6 de janeiro de 2017

68

Não faço ideia de onde Kenji está.
Aqui embaixo é apertado e claustrofóbico e eu já consigo ouvir um barulho de passos vindo na minha direção, gritos e berros ecoando pelo corredor; eles devem saber que alguma coisa aconteceu no convés lá em cima. Estou me esforçando muito para não entrar em pânico, mas não tenho mais certeza de qual deve ser o próximo passo.
Eu nunca previ que faria isto sozinha.
Fico sussurrando o nome de Kenji e esperando uma resposta, mas não há nada. Não posso acreditar que já o perdi. Pelo menos, ainda estou invisível, o que significa que ele não pode estar a mais de 15 metros de distância, e os soldados estão muito perto para eu correr qualquer risco agora.
Não posso fazer nada que chamaria a atenção para a minha presença... ou para a presença de Kenji.
Assim, tenho de me forçar a ficar calma.
O problema é que não faço ideia de onde estou. Não tenho ideia de para o quê estou olhando.
Nunca estive em um barco antes, muito menos um navio do exército desta magnitude.
Mas eu tenho de tentar entender meus arredores.
Estou parada no meio do que parece um corredor muito longo, painéis de madeira se estendem pelo chão, pelas paredes e até pelo teto baixo acima da minha cabeça. Há pequenos recuos de metros em metros, onde a parede parece ser escavada.
São portas, eu percebo.
Pergunto-me para onde levam. Para onde tenho de ir.
Botas estão trovejando por perto agora.
Meu coração começa a acelerar e eu tento me empurrar contra a parede, mas o corredor é muito estreito; embora eles não consigam me ver, não há como eu passar por eles. Posso ver um grupo se aproximando agora, posso ouvi-los gritando ordens uns para os outros. A qualquer momento, eles vão bater direto em mim.
Eu recuo o mais rápido que consigo e corro, equilibrando meu peso nos dedos dos pés para minimizar o som o máximo possível. Deslizo e paro. Atinjo a parede atrás de mim. Mais soldados estão correndo pelos corredores agora, claramente alertas para alguma coisa e, por um segundo, sinto meu coração parar. Estou muito preocupada com Kenji.
Porém, enquanto eu continuar invisível, Kenji deve estar por perto, eu acho. Ele deve estar vivo.
Eu me agarro a essa esperança conforme os soldados se aproximam.
Olho para a esquerda. Olho para a direita. Eles estão se aproximando de mim sem nem perceber.
Não faço ideia de para onde eles estão indo — talvez estejam subindo, para o lado de fora —, mas tenho de me mexer, rápido, e não quero avisá-los da minha presença. Ainda não. É muito cedo para tentar derrotá-los. Sei que Alia prometeu que eu conseguiria aguentar uma bala desde que meu poder estivesse ativado, mas a minha última experiência de levar um tiro no peito me deixou traumatizada o bastante para querer evitar essa opção o máximo possível.
Assim, faço a única coisa em que consigo pensar.
Eu pulo para dentro de um dos recuos das portas e planto as mãos contra a moldura interna, segurando-me no lugar, as costas apertadas contra a porta. Por favor por favor por favor, eu penso, por favor, que não tenha ninguém nesta sala. Tudo o que uma pessoa qualquer precisaria fazer seria abrir a porta e eu estaria morta.
Os soldados estão se aproximando.
Eu paro de respirar quando eles passam.
Um dos cotovelos deles roça meu braço.
Meu coração está acelerado, muito acelerado. Assim que eles se vão, eu saio depressa do recuo da porta e corro, percorrendo corredores que só levam a mais corredores. Este lugar é como um labirinto. Não faço ideia de onde estou, nenhuma ideia do que está acontecendo.
Nem uma única pista de onde vou encontrar Anderson.
E os soldados não vão parar de vir. Eles estão por toda a parte, todos juntos e, de repente, nenhum deles, e eu estou virando em esquinas e girando em direções diferentes e estou me esforçando ao máximo para correr mais que eles. Mas, então, eu reparo nas minhas mãos.
Não estou mais invisível.
Seguro um grito.
Pulo para outro corredor, esperando me apertar para fora da vista, mas, agora, estou nervosa e horrorizada, porque não só não sei o que aconteceu com Kenji como não sei o que vai acontecer comigo também. Foi uma ideia tão idiota. Eu sou uma pessoa tão idiota. Não sei no que eu estava pensando.
Achar que eu conseguiria fazer isto.
Botas.
Martelando o chão em direção a mim. Eu me preparo e engulo o medo e tento estar o mais pronta possível. Não há como eles não prestarem atenção em mim agora. Eu puxo minha energia para cima e para dentro de mim, sinto meus ossos tamborilando com o fluxo dela e a emoção do poder queimando pelo meu corpo. Se eu conseguir manter este estado durante todo o tempo em que estiver aqui embaixo, eu devo conseguir me proteger. Eu sei lutar agora. Posso desarmar um homem, roubar sua arma. Eu aprendi a fazer tantas coisas.
Mas ainda estou um tanto apavorada e nunca precisei usar o banheiro tanto quanto preciso neste instante.
Pense, fico dizendo para mim mesma. PenseO que você pode fazerAonde você pode irOnde Anderson estaria escondidoMais para dentroMais para baixoOnde ficaria a maior sala deste navioCom certeza não no andar mais altoPreciso descer. Mas como?
Os soldados estão se aproximando.
Fico me perguntando o que essas salas guardam, a quê esta porta leva. Se for apenas uma sala, então é um caminho sem saída. Mas, se for uma entrada para um espaço maior, então talvez eu tenha uma chance. Mas, se houver alguém aqui, eu definitivamente estarei encrencada. Não sei se devo arriscar.
Um grito.
Um berro.
Um tiro.
Eles me viram.

4 comentários:

  1. Fudeu O.o CORRA JUJU o.O
    tô tão preocupada com o Kenji, espero q ele fique bem *^*

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  2. Tem que fazer uma M.... se não, não seria J. ¬¬

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  3. ta parecendo call of duty misturado com novela mexicana e x-man !
    AMOOOOOOOOOO

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  4. AI mds pq meu Kenji tinha que sumir no momento mais importante, sabia que esperar essa merda de cinco segundos n ia dar certo pra que, Jesus, pra q ?? Tem é ue grudar um no outro até chegar no Anderson, coladinho sem separar, pra dar certo, mas n, agora n sabemos onde Kenjin está e a Juju n tá mais invisivel...

    Pelo amor de Deeeeus Juu, n travaaaaa, vc é forte e poderosa e consegue acabar com esses soldados de merda, pfvvvvvvvv

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Boa leitura :)