2 de janeiro de 2017

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Mortos mortos mortos por toda parte.
Tantos corpos misturados e entrelaçados na terra que não faço ideia se são dos nossos ou dos deles e estou começando a me perguntar o que isso significa, estou começando a duvidar de mim mesma e desta arma em minha mão e não posso deixar de pensar nesses soldados, penso que podiam ser exatamente como Adam, como milhões de outras almas torturadas e órfãs que simplesmente precisavam sobreviver e pegaram o primeiro emprego que conseguiram.
Minha consciência declarou guerra contra si mesma.
Estou piscando para conter as lágrimas e a chuva e o horror e sei que preciso mexer as pernas, sei que preciso seguir em frente e ser corajosa, tenho de lutar gostando ou não porque não podemos deixar isso acontecer.
Alguém me segura por trás.
Alguém me segura e meu rosto está enterrado no chão e estou chutando, estou tentando gritar, mas sinto a arma ser arrancada da minha mão, sinto um cotovelo na minha coluna e sei que Adam e Kenji se foram, estão envolvidos na batalha, e sei que estou prestes a morrer. Sei que acabou e não parece real, de alguma forma, parece uma história que outra pessoa está contando, como se a morte fosse algo estranho e distante que só vimos acontecer com pessoas que não conhecemos e, com certeza, não acontece comigo, com você, com o restante de nós.
Mas aqui está.
É uma arma na parte de trás da minha cabeça e uma bota apertada contra minhas costas e é minha boca cheia de lama e é um milhão de momentos sem valor que nunca vivi de verdade e está bem na minha frente. Vejo com muita clareza.
Alguém me vira.
A mesma pessoa que segurou uma arma contra a minha cabeça agora a está apontando para o meu rosto, examinando-me como se quisesse me ler, e eu estou confusa, não entendo seus olhos cinzentos e bravos ou a posição dura da sua boca porque ele não está puxando o gatilho. Ele não está me matando e isso, isso mais do que qualquer coisa me deixa petrificada.
Preciso tirar as luvas.
Meu capturador grita algo que não entendo porque não está falando comigo, não está olhando na minha direção porque está chamando outra pessoa, e uso esse momento de distração para arrancar o soco-inglês de aço da minha mão esquerda apenas para jogá-lo no chão. Preciso tirar minha luva. Preciso tirar minha luva porque é a minha única chance de sobreviver, mas a chuva deixou o couro muito molhado e ele está grudando na minha pele, recusando-se a sair com facilidade, e o soldado vira-se de volta rápido demais. Ele vê o que estou tentando fazer e me puxa para ficar em pé, aplica uma chave de braço em mim e aperta a arma contra meu crânio.
— Sei o que você está tentando fazer, sua aberraçãozinha — ele diz. — Ouvi falar de você. Se você se mexer um centímetro sequer, vou matá-la.
De alguma forma, não acredito nele.
Acho que ele não deve atirar em mim porque, se quisesse, já o teria feito.
Porém, ele está esperando alguma coisa. Está esperando alguma coisa que não entendo e preciso agir rápido. Preciso de um plano, mas não faço ideia do que fazer e estou apenas enterrando as unhas no braço coberto dele, no músculo que ele prendeu ao redor do meu pescoço, e ele me balança, grita para que pare de me contorcer e aperta-me mais para impedir-me de respirar, e meus dedos estão agarrados em volta do antebraço dele, tentando lutar contra o aperto de torno que ele tem sobre mim e não consigo respirar e estou em pânico; de repente, não tenho tanta certeza de que ele não vá me matar e nem percebo o que fiz até ouvi-lo gritar.
Eu esmaguei todos os ossos do braço dele.
Ele cai no chão, deixa cair a arma para segurar o braço e está gritando com uma dor tão aguda que quase sou tentada a sentir remorso pelo que fiz.
Em vez disso, corro.
Apenas percorri uns poucos metros até que mais três soldados trombam em mim, alertados pelo que fiz ao colega deles, e eles veem meu rosto e são iluminados pelo reconhecimento. Um deles parece vagamente familiar, quase como se eu tivesse visto seu cabelo castanho e bagunçado antes e percebo: eles me conhecem. Esses soldados me conheceram quando Warner me manteve presa. Warner fez de mim um espetáculo completo. É claro que iriam reconhecer meu rosto.
E não vão me soltar.
Os três estão me empurrando de cara no chão, segurando meus braços e minhas pernas até eu estar certa de que decidiram arrancá-los. Estou tentando resistir, estou tentando colocar minha cabeça no lugar certo para concentrar minha energia e estou prestes a derrubá-los, mas, então...
... uma pancada aguda na minha cabeça e quase fico completamente inconsciente.
Os sons estão se misturando, as vozes estão virando uma grande bagunça de barulhos e não vejo cores, não sei o que está acontecendo comigo porque não sinto mais as pernas. Nem sei se estou andando ou sendo carregada, mas sinto a chuva. Sinto-a cair rápido na superfície do meu rosto até ouvir o som de metal no metal, ouvir um barulho monótono e elétrico bem conhecido e, depois, a chuva para, desaparece do céu e sei apenas duas coisas e apenas uma dela com certeza.
Estou em um tanque.
Vou morrer.

7 comentários:

  1. MDS ALGUÉM SALVA A JUJU O.O

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    1. Que meleca de menina mole, sofre de síndrome da donzela em perigo aff, morre logo sua tonta, pronto falei, essa guria é cansativa, prêmio de pior protagonista.

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    2. Concordo plenamente ... acho que ela precisa ter uma conversa com a Aelin...

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  2. Estou começando me irritar com essa guria... reage criatura!!

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  3. qual parte vcs não leram q ela estar desacordada ?

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  4. Acho que ela terá uma pessoa conversinha

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  5. Ô garota mole... Já estou saturada.

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Boa leitura :)