6 de janeiro de 2017

65

— O que você disse para ele? — eu pergunto assim que as portas do elevador se fecham.
Warner respira fundo. Não diz nada.
— Você não vai me contar?
— Prefiro assim — ele fala, em voz baixa.
Pego a mão dele. Aperto-a.
As portas do elevador se abrem.
— Vai ser estranho para você? — Warner pergunta.
Ele parece surpreso com a própria pergunta, como se não pudesse acreditar que sequer a está fazendo.
— O que vai ser estranho?
— Kent e eu sermos... irmãos.
— Não — respondo para ele. — Eu já sei há algum tempo. Isso não muda nada para mim.
— Isso é bom — ele fala baixinho.
Estou fazendo que sim com a cabeça, confusa.
Nós entramos no quarto. Estamos sentados na cama agora.
— Você não se importaria, então? — Warner pergunta.
Ainda estou confusa.
— Se ele e eu — Warner continua — passarmos um tempo juntos?
— O quê? — eu pergunto, incapaz de esconder minha descrença. — Não — respondo depressa. — Não, é claro que não... Eu acho que seria incrível.
Os olhos de Warner estão na parede.
— Então... você quer passar um tempo com ele?
Estou me esforçando muito para dar espaço a Warner e não quero me intrometer, mas não consigo me controlar.
— Eu gostaria de conhecer meu próprio irmão, sim.
— E o James? — questiono.
Warner ri um pouco.
— Sim. E o James.
— Então você está... feliz com isso?
Ele não responde na hora.
— Não estou infeliz.
Eu subo no colo dele. Aninho seu rosto entre minhas mãos, levantando seu queixo para poder ver seus olhos. Estou com um sorriso idiota.
— Eu acho que isso é maravilhoso — digo a ele.
— Acha? — Ele sorri. — Que interessante.
Eu faço que sim com a cabeça. De novo e de novo. E o beijo uma vez, bem delicadamente.
Warner fecha os olhos. Sorri um pouco, ganhando uma covinha em uma das bochechas. Parece pensativo agora.
— Que estranho isso tudo se tornou.
Eu sinto que posso morrer de felicidade.
Warner me tira do seu colo, deita-me de volta na cama. Arrasta-se até mim, para cima de mim.
— E por que você está tão animada? — ele pergunta, tentando não rir. — Você está praticamente radiante.
— Quero que você seja feliz — digo, meus olhos procurando os olhos dele. — Quero que você tenha uma família. Quero que você seja cercado por pessoas que se importam com você — falo. — Você merece isso.
— Eu a tenho — ele diz, descansando sua testa contra a minha.
Seus olhos se fecham.
— Você deveria ter mais do que eu.
— Não — ele sussurra.
Faz que não com a cabeça. Seu nariz roça no meu.
— Sim.
— E quanto a você? E seus pais? — ele pergunta para mim. — Você um dia quer encontrá-los?
— Não — respondo em voz baixa. — Eles nunca foram pais para mim. Além disso, tenho meus amigos.
— E eu — ele diz.
— Você é meu amigo — falo para ele.
— Mas não o seu melhor amigo. O Kenji é o seu melhor amigo.
Eu me esforço muito para não rir com o ciúme na voz dele.
— Sim, mas você é meu amigo favorito.
Warner se inclina para mim, passa além dos meus lábios.
— Que bom — ele sussurra, beijando meu pescoço. — Agora, vire-se — diz. — De barriga para baixo.
Eu olho para ele.
— Por favor — ele fala.
Sorri.
Eu me viro. Muito devagar.
— O que você vai fazer? — murmuro, virando-me para olhá-lo.
Ele delicadamente baixa meu corpo de novo.
— Eu quero que você saiba — ele começa, puxando o zíper que mantém este traje no lugar — o quanto eu valorizo sua amizade.
As partes de tecido estão se separando e minha pele agora está aberta para os elementos; controlo um tremor.
O zíper para na base da minha coluna.
— Mas eu gostaria que você pensasse de novo no meu título — Warner fala.
Ele deixa um beijo suave no meio das minhas costas. Sobe as mãos pela minha pele e tira as mangas do meu ombro, deixando beijos de novo nas minhas escápulas, na minha nuca.
— Porque a minha amizade — ele sussurra — vem com muito mais benefícios do que Kenji jamais poderia oferecer.
Eu não consigo respirar. Não consigo.
— Não acha? — Warner pergunta.
— Sim — eu respondo rápido demais. — Sim.
E, então, estou me virando, perdida nas sensações e perguntando-me daqui a quanto tempo perderemos estes momentos e perguntando-me quanto tempo vai demorar até os termos de novo.
Eu não sei para onde estamos indo, ele e eu, mas sei que quero chegar lá. Somos horas e minutos tentando alcançar o mesmo segundo, dando as mãos conforme avançamos em giros para novos dias e a promessa de algo melhor.
Porém, apesar do fato de que iremos conhecer o depois e de que já conhecemos o antes, nunca conheceremos o presente. Este momento e o próximo e mesmo o que teria sido imediatamente agora se foram, já se passaram, e tudo o que nos resta são estes corpos cansados, a única prova de que atravessamos o tempo e sobrevivemos a ele.
Terá valido a pena, no final.
Lutar por uma vida inteira disto.

5 comentários:

  1. Essa amizade traz benefícios maravilhosos heuheu e.e

    ResponderExcluir
  2. Cara isso está virando 50 tons de cinza kkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. isso não é nada comparado ao 50 tons de cinza, posso garantir

      Excluir
  3. Amando isso, mas tanta felicidade me assusta pq... Ó, o que vira depois?

    ResponderExcluir
  4. Vô perguntar pro meu crush se ele não quer ser meu "amigo favorito"

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)