26 de janeiro de 2017

Capítulo 6

O grupo estava reunido no escritório do Barão Arald quando Halt entrou na sala.
— Então, nosso amigo genovês disse-lhe alguma coisa? — Duncan perguntou.
Halt tinha recebido a tarefa de interrogar o assassino sobrevivente. Will, apesar de toda sua experiência e destreza nas batalhas, tinha dificuldade nessas questões por seu rosto jovem e relativamente ingênuo. Já o rosto de Halt, por outro lado, não era nada novo e definitivamente nada ingênuo. Halt tinha a capacidade de fazer uma ameaça e parecer como se ele tivesse a intenção de prejudicar a pessoa, e ele geralmente sempre fazia.
Ele acenou com a cabeça em resposta à pergunta do rei.
— Não a princípio. Genoveses são notoriamente boca fechadas e eles não tem medo de ameaças de morte. Eles esperam pela morte, pois aceitam esse risco quando pegam um trabalho.
— Então, como você convenceu-o a falar? — Erak perguntou.
— Genoveses não tem medo de morrer. Mas eles têm medo do tipo de sofrimento que suas próprias armas podem causar — Halt explicou. Ele acenou para Horace, sentado na borda da mesa do barão, perto de Cassandra. — Eu peguei uma dica de seu passado, Horace. Ameacei infectá-lo com um de seus próprios venenos. Ele ficou um pouco verde quando falei que o único homem em Araluen que poderia produzir um antídoto vivia ao norte, a oito dias de distância. Em seguida, ele parecia muito disposto a falar.
— Ele realmente acreditou que você faria isso? — Cassandra perguntou e Halt virou-se para ela.
— Eu tenho um rosto muito sincero — ele respondeu com grande dignidade.
— Claro que tem — Cassandra concordou.
Antes que Halt pudesse continuar, Will fez uma pergunta que o estava incomodando.
— Eu estive pensando, por que esperar até a dança do casamento? Afinal de contas, eu notei a galeria enquanto estava de pé na frente do estrado, fazendo o meu discurso. Isso significa que a frente do estrado pode ser vista a partir da galeria. Assim, eles poderiam ter escolhido atirar quando o rei estivesse fazendo seu discurso.
— Por duas razões — Halt respondeu a ele, com um leve sorriso — o alvo estaria exposto por um período muito mais longo durante a dança. E o alvo não era o rei, era Cassandra.
Isso causou uma pequena agitação nas pessoas que estavam no local. Duncan foi o primeiro a se recuperar.
— Cassandra? Cassandra era o alvo? Quem queria matá-la?
— Aparentemente, um homem chamado Iqbal — Halt disse.
Ele olhou para Selethen, que estava franzindo a testa para o nome.
— Iqbal? — Selethen repetiu. — Ele é irmão do Yusal.
Ele virou-se para o resto do grupo. Alguns deles não estavam familiarizados com o nome.
— Yusal era o chefe Tualaghi que organizou o sequestro de Erak alguns anos atrás — explicou. — Mas Iqbal está sendo mantido prisioneiro na aldeia da montanha de Maashava. Ele foi um dos homens condenados a fazer trabalhos forçados lá.
Halt balançou a cabeça.
— Aparentemente, não mais. Parece que Iqbal fugiu de Maashava há alguns meses. Os Maashavites não deram informação sobre isso ainda.
Selethen franziu a testa e murmurou uma maldição suave.
— Isso é típico deles! — disse amargamente. — Eles estão sempre isolados lá em cima, nas montanhas! Eles sempre desconfiaram do governo central. Acho que estavam tentando encontrar uma maneira de se fazer parecer inocente para tentar escapar.
— É claro — Halt lembrou — eles podem ter enviado a notícia agora. Mas você esteve fora do país por várias semanas — ele olhou para Cassandra — este Iqbal está bastante irritado com você, Cassandra. Afinal de contas, você frustrou todos os seus planos e reduziu seu irmão a ruína. Ele queria vingança, então contratou os genoveses para te matar. E sugeriu que eles usassem bestas arridi quando fizessem isso. O plano era deixar uma para trás.
— O que teria causado muita desconfiança entre os nossos países — Selethen disse, pensativo.
— Exatamente — Halt concordou — percebi que o nosso amigo Iqbal gostaria de ver sangue entre Araluen e Arrida. Assim iria distraí-lo da tarefa de caçá-lo. E acima disso, matar Cassandra deixaria Duncan sem herdeiros para o trono. O que poderia muito bem desestabilizar a sucessão do governo no país.
— E o plano teria funcionado se Will não tivesse sido tão esperto — disse Horace. Ele olhou para o amigo, agradecido. — Quantas vezes eu disse “obrigado” desde que nos conhecemos?
Will encolheu os ombros, envergonhado pela súbita atenção de todos na sala.
— Amigos não tem que me agradecer — disse ele.
Mas Cassandra levantou e virou-se para ele.
— Com sua permissão, é claro?
Alyss sorriu.
— É claro — ela concordou e a princesa beijou em ambas as bochechas de Will.
Ela lembrou que houve uma época em que teria arrancado os cabelos de Cassandra pela raiz por tal ação. Percorremos um longo caminho, ela pensou.
Duncan se levantou e se aproximou de Will, chegando a apertar sua mão.
— Minha gratidão também, Will. Eu tenho só uma filha e tê-la comigo é o que mais me importa, especialmente agora que ela tem Horace para mantê-la na linha.
Cassandra respondeu com palavras nada majestosas saindo de sua boca. Duncan escolheu ignorá-la.
— Eu me pergunto — ele continuou — se vai chegar um momento em que eu não terei de agradecer aos meus arqueiros pelo seu serviço para comigo e minha família.
— Eu duvido, meu senhor — Halt respondeu e houve um murmúrio de risos na sala.
Eles podem rir agora, Halt pensou, mas se Will não tivesse estado tão atento, a atmosfera na sala seria muito diferente. Ele chamou a atenção de seu antigo aprendiz e disse palavras de gratidão. Ele viu o rosto de Will aumentar de prazer. Esses elogios vindos de Halt significavam mais pra ele do que qualquer agradecimento do rei.
— Tenha certeza, Sua Majestade, de que Iqbal não estará desfrutando de sua liberdade por muito mais tempo — Selethen comunicou. — Assim que eu estiver de volta a Arrida, a prioridade será caçá-lo.
— Eu aprecio isso, Selethen — Duncan respondeu — eu poderia até mesmo enviar um arqueiro ou dois para ajudar a encontrá-lo. Eu não posso dizer que gosto da ideia de alguém tentar matar a minha filha e fugir sem nenhuma consequência.
Os dois homens trocaram um longo olhar. Então Selethen assentiu. Observando-os, ocorreu a Cassandra que ela não gostaria de estar na pele de Iqbal ao longo dos próximos meses.
A reunião terminou pouco depois e todos eles voltaram para seus quartos. Quando se aproximaram da escadaria, Alyss pegou a mão de Will e levou-o para um escritório vazio ao lado. Ele sorriu, sem saber o que ela tinha em mente.
— Alyss...
Ele começou, mas ela inclinou a cabeça em sinal de advertência e colocou o dedo indicador sobre os lábios para silenciá-lo.
— Isso faz com que seja o segundo casamento em que nossa dança foi interrompida — disse ela. — No de Halt você tinha que ir correndo para fora, e nesse, você quase não voltou a tempo.
Ela fez uma pausa para deixar a mensagem fluir, em seguida, terminou:
— É melhor você estar lá na nossa dança.

2 comentários:

  1. Ainda não acredito que está acabando , acompanhei desde o começo , quando Will queria ser um cavaleiro, ate se tornar um arqueiro.
    Muito obrigado Karina , por ter mim proporcionado esse maravilhoso blog , por ter mim influenciado a continuar lendo e lendo cada vez mais , tenho muito agradecer a você , mesmo não conhecendo você sempre estará no meu coração . Que você possa continuar Firme e Forte ! ...

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  2. kkkkkkk, Alyss e Will se casando! Seria demais!
    Ass: Bina.

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Boa leitura :)