6 de janeiro de 2017

73

Anderson está parado sobre mim agora, apontando uma arma para o meu rosto.
Ele atira.
De novo.
Mais uma vez.
Eu fecho os olhos e puxo de dentro de mim, bem profundo, os últimos pingos de força, porque, de alguma maneira, algum instinto dentro do meu corpo ainda está gritando para que eu fique viva. Eu me lembro de Sonya e Sara me falando certa vez que nossas energias poderiam ser esgotadas. Que poderíamos nos extenuar. Que elas estavam tentando fazer remédios para ajudar com esse tipo de coisa.
Eu queria ter esse tipo de remédio agora.
Pisco olhando para Anderson, sua forma embaçada nos cantos. Ele está parado logo atrás da minha cabeça, a ponta de suas botas brilhantes tocando o topo do meu crânio. Não consigo ouvir muita coisa além dos ecos reverberando em meus ossos, não consigo ver nada a não ser as balas que chovem sobre mim. Ele ainda está atirando. Ainda descarregando sua arma no meu corpo, esperando pelo momento em que ele sabe que não serei capaz de aguentar mais.
Estou morrendo, eu penso. Devo estar. Eu pensei que soubesse qual é a sensação de morrer, mas devia estar errada. Porque este é um tipo completamente diferente de morte. Um tipo completamente diferente de dor.
Mas acho que, se eu tenho que morrer, posso muito bem fazer mais uma coisa antes de partir.
Eu estendo as mãos. Agarro os tornozelos de Anderson. Aperto os punhos. E esmago os ossos dele nas minhas mãos.
Seus gritos furam a névoa na minha cabeça, por tempo suficiente para trazer o mundo de volta ao foco. Estou piscando depressa, olhando ao redor e capaz de ver com clareza pela primeira vez. Kenji está caído no canto. O menino loiro está no chão.
Anderson foi separado de seus pés.
Meus pensamentos estão mais afiados de repente, como se eu estivesse no controle de novo. Não sei se é isso que a esperança faz com uma pessoa, se ela tem mesmo o poder de trazer alguém de volta à vida, mas ver Anderson se contorcendo no chão faz algo comigo. Faz com que eu pense que ainda tenho uma chance.
Ele está gritando muito, recuando sem jeito e se arrastando pelo chão com os braços. Deixou a arma cair, claramente com dor demais e apavorado demais para ainda tentar alcançá-la e eu consigo ver a agonia em seus olhos. A fraqueza. O terror. Apenas agora ele está entendendo o horror do que está prestes a acontecer com ele. Como tinha de acontecer com ele. Que ele seria dizimado por uma criança idiota que era covarde demais, ele disse, para se defender.
E é então que eu percebo que ele está tentando me dizer alguma coisa. Ele está tentando falar.
Talvez esteja implorando.
Talvez ele esteja chorando. Talvez ele esteja implorando por misericórdia. Mas não estou ouvindo mais.
Eu não tenho nada para dizer.
Levo as mãos para trás, puxo a arma do meu coldre.

E atiro nele, na testa.

14 comentários:

  1. Lendo e pensando "mata ele juliete mata ele logo"

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  2. FINALMENTE O DESGRAÇADO DO SOGRÃO JÁ ERA ~batendo palmas e fazendo dancinha do carangueijo~ JUJU RESISTAAAAAAAAA, VC Ñ PODE MORRER, se bem q é óbvio q ela não morre ;-;

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  3. Heee. ... Hoje tem festa no inferno, acabou de chegar mais um demônio!
    Bianca

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  4. Respostas
    1. Seu comentário foi o melhor kkkkkkkkkkkk

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  5. Ai sim queridinha, agora sim estou orgulhosa!!!

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  6. Nossa.o que foi isso estou surpe feliz.

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  7. Parabéns Julie , atraso amiga

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  8. SE FODEU SOGRÃO DE MERDA! VOLTA PRO INFERNO QUE É DE LÁ QUE VOCÊ VEIO!
    KKKKKKKKKKKKKK
    ORGULHOSA D+ JUJU ;) ~POLLY~

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  9. Finalmente.

    Ainda bem que ela não fica com aquelas merdas de descurso que estraga tudo

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  10. Juju fodástica!!! 💪💪💪💪👊👊👊👊

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Boa leitura :)