30 de janeiro de 2017

Anoitecer

Os tambores de ossos batiam através das encostas irregulares das Montanhas Negras desde o pôr-do-sol. A partir do afloramento rochoso onde sua tenda de guerra se erguia contra o vento seco, a princesa Elena Galathynius monitorava o exército do senhor do medo durante toda a tarde, uma vez que ele inundou tais montanhas em ondas cor de ébano. E agora que o sol se foi há tanto tempo, as fogueiras inimigas brilhavam através das montanhas e do vale abaixo como um cobertor de estrelas.
Tantas fogueiras – tantas, em comparação com aquelas queimando do seu lado do vale.
Ela não precisava do dom de sua audição feérica para ouvir as orações de seu exército humano, tanto as faladas quanto as silenciosas. Ela própria rezara várias vezes nas últimas horas, embora soubesse que ficaria sem resposta.
Elena nunca considerara que poderia morrer – nunca considerara que isso poderia acontecer tão longe do verde rochoso de Terrasen. Que seu corpo não pudesse ser queimado, e sim devorado pelas bestas do senhor do medo.
Não haveria marcação para mostrar ao mundo onde a princesa de Terrasen tinha caído. Não haveria marcação para qualquer um deles.
— Você precisa descansar — falou uma voz masculina áspera da entrada da barraca atrás dela.
Elena olhou por cima do ombro, seus soltos cabelos prateados enrolando-se sobre as intrincadas escamas de couro de sua armadura. Mas o olhar sombrio de Gavin já estava sobre os dois exércitos se estendendo abaixo deles. Sobre aquela estreita faixa escura demarcada, que seria violada cedo demais.
Durante toda a conversa no intervalo, Gavin não retirara a armadura ao entrar na tenda deles horas antes. Apenas alguns minutos atrás, seus líderes de guerra finalmente empurraram as abas da tenda para fora, tendo mapas nas mãos e nem um pingo de esperança em seus corações. Era possível sentir o cheiro neles – o medo. O desespero.
Os passos de Gavin trituraram a terra seca e rochosa quando ele se aproximou de sua solitária vigília, quase silencioso graças aos seus anos perambulando pelas selvas do sul. Elena voltou a enfrentar as inúmeras fogueiras inimigas.
— As forças de seu pai ainda podem conseguir — ele falou com voz rouca.
Uma esperança de tolo. Sua audição imortal captara cada palavra das horas de intenso debate dentro da tenda atrás deles.
— Este vale agora é uma armadilha de morte — disse Elena.
E ela os tinha trazido aqui.
Gavin não respondeu.
— O amanhecer está chegando — Elena continuou — e será banhado em sangue.
O líder de guerra ao seu lado permaneceu em silêncio. Tão raro para Gavin, aquele silêncio. Nenhum lampejo de ferocidade selvagem brilhava em seus olhos erguidos, e seu macio cabelo castanho estava desgrenhado. Ela não conseguia se lembrar da última vez que qualquer um deles tinha tomado banho.
Gavin virou-se para ela com aquela avaliação franca que a desarmara desde o momento em que ela o conheceu no salão de seu pai há quase um ano. Vidas atrás.
Em um tempo diferente, um mundo diferente, quando as terras ainda eram cheias de canções e luz, quando a magia não começara a oscilar à sombra crescente de Erawan e seus soldados demoníacos. Ela se perguntou quanto tempo Orynth aguentaria uma vez que o abate aqui no sul terminasse. Perguntou-se se Erawan primeiro destruiria o palácio brilhante de seu pai no topo da montanha, ou se queimaria a biblioteca real –queimaria o coração e o conhecimento de uma era. E depois queimaria seu povo.
— O amanhecer ainda está há horas de distância — disse Gavin, limpando a garganta. — Tempo suficiente para você correr daqui.
— Eles nos rasgariam em pedaços antes de podermos limpar a passagem...
— Não nós. Você. — A luz do fogo mostrou em seu rosto bronzeado uma cintilação de alívio. — Você sozinha.
— Eu não vou abandonar essas pessoas — seus dedos roçaram os dele. — Ou a você.
O rosto de Gavin não se mexeu.
— Não há como evitar o dia de amanhã. Ou o derramamento de sangue. Você ouviu o que o mensageiro me falou – eu sei que ouviu. Anielle é um matadouro. Nossos aliados do norte se foram. O exército de seu pai está muito para trás. Nós todos vamos morrer antes que o sol nasça totalmente.
— Todos nós vamos morrer um dia, de qualquer maneira.
— Não — Gavin apertou a mão dela. — Eu vou morrer. Aquelas pessoas lá embaixo, elas vão morrer. Quer pela espada ou pelo tempo. Mas você... — seu olhar moveu-se para as orelhas delicadamente pontiagudas, herança do pai dela. — Você poderia viver por séculos. Milênios. Não jogue fora por uma batalha perdida.
— Eu prefiro morrer amanhã a viver por mil anos com a vergonha da covardia.
Mas Gavin olhou para o vale novamente. Para o seu povo, a última linha de defesa contra a horda de Erawan.
— Recue para as fileiras de seu pai — ele falou roucamente — e continue a luta a partir de lá.
Ela engoliu em seco.
— Seria inútil.
Lentamente, Gavin olhou para ela. E depois de todos esses meses, todo esse tempo, ela confessou:
— O poder do meu pai está falhando. Ele está perto – décadas agora – do desvanecimento. A luz de Mala escurece dentro dele a cada dia que passa. Ele não pode se posicionar contra Erawan e vencer — as últimas palavras de seu pai antes que ela tivesse se estabelecido nessa missão condenada meses antes: Meu sol está se pondo, Elena. Você deve encontrar uma maneira de garantir que o seu ainda ascenda.
O rosto de Gavin perdeu a cor.
— E você escolhe este momento para me contar?
— Eu escolho este momento, Gavin, porque não há esperança para mim. Quer eu fuja esta noite, quer eu lute amanhã. O continente cairá.
Gavin se virou para a dúzia de barracas no afloramento. Amigos dele.
Amigos dela.
— Nenhum de nós sairá daqui amanhã — disse ele.
E foi a maneira como suas palavras soaram, a forma como seus olhos brilharam, que a fez estender a mão para ele mais uma vez. Nunca, nenhuma vez em todas as suas aventuras, em todos os horrores que tinham sofrido juntos, ela o vira chorar.
— Erawan vai ganhar e governar esta terra, e todas as outras, pela eternidade — Gavin sussurrou.
Soldados agitaram-se no acampamento abaixo. Homens e mulheres, murmurando, rezando, chorando. Elena procurou a fonte de seu terror – as sombras do outro lado do vale.
Uma por uma, como se uma grande mão sombria as apagasse, as fogueiras do senhor do medo se foram. Os tambores de ossos soaram mais alto.
Ele chegara.
Erawan viera supervisionar a última posição do exército de Gavin.
— Eles não vão esperar até o amanhecer — disse Gavin, uma mão indo para onde Damaris estava embainhada ao seu lado.
Mas Elena agarrou seu braço, o músculo duro como granito debaixo da armadura de couro.
Erawan havia chegado.
Talvez os deuses ainda estivessem ouvindo. Talvez a alma ardente da mãe dela os tivesse convencido.
Ela concentrou-se no rosto severo e selvagem de Gavin – um rosto que ela viera a valorizar acima de todos os outros. E falou:
— Nós não venceremos esta batalha. E não venceremos esta guerra.
O corpo dele tremia com a contenção de buscar seus líderes de guerra, mas ele teve o respeito de escutá-la. Ambos deviam escutar um ao outro, aprenderam da maneira mais difícil.
Com a mão livre, Elena ergueu seus dedos no ar entre eles. A magia crua dançava em suas veias agora, das chamas à água, da vinha ondulada ao gelo rascante. Não um abismo sem fim como o seu pai, mas um presente versátil e ágil de magia. Concedido pela mãe.
— Nós não venceremos esta guerra — repetiu Elena, o rosto de Gavin brilhando à luz de seu poder sem limites. — Mas podemos adiá-la um pouco. Eu posso atravessar o vale em uma ou duas horas. — Ela fechou os dedos em um punho, e apagou a sua magia.
As sobrancelhas de Gavin franziram.
— O que você fala é loucura, Elena. Suicídio. Os tenentes de Erawan a pegarão antes que você possa até mesmo deslizar através das linhas.
— Exatamente. Eles me levarão direto para ele, agora que ele chegou. Me considerarão sua valorizada prisioneira – não sua assassina.
— Não — uma ordem e um apelo.
— Matando Erawan, suas bestas entrarão em pânico. Será tempo suficiente para que as forças do meu pai cheguem, unam-se com o que resta do nosso povo, e esmaguem as legiões inimigas.
— Você diz “matar Erawan” como se fosse uma tarefa fácil. Ele é um rei valg, Elena. Mesmo que a levem até ele, ele a acorrentará à sua vontade antes que você possa fazer um movimento.
Seu coração tensionou, mas ela forçou as palavras.
— É por isso que preciso... — ela não podia impedir os lábios de tremerem. — preciso que você venha comigo em vez de lutar junto dos seus homens.
Gavin somente olhou para ela.
— Porque eu preciso... — as lágrimas deslizaram por suas bochechas. — Preciso de você como uma distração. Preciso que me compre tempo para eu passar pelas defesas internas. — Assim como a batalha do dia seguinte compraria tempo a eles.
Porque Erawan iria para Gavin primeiro. O guerreiro humano fora um baluarte contra as forças do Lorde das Trevas por tanto tempo, aquele que lutara quando nenhum outro poderia... o ódio de Erawan pelo príncipe humano era apenas rivalizado pelo ódio pelo pai dela.
Gavin a estudou por um longo momento, depois estendeu a mão para secar suas lágrimas.
— Ele não pode ser morto, Elena. Você ouviu o que a profetisa de seu pai falou.
Ela assentiu com a cabeça.
— Eu sei.
— E mesmo que consigamos contê-lo... capturá-lo... — Gavin considerou suas palavras. — Você sabe que estaremos apenas adiando a guerra para alguém que governará estas terras no futuro.
— Esta guerra — ela falou calmamente — é apenas o segundo movimento de um jogo que foi jogado desde aqueles dias antigos do outro lado do mar.
— Nós o retardaremos para alguém herdar o trabalho, se ele for libertado. E isso não vai salvar os soldados lá embaixo do próximo abate.
— Se não agirmos, não haverá ninguém para herdar esta guerra — apontou Elena. Dúvida dançou nos olhos de Gavin. — Mesmo agora — ela continuou — nossa magia está falhando, os nossos deuses nos abandonam. Fugindo de nós. Não temos aliados feéricos além daqueles no exército de meu pai. E o poder deles, como o do meu próprio pai, está desaparecendo. Mas talvez, quando esse terceiro movimento chegar... talvez os jogadores do nosso jogo inacabado sejam diferentes. Talvez seja um futuro no qual feéricos e humanos lutam lado a lado, amadurecidos com o poder. Talvez eles encontrem uma maneira de acabar com isso. Então, perderemos esta batalha, Gavin — ela repetiu. — Nossos amigos morrerão naquele campo de morte ao amanhecer, e os usaremos como distração para conter Erawan, de modo que Erilea possa ter um futuro.
Os lábios dele se apertaram, os olhos de safira estavam arregalados.
— Ninguém deve saber — ela falou, a voz embargada. — Mesmo que sejamos bem-sucedidos, ninguém deve saber o que fizemos.
Dúvida provocou linhas profundas em seu rosto. Ela apertou a mão dele com mais força.
— Ninguém, Gavin.
Agonia tomou suas feições. Mas ele concordou.
De mãos dadas, eles olharam para a escuridão revestindo as montanhas, os tambores de osso do senhor do medo batendo como martelos no ferro. Muito em breve, esses tambores seriam abafados pelos gritos de soldados morrendo. Muito em breve, os campos do vale seriam esculpidos com rios de sangue.
— Se vamos fazer isso, precisamos sair agora — ele falou. Sua atenção estava fixada novamente nas tendas próximas. Sem despedidas. Sem últimas palavras. — Darei a Holdren a ordem de liderar amanhã. Ele saberá o que dizer aos outros.
Ela assentiu com a cabeça, e foi confirmação suficiente. Gavin soltou sua mão, caminhando para a tenda mais próxima da deles, onde seu querido amigo e líder de guerra mais leal estava provavelmente fazendo o seu melhor para aproveitar suas horas finais com a nova esposa.
Elena moveu os olhos para longe antes que os ombros largos de Gavin atravessassem as abas pesadas da tenda.
Ela olhou para as fogueiras através do vale para a escuridão empoleirada do outro lado. Podia jurar que ao olhar para trás, ouviu mil pedras raspando uma contra a outra, como se as bestas do senhor do medo estivessem afiando suas afiadas garras venenosas.
Ela levantou os olhos para a mancha de fumaça céu, as nuvens se abrindo por um instante para revelar uma noite salpicada de estrelas.
O Senhor do Norte piscou para ela. Talvez o último presente de Mala para estas terras – nesta época, pelo menos. Talvez um agradecimento para a própria Elena, e uma despedida.
Porque por Terrasen, por Erilea, Elena caminharia pela escuridão eterna à espreita em todo o vale para comprar uma chance a todos eles.
Elena enviou uma oração final encarando uma coluna de fumaça subindo do fundo do vale, para que os ainda não nascidos, os descendentes distantes desta noite, herdeiros de um fardo que condenaria ou salvaria Erilea, a perdoassem pelo o que ela estava prestes a fazer.

28 comentários:

  1. galera, vcs preferem a assassina ou a rainha?

    eu não sei pq, mas eu prefiro a celaena ao invés da aelin, mas é claro gosto das duas. se bem que são PRATICAMENTE a mesma pessoa

    e eu buguei aq essa elena é personagem nova né? nos outros livros eles falaram dessa batalha que esta prestes a acontecer?

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    1. Elena e esposa do rei Gavin Havilliard e é a rainha que ajuda Celaena e dá seu conselho desde a primeira visita da assassina no subterrâneo do castelo

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    2. Elena primeira Rainha de Adarlan e metade feérica metade Humana princesa de Terasen ( ela aparece no 1 e o 2 livro !)( Ela que deu para a Aelin o colar de Olho !!!, que na verdade mais tarde descobrimos que era uma das chaves de Wyrd <3 ) Viciada nesse livro !!!

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    3. Lembra da passagem secreta do quarto da Celaena no castelo, que ela ia conversar com o espírito de uma princesa morta que deu aquele colar pra ela, o olho de Elena. Então é essa aí! Essa é a guerra que aconteceu antes, quando aprisionaram Erawan!

      Flavia

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    4. Isso, Elena é aquela fantasma que "guiou" Cel nos primeiros livros

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  2. Será que sou a primeira a comentar?
    Karina que bom que você postou esse livro.Esse blog cresce a cada dia.Só vcs tem tantos livros bons.
    Bora ler o próximo capítulo!!!

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  3. NÃO ACREDITO QUE FINALMENTE ESTOU LENDO ESSE LIVRO ~morrendo~ krl mano, fiquei com pena da Elena...então essa foi a batalha q a Elena mencinou no primeiro livro...

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  4. Gente eu to loca ! não consigo acreditar que estou lendo isso eu to muito anciosa pra ler ese livro na verdade eu acabei de descobrir ele em pdf ( xau to doida pra ler )!!!

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  5. Fiquei arrepiado só de ler o nome deles.

    -B.Bunny

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  6. Nossaaa nem acredito ❤ pena q esqueci como era a história kkkkkkk

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  7. Fiquei perdida no começo, Helena? Quem é helena? galvin? Faz tempo que li os outros livros, ai lembrei 👏👏👏 a rainha 👏👏👏 e fui recordando de todo o resto😁
    Muito feliz, parei outras leituras para começa-la, desejo que seja tão bom como os anteriores 😉❤

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  8. Eu to ARREPIADA!! Helena Galvin acabaram com o meu psicológico mds!!! Esse livro vai acabar comigo já tô ate prevendo

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  9. AI MDS EU SOU BURRA SCRR, ACHEI Q JA TIVESSE LIDO ESSE LIVRO E FUI ATE O ÚLTIMO CAP E LI AS ULTIMAS FRASES E TOMEI UMA RASTEIRA DE SPOILER.
    n to conseguindo lidar com isso.
    Pelo menos sei oq acontece neh.
    TA, ISSO N É NADA LEGAL. TÔ CHORANDO, TEM COMO DESVER? queria muito T.T vou parar de ser otaria e na próxima vou ler o primeiro cap neh? E n o último.
    Eu to chorando.
    Quando meus netos no futuro perguntarem a mim oq eu fiz de errado e me arrependo, irei contar esse dia. Tá marcado na minha vida.
    O dia em que eu fui otaria.

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    1. AI MEUS DEUSES, LIA! Você NÃO fez isso! :o que dó T_T
      Pior que eu acabei lendo antes também, quando tava formatando o livro pra postagem <3 selecionei o texto todo, desci até o final... e ali as últimas frases.
      Bem, o jeito agora é ler e se conformar. E esperar que não morramos antes de sair o próximo volume. Boa leitura!

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  10. Ai você volta vai ler o quinto livro e nem lembra direito do que aconteceu nos 4 primeiros por que faz tempo q leu e cada vez que vê um nome tem que parar a leitura para lembras quem é MD

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  11. Então foi assim q cmç :'(
    BettaYde

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  12. Mal começou e já to amando,muito obrigado por postar Karina

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  13. Já ia da uma olhada no último cap pq tbm achei que já tinha lido, ainda bem que alguém aqui já avisou, já levei uma rasteira em outros livros da autora por ler a última página e receber O spoiler kkkk vou me precaver agr

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  14. deuses não to preparada psicologicamente para o fim dessa serie... pelo menos nao para os todos os livros publicados. Pq eu so comecei agr esse mas ctz que leio inteiro nesse fds kk

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  15. Elena enviou uma oração final encarando uma coluna de fumaça subindo do fundo do vale, para que os ainda não nascidos, os descendentes distantes desta noite, herdeiros de um fardo que condenaria ou salvaria Erilea, a perdoassem pelo o que ela estava prestes a fazer.

    Pronto oq vem agora ?? Coisa boa n é 😫

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Boa leitura :)