26 de janeiro de 2017

Capítulo 2

Seis horas da manhã. Pés batendo na terra macia debaixo das árvores.
Um som de alerta de Puxão soou do estábulo atrás da cabana e Will foi imediatamente acordado. Alguém estava correndo por entre as árvores em direção a cabana.
Ele rolou para fora da cama e atirou a bainha dupla por cima do ombro esquerdo de modo que suas duas facas ficassem facilmente à mão. Os passos estavam mais próximos agora. Uma pessoa, ele pensou. Um homem, provavelmente, a julgar pelo peso dos passos. Ele olhou para a capa pendurada na porta e rejeitou a ideia de colocá-la.
Vestido com as calças soltas e uma camisa grande que ele usava como roupa de dormir, foi com os pés descalços para a porta da cabana. Ébano já estava ali. Ela havia abandonado seu cobertor ao lado da lareira e farejava o vão debaixo da porta em busca de alguma identificação da pessoa de fora. Ela olhou para ele, suas orelhas em pé, alertas, e a cauda abanando pesada e lentamente.
Will colocou um dedo sobre os lábios, sinalizando para a cadela permanecer em silêncio.
O aviso de Puxão não tinha indicado qualquer senso de perigo. Era apenas um alerta de que alguém estava chegando. Will colocou o olho sobre o olho mágico na porta – tão pequeno que era praticamente invisível a qualquer um do outro lado. Ele viu um serviçal do castelo subir os degraus para a varanda. O homem fez uma pausa, segurando suas costas e respirando forte por alguns segundos, em seguida, seguiu para a porta e levantou o punho fechado para bater na madeira dura.
Ele recuou, assustado, quando Will abriu a porta.
— Oh! Arqueiro! Você está acordado! — ele percebeu, perplexo.
— Aparentemente — respondeu Will.
Era o tipo de resposta seca que Halt tinha dado a ele ao longo dos anos, quando ele declarava o óbvio. Inconscientemente, ele havia imitado as maneiras de seu ex-professor.
— O que posso fazer por você? — perguntou.
O serviçal – Will podia dizer pelo seu uniforme que ele era um dos serviçais responsáveis pelo refeitório que respondiam a Desmond – apontou com urgência através das árvores na direção do castelo.
— Você vai ir para o castelo — ele falou.
O funcionário ainda estava aturdido. Primeiro, correu todo o caminho do Castelo Redmont para a cabana, e então teve a porta aberta exatamente quando estava prestes a bater. E agora ele tinha esquecido a forma correta de passar uma mensagem.
Will levantou uma sobrancelha.
— Eu vou?
O homem sacudiu a cabeça e fez um movimento de desculpas com a mão.
— Minhas desculpas, arqueiro. Mestre Desmond perguntou se você, por favor, por favor, poderia ir para o castelo tão logo quanto possível.
— E há uma razão para tanta pressa nisso? — Will perguntou suavemente.
O serviçal acenou com a cabeça várias vezes antes de responder.
— É Robard, senhor, o ex-aprendiz. Ele está morto!


O corpo de Robard estava deitado virado para cima perto da janela de seu pequeno quarto. Da forma que ele havia caído, parecia que ele tinha agarrado desesperadamente a cortina pesada em frente a janela. O material grosso estava sobre sua barriga e coxas. Havia anéis partes de cortina e madeira espalhados pelo chão em volta dele.
Seus olhos estavam bem abertos, dando a seu rosto um olhar de surpresa assustada.
— O corpo foi movido? — Will perguntou, apoiado em um joelho ainda ao lado do corpo.
— Está do jeito como foi encontrado — Desmond disse a ele.
Ele esticou o olhar por cima do ombro de Will. Lhe ocorreu que tinham adotado posições semelhantes no dia anterior, quando eles examinaram o cavalete.
Will aproximou-se da boca ligeiramente aberta de Robard e a cheirou experimentalmente. Ele pensou que poderia pegar um leve rastro de algo – algo doce e doentio. Ele olhou ao redor da sala. Havia um jarro de água sobre a pequena mesa de cabeceira, mas nenhum copo. Ele olhou mais longe. Nenhum sinal de um copo ou taça em qualquer lugar. A menos...
Cuidadosamente, ele levantou uma ponta da cortina emaranhada e brevemente ouviu o barulho de algo bater no chão. Ele levantou mais alto a cortina e viu o copo, que havia caído do lado de Robard. A cortina o havia escondido. Havia uma pequena mancha úmida no chão. Cautelosamente, Will pegou o recipiente de vidro e cheirou. O mesmo cheiro doce e doentio alcançou suas narinas.
— Veneno — disse ele rapidamente, causando um tumulto entre os serviçais que tinham se amontoado na porta do quarto. Ele olhou para Desmond. — Você poderia mandar essa gente embora? — perguntou.
Desmond concordou, dando um passo em direção a eles e fazendo gestos para espantá-los com as duas mãos.
— Vão agora. Não há nada para vocês aqui. Vocês todos tem trabalho a fazer e não tem nada haver com isso!
Relutantemente eles se dispersaram e Desmond fechou a porta atrás deles. Ele virou-se para Will, que estava pesando o copo na mão.
— Será suicídio, o que você acha? — perguntou ele.
Will deu de ombros.
— Pode ser. Encontraram alguma nota? Suicidas costumam deixar uma nota. Quem o encontrou?
— Uma das lavadeiras. Robard foi escalado para trabalhar cedo e não tinha aparecido. O chefe enviou um membro da equipe júnior para acordá-lo. Ela o achou da forma como ele está e me chamou. Ela não tocou em nada – eu perguntei. E não disse nada sobre uma nota.
Will olhou ao redor da sala. Não havia nenhum sinal de uma nota. Em um canto estava uma mesa simples de madeira com uma cadeira de pinho de costas retas colocada em frente a ela.
Will verificou a mesa e encontrou várias folhas de papel espalhadas a esmo na parte superior. Uma delas era uma lista de ingredientes para uma receita de sopa. Outra era uma nota de serviço para Robard com os seus horários para os próximos quatro dias. Havia várias outras folhas, todas amassadas e cada uma contendo esboços variados de uma carta de desculpas ao Barão Arald e Desmond. Ele estava prestes a virar quando avistou um outro pedaço de papel – apenas o canto rasgado fora de uma folha maior, em um dos compartimentos na parte de trás da mesa de trabalho.
Ele a pegou e estudou. Havia duas palavras nela, aparentemente nomes: Serafino e Mordini. Nomes de toscanos, pensou. Muito exóticos. Ele entregou o pedaço de papel para Desmond.
— Esses nomes significam algo para você?
O secretário abanou a cabeça, seu rosto confuso.
— Nunca ouvi falar deles. Usamos alguns fornecedores toscanos de vez em quando, mas eu não reconheço esses nomes.
Will pegou o pedaço de papel e colocou-o em um bolso interior. Ele olhou ao redor e suspirou.
— É triste, não é? Eu nunca vou entender suicidas. Eu suponho que você pode deixar seu pessoal voltar aqui para levá-lo para a enfermaria. Não há mais nada para ver.
— Então você acha que foi suicídio? — Desmond perguntou a ele.
Will apertou os lábios, pensativo.
— Eu acho que se parece com suicídio. Mas não gosto do fato de que não há um bilhete. Acho que vou perguntar ao redor da vilta e ver se alguém ouviu falar desses dois toscanos.
Ele bateu no peito de sua jaqueta, onde o pequeno pedaço de papel jazia.


— Eu me lembro deles — disse Jenny. — Eles jantaram aqui duas vezes, enquanto estavam na aldeia. Eles tinham um quarto na pousada, mas disseram que preferiam minha comida.
— A maioria das pessoas prefere — Will observou e ela sorriu pelo elogio.
— Eu faço o que posso.
— Qualquer ideia do que eles estavam fazendo no vilarejo? — Will perguntou.
Jenny balançou a cabeça.
— Eu não pergunto às pessoas sobre os seus negócios. Só o que elas querem comer. Eles podem saber na pousada, é claro — acrescentou.
Will balançou a cabeça.
— Esse é o próximo lugar onde vou perguntar.
Fazendo um pequeno gesto de despedida à sua velha amiga, Will caminhou até a rua principal da vila Wensley para a pousada – uma das poucas estruturas de dois andares na rua. Era final da manhã e o estalajadeiro, Joel, estava descansando em um quarto antes de voltar para a corrida na hora do almoço. Seu assistente saiu correndo para chamá-lo a pedido de Will.
Will reprimiu um sorriso. Mesmo depois de todos esses anos, ele ainda estava surpreso com a reação do povo – pessoas que ele havia conhecido em toda a sua vida – que corriam para fazer suas vontades. Ele assumiu que era um resultado da aura de mistério e poder que cercava o Corpo de Arqueiros. Ele não sabia que por sua causa e por sua reputação, essa aura foi intensificada muitas vezes.
Joel saiu do quarto dos fundos. Seu cabelo estava desgrenhado e ele estava afivelando um cinto largo na cintura. Will achava que tinha estado cochilando. Ele deu de ombros mentalmente. Por que não, pensou. Estalajadeiros ficavam horas sem dormir, muitas vezes atendendo às necessidades de sua clientela até as primeiras horas da manhã. Era bom senso pegar no sono sempre que uma oportunidade se oferecesse.
Joel estalou os dedos para o garçom no balcão e ordenou que café fresco fosse trazido. Ele sabia como o jovem arqueiro gostava da bebida.
Eles se sentaram em uma das mesas de pinho da estalagem. As tábuas tinham sido serradas originalmente em madeira bruta, mas anos de serviço na estalagem, com cotovelos, canecas, pratos e por vezes cabeças, havia tornado a madeira lisa e escorregadia.
— O que posso fazer por você, arqueiro Will? — ele perguntou, depois de terem trocado cumprimentos.
Will olhou para cima quando o garçom colocou uma caneca de café na frente dele. Ele pingou mel dentro e tomou um gole. Então se inclinou para trás com um suspiro de satisfação.
— O café ainda é o melhor do feudo, Joel — disse ele. — Eu sei que Jenny adoraria descobrir onde adquirem seus grãos.
Joel sorriu.
— Tenho certeza de que ela adoraria. Mas eu continuo a manter segredo sobre meu fornecedor. Não há muitas maneiras de superar Jenny, mas meu café é uma delas.
Will sabia que Joel viajava a alguma distância do feudo a cada mês para encontrar o comerciante que fornecia o grão de café. A identidade do homem e as misturas do grão eram um segredo estritamente guardado. Uma vez, anos antes, Will tinha brincado com a ideia de segui-lo e revelar a identidade do comerciante de café para Jenny. Mas ele decidiu que não seria justo usar suas habilidades contra o estalajadeiro. Se Jenny queria encontrá-lo, tudo bem. Ele percebeu que Joel ainda estava à espera de uma resposta para sua pergunta.
— Você teve dois convidados aqui há alguns dias — ele falou. — Toscanos, eu
acredito.
Joel concordou imediatamente.
— É isso mesmo. Eram compradores de lã. Signore Mordon e Seraf, ou algo do tipo.
— Mordini e Serafino — Will o corrigiu, e Joel concordou balançando sua cabeça.
— Sim. Era esse o nome deles. Eu nunca consigo lembrar os nomes estrangeiros muito bem.
— E eles eram toscanos?
— Eles certamente falavam como um. É um sotaque bastante óbvio, afinal de contas.
Os olhos de Will se estreitaram. O sotaque toscano era acentuado e facilmente reconhecível. O que tornava tudo mais fácil para um não toscano imitá-lo, ele pensou.
— E você disse que eles eram compradores de lã — ele repetiu.
Joel se permitiu um sorriso.
— Na verdade, eles disseram isso. Eu estava apenas repetindo o que disseram. Por que você pergunta? Eles fizeram algo?
Will ignorou a pergunta, estava absorto em pensamentos.
— Será que eles fizeram qualquer negócio? — ele perguntou finalmente.
Joel deu de ombros, sua expressão sincera.
— Eu não sei. Suponho que Barret seria o único a responder a isso.
Barret era o maior vendedor de lã no feudo. A maioria dos agricultores da área circundante enviavam sua lã para ele vender. Ele fazia a negociação e ganhava uma comissão sobre cada venda.
— Sim, ele saberia. Eu vou perguntar a ele — disse Will.
Mas quando ele perguntou ao vendedor de lã, não encontrou nada.
— Eles nunca se aproximaram de mim, arqueiro — Barret contou. — Eu os conheci na taverna uma vez e Joel me disse que eles estavam no negócio de lã. Mas nunca ouvi isso a partir deles. Não sei por quê. Talvez o meu estoque não seja bom o suficiente.
Ele parecia irritado pelo fato de que havia sido ignorado. Ele suspeitava que o que os compradores toscanos tinham encontrado um preço melhor em uma das lojas menores em um vilarejo distante. Se fosse esse o caso, ele teria gostado da chance de pechinchar um pouco. Barret não gostava de perder negócios.
Com o cenho franzido, Will caminhou de volta para a pousada. O comércio estava agora em pleno andamento do almoço e a taverna estava três quartos cheia. Ele chamou a atenção de Joel e acenou-lhe para se aproximar
— Sobre esses toscanos — o arqueiro falou. — Você voltou a usar o quarto deles desde que partiram?
Joel balançou a cabeça.
— O movimento tem estado lento na última semana. Trocamos os lençóis das camas. E Anna varreu o pó. Você quer olhar lá dentro?
— Se você não se importa — disse Will.
Joel cruzou o bar e tirou a chave de uma prateleira na parede.
— Depois das escadas o segundo quarto à direita. Mas eu tenho certeza de que eles não deixaram nada para trás.
Ele estava certo. O quarto estava limpo e vazio. Não havia nenhum sinal de que tinha sido ocupado por dois homens alguns dias antes. Ou havia? Will cheirou o ar experimentalmente. A janela tinha sido mantida fechada e havia um traço fraco no ar... algo no quarto. Algo familiar. Um cheiro um pouco doce. Nada muito desagradável. Era apenas um simples vestígio de um perfume e era difícil distingui-lo. Will andou ao redor do quarto, testando o ar em diferentes pontos. Em alguns pontos, ele não podia senti-lo. Era mais evidente nas camas.
— Então — disse para si mesmo, um pouco desconfiado — temos dois compradores de lã toscanos que não compram lã e deixaram um cheiro fraco para trás em seu quarto... estranho.
Ele desceu lentamente as escadas, ainda pensando, e colocou a chave de volta na prateleira. Ele acenou em adeus a Joel e saiu para o sol da tarde. Só ele podia identificar esse cheiro, pensou. Ele tinha certeza de que era um cheiro familiar. Mas quanto mais ele tentava identificá-lo, mais a resposta parecia escapar de seu alcance.
Não foi até aquela noite ele perceber o que era.
Ele estava traçando uma corda nova. Havia notado um ligeiro desgaste na que estava atualmente em seu arco e achou melhor substituí-la antes que ela deteriorasse ainda mais.
Formou as alças em cada extremidade, prendendo-as com a rosca do arco. Então ele enfiou a mão no kit de ferramentas para pegar um pedaço de cera de abelha para terminar o trabalho e ligar os fios individuais para juntá-los em um todo, formando uma corda coesa. Quando começou a esfregar a cera ao longo da corda e pequenos flocos de cera caíram no chão, o cheiro agradavelmente doce atingiu suas narinas.
A cera de abelha! Isso é o que ele havia notado no quarto. Era usada pelos arqueiros para fortalecer e impermeabilizar suas cordas de arco. E usado em cordas de bestas também.
Sua mente estava flutuando em uma suspeita de que os toscanos não eram realmente toscanos, mas eram de uma cidade-estado vizinha, onde os habitantes falavam com um sotaque similar. Era um sotaque difícil de esconder e por isso a melhor forma para os dois estranhos disfarçarem suas identidades poderia ter sido assumir um sotaque semelhante e fingirem-se de toscanos.
Em vez de genoveses.
Ele não poderia dizer por que estava pensando nos genoveses desde que tinha ouvido falar da presença de dois estrangeiros na aldeia – e encontrado seus nomes rabiscados na nota de Robard. Serafino e Mordini poderiam facilmente serem nomes genovês assim como toscanos, e um araluense comum não saberia a diferença entre os dois.
Robard morreu de forma suspeita. Talvez sua morte tivesse sido suicídio, mas Will não estava convencido. E parecia que sua morte fora devido a envenenamento – uma habilidade especial dos assassinos genoveses. Anos de treinamento com Halt levou-o a não aceitar o que parecia ser o óbvio quando havia circunstâncias fora do comum. Como Halt tinha repetido em muitas ocasiões: Melhor suspeitar de algo e não encontrar nada do que não suspeitar de algo e achar alguma coisa.
— Então — disse ele em voz alta — se eles são genoveses, o que estão fazendo aqui?
Ébano levantou a cabeça ao som de sua voz. Então, percebendo que ele não estava falando com ela, deixou a cabeça cair novamente com um suspiro de contentamento.
A resposta mais provável era que eles estavam em Wensley para planejar um assassinato. Era o que faziam genoveses, mais frequentemente. Eles eram assassinos profissionais cujas armas incluíam a besta, uma multiplicidade de adagas afiadas e – por último, mas não menos importante – venenos em uma variedade de formas.
— Talvez eles estejam atrás de mim e Halt — refletiu para Ébano.
O cão olhou para ele, movendo apenas os olhos. Em seguida, ela bateu a cauda no chão uma vez.
— Quem está atrás de mim agora? — perguntou uma voz atrás dele e ele se virou para ver Halt sorrindo para ele.
Arqueiros gostavam de surpreender uns aos outros com o seus movimentos silenciosos e habilidades de ocultação. Normalmente, Will era difícil de ser pego desprevenido, mas esta noite ele estava preocupado com os pensamentos dos estrangeiros misteriosos.
Halt estava enlameado e cansado após um longo dia na sela junto do chefe do correio – sem sucesso, já que havia voltado. Ele tinha parado pela cabana para redigir o relatório das atividades do dia enquanto elas ainda estavam frescas em sua mente. Então, iria tomar um banho quente, seguido de um jantar com Pauline.
Rapidamente, Will expôs suas suspeitas. Halt ouviu, franzindo a testa.
— É um grande salto dois comerciantes de lã toscanos se transformarem em dois assassinos genoveses – tudo por causa de um pouco de cera de abelha — disse ele quando o seu ex-aprendiz já tinha terminado.
— Só que eles não compraram nenhuma lã e seus nomes estavam na nota de Robard. E ele morreu por envenenamento — Will acrescentou.
— É verdade — admitiu Halt. — Qualquer ideia de onde eles podem estar agora?
Will balançou a cabeça.
— Ninguém sabia onde eles estavam indo. Mas atenção, eles poderiam estar acampados na floresta em algum lugar por perto.
— O que faz você pensar que você e eu podemos ser as suas vítimas? — Halt perguntou.
— Eu realmente não sei. Foi apenas uma conjectura. Quem mais aqui é que eles têm razão para odiar?
Algum tempo antes, em Hibernia, em seguida, ao norte de Araluen, os dois arqueiros encontraram com três mercenários genoveses. O resultado foi três assassinos mortos, embora Halt quase tivesse perdido a vida no processo. Mas Halt recusou a ideia de vingança.
— Não é uma questão de quem eles odeiam — ele disse, com seu desprezo habitual para a forma de agir dos genoveses — esse não é o estilo deles. Eles matam por dinheiro, não por vingança. Você tem que encontrar alguém que odeie alguém – alguém os que pague.
Houve um breve silêncio enquanto refletiam sobre a situação. Então, vendo que nenhuma resposta parecia vir à mente, Will perguntou sobre as atividades de Halt.
— Nada — o arqueiro de barba grisalha disse com desgosto. — Eu segui quilômetros através de rios e vales, mas caiu uma chuva por duas horas e eu fiquei encharcado. Nenhum sinal de bandidos.
— Talvez eles tenham te visto — Will sugeriu, e foi recompensado com um olhar gélido de seu mentor.
Quando um arqueiro não queria ser visto, ele não era visto.
— Desculpe — Will acrescentou mansamente. — Quando é a próxima viagem?
— Dez dias — disse Halt. — E é muito longe. Eu não posso fazê-la e voltar para o casamento.
— Pauline não vai gostar disso.
Will sorriu e Halt olhou para ele.
— Ela já deixou isso bem claro — o arqueiro de barba grisalha respondeu. — Qualquer progresso com o discurso?
Will fez uma careta.
— Eu tenho estado um pouco ocupado recentemente. Ainda tenho tempo.
Halt levantou uma sobrancelha.
— O tempo está passando todos os dias — falou suavemente.
O casamento aconteceria naquele mês. Dignitários já estavam começando a chegar a Redmont.
— Por que o casamento não é realizado no Castelo Araluen? — Will perguntou.
Ele estava pensando sobre isso a algum tempo.
— Aparentemente, o salão está sendo reformado e não estará pronto a tempo. Além disso, Evanlyn acha que toda a coisa será mais informal e amigável aqui. Um pouco menos magnífico foi o termo que ela usou. Extraoficialmente, Duncan gostou da ideia de ter Jenny e Mestre Chubb fazendo a comida.
— Ainda assim, ele poderia tê-los mandado fazer o banquete em Araluen — disse Will, mas Halt balançou a cabeça gravemente.
— Isso teria colocado o cheff fora de seu lugar. Nunca é uma coisa sábia um Rei irritar seu cheff. É muito fácil ele deixar escapar algo desagradável em sua comida e...
No mesmo instante, ambos perceberam a importância do que eles estavam dizendo. O Rei estaria aqui em Redmont no final do mês – juntamente com outros nobres e governantes de vários países estrangeiros.
— O que você acha? — Will perguntou.
Não havia necessidade para ele soletrar o significado. Seus pensamentos estavam em sintonia.
— Eu acho que tudo é circunstancial e vago — Halt respondeu. — Mas acho que você deve investigar completamente.

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