30 de janeiro de 2017

Capítulo 12

Sem Evangeline diminuindo a velocidade o grupo, Aelin, Aedion e Lysandra viajaram descanando pouco conforme seguiam para o litoral.
Aelin permaneceu em sua forma feérica para acompanhar Aedion, que ela relutantemente admitiu ser o melhor cavaleiro, enquanto Lysandra mudava para várias formas de aves para explorar a terra com antecedência para qualquer perigo. Rowan a instruíra sobre como fazê-lo, que coisas observar e o que evitar ou dar um olhar mais atento, enquanto eles estiveram na estrada estas semanas. Mas Lysandra encontrou pouco para relatar dos céus, e Aelin e Aedion encontraram poucos perigos no chão, conforme cruzavam vales e planícies das terras baixas de Terrasen.
Tão pouco restava do outrora rico território.
Aelin tentou não pensar muito nisso, sobre as propriedades surradas, as fazendas abandonadas, as pessoas de rostos magro que eles viam a cada vez que se arriscavam por uma cidade, camuflados e disfarçados, para conseguir suprimentos desesperadamente necessários. Embora ela tivesse enfrentado a escuridão e saído cheia de luz, uma voz sussurrava em sua cabeça “é culpa sua, culpa sua, culpa sua”.
Aquela voz muitas vezes soava com os tons gelados de Weylan Darrow.
Aelin deixava peças de ouro em seu rastro, escondida sob uma caneca de chá aguado oferecido a ela e Aedion em uma manhã de tempestade; caída na caixa de pão de um agricultor que lhes dera fatias de pão e um pouco de carne para Lysandra em forma de falcão; escorregou uma moeda na gaveta de um dono de pousada que lhes oferecera uma tigela extra de guisado de graça ao ver a rapidez com que eles consumiram os seus almoços.
Mas aquele ouro não aliviava as rachaduras em seu coração, aquela voz horrível que assombrava sua vigília e pensamentos sonolentos.
No momento em que chegou à antiga cidade portuária de Ilium, uma semana depois, ela parou de deixar ouro para trás. Aquilo tinha começado a parecera mais como um suborno. Não para o seu povo, que não tinha noção de que ela estivera entre eles, mas para sua própria consciência.
As planícies verdes finalmente cederam à costa rochosa e árida, quilômetros antes da cidade de muros brancos que se erguia entre o mar turquesa e a ampla foz do rio Florine, que serpenteava para o interior por todo o caminho até Orynth. A cidade de Ilium era tão antiga quanto a própria Terrasen, e provavelmente já teria sido esquecida pelos comerciantes e pela história, não fosse o templo em ruínas na borda nordeste da cidade, atraindo peregrinos suficientes para mantê-la prosperando.
O Templo da Pedra, como era chamado, tinha sido construído em torno da própria rocha, onde Brannon tocara o continente pela primeira vez antes de subir o Florine até sua nascente na base das montanhas Galhada do Cervo. Como o povo pequeno soube como tomar o templo para ela, ela não tinha ideia.
O templo robusto e crescente de Ilium fora erguido sobre uma falésia pálida com vista impressionantes da bela cidade desgastada pelas tempestades atrás dele e o oceano infinito além, tão azul que lembrava a Aelin das águas tranquilas do Sul.
Águas para onde Rowan e Dorian deveriam estar se dirigindo, se tivessem sorte. Aelin tentou não pensar nisso também. Sem o príncipe feérico ao seu lado, havia um horrível silêncio interminável.
Quase tão silenciosos quanto as paredes brancas da cidade e as pessoas dentro dela, encapuzados e armados até os dentes sob os mantos pesados, Aelin e Aedion atravessaram as portas abertas, não mais que dois cautelosos peregrinos a caminho do templo. Disfarçados por sigilo, e pelo pequeno fato de que Ilium estava agora sob ocupação adarlaniana.
Lysandra trouxe a notícia aquela manhã, depois de voar à frente, demorando-se em forma humana apenas por tempo suficiente para informá-los.
— Deveríamos ter ido para o norte, para Eldrys — Aedion murmurou enquanto cavalgavam passando por um grupo de sentinelas com expressões duras vestidos com a armadura adarlaniana, os soldados olhando em sua direção apenas para observar os olhos aguçados e nítidos do falcão empoleirado no ombro de Aelin. Nenhum reparou no escudo escondido entre os alforjes de Aedion, cuidadosamente velado pelas dobras de seu manto. Ou nas espadas que ambos tinham escondido também. Damaris permaneceu onde ela havia guardado estas semanas na estrada: amarrada sob os sacos pesados que continham os livros de feitiços antigos que ela pagara emprestado da biblioteca real de Dorian em Forte da Fenda. — Nós ainda podemos voltar...
Aelin lançou-lhe um olhar sob as sombras de seu capuz.
— Se você pensa por um momento que deixarei esta cidade nas mãos de Adarlan, você pode ir para o inferno.
Lysandra estalou seu bico, concordando.
O povo pequeno não tinha errado ao mandar a mensagem para virem aqui, a representação do templo era quase perfeita. Por qualquer magia que possuíssem, eles haviam previsto a notícia muito antes de chegar a Aelin na estrada: Forte da Fenda tinha realmente caído, seu rei estava desaparecido e a cidade fora saqueada por bruxas. Encorajada por isso e pelo rumor de que ela não tomaria seu trono de volta, mas sim fugiria também, o Senhor de Meah, o pai de Roland Havilliard e um dos senhores mais poderosos de Adarlan, havia marchado com suas tropas para a fronteira de Terrasen. E reivindicado aquela área para si.
— Cinquenta soldados estão acampados aqui — Aedion avisou.
A metamorfa apenas estufou as suas penas, como se dissesse “e daí?”
Sua mandíbula apertou.
— Acredite em mim, eu quero uma parte deles também. Mas...
— Eu não vou me esconder no meu próprio reino — Aelin cortou. — E não vou sair sem enviar um lembrete de a quem esta terra pertence.
Aedion manteve-se em silêncio conforme eles dobravam uma esquina, indo para a pequena pousada à beira-mar que Lysandra também vira naquela manhã. Do outro lado da cidade a partir do templo.
O templo cujos soldados tinham a audácia de usar como seu quartel.
— Isso é sobre enviar um lembrete para Adarlan, ou para Darrow? — Aedion perguntou por fim.
— Trata-se de libertar o meu povo, que lidou com estas peças de Adarlan por tempo de mais — Aelin respondeu, freando a égua para que parasse diante do Courtyard Inn. As garras de Lysandra apertaram seu ombro em acordo silencioso. Alguns metros além do muro do pátio desgastado, o mar brilhava em seu tom safira. — Nos movemos ao cair da noite.
Aedion permaneceu em silêncio, o rosto parcialmente escondido, quando o proprietário da pousada saiu e lhes garantiu um quarto para a noite. Aelin deixou seu primo remoer um pouco, brincando com a magia sob seu controle. Ela não tinha liberado nada disso esta manhã, querendo-a com força total para o que eles fariam à noite, mas o fio agora a puxava, uma coceira sem alívio, uma borda que ela não podia desgastar.
Só quando eles estavam abrigados em seu minúsculo quarto de duas camas, Lysandra empoleirada no parapeito da janela, que Aedion falou:
— Aelin, você sabe que eu vou ajudá-la, sabe que quero esses bastardos fora daqui. Mas o povo de Ilium viveu aqui por séculos, ciente de que na guerra, eles serão os primeiros a serem atacados.
E esses soldados poderiam facilmente voltar logo que ele fossem embora, ele não precisava adicionar.
Lysandra bicou a janela, um pedido silencioso. Aelin andou a passos largos, abrindo a janela para deixar a brisa do mar entrar.
— Os símbolos têm poder, Aedion — disse ela, observando a metamorfa agitar suas asas salpicadas. Ela lera livros e livros sobre o assunto durante a competição ridícula em Forte da Fenda.
Ele bufou.
— Eu sei. Acredite, eu os usava em minha vantagem tão frequentemente quanto podia. — Ele bateu no punho de osso da Espada de Orynth para dar ênfase. — Pensando sobre isso, eu falei exatamente a mesma coisa uma vez para Dorian e Chaol. — Ele balançou a cabeça com a lembrança.
Aelin apenas encostou-se à janela.
— Ilium costumava ser a fortaleza dos micênicos.
— Os micênicos não são nada mais que um mito – eles foram banidos há trezentos anos. Se está procurando por um símbolo, eles estão bastante desatualizados – e dividem opiniões.
Ela sabia disso. Os micênicos já haviam governado Ilium não como nobreza, mas como senhores do crime. E durante alguma guerra há muito tempo, a sua frota letal que fora tão crucial na conquista fora legitimada pelo rei que governava na época. Até que eles foram exilados séculos depois por sua recusa em ir ao auxílio de Terrasen em outra guerra.
Ela encontrou os olhos verdes de Lysandra quando a metamorfa baixou asas, resfriada o suficiente. Ela estivera distante na estrada esta semana, preferindo penas ou pelo à pele. Talvez por algum pedaço de seu coração que agora viajava por Orynth com Ren e Murtaugh. Aelin acariciou a cabeça de seda de sua amiga.
— Os micênicos abandonaram Terrasen para não morrer por uma guerra que não acreditavam.
— E eles se desfizeram e desapareceram logo depois disso, nunca mais sendo vistos novamente — Aedion rebateu. — Aonde quer chegar? Você acha que libertar Ilium vai chamá-los de volta? Eles estão muito longe, Aelin, seus dragões marinhos junto com eles.
Na verdade, não havia nenhum sinal em qualquer lugar desta cidade da frota de guerreiros lendários que tinham viajado até a guerra através de mares distantes e violentos, que tinham defendido essas fronteiras com o seu próprio sangue derramando-se sobre as ondas para além das janelas. E o sangue de seus dragões marinhos, tanto aliados quanto armas. Só quando o último dos dragões morrera, de coração partido por ser banido das águas de Terrasen, os micênicos realmente se perderam. E só quando os dragões marinhos voltassem, os micênicos, também, voltariam para casa. Ou assim suas antigas profecias diziam.
Aedion começou a remover as lâminas extras escondidas em seus alforjes, exceto Damaris, e prendê-las em seu corpo uma por uma. Ele verificou se a faca de Rowan estava bem afivelada em sua cintura antes de falar para Aelin e Lysandra, ainda perto da janela:
— Eu sei que vocês duas são da opinião de que os homens estão aqui para lhes fornecer uma visão bonita e refeições, mas eu sou um general de Terrasen. Se vamos encontrar um exército de verdade, não gastemos o nosso tempo perseguindo fantasmas. Se não conseguirmos ir ao norte até metade do outono, as tempestades de inverno tornarão impossível chegar lá por terra ou por mar.
— Se você é tão versado em empunhar símbolos de poder, Aedion — ela disse, — então sabe porque Ilium é vital. Não podemos permitir que Adarlan permaneça em sua posse. Por uma dúzia de razões. — Ela estava certa de que seu primo já havia calculado todas elas.
— Então tome a cidade da volta — Aedion desafiou. — Mas precisamos navegar pela madrugada. — Os olhos de seu primo se estreitaram. — O templo. Também é porque eles tomaram o templo, não é?
— Esse templo é o meu direito de nascença — disse Aelin. — Eu não posso permitir que esse insulto seja ignorado — ela girou os ombros. Revelando seus planos, explicando-se... Ele iria demorar algum tempo para se acostumar. Mas ela prometeu que tentaria ser mais... aberta sobre sua trama. E sobre esse assunto, pelo menos, ela poderia ser. — Tanto para Adarlan como para Darrow. Não se eu um dia vou recuperar o meu trono.
Aedion considerou. Em seguida, expirou, uma sugestão de um sorriso no rosto.
— Uma indiscutível rainha não apenas pelo sangue, mas também pelas lendas. — Seu rosto permaneceu contemplativo. — Você seria uma rainha indiscutível se fizesse a chama do rei florescer novamente.
— Pena que Lysandra só possa mudar a si mesma e não as coisas — Aelin murmurou.
Lysandra estalou seu bico em acordo, soprando suas penas.
— Dizem que a chama do rei floresceu uma vez durante o reinado de Orlon — Aedion meditou. — Apenas uma flor, encontrada em Carvalhal.
— Eu sei — Aelin falou calmamente. — Ele a manteve pressionada dentro de um vidro sobre a sua mesa.
Ela ainda se lembrava da pequena flor vermelha e laranja, tão simples na sua composição, mas tão vibrante que sempre arrebatou-lhe o fôlego. Ela florescera nos campos e montanhas em todo o reino no dia que Brannon pisou neste continente. E séculos depois, se uma flor solitária fosse encontrada, o soberano atual era considerado abençoado, o reino verdadeiramente em paz.
Antes de a flor ser encontrada na segunda década do reinado de Orlon, a última fora vista noventa e cinco anos antes. Aelin engoliu em seco.
— Será que Adarlan...
— Darrow a tem — Aedion respondeu. — Foi a única coisa de Orlon que ele conseguiu agarrar antes de os soldados tomarem o palácio.
Aelin assentiu, sua magia tremendo em resposta. Mesmo a espada de Orynth caíra nas mãos de Adarlan – até que Aedion a ganhou de volta. Sim, seu primo compreendia talvez mais do que qualquer outra pessoa o poder que um único símbolo poderia exercer. Como a perda ou recuperação de um poderia quebrar ou reunir um exército, um povo.
Suficiente – a destruição e dor infligida em seu reino já era o suficiente.
— Vamos — ela disse para Lysandra e Aedion, dirigindo-se para a porta. — É melhor comermos antes de erguermos o inferno.

10 comentários:

  1. "É melhor comermos antes de erguermos o inferno"
    Juro, como proceder??? To amando MT esse livro ❤

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  2. Vai lá minha filha bota foguim munitim para a mamãe aqui, tem minha benção.

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  3. Minha frase preferida dela ainda é " vamos sacudir as estrelas". Mas essa aí tbm é muito legal!

    Flavia

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  4. do jeito que a aelin é nao duvido nada que pode aparecer um campo enorme cheio de chamas do rei
    nesse caso da rainha né

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  5. Concordo com vc viin,seria o maximo

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  6. "É melhor comermos antes de erguermos o inferno."
    BULTAOREUNE.

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  7. Eu estou ansioso demais e fora que espero que o cervo apareça de novo

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  8. Vamo mata td mundo misera. Esses soldados de adarlan vão se lascar mt

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  9. tomara q cresça essa planta em tudo q é lugar quando aelin assumir o reino dela asudiausdhiau

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Boa leitura :)