26 de janeiro de 2017

Capítulo 6

— Eles estão se movendo — Halt apontou.
Riscos de luz estavam começando a aparecer abaixo deles enquanto os moondarkers acendiam as tochas. Will e Halt podiam ver sombras se movendo enquanto mais e mais tochas eram acessas na escuridão abaixo. Will olhou para cima. A pequena lua no alto estava começando a descer, e em quinze minutos estaria escondida atrás da colina.
Halt se moveu para um local onde teria uma vista clara do norte, contemplou firmemente o oceano nessa direção, procurando na escuridão, então fez um pequeno ruído e apontou.
— Lá está o navio — ele mostrou.
Will se moveu para se juntar a ele, levantando seus olhos para procurar a luz que mostraria que havia um barco se aproximando, ele balançou a cabeça.
— Não consigo ver — ele murmurou.
Halt levantou sua mão, com a palma para fora, os nós dos dedos apontando para cima. Devagar, ele levantou seu dedo mínimo.
— Veja bem ali, abaixo da península, do segundo dedo para o último. Vá três dedos para o lado e você o verá.
Will levantou seu próprio braço e, com um olho fechado, ele esticou três dedos, colocando seu dedo anelar contra a península como Halt havia lhe mostrado, então olhou para o lado esquerdo do seu dedo indicador e viu um minúsculo ponto de luz contra a escuridão do oceano:
— Achei — ele falou.
O sistema de dedos era apenas parte das habilidades de um arqueiro. De um ponto de referência como a península, a pessoa poderia mostrar a outra exatamente para onde olhar, esticando e movendo os dedos. Quando aprendiz, Will tinha se surpreendido o quão eficiente o sistema era, mesmo com a diferença de tamanho e largura dos dedos.
Halt estava vendo a direção e a força do vento.
— Ele está velejando contra o vento, que sopra do sul. Deve levar cerca de duas horas para poder ver o farol.
— Está na hora de você ir — Will disse.
Seu antigo mentor concordou.
— Sim, melhor não gastar mais tempo. Seria melhor descermos juntos. Você vai em direção a península, quando vir o navio em alto mar, jogue a tintura no fogo.
— Olhe — Will apontou para a península — há fogo no farol.
Havia uma pequena luminosidade visível do tripé, e logo grandes línguas de fogo começaram a aparecer na escuridão. O vento vindo do sul soprou as chamas para o lado. Quanto mais sugava oxigênio do ar, mais ele crescia.
— Faz sentido — Halt começou de repente — se conseguimos ver a luz do navio dessa distância, eles logo poderão ver o farol. Os moondarkers não querem uma luz aparecendo do nada, pareceria suspeito.
Eles desceram a encosta para onde os cavalos estavam esperando. Quando souberam que haveria ação nesta noite, os dois arqueiros colocaram as selas nos animais logo após escurecer, e os deixaram esperando. Assim que a colina ficou menos íngreme, eles montaram e cavalgaram pela curva da encosta.
Halt e Will estavam quase no pé da montanha quando o arqueiro mais experiente encontrou uma trilha em direção ao sul. Ele entrou nela e Will apareceu logo atrás.
— Irei te deixar aqui. Eu devo estar de volta em uma hora, lembre-se do seu papel.
— Jogar a tintura no fogo — ele respondeu prontamente:
— Certo, mas não jogue muito cedo, quero ter a chance de acabar com esses moondarkers. Mas não se atrase também – não queremos o navio preso nos bancos de areia. Conferiu se está com a tintura?
Will tocou o pequeno saco logo acima do ombro.
— Está aqui, não se preocupe.
— Tudo bem, estou indo, te vejo em uma hora.
E com isso, bateu os calcanhares em Abelard e cavalgou devagar em direção ao sul. Após alguns segundos, uma curva na trilha escondeu-o da visão de Will. Ele virou as rédeas de Puxão.
— Vamos garoto, temos trabalho para fazer.
Ele seguiu a trilha ao pé da montanha, emergindo em uma clareira por entre as árvores, virando à esquerda, em direção ao mar.
Ele podia ver a luminosidade do fogo que representava a falsa cidade, a sua direita o falso farol queimando ferozmente num estranho e engraçado círculo de fogo, formado pelo sal do mar saturado no ar.
Escondido pela linha de árvores, ele guiou Puxão para a península em um trote lento. Eles chegaram ao local onde ela começava. Diminuíram gradualmente o trote lento, até que Will parou seu animal e desceu da sela, acariciando-o no focinho afetuosamente:
— Você fica aqui, garoto — o profundo e quase imperceptível ronco que Puxão fez mostrava que ele não estava feliz com a ideia — eu sei, eu sei, você prefere ir e me proteger, mas seria um pouco óbvio se fosse comigo. São quase duzentos metros de campo aberto, não posso arriscar ser visto pelos moondarkers na praia.
Eu posso ser bem discreto quando quero.
— Eu admito isso, mas apenas me entenda, tudo bem?
Eu sempre faço isso.
Puxão parecia irritado, Will pensou, mas sempre parecia quando ia sem ele. O cavalo achava que seu dono não era capaz de cuidar de si mesmo, precisava de Puxão para protegê-lo.
Enquanto conversava com seu cavalo, Will havia observado o terreno aberto da península. Havia rochas, alguns arbustos e duas ou três árvores. Não muita proteção, mas suficiente. Ele observou o terreno de novo, mais cuidadosamente, procurando por algum sinal dos bandidos que tinham tochas menores. Presumiu que os homens tinham voltado a se juntar aos companheiros, não havia sinal deles. Não havia motivo para ficarem no local.
Will tinha visto a pilha de madeira que eles tinham recolhido e colocado na cesta de ferro. Havia combustível para manter o farol por pelo menos duas horas. Ironicamente, ele pensou, ela não existirá mais daqui a um momento, de uma forma ou de outra.
— Fique aqui, eu tenho que me mover para que possa ver o navio quando ele estiver chegando.
Eu estarei aqui se precisar de mim.
— Com certeza — ele concordou, e se moveu cruzando a grama da península, com passos curtos e silenciosos de sombra em sombra.
Um observador normal teria perdido sinal dele depois de dez metros, mas Puxão, quem mais conhecia os movimentos do seu mestre, enxergando-o facilmente, balançou a cabeça aprovando.
Eu posso vê-lo, mas duvido que alguém mais possa.
Havia uma árvore atrofiada a setenta metros do farol. Ela havia sido deformada e torcida pelo constante vento do mar durante seus vinte anos de vida. Will se moveu silenciosamente para sua sombra sentou em sua base, as costas contra o encharcado tronco, Ele se sentou sem movimento, com o capuz puxado, e se misturou com o fundo escuro.
— Confie na capa — ele sussurrou para si mesmo.
Daquele local, ele podia ver a praia, as tochas e lanternas, o farol amarelo e o mar escuro na frente. Mais cedo, com o fraco luar, o mar havia ficado com um brilho prateado, mas agora que a lua tinha ido embora, havia se tornado uma massa escura.
Quando forçou seus ouvidos, ele pôde ouvir o barulho das ondas quebrando na orla. Mesmo as condições do tempo estavam do lado dos moondarkers Com um mar agitado, haveria uma linha de espuma marcando a praia. Com o tempo atual, porém, isso era inexistente.
Will ficou parado e moveu seu olho para o norte, olhando devagar, dividindo o oceano em segmentos e procurando o que abrigava o navio. Finalmente ele o identificou. Estava mais próximo da costa do que ele esperava, mas ainda em alto mar. Quase no fim da viagem, o capitão estava provavelmente tentando cobrir a maior distância que ele podia antes de virar em direção à praia, ao falso farol que provavelmente já poderia ser visto.
Will observou o pequeno ponto luminoso se movendo para o sudoeste por dez minutos, parecendo parar e se perguntando o que estava acontecendo. Logo retomou o movimento, porém dessa vez ele se movia para sul. Fora o ângulo que Will estava observando que fez parecer que o navio havia parado.
O arqueiro olhou ansioso para a praia. As tochas e as lanternas que marcavam a falsa cidade ainda estavam fortes, mas não havia sinal dos moondarkers, e de Halt.
Ele olhou para o mar mais uma vez e ficou chocado pela distância que o navio havia percorrido. Ele parecia estar terrivelmente próximo da costa, próximo suficientemente para Will poder ver o vapor de sal ao redor da luz principal. Ele mudou rapidamente a posição dos pés, estava chegando a hora de agir.
Mais uma vez, ele olhou para a praia, mas não havia sinal de Halt, nenhum som de conflito no local. Talvez o povo de Hambley houvesse se recusado a ajudá-lo, talvez tivessem feito dele prisioneiro. Se fosse o caso, a vida de Halt estava em grande perigo. Se o chefe da cidade houvesse se recusado a ajudar, não poderia deixá-lo viver e para denunciá-lo.
Por um momento, Will lutou contra o desejo de correr de volta para Puxão e cavalgar desesperadamente para a vila, para resgatar seu antigo mentor.
Mas ele tinha um objetivo para cumprir, e estava ficando sem tempo. Ajeitou o arco em uma posição segura no ombro e foi em direção ao farol. Ele se moveu agachado, se mantendo próximo ao chão, mas com uma boa velocidade, se camuflando com as sombras.
Ao chegar perto, ele podia ouvir os estalos da madeira queimando, superado pelo som do próprio fogo. No campo aberto da península, exposto a brisa do mar, o fogo gerava grandes chamas, lançando línguas de fogo no ar, soltando faíscas alaranjadas na noite escura. Mesmo estando a alguns metros de distância, Will podia sentir o calor nas bochechas.
Agora que estava próximo ao farol, tudo o que ele podia ver era o círculo de luz que o englobava. Ao redor era apenas escuridão.
Ele moveu o olhar do fogo para o mar. O navio estava mais próximo agora. Sua mão tocou o pequeno saco, onde a tintura estava e começou a desembrulhá-lo, quando notou movimento ao redor.
— O que está fazendo com o fogo?
Instintivamente, o arqueiro se jogou para o lado, sentindo a brisa do machado passando por ele, errando por centímetros.

Um comentário:

  1. "...O cavalo achava que seu dono não era capaz de cuidar de si mesmo, precisava de Puxão para protegê-lo..."
    Will isso é trauma logo no segundo livro o puxão deixou você ir sozinho para uma ponte e só te viu de novo cerca de um ano depois. >w<
    Se eu fosse o Puxão também acharia isso

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Boa leitura :)