5 de janeiro de 2017

8

Nós levamos algum tempo para voltar à base, porque temos que ser superatentos à minha visibilidade. Estamos mais lentos, mais prudentes e cuidadosos, tirando o tempo necessário para nos escondermos dentro e ao redor de unidades abandonadas a cada noventa metros mais ou menos, apenas para garantir que o caminho está livre ao virar cada canto. Porém, quando enfim estamos nos aproximando da base, a merda explode de verdade.
Não éramos os únicos que estavam usando a rota secundária.
Castle, Ian, Alia e Lily enlouqueceram quando nos viram; estavam escondidos dentro de uma unidade que tínhamos certeza de que estava vazia. Eles pularam até nós saindo de trás de uma cama, o que quase me fez mijar nas calças. Tivemos apenas um instante para explicar o que acontecera antes de Castle contar a sua história.
Eles resgataram Brendan e Winston — tiraram-nos do Setor 45, como tinham planejado inicialmente —, mas os dois estavam em mau estado quando Castle os encontrou.
— Achamos que eles vão ficar bem — Castle está dizendo —, mas temos de levá-los até as garotas o mais cedo possível. Espero que elas consigam ajudar.
— As garotas estão no campo de batalha — Kenji avisa, os olhos arregalados. — Não faço ideia de onde. Elas insistiram em lutar hoje.
O rosto de Castle murcha, e, embora ele não diga em voz alta, fica claro que, de repente, está muito preocupado.
— Onde eles estão agora? — pergunto. — Brendan e Winston?
— Escondidos — Castle responde.
— O quê?
Kenji olha ao redor.
— Por quê? Por que vocês não os estão levando de volta para o Ponto?
Castle fica pálido.
É Lily quem fala:
— Ouvimos rumores enquanto estávamos na base tirando os dois — ela conta. — Rumores sobre o que os soldados vão fazer a seguir.
— Estão se mobilizando para um ataque aéreo — Ian interrompe. — Acabamos de ouvir que eles vão bombardear o Ponto Ômega. Ainda estávamos tentando decidir o que deveríamos fazer quando ouvimos alguém chegar e pulamos para cá — ele faz um aceno da cabeça pela unidade — para nos escondermos.
— O quê? — Kenji entra em pânico. — Mas... como vocês...
— É definitivo — Castle diz.
Seus olhos estão fundos e torturados.
— Eu mesmo ouvi as ordens. Eles esperam que, se atingirem com poder de fogo suficiente, tudo no subsolo simplesmente desmorone sobre si mesmo.
— Mas, senhor, ninguém sabe a localização exata do Ponto Ômega, não é possível...
— É, sim — Alia diz.
Eu nunca a ouvi falar antes e estou surpreso com a suavidade da sua voz.
— Eles tiraram a informação de alguns dos nossos com tortura.
— No campo de batalha — Ian acrescenta. — Logo antes de os matarem.
Kenji parece que vai vomitar.
— Temos que ir agora mesmo — ele fala, a voz aguda e cortante. — Temos que tirar todos de lá... Todos os que deixamos para trás…
Apenas nesse instante, a ideia me ocorre.
— James.
Não reconheço minha própria voz. O horror, o pânico, o medo que inunda meu corpo é algo que nunca senti... Nunca conheci. Não assim.
— Temos que ir pegar o James! — estou gritando e Kenji está tentando me acalmar, mas, desta vez, não consigo escutar. Não me importo se tiver que ir sozinho; vou tirar meu irmão de lá.
— Vamos! — disparo para Kenji. — Temos que pegar um tanque e voltar para a base o mais cedo possível...
— Mas e a Juliette? — Kenji pergunta. — Talvez a gente possa se separar… Eu posso voltar para o Ponto com o Castle e a Alia; você pode ficar aqui com o Ian e a Lily...
— Não. Eu preciso buscar o James. Tenho que estar lá. Tem que ser eu quem vai buscá-lo...
— Mas a Juliette…
— Você mesmo disse que o Warner não vai matá-la… Ela vai ficar em segurança ali por um tempinho. Mas, agora, eles vão explodir o Ponto Ômega, e o James… e todos os outros… vão morrer. Temos que ir agora
— Talvez eu possa ficar aqui e procurar pela Juliette, e vocês podem ir...
— A Juliette vai ficar bem. Ela não está em perigo imediato... O Warner não vai machucá-la
— Mas…
— Kenji, por favor!
Estou desesperado agora e não me importo.
— Precisamos do máximo de pessoas possível no Ponto Ômega. Um monte de pessoas ficou para trás e elas não têm chance se não chegarmos até elas agora.
Kenji me encara apenas por um momento a mais que o necessário antes de fazer que sim com a cabeça.
— Vocês vão pegar o Brendan e o Winston — ele fala para Castle e os outros três. — Kent e eu vamos roubar um tanque e encontrá-los de volta aqui. Vamos fazer tudo o que pudermos para voltar ao Ponto Ômega o mais rápido possível.
Assim que todos saem, eu agarro Kenji pelo braço.
— Se alguma coisa acontecer com o James...
— Vamos fazer tudo o que pudermos, prometo…
— Isso não é bom o suficiente para mim… Preciso chegar até ele… Tenho que ir agora…
— Você não pode ir agora — Kenji estoura. — Guarde sua estupidez para depois, Kent. Agora, mais do que nunca, você precisa ficar no controle. Se você enlouquecer e voltar para o Ponto Ômega a pé sem cuidar da sua própria segurança, vai estar morto antes de chegar lá, e qualquer chance de salvar o James vai estar perdida. Quer manter seu irmãozinho vivo? Então não se mate enquanto está tentando salvá-lo.
Sinto que minha garganta está fechando.
— Ele não pode morrer — digo, minha voz falhando. — Não posso ser o motivo de ele morrer, Kenji... Não posso…
Kenji pisca depressa, contendo suas próprias emoções.
— Eu sei, cara. Mas não posso pensar assim agora. Temos que continuar em frente…
Kenji ainda está falando, mas eu mal consigo escutá-lo.
James.
Ah, meu Deus.
O que eu fiz?

5 comentários:

  1. Quem é Juliette na fila do pão perto do James pro Adam?!

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  2. Verdade! Pelo menos aí ela agiu certo.

    Não sei mais nem com quem shippar a Juliette. Dá pra ficar com os dois? 😘

    Carla

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  3. um pouco da dignidade de addie foi salva por pensar primeiro em james.

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  4. James em primeiro lugar!! Adooorei kkk

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