6 de janeiro de 2017

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Dou um passo para a frente e minhas pernas tremem, ameaçando se dobrar e quebrar embaixo de mim, mas eu me empurro e continuo me mexendo. Eu me empurro para atravessar a porta, para descer pelo elevador e para sair, para o campo de batalha.
Não demoro muito para chegar lá.
Há centenas de corpos em massas amontoadas e sangrentas no chão, mas há centenas mais ainda em pé; mais vivos do que eu poderia ter esperado. A notícia se espalhou mais rápido do que eu imaginava. É quase como se eles já soubessem há um tempo, um curto tempo, que a batalha estava acabada. Os soldados sobreviventes do navio de Anderson estão em pé ao lado dos nossos, alguns ainda encharcados, congelados até os ossos com este tempo frio. Eles devem ter achado o caminho até a costa e compartilhado a notícia sobre o ataque, sobre o fim iminente de Anderson. Todos estão olhando ao redor, encarando uns aos outros em choque, encarando as próprias mãos ou olhando para o céu. Outros ainda estão verificando a massa de corpos de amigos e parentes, alívio e medo aparentes em seus rostos. Seus corpos exaustos não querem continuar assim.
As portas das casernas foram abertas com violência e os civis restantes inundam o terreno, correndo para se reunir a seus entes queridos e, por um momento, a cena é tão terrivelmente desoladora e, ao mesmo tempo, tão terrivelmente bela que eu não sei se devo chorar de dor ou alegria.
Eu não choro, nem um pouco.
Sigo em frente, forçando meus membros a se mexerem, implorando a meus ossos para se manterem firmes, para me carregarem até o final deste dia e para o resto da minha vida.
Quero ver meus amigos. Preciso saber se eles estão bem. Preciso da confirmação visual de que eles estão bem.
Porém, assim que eu entro no meio da multidão, os soldados do Setor 45 perdem o controle.
Os homens que sangraram e foram atacados em nosso campo de batalha estão gritando e comemorando apesar da mancha de morte sobre a qual estão, saudando-me enquanto eu passo.
Conforme eu olho ao redor, percebo que eles são meus soldados agora. Eles confiaram em mim, lutaram comigo e pelo mesmo objetivo que eu, e agora vou confiar neles. Vou lutar por eles. Esta é a primeira de muitas batalhas que virão.
Haverá muitos outros dias como este.
Estou coberta de sangue, meu traje rasgado e crivado com lascas de madeira e pedaços de metal.
Minhas mãos estão tremendo tanto que eu nem as reconheço mais.
E, ainda assim, sinto-me muito calma.
Tão inacreditavelmente calma.
Como se a profundidade do que acabou de acontecer ainda não tivesse conseguido me atingir.
É impossível não roçar em mãos e braços estendidos conforme eu cruzo o campo de batalha, e é estranho para mim, de alguma forma, estranho eu não me retrair, estranho eu não esconder minhas mãos, estranho eu não ficar preocupada em machucá-los.
Eles podem tocar em mim se quiserem e talvez eu cause ferimentos, mas minha pele não vai matar mais.
Porque eu nunca vou deixar chegar tão longe.
Porque agora eu sei como controlar o poder.

6 comentários:

  1. Tô emocionada, tô chorando muito :'( não acredito q está acabando :'(

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  2. Aí que alegria, que emoção, mas cadê a turma?

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  3. Mano ta acabando com chorar d+,

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  4. QUE PRÉ-FIM HEIN.
    ~POLLY~
    EMOCIONADÍSSIMA!
    ARRASOU JUJU, MOSTROU SEU PODER!

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  5. "Esta é a primeira de muitas batalhas que virão."

    Que bom que vai ter continuação mesmo *-* Mas esperar um ano para isso 😱😱😱 Se a autora estragar o relacionamento da Juju com o Warner eu vou mata-la u.u

    O Paris Anderson falou alguma coisa pra Juju que não foi explicada... O Warner não disse o que fez para ficar no Setor 45 e ainda tem mais 6(acho que é isso) comandantes supremos pra Juju e cia jutarem a bunda XD

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  6. Pena que o livro tá acabando
    Mas tô muito orgulhosa da Juliette

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Boa leitura :)