6 de janeiro de 2017

63

Todos nós estamos sentados pela sala de novo.
Conversando. Discutindo. Pensando e planejando. James está roncando tranquilo no canto.
Todos nós ficamos presos em algum lugar no meio do caminho entre estarmos animados e estarmos apavorados e, ainda assim, de alguma forma, o que mais temos é a animação. Isto é, no final das contas, o que todos do Ponto Ômega sempre planejaram; eles se juntaram a Castle esperando que a situação um dia chegasse a isto.
Uma chance de derrotar O Restabelecimento.
Todos eles têm treinado para isso. Até mesmo Adam, que de alguma maneira se convenceu a ficar conosco, já foi soldado. Kenji, soldado. Todos no ápice do condicionamento físico. Todos eles são lutadores; até mesmo Alia, cuja casca quieta guarda tanto. Eu não poderia ter pedido um grupo mais sólido.
— Então, quando vocês acham que ele vai chegar aqui? — Ian está perguntando. — Amanhã?
— Talvez — Kenji diz. — Mas não acho que ele vá levar mais de dois dias.
— Pensei que ele estivesse em um navio. No meio do oceano — Lily diz. — Como ele vai conseguir chegar aqui em dois dias?
— Eu acho que não é o tipo de navio que você está pensando — Castle diz para ela. — Imagino que ele esteja em uma embarcação do exército; equipada com pista de pouso. Se ele pedir um jato, vão trazê-lo para nós.
— Uau.
Brendan inclina-se para trás, apoia-se nas mãos.
— Então vai acontecer mesmo? O Supremo Comandante d’O Restabelecimento. Winston e eu nunca o vimos, nenhuma vez, embora os homens dele tenham nos mantido presos.
Ele faz que não com a cabeça. Olha para mim.
— Como é a aparência dele?
— Ele é extremamente bonito — digo.
Lily ri alto.
— Estou falando sério — falo para ela. — É quase doentio o quanto ele é bonito.
— É mesmo?
Winston está me encarando, os olhos arregalados.
Kenji faz que sim com a cabeça.
— Um cara muito bonito.
Lily está olhando admirada.
— E você disse que o nome dele é Anderson? — Alia pergunta.
Eu faço que sim.
— Isso é estranho — Lily observa. — Eu sempre pensei que o último nome do Warner fosse Warner, não Anderson.
Ela pensa por um segundo.
— Então o nome dele é Warner Anderson?
— Não — digo a ela. — Você está certa. Warner é o sobrenome dele... Mas não do pai dele. Ele adotou o sobrenome da mãe — conto. — Ele não queria ser associado ao pai.
Adam bufa.
Todos nós olhamos para ele.
— Então, qual é o nome do Warner? — Ian pergunta. — Você sabe?
Faço que sim com a cabeça.
— E? — Winston questiona. — Você não vai falar para a gente?
— Pergunte para ele você mesmo. Se ele quiser falar para você, tenho certeza de que vai contar.
— É, isso não vai acontecer — Winston diz. — Não vou fazer perguntas pessoais para aquele cara.
Eu tento não rir.
— Então... você sabe o nome do Anderson? — Ian pergunta. — Ou é segredo também? Digo, essa coisa toda é muito estranha, não é? Eles fazerem tanto segredo a respeito dos seus nomes?
— Ah — eu digo, pega de surpresa. — Não tenho certeza. Há muito poder em um nome, eu acho. E, não — respondo, fazendo que não com a cabeça. — Eu na verdade não sei o nome do Anderson.
Nunca perguntei.
— Você não está perdendo nada — Adam diz, irritado. — É um nome idiota.
Ele está olhando para os próprios sapatos.
— O nome dele é Paris.
— Como você sabe disso?
Eu me viro e vejo Warner parado do lado de fora do elevador aberto. O elevador ainda está soltando o apito baixinho, só agora sinalizando a chegada. As portas se fecham atrás de Warner. Ele está encarando Adam em choque.
Adam pisca depressa olhando para Warner e, depois, para nós, claramente sem ter certeza do que fazer.
— Como você sabe disso? — Warner pergunta de novo.
Ele atravessa direto o nosso grupo e agarra Adam pela camisa, mexendo-se tão depressa que Adam não tem tempo de reagir.
Ele o aperta contra a parede.
Eu nunca ouvi Warner levantar a voz dessa forma. Nunca o vi tão bravo.
— A quem você obedece, soldado? — ele grita. — Quem é o seu comandante?
— Eu não sei do que você está falando! — Adam berra de volta.
Ele tenta se soltar e Warner o agarra com os dois punhos, empurrando-o com mais força contra a parede.
Estou começando a entrar em pânico.
— Há quanto tempo você está trabalhando para ele? — Warner grita de novo. — Há quanto tempo você está infiltrado na minha base...
Eu dou um pulo e fico em pé. Kenji está logo atrás de mim.
— Warner — eu digo — por favor, ele não é espião...
— Não tem jeito de ele saber algo assim — Warner fala para mim, ainda olhando para Adam. — A não ser que ele seja membro da Guarda Suprema, e, mesmo assim, seria algo questionável. Um soldado raso nunca teria esse tipo de informação...
— Eu não sou um Soldado Supremo — Adam tenta dizer —, eu juro...
— Mentiroso — Warner dispara, empurrando-o com mais força contra a parede.
A camisa de Adam está começando a se rasgar.
— Por que você foi mandado para cá? Qual é a sua missão? Ele o mandou para me matar?
— Warner — eu o chamo de novo, implorando desta vez, correndo para a frente até eu estar em sua linha de visão. — Por favor... Ele não está trabalhando para o Supremo, eu juro...
— Como você pode saber? — Warner enfim olha para mim, apenas por um segundo. — Eu estou dizendo — ele fala —, é impossível ele saber disso...
— Ele é seu irmão — eu enfim solto. — Por favor. Ele é seu irmão. Vocês têm o mesmo pai.
Warner fica rígido.
Ele se vira para mim.
— O quê? — ele sussurra.
— É verdade — conto a ele, sentindo meu coração se despedaçar ao fazer isso. — E você vai saber que não estou mentindo.
Eu faço que não com a cabeça.
— Ele é seu irmão. Seu pai estava tendo uma vida dupla. Ele abandonou o Adam e o James há muito tempo. Depois de a mãe deles morrer.
Warner larga Adam no chão.
— Não — Warner diz.
Ele nem está piscando. Apenas encarando. As mãos tremendo.
Eu me viro para olhar para Adam, os olhos tensos de emoção.
— Fale para ele — eu digo, desesperada agora. — Conte a verdade para ele.
Adam não diz nada.
— Droga, Adam, conte para ele!
— Você sabia, este tempo todo? — Warner pergunta, virando-se para me olhar. — Você sabia disso e ainda assim não disse nada?
— Eu queria... Eu queria muito, mesmo, mas não achei que deveria me envolver...
— Não — ele fala, interrompendo-me.
Ele está fazendo que não com a cabeça.
— Não, isto não faz nenhum sentido. Como... Como pode ser possível?
Ele levanta o olhar, olha ao redor.
— Isso não...
Ele para.
Olha para Adam.
— Conte a verdade para mim — diz.
Caminha até Adam de novo, parecendo que talvez vá sacudi-lo.
— Conte para mim! Eu tenho o direito de saber!
E cada momento do mundo cai morto agora, porque eles acordaram e perceberam que nunca seriam tão importantes quanto agora.
— É verdade — Adam afirma.
Duas palavras para mudar o mundo.
Warner dá um passo para trás, a mão parada no ar. Ele está esfregando os olhos, a testa, descendo a mão pela boca, pelo pescoço. Ele está com a respiração muito acelerada.
— Como? — ele enfim pergunta.
E então.
E então.
A verdade.
Pouco a pouco. É tirada de Adam. Uma palavra por vez. E o restante de nós está observando, e James ainda está dormindo, e eu fico quieta enquanto estes dois irmãos têm a conversa mais difícil a que eu já tive de assistir.

3 comentários:

  1. Eu sabia que ia dar merda eu falei mas ela sonsa d+ pra para de ficar omitindo as coisas ~(°-°~)

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  2. Aish q coisa difícil, mas finalmente o mozão sabe da verdade U.u

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  3. Finalmente, mas eu acho que depois dessa o Warner vai ficar muito chateado c/a Juju, aliás meu bem vc já devia ter aprendido que não é bom e muito menos inteligente esconder as coisas

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Boa leitura :)