.
E ali – pulsando contra as costelas como um punho socando-o constantemente – estava seu coração. Ele batia contra a pele, estendendo ossos e carne.
Aelin recuou. Aedion segurou-a pelo braço enquanto o superintendente arqueava em agonia, a boca aberta num grito silencioso.
Lysandra voou da coluna, mudando a forma para um leopardo ao pousar ao lado deles, rosnando.
Mais uma vez, aquele punho bateu lá dentro. E então ossos estalaram, quebrando para fora, rasgando músculos e pele, como se as costelas fossem pétalas de uma flor se abrindo. Não havia nada dentro. Sem sangue, sem órgãos.
Apenas uma escuridão poderosa e eterna e duas brasas douradas brilhando em seu núcleo.
Não brasas. Olhos. Fervendo com malícia antiga. Eles se estreitaram em reconhecimento e prazer.
Tomou cada grama do fogo de Aelin manter a coluna ereta e inclinar a cabeça em um ângulo jocoso, falando arrastadamente:
— Pelo menos você sabe como fazer uma boa entrada, Erawan.

19 comentários:

  1. Oq é isso? Essa tensão acaba comigo, ñ tem fim aff

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  2. Jshsksks
    Tô rindo de nervoso.

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  3. cada capíttulo tá mais intrigante q o outro? cmo q eu vou fzr as coisas desse jeito? Não dá vontade d parar d ler

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  4. Morrendo lentamente é o que eu estou ...

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  5. Morrendo lentamente é o que eu estou 😮

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  6. Não esperava o Erawan,
    me surpreendeu.
    Coração de ferro e pedra de wyrd
    caranba fudeu. >0<
    E eu aqui pensando em quando Elide
    vai aparecer.
    karina ta muuuuuuuuito emocionante
    agradeço mesmo por postar
    essas maravilhas aqui.
    ass:Milly
    obs:espero q ninguém morra 0.0
    principalmente o Rowan
    por ter aquele negocio de ele
    ser imortal e Aelin não.
    boa leitura! *-*

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    1. De nada, Milly! Espero que ame o livro tanto quanto eu amei *o*

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  7. Devoradora de livros14 de julho de 2017 15:54

    todo final de capitulo é o msm sentimento: Deu merda, o sarah assim meu coração n aguenta

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  8. Ela amaldiçoou Lorcan por roubar de volta o anel de ouro, por tirar aquele pouco de imunidade, de redenção.

    Como foi q ele pegou de volta ? Eu n to lembrada disso

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  9. Ué, Erawan n tava em Morath num corpo de alguem com cabelos dourados ? De qualquer forma, Ferrou 😨

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  10. E agora a unica fala que salva
    "Corram para as montanhas"😱😨

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Boa leitura :)