6 de janeiro de 2017

67

Kenji agarra meu braço.
Todos os outros vão subir e sair pelo quarto de Warner, mas Kenji e eu vamos sair pelo acesso de trás, sem alertar ninguém sobre nossa presença. Queremos que todos, até mesmo os soldados, pensem que estamos no meio da batalha. Não queremos aparecer e, depois, desaparecer; não queremos que ninguém repare que não estamos lá.
Por isso, ficamos para trás e vemos nossos amigos entrarem no elevador para subir até o andar principal. James ainda está acenando conforme as portas se fecham e o deixam para trás.
Meu coração para por um segundo.
Kenji dá um beijo de despedida em James. É um beijo desagradável e barulhento bem no topo da cabeça dele.
— Cuide de tudo para mim, combinado? — ele fala para James. — Se alguém entrar aqui, eu quero que você encha de porrada.
— Combinado — James responde.
Ele está rindo para fingir que não está chorando.
— Estou falando sério — Kenji continua. — Simplesmente comece a disparar socos neles. Tipo, enlouqueça para cima deles.
Ele faz um movimento de luta estranho com as mãos.
— Fique superdoido — fala. — Combata a loucura com loucura...
— Ninguém vai vir aqui, James — eu digo, lançando um olhar cortante para Kenji. — Você não vai ter que se preocupar em se defender. Você vai estar perfeitamente seguro. E, depois, nós vamos voltar.
— De verdade? — ele pergunta, virando os olhos para mim. — Todos vocês?
Menino esperto.
— Sim — eu minto. — Todos nós vamos voltar.
— Certo — ele sussurra.
Ele morde o lábio trêmulo.
— Boa sorte.
— Não precisa de lágrimas — Kenji diz para ele, envolvendo-o em um abraço violento. — Vamos voltar logo.
James faz que sim com a cabeça.
Kenji se afasta.
E, depois, saímos pela porta da parede das armas.

A primeira parte, eu acho, vai ser a mais difícil. Nossa jornada até o porto será feita toda a pé, porque não podemos correr o risco de roubar veículos. Mesmo que Kenji pudesse tornar o tanque invisível, teríamos de abandoná-lo em sua forma visível, e um tanque a mais e inesperado estacionado no porto seria bandeira demais.
Anderson deve estar com o lugar completamente protegido.
Kenji e eu não conversamos enquanto avançamos. Quando Delalieu nos disse que o Supremo fixaria base no porto, Kenji imediatamente sabia onde era. Assim como Warner e Adam e Castle e praticamente todos, exceto eu.
— Eu passei um tempo em um daqueles navios — Kenji conta. — Pouco tempo apenas. Por causa de mau comportamento.
Ele sorri.
— Sei me virar por ali.
Assim, estou segurando o braço dele e ele está mostrando o caminho.
Nunca houve um dia tão frio, eu acho. Nunca houve mais gelo no ar.

Este navio parece uma pequena cidade; é tão enorme que eu nem consigo ver o fim dele. Nós varremos o perímetro, tentando avaliar exatamente quão difícil será nos infiltrarmos no local.
Extremamente difícil.
Quase impossível.
Essas são as exatas palavras de Kenji.
Mais ou menos.
— Merda — ele fala. — Isto é ridículo. Nunca vi este nível de segurança antes. Isso é que são reforços.
E ele está certo. Há soldados por toda a parte. Na terra. Na estrada. No convés. E estão todos tão fortemente armados que fazem com que eu me sinta idiota com minhas duas armas pequenas e o coldre simples pendurado ao redor dos ombros.
— Então, o que vamos fazer?
Ele fica quieto por um momento.
— Você sabe nadar?
— O quê? Não.
— Merda.
— Não podemos simplesmente pular no oceano, Kenji...
— Bem, não é como se nós pudéssemos voar.
— Talvez possamos lutar contra eles?
— Você está completamente louca? Acha que podemos derrotar 200 soldados? Eu sei que sou um homem muito atraente, J, mas não sou o Bruce Lee.
— Quem é Bruce Lee?
— Quem é Bruce Lee? — Kenji pergunta, horrorizado. — Ai, meu Deus. Nós nem podemos ser mais amigos.
— Por quê? Ele era seu amigo?
— Quer saber? — ele diz. — Apenas pare. Apenas... Eu nem consigo conversar com você agora.
— Então, como vamos fazer para entrar?
— E você acha que eu sei? Como vamos tirar todos aqueles caras do navio?
— Ah — eu ofego. — Ai, meu Deus. Kenji...
Agarro o braço invisível dele.
— É, isso é a minha perna e você está quase, quase lá, princesa.
— Kenji, eu posso empurrá-los para fora — digo, ignorando-o. — Eu posso simplesmente jogá-los na água. Vai funcionar?
Silêncio.
— E então? — pergunto.
— Sua mão ainda está na minha perna.
— Ah.
Eu me afasto depressa.
— E então? O que você acha? Vai funcionar?
— Obviamente — Kenji fala, exasperado. — Faça isso agora, por favor. E depressa.
Assim, eu faço.
Eu recuo e puxo toda a minha energia para cima e para os meus braços.
Poder, controlado.
Braços, posicionados.
Energia, projetada.
Eu mexo meu braço pelo ar como se eu estivesse tirando coisas de cima de uma mesa.
E todos os soldados tombam para a água.
É quase cômico assistir daqui. Como se eles fossem um monte de brinquedos que eu estivesse empurrando para fora da minha escrivaninha. E, agora, eles estão subindo e descendo na água, tentando entender o que acabou de acontecer.
— Vamos — Kenji fala de repente, agarrando meu braço.
Estamos avançando e correndo pelo píer de 30 metros.
— Eles não são idiotas — ele fala. — Alguém vai disparar o alarme e eles vão selar as portas logo. Provavelmente, temos um minuto antes de tudo ser fechado.
Assim, estamos seguindo depressa.
Estamos correndo pelo píer e subindo, chegando ao convés, e Kenji puxa meu braço para me dizer aonde ir. Estamos ficando muito mais cientes do corpo um do outro agora. Eu quase consigo sentir a presença dele a meu lado, embora não possa vê-lo.
— Aqui embaixo — ele grita e eu olho para baixo, vendo o que parece uma abertura estreita e circular com uma escada presa ao lado de dentro. — Vou entrar — ele fala. — Comece a descer daqui a cinco segundos!
Posso ouvir os alarmes já sendo disparados, sirenes choramingando a distância. O navio está firme contra o cais, mas a água a distância se estende para sempre, desaparecendo na borda da terra.
Meus cinco segundos se passaram.
Estou descendo depois dele.

6 comentários:

  1. — Você está completamente louca? Acha que podemos derrotar 200 soldados? Eu sei que sou um homem muito atraente, J, mas não sou o Bruce Lee.
    — Quem é Bruce Lee?
    — Quem é Bruce Lee? — Kenji pergunta, horrorizado. — Ai, meu Deus. Nós nem podemos ser mais amigos.
    — Por quê? Ele era seu amigo?
    — Quer saber? — ele diz. — Apenas pare. Apenas... Eu nem consigo conversar com você agora.
    ri d+

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  2. Mds como assim vc não sabe quem é Bruce Lee??? O.o mano cabou a amizade, o amor, cabou tudo -_- heuheu

    "— É, isso é a minha perna e
    você está quase, quase lá,
    princesa."
    ri pra krl mano, maliciei muito e.e

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  3. Kkkkkkkkkkkkk esse Kenji

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  4. kkkkkkk... Só o Kenji pra me fazer morrer de rir uma hora dessas

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  5. Como assim ela n sabe quem é Bruce Lee?

    Kenji eu sei quem é e sou muito fã...venha ser meu....

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Boa leitura :)