26 de janeiro de 2017

Capítulo 11

O WolfWill estivera velejando ao leste por dois dias, e a Toscana estava distante atrás deles. O navio estranhamente diferente, com uma vela triangular curvada cuja extensão estava posta num ângulo abrupto ao mastro vertical, estava balançando impacientemente sobre as pequenas ondas, com o vento na sua boca. A vela fora posta rotunda até a sua extensão curvada e elevada ser quase paralela à linha do próprio navio.
O cordame zunia com o vento e o convés vibrava levemente debaixo dos seus pés. Era uma sensação divertida, fazendo Will se lembrar dos pássaros marinhos que voavam baixo, acompanhando o navio por horas todos os dias, planando facilmente logo acima da superfície do mar, com movimentos pouco perceptíveis de suas asas.
Os araluenses e Selethen estavam reunidos na proa, deixando o convés principal livre para os marinheiros trabalharem com o mastro e velas. Com aquele vento e velocidade, não havia necessidade de remar, apesar de o navio poder colocar oito longos remos de cada lado, no caso do vento parar.
Mesmo Halt se juntara a eles. Sabiamente, nenhum deles comentou o fato de que aquela era a primeira vez que eles o viam nos dois dias que se passaram. Evanlyn, Alyss e Will conheciam a delicada natureza do estômago de Halt nas primeiras horas de qualquer viagem por mar e eles tinham alertado Selethen da sensibilidade do arqueiro de barba grisalha sobre o assunto.
Halt lançou um olhar maligno a eles. Estavam todos sendo muito óbvios sobre não mencionar o repentino reaparecimento dele, algo que era ainda pior que se tivessem comentado, pensou ele.
Ah, qual é! ele disse. Alguém diga alguma coisa! Eu sei o que vocês estão pensando!
É bom ver você pronto pra outra, Halt disse Selethen gravemente.
De todos eles, Selethen era o mais capaz de manter um rosto sério quando dizia aquilo.
Halt encarou os outros e eles rapidamente expressaram em coro o prazer em vê-lo de volta ao seu estado normal. Mas ele pôde ver os sorrisos que eles não conseguiram esconder muito bem. Ele fixou um olhar em Alyss.
Estou surpreso por você, Alyss falou ele. Não esperava nada de melhor de Will e Evanlyn, é claro. Bestas sem coração, os dois. Mas você! Pensei que tivesse sido melhor treinada!
Que era um comentário particularmente farpado, vendo que a mentora de Alyss era nada mais que lady Pauline, a amada esposa de Halt.
Alyss estendeu um braço e tocou o braço dele gentilmente.
Halt, me desculpe! Não é engraçado, você está certo... Cale-se, Will.
Essa última foi direcionada a Will quando ele tentou, sem sucesso, abafar um riso silencioso.
Não há nada de engraçado em maladie-mer. É uma coisa séria.
Halt foi pego de surpresa quando ouviu aquilo. Ele pensou que não tinha nada mais do que estar mareado. Um problema irritante, reconhecidamente, mas um que passava dentro de um dia ou dois, sendo do mar. Mas Alyss parecia acreditar que aquilo era algo muito mais exótico. E quanto mais exótica uma doença era, mais risco de vida ela causava.
Maladie-mer? perguntou ele com uma pontada de ânsia. — O que é esse maladie-mer?
É gálico contou Alyss.
Ela usara a expressão porque sabia quanto Halt odiava a palavra “enjoo”. Se fosse sábio, a palavra nunca teria sido proferida na presença dele. Ela olhou rapidamente para os outros, mas eles não ofereceram ajuda. Nenhum deles encontrou o olhar. Você mesma se meteu nisso, eles pareciam dizer. Agora pode sair dessa.
Halt tinha razão, ela pensou. Eles eram bestas sem coração.
Digo... “enjoado” ela terminou fracamente.
Pensei que você falava gálico, Halt disse Evanlyn.
Ele alongou-se ereto com alguma dignidade.
Eu falo. O meu gálico é excelente. Mas não se pode esperar que eu memorize cada expressão obscura da língua. E a pronúncia de Alyss deixa um pouco a desejar.
Os outros se apressaram a concordar que não, ele certamente não podia memorizar, e sim, a pronúncia dela certamente deixava. Halt olhou para eles, sentindo aquela honra que foi apropriadamente restaurada. Tinha que ser admitido que, de um jeito sorrateiro, enquanto ele odiava o desconforto de estar mareado, uma vez que estava, ele curtia a atenção e simpatia que isso criava entre mulheres jovens bonitas como Evanlyn e Alyss.
E gostava do fato de que Will tendia a agir cuidadosamente com ele quando o problema era mencionado. Deixar Will desequilibrado era sempre um desejo.
As coisas deram uma virada declinante, porém, quando Gundar viu que Halt estava de pé pela primeira vez em dois dias, andou a passos pesados pelo convés para se juntar a eles.
De pé outra vez, né? estrondeou alegremente, com típico tato escandinavo. Pelas unhas de Gorlog, com todo esse vômito que está acontecendo, pensei que você iria virar-se ao avesso e se vomitar sobre o parapeito!
Com tal descrição gráfica, Alyss e Evanlyn empalideceram e viraram-se.
Você tem uma imaginação fértil, Gundar disse Will, e Selethen permitiu-se abrir um sorriso.
Agradeço pela sua preocupação falou Halt friamente.
De todas as pessoas, escandinavos pareciam os mais intolerantes contra enjoo no mar – ou, como ele agora sabia, maladie-mer. Ele fez uma nota mental de colocar Gundar num cavalo assim que alcançassem Nihon-Ja. Escandinavos eram notoriamente cavaleiros péssimos.
Então, você encontrou Albert? continuou Gundar, impassível.
Até Halt ficou confuso pela súbita troca aparente de assunto.
Albert? perguntou.
Tarde demais, ele viu o sorriso de Gundar se alargar e soube que caíra numa armadilha.
Você parecia estar procurando por ele. Você se inclinava no parapeito e chamava, “Alb-e-e-e-e-e-r-t!” Achei que ele era algum deus do mar de Araluen.
Os outros tiveram de concordar que o enunciado prolongado do nome feito por Gundar soava muito como o som do desespero de Halt, se esforçando para vomitar ao lado. Halt olhou para o lobo do mar.
Não. Não o encontrei. Talvez eu possa procurar por ele em seu capacete.
Ele estendeu uma mão. Mas Gundar ouvira o que acontece quando escandinavos emprestam os seus capacetes para o arqueiro sorridente no navio e ele recuou um passo.
Não. Tenho plena certeza de que ele não está aqui falou apressado.
Selethen, sempre o diplomata, achou que devia ser hora de fazer os outros esquecerem o estômago de Halt.
Esse navio é interessante, capitão falou para Gundar. Não consigo lembrar de ver um como esse. E eu vi vários navios escandinavos na minha época acrescentou significativamente.
Selethen era o wakir, ou governador local, de uma das províncias costeiras de Arrida. Ele via frequentemente navios escandinavos enquanto eles se incumbiam de invadir as suas cidades.
Gundar foi esquecido dessa referência. Mas, como Selethen suspeitava, como qualquer escandinavo, ele estava ansioso para falar sobre o seu navio.
É um navio maravilhoso! entusiasmou-se. Construí sozinho, nos diques de um rio ao norte de Araluen... lembra-se, Will? Ele olhou Will para uma confirmação.
Gundar e a sua tripulação, tendo sido naufragados na costa do norte, foram convocado por Will para auxiliá-lo no cerco do Castelo Macindaw. Como um prêmio pelos seus serviços, eles conquistaram a permissão de ficar em Araluen enquanto construíam um novo navio para a jornada de volta ao lar.
Will também foi útil em certificar-se que vigas, cordames, lona, alcatrão e outros materiais eram arrumados a eles pelo preço mínimo.
Lembro-me muito bem concordou Will. Mas ele tinha velas quadradas. Essa organização nova de velas é algo muito diferente.
Ah, sim, o projeto de vela do Heron. É realmente alguma coisa concordou Gundar. Continuamos com o casco e mudamos o mastro, velas e cordame.
Por que chama isso de projeto de vela do Heron? perguntou Alyss.
Gundar sorriu para ela. Ele também encontrara Alyss em Macindaw e foi recompensado com um beijo na sua bochecha barbuda quando eles foram para Toscana. Gundar era afeiçoado a ser beijado por loiras bonitas. Mas ele sentiu que havia alguma coisa particular entre ela e Will, então não quis aprofundar as coisas.
É o nome do navio original com cordame assim. O Heron. Não era realmente um navio, tinha só três quartos do tamanho de um navio escandinavo. Mas o projeto do mastro e vela era uma brilhante nova organização. Era a criação de um jovem rapaz escandinavo. Ele era um gênio.
Ouvi falar que ele era meio-araluense interveio Halt secamente.
Gundar fitou-o por um momento. A maioria dos escandinavos naqueles dias escolhia esquecer que eles zombaram do projeto quando o viram pela primeira vez.
Talvez ele fosse e talvez não disse Gundar, depois continuou, com total falta de lógica — mas foi a metade escandinava que criou o projeto. Todo o mundo sabe que o povo de Araluen não sabe nada de navios.
Sério? Halt disse.
Gundar fitou-o.
Bem, é claro. É por isso que tantos deles começam a vomitar as tripas no minuto em que pisam a bordo.
Will viu a conversa rumando de volta para o perigo.
Então nos conte sobre esse projeto. Como ele funciona?
A parte mais importante é que ele deixa a gente velejar pelo vento contou Gundar.
— Pelo vento? perguntou Halt. Como isso pode ser possível?
Gundar franziu o rosto. Ele era relutante em admitir qualquer falha no seu navio, mas sabia que se não respondesse com sinceridade, eventualmente a sua plateia veria a verdade por trás do seu orgulho.
Não realmente pelo vento admitiu. Podemos atravessá-lo velejando, gradualmente abrindo terreno contra ele. Somos capazes de nos movimentar num ângulo ao vento, assim ainda podemos fazer progresso quando ele estiver na nossa proa. Nenhum navio de velas quadradas pode fazer isso.
Então é por isso que você estava mudando de direção toda hora ontem quando o vento estava contra nós? perguntou Selethen.
Sim. Movemo-nos diagonalmente ao vento. Então, depois de um tempo, trocamos e vamos do outro jeito, gradualmente ziguezagueando na direção que quisermos. Chamamos isso de emenda.
Por quê? perguntou Alyss e ele franziu o rosto outra vez.
Ele nunca tinha se questionado porque a manobra que ele descrevera era chamada de emenda. Gundar era uma daquelas pessoas que aceitavam as coisas, com uma mente não-curiosa.
Por que... é assim que é chamado disse. Emenda.
Sabiamente, Alyss não discutiu mais o assunto. Will escondeu um pequeno sorriso com a mão. Ela conhecia Alyss e sabia que a resposta de Gundar era totalmente inadequada à mente curiosa dela. Achou que era melhor eles trocarem o assunto.
Como isso funciona, então? perguntou.
Gundar olhou para ele, grato. Aquela parte ele podia explicar.
Bem, o jovem rapaz escandinavo que projetou ele olhou rapidamente para Halt, desafiando-o a discutir a nacionalidade do inventor novamente gastou bastante tempo estudando pássaros marinhos, particularmente a forma das asas. Ele achou que seria uma boa ideia fortalecer a borda frontal da vela como a asa de um pássaro e a forma da vela em si, então ela seria triangular ao invés de quadrada. Então ele encurtou o mastro principal, depois projetou aquele botaló curvado e flexível que vocês veem no topo. O botaló fortalece e suporta a beira frontal da vela para que possamos virá-la para o vento. A vela quadrada original simplesmente tremularia, vibraria e perderia a sua forma. Mas com o botaló, a vela forma uma curva plana de forma que possamos redirecionar a força principal do vento com muito mais eficiência. O resultado é: o navio pode se movimentar num ângulo de onde a direção do vento está soprando. Em efeito, podemos velejar pelo vento.
Ele fez uma pausa, vendo alguns rostos que se questionavam, depois corrigiu a afirmação.
Certo. Através do vento. Mas é uma melhoria imensa na velha vela quadrada. É inútil quando o vento não está mais forte à frente do que morto no flanco.
Mas você duplicou aquele botaló fino do topo e a vela disse Evanlyn.
E ela tinha razão. No convés, da proa até a popa, havia outro botaló, com sua vela enrolada em sua volta. Estava no lado oposto do mastro ao botaló que estava atualmente no lugar.
Gundar favoreceu-a com um sorriso.
Essa é a beleza da coisa ele disse a ela. Como você pode ver, a vela está atualmente no lado a estibordo do mastro, com o vento vindo do lado a bombordo, assim o vento soprou-o do mastro numa curva perfeita. Quando emendamos... Ele deu uma rápida olhada em Alyss, mas ela manteve a expressão em branco. O vento estará no lado a estibordo, forçando a vela contra o mastro, de forma que a forma perfeita de asa seria deteriorada. Encordoamos outro botaló e vela no lado a bombordo. Depois, quando emendamos, abaixamos a vela a estibordo e levantamos a vela a bombordo. As duas são ligadas por cordas através de uma roldana no calcês, assim o peso de uma descendo nos ajuda a levantar a outra.
Engenhoso disse Halt finalmente.
Gundar Hardstriker sorriu modestamente.
Bem... a maioria de nós, escandinavos, é.

2 comentários:

  1. Hal será que é o jovem que ele está falando... Karine você já leu a coleção Brotherband, ela é incrível na verdade eu sempre quis que Will e o Hal se encontrassem eles tem muitas coisas em comum.... Bem que você podia postar essa saga no blog, eu imploro....

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    1. Sim, li :3 mas vou dizer que prefiro Rangers heauheuaheua
      Espero postar um dia sim

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Boa leitura :)