2 de janeiro de 2017

69

Respirando. Tenho de me lembrar de continuar respirando.
— É bastante extraordinário — Anderson comenta — o que você conseguiu fazer totalmente sozinha. Havia apenas três pessoas naquela sala — ele diz. — Você, eu e meu filho. Meus soldados estavam observando a área toda, alertas para qualquer pessoa que pudesse vir com você e me disseram que você estava completamente sozinha.
Uma pausa.
— Eu, na verdade, pensei que você viria com uma equipe, sabe? Não achei que seria corajosa o suficiente para me encontrar sozinha. Mas, então, você me desarmou sem ajuda de ninguém e levou seus reféns de volta. Teve de carregar dois homens, sem contar meu filho, até um lugar seguro. Como conseguiu fazer isso está totalmente além da minha compreensão.
E eu percebo: a escolha é simples.
Ou eu conto a ele a verdade sobre Kenji e Adam e arrisco fazer Anderson ir atrás deles, ou assumo toda a responsabilidade.
Assim, olho nos olhos de Anderson.
Faço que sim com a cabeça. Digo:
— Você me chamou de menininha tola. Disse que eu era covarde demais para me defender.
Ele parece desconfortável pela primeiríssima vez. Parece perceber que é provável que eu consiga fazer a mesma coisa de novo com ele; agora, se eu quiser.
E eu penso, sim, é provável que eu consiga. Que ideia excelente.
Mas, por enquanto, ainda tenho uma estranha curiosidade para ver o que ele quer de mim. Por que está conversando comigo. Não estou preocupada em atacá-lo agora; sei que tenho uma vantagem sobre ele. Devo conseguir surpreendê-lo com facilidade.
Anderson limpa a garganta.
— Eu planejava voltar ao Capitólio — conta.
Respira fundo.
— Mas claramente meu trabalho aqui não está terminado. Seu pessoal está tornando as coisas infinitamente mais complicadas e está ficando cada vez mais difícil simplesmente matar todos os civis.
Uma pausa.
— Bem, não, na verdade, isso é mentira. Não é difícil matá-los, é apenas que está ficando impraticável.
Ele olha para mim.
— Se eu matasse todos, não teria ninguém para governar, teria?
Ele começa mesmo a gargalhar. Gargalhar como se tivesse dito algo engraçado.
— O que você quer de mim? — pergunto.
Ele respira fundo. Está sorrindo.
— Devo admitir, Juliette... Estou muitíssimo impressionado. Você sozinha foi capaz de me dominar. Teve capacidade de planejamento suficiente para pensar em levar meu filho como refém. Salvou dois dos seus homens. Provocou um terremoto para salvar o restante da sua equipe!
Ele ri. E ri e ri e ri.
Não me dou ao trabalho de contar a ele que apenas duas dessas afirmações são verdadeiras.
— Vejo agora que meu filho tinha razão. Você poderia ser valiosa para nós, em especial agora. Conhece o interior da sede deles melhor do que qualquer coisa que Aaron seja capaz de lembrar.
Então Warner foi ver o pai. Compartilhou nossos segredos. É claro que sim. Não posso imaginar por que estou tão surpresa.
— Você — Anderson diz para mim — poderia me ajudar a destruir todos os seus amiguinhos. Poderia me contar tudo de que preciso saber. Poderia me contar tudo sobre as outras aberrações, do que são capazes, quais são seus pontos fortes e fracos. Poderia me levar ao esconderijo. Você faria tudo que eu lhe pedisse.
Quero cuspir na cara dele.
— Eu preferiria morrer — digo a ele. — Preferiria ser queimada viva.
— Ó, duvido muito disso — ele responde.
Ele apoia seu peso na bengala para se segurar melhor em pé.
— Acho que você mudaria de ideia se tivesse mesmo a oportunidade de sentir a pele derreter e escorrer do seu rosto. Mas — ele fala —, não sou indelicado. Com certeza não vou descartar essa opção, se você estiver tão interessada de verdade.
Homem horrível, horrível.
Ele sorri, com um sorriso largo, satisfeito com meu silêncio.
— Sim, foi o que pensei.
A porta da frente é aberta de repente.
Não me mexo. Não me viro. Não sei se quero ver o que está prestes a acontecer comigo, mas, então, ouço Anderson cumprimentar o visitante.
Convidá-lo a entrar. Pedir que ele cumprimente sua nova hóspede.
Warner anda até a minha linha de visão.
De repente, fico fraca até os ossos, enjoada e levemente mortificada. Warner não diz uma palavra. Está usando seu terno perfeito com seu cabelo perfeito e parece exatamente o Warner que vi pela primeira vez; a única diferença agora é seu olhar. Ele está me encarando em um estado de choque tão debilitante que chega a parecer doente.
— Vocês se lembram um do outro, não, crianças?
Anderson é o único que ri.
Warner está respirando como se tivesse escalado várias montanhas, como se não conseguisse entender o que está vendo ou por que está vendo isso e está olhando para o meu pescoço, ao que deve ser o feio machucado cheio de manchas que suja minha pele, e o rosto dele se contorce em algo que parece raiva e horror e coração partido. Os olhos dele descem para a minha camiseta, para os meus shorts e sua boca se abre apenas o suficiente para que eu note antes de ele ter controle sobre si mesmo, varrendo as emoções para fora de seu rosto.
Ele está se esforçando para permanecer sereno, mas posso ver os movimentos rápidos do seu peito subindo e descendo. Sua voz não está nem de longe tão forte quanto poderia quando ele diz:
— O que ela está fazendo aqui?
— Mandei recolherem-na para nós — Anderson diz simplesmente.
— Para quê? — Warner pergunta. — Você disse que não a queria...
— Bem — Anderson começa, pensando. — Não é totalmente verdade. Eu com certeza colheria benefícios tendo-a por perto, mas decidi no último instante que não estava mais interessado na companhia dela.
Ele balança a cabeça. Baixa o olhar para as próprias pernas. Suspira.
— É tão frustrante estar aleijado assim — fala, rindo de novo. — É tão inacreditavelmente frustrante. Mas — ele diz, sorrindo —, pelo menos, encontrei uma maneira rápida e fácil de consertar isso. Voltar tudo ao normal, como dizem. Será como mágica.
Algo nos olhos dele, o sorriso doentio na sua voz, a maneira como diz a última frase me deixa enjoada.
— O que quer dizer? — pergunto, quase com medo de ouvir a resposta.
— Estou surpreso por você ter de perguntar, querida. Quero dizer, honestamente... Você achou mesmo que eu não iria reparar no ombro novo em folha do meu filho?
Ele ri.
— Pensou que eu não acharia estranho vê-lo voltar para casa não apenas ileso, mas completamente curado? Sem cicatrizes, sem áreas sensíveis, sem fraquezas... Como se nunca tivesse levado um tiro! É um milagre — ele afirma. — Um milagre, meu filho me contou, que foi executado por duas de suas aberraçõezinhas.
— Não.
O horror está crescendo dentro de mim, cegando-me.
— Ó sim.
Ele dirige um olhar para Warner.
— Não foi assim, filho?
— Não — eu ofego. — Ó, meu Deus... O que você fez... ONDE ELAS ESTÃO...
— Acalme-se — Anderson diz para mim. — Elas estão perfeitamente a salvo. Eu apenas mandei recolherem-nas, como você foi recolhida. Preciso que fiquem vivas e bem se vão me curar, não acha?
— Você sabia disso? — viro-me para Warner, furiosa. — Você fez isso? Você sabia...
— Não... Juliette — ele responde —, eu juro... não foi ideia minha...
— Vocês dois estão se agitando sem motivo — Anderson diz, balançando a mão preguiçosa na nossa direção. — Temos coisas mais importante em que nos concentrar agora. Assuntos mais urgentes com que lidar.
— Do que — Warner começa — você está falando?
Ele não parece estar respirando.
— Justiça, filho.
Anderson está olhando para mim agora.
— Estou falando de justiça. Gosto da ideia de acertar as coisas. De colocar ordem no mundo de novo. E estava esperando a sua chegada para poder mostrar exatamente o que quis dizer. Isso — ele fala — é o que eu deveria ter feito da primeira vez.
Ele olha para Warner.
— Está ouvindo? Preste muita atenção agora. Está observando?
Ele puxa uma arma.
E atira no meu peito.

9 comentários:

  1. NAOOOO estou em chok

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  2. Uou! COMO eu não me lembrava disso??!!

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  3. NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO JUJU NÃO NÃO NÃO NÃO O.O SOGRÃO SEU DESGRAÇADO, O INFERNO ESPERA POR VC, WARNER TOCA NA JUJU E ABSORVA.O PODER DELA E MATE O DESGRAÇADO DO SOGRÃO o.O

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  4. Aposto que o poder dela também é contra balas.


    Como vvs gostam do Warner? Esse nogento, odeio ele e odeio ela mais ainda que só se preocupa com ela mesma

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  5. Pq eu tô achando eles tão bocós? Sou só eu? Na moral eles num fazem nd não?

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  6. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 03:53

    ele matou o próprio filho?? que monstro

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Boa leitura :)