26 de janeiro de 2017

Capítulo 3

Durante os dias seguintes, Will cruzou a paisagem circundante em busca de vestígios dos dois comerciantes de lã estrangeiros. Ele perguntou em aldeias e vilas, mas os homens não tinham sido vistos em qualquer lugar. Ele também passou pente fino em bosques e florestas, no caso de os dois homens estarem acampando em algum lugar nas proximidades. Mas ele não encontrou nada.
Depois de vários dias, a urgência saiu de sua busca e ele começou a pensar que tinha exagerado. Quando obrigou-se a pensar sobre isso, podia chegar a uma meia dúzia de explicações plausíveis para a evidência que havia descoberto, nenhuma das quais envolviam assassinato.
Além disso, as coisas em Redmont ficavam cada vez mais agitadas com a chegada de dignitários locais e do exterior.
O primeiro deles foi Erak, oberjarl dos escandinavos. De maneira típica, Erak evitava viajar por terra a cavalo, por isso navegou pelo rio Tarbus com seu velho navio, Wolfwind.
Quando ele se aproximou do pequeno cais na periferia da Vila Wensley, seus homens içaram uma bandeira longa ao mastro. Will não pôde reprimir um sorriso quando ele a reconheceu. Era o estandarte pessoal de Evanlyn – ou, mais corretamente, da princesa Cassandra – com um falcão inclinado. Erak havia navegado com o estandarte muitos anos atrás, quando havia trazido Cassandra, com Halt, Will e Horace, para Castelo Araluen. Naquela época, encheria o coração de todos com medo ver um navio escandinavo no interior de Araluen. Agora, com um tratado em vigor há muitos anos, esses medos eram improváveis.
— Nós vamos ter que pedir a ele devolver isso um dia destes — Halt comentou a Will enquanto eles assistiam a abordagem navio.
Will sorriu.
— Alguma vez você já convenceu um escandinavo de devolver alguma coisa?
Halt balançou a cabeça tristemente. Em seguida, eles desceram até o cais para receber seu velho amigo e aliado, filosoficamente resignando-se à ficar com costelas machucadas que resultariam da saudação entusiasmada de Erak.
Quando recuperou o fôlego, Will comentou sobre o fato de Erak ainda não ter adotado o novo estilo Heron de vela plana para seu navio venerável. Erak sorriu.
— Nós dois estamos muito velhos para mudar nossos costumes — ele respondeu alegremente. — Além disso, faz com que minha boa tripulação deem remadas extras. Eles estão ficando gordos e complacentes.
Alguns dias mais tarde, a cerimônia de saudação foi repetida quando Seley El'then, o Wakir da província arridi de Al Shabah, chegou. Will procurou através de sua comitiva em busca de um rosto familiar.
— Umar não veio? — perguntou, com um pouco de decepção.
Selethen balançou a cabeça.
— Infelizmente, ele é muito apreciador das areias de seu deserto. A perspectiva de colocar o pé em um navio foi demais para ele.
— Fico muito triste em ouvir isso — disse Will.
Umar e sua tribo Bedullin o havia resgatado da morte no deserto ardente quando ele tinha ido em busca de Puxão, perdido em uma tempestade de areia.
Selethen sorriu maliciosamente.
— Assim como sua esposa. Ela estava ansiosa para o casamento. Temo que Umar vai sofrer por isso.
Com toda a animação da acomodação dos escandinavos e arridis em seus aposentos, a questão dos comerciantes de lã toscanos escorregou da consciência de Will até que, por sorte, ele encontrou com Desmond uma tarde. O secretário chefe acenou para ele enquanto caminhava através do pátio para resolver a questão do estábulo que seria usado para as tropas de cavalos arridi.
— Wiil! — Desmond chamou. — Eu estou precisando te mostrar uma coisa.
Ele entregou um pedaço de papel que tinha sido obviamente amassado em uma bola, e em seguida, desdobrado e alisado.
Will estudou com interesse suave. Parecia ser um cronograma da mesa para um banquete.
De um lado havia uma série de anotações. Will as leu, franzindo a testa.
Entrada. Serviço de refeição e discursos. Dança. Partida. A visão da palavra discursos trouxe um sentimento de culpa. Ele realmente deveria fazer algo sobre seu próprio discurso, ele pensou.
Ele olhou mais perto. Havia uma pequena marca ao lado da palavra dança e ele a estudou por um segundo ou dois. Ele percebeu que o lado esquerdo da página tinha sido fortemente riscado. Ele apontou para ela.
— O que é isso? — perguntou.
Desmond assentiu.
— Sim. Gostaria de saber sobre isso também. Então eu verifiquei e percebi que nós havíamos mudado o cronograma para esta parte da sala quando ouvimos que teríamos dois barcos lotados de escandinavos. Tivemos de colocar a delegação de Gálica lá – eles não gostam de nossos amigos escandinavos.
Entendimento surgiu em Will.
— Este é o cronograma de assentos para a festa de casamento? — ele perguntou, e quando Desmond assentiu, acrescentou: — De onde veio isso?
Mesmo quando perguntou, tinha a sensação de que já sabia.
— Nós o encontramos nos aposentos de Robard. Ele tinha um pequeno cesto que usava como lixo. Estava sob a cortina caída, por isso que não foi notado. Uma dos empregadas encontrou um ou dois dias mais tarde, quando estava arrumando a casa. Ela a colocou de lado, mas se esqueceu de dar para mim até ontem.
— Por que ele tinha isso? — Will perguntou.
Desmond deu de ombros casualmente.
— Não é incomum. Mesmo que eu o tivesse rebaixado, ainda o usava para ajudar no planejamento das mesas e arranjos de lugares.
Will coçou o queixo, pensativo. Apesar da garantia de Desmond, suas suspeitas foram despertadas. Ele estudou o desenho e notou outra pequena marca, desta vez entre dois contrafortes na parede leste.
— O que é isso? — ele perguntou, e Desmond se inclinou para olhar.
Ele deu de ombros, seu rosto em branco.
— Não tenho ideia. Podia ser apenas uma marca no papel ou uma mancha de algum tipo. É muito fraco.
— É exatamente em frente à mesa de noiva — Will apontou.
Um grande retângulo marcava a posição onde estaria uma plataforma elevada na festa de casamento.
Desmond simplesmente deu de ombros novamente. Ele não parecia pensar que havia qualquer motivo para alarme. Will bateu a folha de papel com as costas da mão.
— Vamos dar uma olhada neste local — ele falou, e ele se afastou em direção ao portão, com Desmond correndo atrás dele.
Serviçais já estavam trabalhando no Grande Salão, construindo a elevada plataforma onde Cassandra, Horace, Duncan, Will e Alyss ficariam sentados. O cheiro de pinheiros recém-cortados encheu o ar.
Will se posicionou entre os dois pilares. Estavam a quatro metros de distância, e como ele tinha notado, situava-se em frente a plataforma.
Desmond estava ao lado dele, mais do que um pouco curioso.
— Com o que você está preocupado?
Will fez gesto na direção da plataforma semiconstruída.
— Eu estou pensando que este seria um ponto de vista ideal, se alguém quisesse machucar o Rei. Os pilares poderiam muito bem esconder um atacante de vista — respondeu Will.
Mas antes de ele terminar a frase, Desmond estava balançando a cabeça.
— Não no dia do casamento — disse ele, apontando para o desenho. — No dia, esta área terá pessoas e mesas. Haverá pelo menos trinta pessoas que terão uma visão clara deste ponto. Eu acho que você está imaginando coisas, Will.
Mas Will não estava convencido.
— Talvez — em seguida, ele acrescentou — eu vou ficar com esse esboço, se você não se importa.
Desmond fez um gesto amplo com as mãos.
— Fique à vontade. Agora, se você não precisa de mim mais, eu tenho uma ou duas coisas para fazer.
— Apenas uma ou duas? — Will sorriu.
Ele sabia que o secretário-chefe corria para lá e para cá com os preparativos para o casamento. Desmond revirou os olhos tristemente.
— Digamos uma ou duzentas — disse ele.
Mais tarde naquela noite, Will sentou-se por algum tempo, uma caneca de café gradualmente esfriando ao lado dele, enquanto estudava o esboço, tentando dar sentido à marcas enigmáticas. Uma pequena cruz ao lado da palavra dança. E outra marca, talvez nada mais do que um defeito, no local entre as pilastras.
Desmond estava certo, ele percebeu. Um besteiro não teria chance de permanecer invisível lá, com a área cheia de os hóspedes felizes e ruidosos.
Além disso, mesmo que houvesse uma maneira de poder permanecer invisível, sua visão da plataforma seria constantemente obstruída por pessoas indo e vindo, cumprimentando os outros, passando de uma mesa para outra e por uma procissão constante de serviçais trazendo comida e vinho.
Ele verificou a cópia da distribuição das mesas que Desmond lhe dera e ficou ainda mais tranquilo. A mesa montada entre os contrafortes tinha sido reservada para a tripulação de lobos do mar de Gundar Hardstriker. Com uma grande quantidade escandinavos excitáveis por perto, de repente, este não seria lugar para mostrar qualquer espécie de armamento.
Sentindo-se um pouco melhor sobre as coisas, ele deixou o planejamento de assentos de lado e pegou sua pena e uma folha de papel. Talvez ele devesse começar com seu discurso, pensou.
— Sua Majestade, Sua Excelência, Sua... — ele fez uma pausa, sem saber o título honroso que ele deveria usar para Erak, oberjarl dos Escandinavos.
Em todos os anos que tinha conhecido Erak, nunca teve que lidar com um discurso formal para ele. Sua pena pairou incerta e uma gota de tinta caiu sobre o papel. Ele estudou. Era como a marca contra a palavra dança, ele pensou. Bastante fácil de uma marca como essa acontecer. Ele olhou para o cronograma de assentos, em seguida, de volta ao discurso que tentava conceber. Nem por sua vida ele não conseguia se lembrar de como ele tinha começado o último. Talvez fosse uma coisa boa, pensou sombriamente. Não deveria ter sido muito memorável.
Ele fechou o tinteiro e descansou a pena.
— Eu vou fazê-lo amanhã — disse em voz alta.
Ébano levantou a cabeça e olhou para ele com ceticismo.
— Eu vou — insistiu.
Então ele se levantou da mesa e foi para a cama. Mas ainda havia um pequeno traço de dúvida corroendo sua mente e ele levou algum tempo para cair no sono.

8 comentários:

  1. Karina, um erro aqui:
    " A mesa montada entre os contrafortes tinha sido reservada para para a tripulação DE DOS lobos de mar de Gundar Hardstriker."

    ResponderExcluir
  2. Porra Lucas deixa de ser mala... Seu chato 👎

    ResponderExcluir
  3. Sim, esse Lucas é muito chato...

    ResponderExcluir
  4. Vcs que são chatos mds..... o cara ta ajudando a melhorar nossa leitura..... É assim que é possivel ajudar a Karina a melhorar o blog cada vez mais.
    Ass Breno

    ResponderExcluir
  5. Quantas vezes será que esse cara le o capitulo pra achar um erro? 0.o

    ResponderExcluir
  6. É engraçado como Will sendo um arqueiro deixa suas preocupações de lado quando um amigo aparece, ou quando outra coisa toma sua atenção.
    (olhei 15 vezes pra ver se não tem nenhum erro pro Lucas não me corrigir)

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)