6 de janeiro de 2017

8

Minha comida está fria.
Cutuco as batatas e me forço a terminar a refeição apesar de ter perdido o apetite. Não consigo deixar de me perguntar se finalmente fiz Warner passar do limite.
Pensei que as revelações tivessem acabado pelo restante do dia, mas estava errada de novo. E isso me faz pensar o quanto ainda falta, quanto mais vou aprender sobre Warner nos próximos dias.
Meses.
E estou com medo.
Porque, quanto mais descubro a respeito dele, menos desculpas tenho para afastá-lo. Ele está se desvendando diante de mim, tornando-se algo diferente por completo; aterrorizando-me de um modo que eu nunca poderia ter esperado.
E tudo em que consigo pensar é agora não.
Aqui não. Não quando tantas coisas são incertas. Queria que minhas emoções entendessem a importância de saberem o momento exato para aparecer.
Nunca percebi que Warner não sabia quão profundamente eu o detestara. Suponho que, agora, eu possa entender melhor como ele se via; que nunca achara suas atitudes culpadas ou criminosas.
Talvez ele pensasse que eu teria lhe dado o benefício da dúvida. Que eu teria sido capaz de lê-lo com tanta facilidade quanto ele conseguira me ler.
Porém, eu não conseguia. Não fiz isso. E, agora, não posso deixar de me perguntar se fui capaz de decepcioná-lo, de alguma forma.
Por que eu me importo?
Levanto-me com dificuldade e suspiro, odiando minha própria incerteza. Porque, embora eu possa não conseguir negar minha atração física por ele, ainda não posso eliminar minhas impressões iniciais de seu caráter. Não é fácil, para mim, mudar tão de repente; reconhecê-lo como qualquer coisa além de algum tipo de monstro manipulador.
Preciso de tempo para me acostumar à ideia de Warner como uma pessoa normal.
Mas estou cansada de pensar. E, neste momento, tudo o que quero fazer é tomar um banho.
Eu me arrasto na direção da porta aberta do banheiro antes de me lembrar do que Warner dissera sobre minhas roupas. Que ele trouxera meu guarda-roupa para seu closet. Olho ao redor, procurando outra porta e sem encontrar nenhuma além da porta trancada do escritório dele. Estou meio tentada a bater e perguntar a ele diretamente, mas decido não fazê-lo. Em vez disso, examino as paredes com mais atenção, perguntando-me por que Warner não me deu instruções se o closet era difícil de encontrar. Mas, então, eu vejo.
Um interruptor.
É mais um botão, na verdade, e ele está no mesmo nível da parede. Seria quase impossível vê-lo se você não o estivesse procurando ativamente.
Eu aperto o botão.
Um painel da parede desliza para fora do lugar. E, conforme eu atravesso a soleira, o lugar se ilumina sozinho.
Este closet é maior que o quarto dele todo.
As paredes e o teto são forrados com placas de pedra branca que brilham com a iluminação fluorescente embutida; os pisos são cobertos de tapetes orientais espessos. Há um pequeno sofá de camurça na cor verde-jade claro colocado bem no centro do local, porém é um tipo estranho de sofá: não tem encosto. Parece uma otomana enorme. E, o que é mais estranho: não há um único espelho aqui. Eu me viro, os olhos procurando, certa de que devo ter deixado de ver um elemento básico tão óbvio, e estou tão tomada pelos detalhes do espaço que quase não percebo as roupas.
As roupas.
Elas estão por toda parte, expostas como se fossem obras de arte. Móveis de madeira escura e brilhante estão instalados nas paredes, prateleiras forradas com fileiras e fileiras de sapatos. Todo o restante do espaço do closet é dedicado a araras, cada parede abrigando categorias diferentes de roupas.
Tudo está combinado por cores.
Ele tem mais casacos, mais sapatos, mais calças e camisas do que já vi na vida. Gravatas e gravatas-borboleta, cintos, cachecóis, luvas e abotoaduras. Tecidos lindos e luxuosos: misturas de seda e algodão engomado, lã macia e casimira. Sapatos sociais e botas de couro macio lustradas e engraxadas até a perfeição. Um caban de um tom escuro e queimado de laranja; um trench coat de um azul-marinho profundo. Um toggle coat em um tom forte e estonteante de roxo. Eu ouso passar os dedos pelos diferentes materiais, perguntando-me quantas daquelas peças tinham realmente sido usadas.
Estou abismada.
Sempre fora claro que Warner orgulhava-se de sua aparência; suas roupas são impecáveis; elas se ajeitam a ele como se fossem cortadas para seu corpo. Porém, agora eu enfim entendo por que ele deu tanta atenção a meu guarda-roupa.
Ele não estava tentando ser superior a mim.
Ele estava se divertindo.
Aaron Warner Anderson, comandante-chefe e regente do Setor 45, filho do supremo comandante d’O Restabelecimento.
Ele tem uma queda por moda.

Depois que meu choque inicial diminui, consigo localizar com facilidade meu velho armário. Foi colocado sem cerimônia em um canto do cômodo, e eu quase tenho pena dele. Ele se destaca de um jeito estranho do restante do espaço.
Procuro depressa nas gavetas, grata pela primeira vez por ter coisas limpas para me trocar.
Warner previu todas as minhas necessidades antes de eu chegar à base. O armário está cheio de vestidos e blusas e calças, mas também tem um estoque de meias, sutiãs e calcinhas. E, embora eu saiba que isso deveria me fazer sentir esquisita, de alguma forma não faz. As calcinhas são simples e discretas. Peças básicas que são exatamente comuns, e perfeitamente funcionais. Ele comprou essas coisas antes de me conhecer, e saber que não foram compradas com nenhum nível de intimidade me faz ficar menos envergonhada.
Pego uma camiseta pequena, uma calça de algodão de pijama e todas as minhas novíssimas calcinhas e deslizo para fora do closet. As luzes se apagam na hora assim que volto ao quarto, e eu aperto o botão para fechar o painel.
Olho ao redor pelo quarto com novos olhos, reacostumando-me com esse espaço menor e meio padrão. O quarto de Warner parece quase idêntico ao que eu ocupava quando estava na base, e sempre me perguntei por quê. Não há efeitos pessoais aqui; sem fotos, sem bibelôs estranhos.
Porém, de repente, tudo isso faz sentido.
O quarto não significa nada para ele. É pouco mais do que um espaço para dormir. Mas seu closet... Aquele é seu estilo, seu design. Provavelmente é o único espaço que lhe importa neste quarto.
Isso me faz imaginar como é o interior de seu escritório, e meus olhos pulam para sua porta antes de eu me lembrar de que ela está trancada por dentro.
Eu reprimo um suspiro e sigo na direção do banheiro, planejando tomar um banho, trocar de roupa e cair no sono imediatamente. Este dia parece ter durado anos, e eu estou pronta para chegar ao fim dele. Com sorte, amanhã eu poderei voltar ao Ponto Ômega e enfim fazer algum progresso.
Porém, não importa o que aconteça a seguir, e não importa o que a gente descubra, estou determinada a encontrar Anderson, mesmo se tiver que ir sozinha.

5 comentários:

  1. Aaron Warner Anderson, comandante-chefe e regente do Setor 45, filho do supremo comandante d’O Restabelecimento.
    Ele tem uma queda por moda.


    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk morri

    ResponderExcluir
  2. Warner mozão, vem nimim *-*

    ResponderExcluir
  3. M-O-R-T-A kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  4. PERFIL:
    "Aaron Warner Anderson, comandante-chefe e regente do Setor 45, filho do supremo comandante d’O Restabelecimento.
    Ele tem uma queda por moda." ÉPICO KKKK
    AMO O WARNER <3 SEMPRE ME SURPREENDE KKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)