2 de janeiro de 2017

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Castle está mole.
Seus braços estão frouxos ao lado do corpo; os olhos, arregalados de preocupação e espanto e um pouquinho de intimidação, e, embora ele mexa os lábios, não parece produzir nenhum som.
Sinto que agora poderia ser um bom momento para pular de um penhasco.
Kenji toca em meu braço e eu me viro para olhá-lo. Com isso, percebo que estou petrificada. Estou sempre esperando que ele e Adam e Castle percebam que ser gentil comigo é um erro, que eu não valho a pena, que não sou nada além de uma ferramenta, uma arma, uma assassina particular.
Porém, ele toma meu punho direito na mão com muita delicadeza. Toma cuidado para não tocar em minha pele ao tirar a agora esfarrapada luva de couro e prende a respiração ao ver os nós dos meus dedos. A pele está rasgada e o sangue está por toda parte e não posso mexer os dedos.
Percebo que estou em agonia.
Eu pisco e estrelas explodem e uma nova tortura devasta meus braços e minhas pernas com tanta pressa que não consigo mais falar.
Eu ofego
e
o
mundo
d e s a p a r e c e

4 comentários:

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Boa leitura :)