2 de janeiro de 2017

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Meu coração explodiu.
Sou jogada para trás, tropeçando em meus próprios pés até atingir o chão, minha cabeça batendo contra o chão acarpetado, meus braços ajudando pouco para amortecer a queda. É uma dor que nunca senti antes, uma dor que nunca pensei que pudesse sentir, nunca nem teria imaginado. É como se uma dinamite tivesse explodido em meu peito, como se tivesse sido incendiada de dentro para fora e, de repente, tudo desacelera.
Então essa, eu penso, é a sensação de morrer.
Estou piscando e parece demorar uma eternidade. Vejo uma série de imagens sem foco à minha frente, cores e corpos e luzes agitando-se, movimentos afetados misturam-se, borrados. Os sons são deformados, deturpados, altos demais e baixos demais para que eu ouça com clareza. Explosões geladas, elétricas, oscilam pelas minhas veias, como se cada parte do meu corpo tivesse adormecido e estivesse tentando acordar de novo.
Há um rosto à minha frente.
Tento me concentrar na forma, nas cores, tento colocar tudo em foco, mas é difícil demais e, de repente, não consigo respirar, de repente, sinto como se houvesse facas na minha garganta, buracos perfurados em meus pulmões e, quanto mais pisco, menos clara fica minha visão. Logo, consigo apenas tomar fôlegos muito nervosos, pequenos fôlegos que me lembram de quando era criança, quando os médicos disseram que eu sofria de ataques de asma. Eles estavam errados, no entanto; minha respiração curta não tinha nada a ver com asma. Tinha a ver com pânico e ansiedade e hiperventilação. Porém, o que estou sentindo agora é muito parecido com o que vivi na época. É como tentar inspirar oxigênio através de um canudo minúsculo. Como se os pulmões estivessem simplesmente se fechando, saindo de férias. Sinto a tontura me dominar, a sensação de quase desmaio me dominar. E a dor, a dor, a dor. A dor é terrível. A dor é o pior. A dor parece nunca acabar.
De repente, fico cega.
Eu sinto em vez de ver o sangue, sinto-o escorrer de mim conforme pisco e pisco e pisco em uma tentativa desesperada de recuperar a visão. No entanto, não consigo ver nada além de um nevoeiro branco. Não ouço nada além das batidas nos meus tímpanos e a minha respiração ofegante ofegante ofegante, curta e frenética, e sinto-me quente, muito quente, o sangue do meu corpo ainda tão fresco e quente e formando uma poça sob mim, por toda a minha volta.
A vida está vazando de mim e isso me faz pensar na morte, pensar em como foi curta a vida que vivi e o quão pouco vivi dela. Como passei a maior parte dos meus anos acovardada e com medo, sem nunca me defender, sempre tentando ser o que outra pessoa queria que eu fosse. Por 17 anos, tentei me forçar a caber em um molde que eu esperava que fosse fazer as outras pessoas se sentirem confortáveis, seguras, sem ameaça.
E isso nunca ajudou.
Morrerei sem ter alcançado nada. Ainda sou uma ninguém. Não sou nada além de uma menininha tola sangrando até a morte no chão de um homem psicótico.
E eu penso, se pudesse fazer tudo de novo, faria de um jeito tão diferente. Seria melhor. Faria algo com a minha vida. Faria a diferença neste mundo triste, triste.
E começaria matando Anderson.
Que grande pena eu já estar tão perto da morte.

8 comentários:

  1. NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO JUJU, VC Ñ PODE MORRER, AINDA TEM O OUTRO LIVRO, VC AINDA TEM Q LIBERAR PRO WARNER, AINDA TEM QUE FAZER SEUS DESCENDENTES COM WARNER, RESISTA MULHER o.O

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  2. É aquela coisa Juju a vida é muito curta para ficarmos agradando à gregos e troianos

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  3. Bem feito, tomara que com ele tiro (com que provavelmente vai continuar viva), toma vergonha na cara e faça alguma coisa útil

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  4. Nossa.... Cena forte e muito bem escrita....
    Agora muda as coisas Julliete...

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  5. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 03:56

    que horror! coitada da Jullie coitados do Adam e do Aaron

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  6. Tomara que agora ela realmente tome uma atitude em relacao a tudo

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  7. Tomara que ela crie vergonha na cara e pare um pouco com essa pena que ela tem de si mesma.
    Ela tinha que se inspirar um pouco na Aelin

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Boa leitura :)