5 de janeiro de 2017

9

Não faço ideia de como todos nós vamos caber dentro deste tanque. Somos oito pessoas apertadas em um espaço pequeno, sentadas em colos, e ninguém se importa. A tensão é tão espessa que é praticamente mais uma pessoa, tomando um assento que não temos sobrando. Eu mal consigo pensar direito.
Estou tentando respirar, tentando ficar calmo, e não consigo.
Os aviões já estão no ar e eu me sinto enjoado de um jeito que não sei explicar. É mais profundo que meu estômago. Maior que meu coração. Mais avassalador que apenas minha mente. É como se o medo tivesse se transformado em mim; ele veste meu corpo como um terno velho.
Medo é tudo o que me resta agora.
Acho que todos nós sentimos isso. Kenji está dirigindo o tanque, de alguma forma ainda capaz de agir diante de tudo isso, mas ninguém mais está se mexendo. Ninguém está falando.
Nem mesmo respirando muito alto.
Eu me sinto tão enjoado.
Ah, meu Deus, ah, meu Deus.
Dirija mais rápido, eu quero dizer, mas, na verdade, não quero. Não sei se quero acelerar ou diminuir a velocidade. Não sei o que vai doer mais. Eu vi minha própria mãe morrer e, de alguma forma, não doeu tanto quanto isto.
E, então, eu vomito.
Por todos os tapetes do chão.
O corpo sem vida do meu irmão de dez anos.
Estou com ânsia, limpando minha boca na camisa.
Vai doer quando ele morrer? Ele vai ser morto imediatamente ou vai ser golpeado com algo pontiagudo — ferido de alguma forma — e morrer lentamente? Ele vai sangrar até a morte sozinho? Meu irmão de dez anos?
Estou me segurando com força ao painel, tentando estabilizar meu coração, minha respiração. É impossível. As lágrimas estão caindo depressa agora; meus ombros, tremendo; meu corpo, desmoronando. Os aviões ficam mais barulhentos conforme se aproximam. Eu consigo ouvir agora. Todos nós conseguimos.
Nem chegamos ainda.
Ouvimos as bombas explodir a distância e é quando eu sinto: os ossos dentro de mim se quebrarem, pequenos terremotos me despedaçando.
O tanque para.
Não há mais para onde avançar. Não há ninguém nem nada para encontrarmos, e todos nós sabemos. As bombas continuam caindo e eu ouço explosões ecoando os sons dos meus soluços, altos e ofegantes no silêncio. Não me resta nada agora.
Não resta nada.
Nada tão precioso quanto meu próprio sangue.
Acabo de baixar a cabeça para as mãos quando um grito perfura o silêncio.
— Kenji! Olhe!
É Alia, dando um berrinho do banco de trás conforme empurra a porta para abri-la e pula para fora. Eu a sigo com os olhos e é apenas nesse momento que vejo o que ela viu, e levo segundos para sair pela porta e passar correndo por ela, caindo de joelhos em frente à única pessoa que eu nunca pensei que veria, nunca mais.

4 comentários:

  1. Que lindoooo!

    By Jess

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  2. Amei. Pode odiar quem for. Mas todo mundo ama o James. S2
    Ass.: D. Pevensie

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  3. Ah... Nossa... Agora me lembrei que o James♥ tinha a capacidade de se auto-curar a tensão é tanta que a gnt até esquece essas coisas

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  4. AH MEU DEUS! JAMES NÃO ME MATA DE SUSTO... EU TE AMO TANTO QUE NÃO SUPORTARIA SE ALGO ACONTECESSE A VOCÊ.
    NÃO DESGRUDA MAIS DELE, ADDIE!
    #TeamWarn...Adam!

    Cara, não sei mais quem shippar.

    ~polly~

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Boa leitura :)