26 de janeiro de 2017

Capítulo 1

Will estava debruçado sobre uma pilha de documentos espalhados sobre a mesa, quando Halt entrou em sua cabana entre as árvores.
— Bom dia — cumprimentou o jovem, sem olhar — o café está pronto.
Ele não foi surpreendido pela chegada de Halt. Ouviu os cascos de Abelard no chão macio alguns minutos atrás, seguido por um relincho de saudação de Puxão para seu amigo. Halt verificou a xícara de café de Will, que estava três quartos cheia e não precisava ser reabastecida. Ele se serviu e moveu-se para sentar-se do lado oposto na mesa.
O arqueiro barbudo olhou interrogativamente para os papéis na frente de seu antigo aprendiz. Ele inclinou a cabeça ligeiramente para poder lê-los, de cabeça para baixo. Então ele assentiu para si mesmo quando decifrou o conteúdo no topo da folha.
— Está trabalhando na série de acidentes no castelo, pelo visto — ele observou.
Will olhou para ele e balançou a cabeça.
— Sim. Desmond pediu-me para olhar. Ele está preocupado que não sejam realmente acidentes. Acha que pode ter sido intencional.
— Ele pode estar certo. Houve muitos para ser apenas uma coincidência. Houve outro noite passada, no salão de jantar.
Will levantou uma sobrancelha para isso.
— O que aconteceu dessa vez?
Nos últimos seis dias, houve uma série de eventos potencialmente perigosos ao redor do castelo. Uma pilha de alvenaria, de alguma forma, conseguiu cair das ameias superiores para o pátio abaixo. As pedras haviam sido cortadas e empilhadas, prontas para reparar alguns danos à parede, mas o pedreiro jura que tinham sido colocadas bem para trás da borda. Depois, foi a justa da Escola de Guerra – um braço oscilante com um saco de areia como contrapeso, onde os alunos praticavam a suas habilidades de duelo – que inexplicavelmente falhou. O braço oscilante, atingido pela lança de um estudante, de repente voou sem rumo de seu suporte e foi girando através do campo de torneios, acertando dois aprendizes do segundo ano antes de cair no chão.
Em seguida uma cortina pesada, usada para dividir parte do Grande Salão durante o tempo frio, tinha caído de alguma forma de seu trilho de suporte desabando no chão, prendendo uma serva debaixo dela. A cortina tinha vários metros de altura e quatro de largura. Foi tecida a partir de um material de grande espessura e tinha um peso considerável. Felizmente, a serva saiu do incidente sem lesões graves, embora tenha tido uma torção dolorosa no joelho direito e ficado confinada na enfermaria por dois dias.
Como Desmond, principal secretário do Barão, disse, era muito a ser posto de lado, como se fosse mera coincidência. Agora, de acordo com Halt, houve outro evento.
— Foi na sala de jantar — Halt explicou. — Aparentemente, quando os serviçais trouxeram um tonel pesado de sopa para a mesa da frente, a mesa entrou em colapso sob o seu peso e tombou. Um dos cavaleiros foi escaldado e um funcionário queimou a mão no tonel quando tentou impedir que ele caísse.
— Poderia ter sido pior, é claro — Will observou e Halt concordou.
— Sim. Todos estes “acidentes” poderiam ter sido. Tivemos sorte até agora. Mas eu acho que há alguém por trás de tudo e ele ou ela tem que ser detido.
Will reuniu os relatórios na frente dele em um belo monte, então colocou um peso de papel de granito sobre eles para mantê-los no lugar.
— Eu vou subir até lá e dar uma olhada ao redor do castelo — Will comunicou — ver o que eu posso encontrar. Você quer se juntar a mim?
Halt balançou a cabeça.
— Eu vou sair com o chefe dos correios. Estes assaltos estão se tornando um incômodo.
Os dois arqueiros estavam tendo uma temporada agitada. Além dos percalços no castelo que Will estava investigando, tinha havido uma série de roubos, com uma gangue de bandidos que parava as carroças de correio e retirava qualquer coisa de valor que carregassem. Halt estava planejando seguir a trilha com o chefe naquela manhã e ver se havia qualquer modo de pará-los.
— Você está esperando por problemas? — Will perguntou.
— Não. Não há nada de valor na carga de hoje. Tenho certeza de que os bandidos estão recebendo informações privilegiadas sobre as remessas e atacando apenas quando vale a pena.
— Então se nada acontecer hoje, como você vai confirmar isso? — Will perguntou.
Seu antigo mentor encolheu os ombros.
— Não será uma prova absoluta, mas será uma indicação correta.
Will se levantou e se dirigiu para a porta.
— Bem, é melhor eu me preparar para ir. Vou conversar com Desmond, então dar uma olhada nesta mesa de jantar.
— Como está indo o seu discurso? — Halt perguntou, escondendo um sorriso.
Como padrinho no casamento próximo de Horace e a princesa Cassandra, Will faria um discurso. Sua primeira versão havia sido queimada em uma batalha contra os moondarkers.
— Eu não tive a chance de trabalhar nele ainda. Vou começar em alguns dias — disse Will.
Halt acenou em adeus, sua cadeira inclinada nas pernas traseiras enquanto ele esvaziava o café. Will franziu a testa para ele.
— Quando eu era seu aprendiz, você costumava me dizer para não fazer isso. Disse que ia soltar as pernas da cadeira.
— E é isso mesmo — Halt respondeu, sorrindo satisfeito. — Mas é sua cadeira agora, então por que eu deveria me importar?


— Esta foi cortada ao meio — Will notou, agachado ao lado da mesa em ruínas da sala de jantar.
Ele estava estudando as pernas de madeira que haviam apoiado a mesa. Uma delas estava quebrada. Estava estilhaçada e com pontas irregulares na metade da sua largura, onde tinha quebrado. Mas a outra metade tinha sido cortada por alguma coisa muito precisa. Ali havia uma linha limpa e reta na madeira.
Desmond, que observava por trás dele, balançou a cabeça.
— Foi mesmo. E quem quer que o fez, não parece se importar se descobrirmos isso. Não há nenhuma tentativa de fazer parecer acidental.
Will ficou de pé, acenando para um funcionário que estava esperando nas proximidades para remover a mesa arruinada e substituí-la por uma nova. Ele e Desmond se afastaram para continuar a conversa em particular.
— Então, agora — o arqueiro falou — eu suponho que você terá que inspecionar todos os cavaletes antes de cada refeição – só para ter certeza de que um outro não vá ceder em um mau momento.
Desmond balançou a cabeça em desespero.
— O que vai ser um maldito incômodo! E nós estamos com falta de pessoal no momento. Metade dos funcionários do castelo está ajudando com a colheita – e nós temos o casamento chegando também.
Will olhou para trás, pensativo, o cavalete em ruínas, jogado para um lado quando os serviçais do refeitório o substituíram.
— É quase como se alguém estivesse tentando deixar sua vida mais difícil — disse ele. — Quero dizer, esses acidentes são bastante triviais. Eles poderiam ter causado maiores prejuízos. Mas o principal problema até agora é que eles estão forçando você a ser mais vigilante e inspecionar o mobiliário e as ameias regularmente.
— E como eu disse, eu estou com falta de pessoal — Desmond concordou.
— Teve problemas com quaisquer membros da equipe ultimamente? — Will perguntou. — Qualquer um foi punido ou demitido? Pode ser alguém com um rancor contra você – ou contra Redmont como um todo.
Desmond coçou o queixo, pensativo.
— Ninguém me vem à mente — ele falou, em seguida, adicionando quando um pensamento lhe ocorreu — tem Robard, é claro, mas eu tenho certeza de que ele não...
— Robard? — Will o interrompeu. — Quem é ele?
— É um secretário assistente que eu estou treinando. Ou melhor, era. Eu tive que rebaixá-lo. Ele voltou a trabalhar como garçom na sala de jantar por alguns meses para aprender uma lição. Na verdade — ele continuou — eu estava quase o demitindo, mas o barão interveio em seu nome. Disse que qualquer um pode cometer um erro. Ele sugeriu que eu desse a ele alguns meses de trabalho duro e então o reintegrasse.
— O que ele fez de errado? — Will perguntou.
Desmond deu de ombros.
— Bem, nós suspeitamos que ele estava roubando. Nada sério, na minha opinião. Nada muito valioso. Apenas itens pequenos que pareciam extraviar-se quando a última pessoa vista com eles era Robard. Eu não pude provar nada e foi por isso que o barão sugeriu que eu deveria dar Robard o benefício da dúvida. Além disso, ele vinha tratando a equipe de aprendizes do castelo muito mal – os intimidando, sempre criticando seu trabalho, nunca mostrando-lhes qualquer sinal de encorajamento. Sentimos que ele precisava de uma lição.
— E ele estava ciente do plano para reintegrá-lo depois de alguns meses?
— Aaah... bem, não. Ele não sabia, na verdade — Desmond parecia desanimado. — Talvez eu devesse ter dito a ele que o rebaixamento seria apenas temporário, mas pensei que seria melhor se restabelecê-lo parecesse ser uma recompensa por um comportamento melhor. Um gesto espontâneo, por assim dizer.
— Então, ele pode muito bem estar se sentindo lesado. Afinal, mesmo se ele for culpado, você não pôde provar nada, então ele poderia pensar que você está sendo duro.
— Isso é verdade, eu suponho — Desmond estava obviamente preocupado com a ideia.
Ele sempre teve um fraquinho por Robard, mesmo com o jovem tendo um pouco de espírito agressivo. O secretário chefe esperava que, quando o jovem amadurecesse, superasse o mau comportamento. Agora, o pensamento de que seu aprendiz estivesse, possivelmente, por trás dos acontecimentos potencialmente perigosos que aconteciam ao redor do castelo levou-o a duvidar de seu próprio julgamento.
— Parece que é melhor eu ter uma conversa com ele — disse ele relutantemente.
Will olhou para ele astutamente por um momento ou dois. Ele adivinhou o que estava passando pela mente do homem mais velho.
— Você gostaria que eu fizesse isso? — perguntou. — Afinal, eu não tenho nenhuma história prévia com ele.
E acrescentou silenciosamente: e eu serei menos provável de pegar leve.
Desmond olhou para ele com gratidão.
— Você poderia? Eu realmente ficaria grato se você puder fazer isso, Will.
Will sorriu. Lembrou-se de seu tempo como protegido no castelo Redmont que Desmond era uma pessoa gentil que não gostava de conflitos de qualquer espécie. A necessidade de punir um aprendiz privilegiado seria muito desagradável para ele.
— Eu vou ter o prazer de ajudar — Will respondeu-lhe. — Diga-lhe que estarei às duas horas esta tarde, em um dos escritórios do barão.


Robard olhou ao redor, inquieto quando entrou no escritório. Will se sentara à mesa, de costas para a grande janela, de modo que ele fosse mostrado em silhueta contra o brilho da luz solar exterior.
Foi por isso que o arqueiro escolheu no início da tarde como horário para o encontro. Ele usava a sua capa com o capuz para cima de modo que seu rosto estava obscurecido na sombra e sua cabeça estava inclinada sobre uma pequena pilha de papéis sobre a mesa diante dele.
— Sente-se — pediu, mantendo sua voz neutra, nem amigável nem acusadora.
Havia uma cadeira de espaldar reto na frente da mesa e Robard caminhou até ela e sentou-se. Will, observando-o mesmo de cabeça baixa, viu que ele estava sentado nervosamente.
Tinha que admitir, no entanto, que esta não era nenhuma indicação real de culpa por parte do aprendiz de secretário. A convocação para uma conversa com um arqueiro seria suficiente para deixar qualquer serviçal do castelo nervoso.
Ele tinha visto Robard antes em várias ocasiões – geralmente jantares formais no castelo. Era um jovem homem atarracado, um pouco abaixo da altura média. Em poucos anos, ele provavelmente iria passar de atarracado para gordo. Já havia sinais na densidade de suas bochechas e nos começos de uma dobra extra de carne macia. Um aprendiz de secretário não tinha muitas tarefas físicas árduas para realizar e esse trabalho tinha uma oportunidade sempre presente para entrar em lugares com boa comida e bebida.
Em ocasiões anteriores, Will se lembrou, Robard tinha demonstrado extrema autoconfiança, beirando a arrogância. Esses traços não estavam em evidência hoje, no entanto.
Depois de deixar o jovem sentar-se diante dele em silêncio por vários minutos, Will finalmente colocou a caneta que ele estava usando para fazer anotações totalmente sem sentido sobre a folha de papel diante de si. A folha era uma das várias que ele havia pegado emprestado do secretário de Arald que descrevia o conteúdo do celeiro do castelo no primeiro trimestre do ano anterior. Robard não iria saber disso, é claro, e agora Will cobria a folha com uma pasta de couro para ocultar seu conteúdo real. Ele olhou para cima e jogou para trás o capuz de seu manto.
— Você é Robard — disse Will.
Ele manteve sua voz baixa, abaixo do volume de uma conversa normal. Ele descobriu que essa técnica muitas vezes causava desconforto entre os suspeitos que estavam sob questionamento. Eles tinham de se esforçar para ouvir o que estava sendo dito, e muitas vezes ficavam com medo de que pudessem perder alguma coisa importante. Gritos estrondosos desde o início, por outro lado, muitas vezes, servia para colocar uma pessoa na defensiva.
Robard inclinou-se ligeiramente.
— Hum... sim, senhor. É isso mesmo.
— E você sabe por que está aqui.
Era uma afirmação, não uma pergunta. Mas agora um traço de uma carranca formava-se no rosto suave de Robard, um lampejo de incerteza.
— Não. Eu não sei.
— Não faça me perder meu tempo, Robard — a voz ainda estava baixa e tranquila. Mas a falta de volume de alguma forma fez com que parecesse ainda mais ameaçadora.
Robard balançou a cabeça e levantou as mãos em um gesto defensivo.
— Não. Realmente eu...
Will de repente bateu a palma da mão sobre a superfície da mesa. Vários dos itens ali em cima saltaram no ar, em seguida, caíram de volta no lugar novamente. O inesperado e barulhento CRACK! fez Robard recuar e agora a voz não era mais tranquila.
— NÃO... DESPERDICE... MEU... TEMPO! — ele gritou.
Robard balançou a cabeça, impotente.
— Mas eu...
Will estava de pé, inclinando-se sobre a mesa e enfiando o dedo na cara do aprendiz infeliz. Emoldurado contra o brilho cheio de luz da janela, ele era uma silhueta preta, sem rosto e sem expressão. Ele disparou uma série de acusações rápidas.
— As muralhas. A justa. A cortina — disse ele, espetando o dedo indicador sobre a mesa para enfatizar cada ponto — você pode ter conseguido. Mas cometeu um grande erro com a mesa. Você foi visto.
Robard começou a protestar, mas Will não permitiu nenhuma chance de responder e, mais importante, não deixou tempo para ele pensar.
— Dois membros do pessoal da cozinha viram você! Eles lhe identificaram e juram que foi você que danificou os pés da mesa. Grande erro, Robard. Eles te viram! E eles vão depor contra você! Você está diante de dez a quinze anos de trabalho duro nos campos.
— Não, eu juro que eu não sei o que você está falando!
— Você é estúpido? Não está me ouvindo? Você foi visto! Temos testemunhas que viram você cortando o cavalete! Nós nem sequer precisamos de um julgamento. Existem duas. Temos suas declarações juramentadas!
Ele bateu com os nós dos dedos sobre a pasta de couro que continha os documentos que havia fingido estudar.
— Você vai ser enviado para os campos. Nas cadeias! Barão Arald ficou furioso. Ele está pronto para dar a ordem agora mesmo! Sua única esperança é confessar e pedir clemência.
Com aquele físico um pouco acima do peso e aquelas mãos suaves e sem marcas de Robard, Will havia astutamente adivinhado que a perspectiva de um incessante e difícil trabalho físico seria a maior ameaça que ele poderia fazer contra ele. E estava certo. Ele podia ver o pânico nos olhos do outro homem.
— Mas eles não poderiam ter...
— Eles viram! Eu te disse! Eles viram você! Você foi descuidado! Deve ter achado que não havia ninguém na cozinha!
— Mas eu tive! Eu...
Impulsionado pelo pânico e pelas implacáveis acusações de Will, as palavras tinham deixado a boca de Robard antes que ele tivesse tempo de considerá-las. Tarde demais, ele percebeu o que tinha dito. Will se recostou na cadeira, a cabeça inclinada para um lado enquanto estudava o aprendiz de secretário.
— Você teve? — repetiu ele. — Você teve o quê?
— Eu... eu... quer dizer... eu não. Eu não tive — Robard tentou remendar, mas sabia que era tarde demais.
Ele parecia estar entrando em colapso, encolhendo na cadeira e quase caindo ao chão.
Will continuou, num tom mais calmo e ponderado.
— É só admitir, Robard. As coisas serão mais fáceis para você se jogar limpo. Por que fez isso?
— Eu estou te dizendo que não... — Robard começou, tentando recuperar sua aparência anterior de indignação. Mas foi uma tentativa de causar pena e Will rejeitou-a com um movimento curto de sua mão.
— É uma estranha forma de retribuir as pessoas que se importavam com você — ele disse calmamente.
Robard levantou os olhos para encontrar o olhar firme do arqueiro.
— Se importavam comigo? Eles me humilharam. O barão me rebaixou para que eu fosse comandado por pessoas que tinham sido subalternos meus. E não gostavam disso! — acrescentou.
Observando-o, Will de repente teve um vislumbre de sua amargura. Como assistente de secretário, Robard tinha espalhado, sem dúvida, a sua arrogância para as pessoas ao redor. Seu senso de importância própria teria feito isso. Então, num piscar de olhos, ele era inferior as mesmas pessoas que tinha comandado. Não deve ter sido fácil.
— Por que não poderiam ter apenas me despedido? — ele disse agora e sacudiu a cabeça tristemente.
— Eles não queriam demiti-lo. Eles planejaram isso para puni-lo e em seguida, reintegrá-lo quando pensassem que você tivesse aprendido uma lição.
A mandíbula de Robard caiu.
— Reintegrar-me? — ele repetiu, sua voz um pouco acima de um sussurro. — Quer dizer que eu poderia ter...?
Ele fez uma pausa, não sabendo o que dizer em seguida.
Will balançou a cabeça.
— Se você simplesmente esperasse um mês ou dois, teria estado de volta em sua antiga posição. E você poderia ter aprendido um pouco sobre como tratar aqueles a sua volta.
— Eu não sabia. Eles deveriam ter me dito!
Houve um lampejo da velha indignação e raiva mais uma vez – um sinal de arrogância de Robard. Tudo o que acontecesse com Robard seria sempre culpa de alguém, nunca sua própria, Will percebeu. Ele era aquele tipo de pessoa.
— Então, você decidiu ensinar ao Barão Arald uma lição — disse Will. — Você fez com que uma série de “acidentes” acontecesse pelo castelo, só para se vingar?
Robard abriu a boca instantaneamente para uma negação imediata. Então ele pareceu entender o desespero de sua situação. Ele fechou a boca, fez uma pausa, depois respondeu em voz baixa.
— Sim.
Seus olhos baixaram. Ele não podia encontrar o olhar constante de Will acusando-o.
Houve um longo silêncio na sala. Will o deixou estender-se. Então, quando julgou que o silêncio tinha sido suficientemente longo para ser desconfortável, ele perguntou:
— Havia mais alguma coisa?
— Mais alguma coisa? O que você quer dizer?
— Além da justa, a cortina e as outras coisas. Você fez algo mais que devemos saber?
Só por um segundo, Will viu um lampejo de algo nos olhos do rapaz. Ele olhou desconfiado, mas antes que pudesse ter certeza, Robard desviou o olhar.
— Não — ele murmurou. — Não havia mais nada.
— Você tem certeza? — Will pressionou.
Mas Robard continuou a olhar para as mãos em seu colo enquanto dizia em uma voz quase inaudível:
— Eu tenho certeza. Não havia mais nada.
— Hmm — Will disse.
Muito deliberadamente, ele reabriu a pasta de couro e arranhou uma nota ali. O som áspero e a ação tiveram a intenção de transmitir a sua descrença com relação a última resposta de Robard. Ele fechou a pasta com um clique.
— Vamos falar mais sobre isso amanhã. Lembre-se, as coisas vão correr melhor para você se me disser toda a verdade. E eu não acredito que chegamos a esse ponto ainda.
Deixe-o pensar nisso durante a noite, pensou Will. Amanhã, ele iria questioná-lo ainda mais. Ele não tinha dúvida de que havia algo mais e ele estava determinado a descobrir.
A sessão do dia seguinte, ele prometeu a si mesmo, faria a entrevista de hoje parecer uma conversa amigável. Finalmente, Robard ficou desconcertado com o olhar do arqueiro, estável e sem piscar.
— O que vai acontecer comigo? — ele perguntou miseravelmente.
Por um segundo ou dois, Will não respondeu.
— Isso não cabe a mim dizer. Vou relatar a Desmond e ao barão e eles vão decidir. Possivelmente um tempo nas masmorras. Talvez um trabalho duro nos campos de cinco a dez anos. Quem sabe?
Ele estava exagerando, é claro, mas queria que essas possibilidades pesassem na mente de Robard durante a noite.
— Mas na melhor das hipóteses — concluiu ele — eu imagino que você vai ter o seu desejo atendido.
Os olhos de Robard ergueram-se com a frase.
— Meu desejo? Que desejo é esse?
— Você disse que eles deveriam ter demitido você. Eu suponho que eles o farão.

8 comentários:

  1. Karina, faltou uma palavra nessa frase aqui:
    " Então, se nada vai acontecer hoje (COMO) você pretende provar isso?- Will perguntou."

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  2. ele acha qe ta agradando, insuportavel p caramba!

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  3. Decha ele pelo menos ele ta vendo oq vcs nao viram

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  4. — NÃO... DISPERDISSE... MEU... TEMPO! — ele gritou.
    Tem um pequeno erro aí, desperdice é com C

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    1. Nossa, pequeno nada. Tá completamente errada essa palavra, credo. Vou corrigir, obrigada por avisar!

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Boa leitura :)