26 de janeiro de 2017

Capítulo 6

O tempo se arrastava. Cada minuto que passava parecia ser meia hora. Jenny tinha um relógio de água em sua cozinha e ela olhava para ele constantemente. O nível parecia continuar inalterado por alguns minutos por um tempo, e uma vez, ela se levantou para se certificar de que a água estava pingando livremente a partir do vaso superior para o inferior.
Mal havia passado das cinco e quinze e Gilan não viria até as seis. De alguma forma, ela pensou, tinha que impedi-lo de caminhar para a armadilha que Tomas e Mound preparariam para ele. Apesar de hábil como Gilan era, ele teria pouca chance de evitar a sua emboscada.
Ela olhou para a porta. Os ladrões haviam discutido seu plano. Dez minutos antes do marcado para Gilan chegar, eles colocariam Jenny, amarrada e amordaçada, em uma cadeira de frente para a porta. Mound iria ficar ao lado na porta, enquanto Tomas e Nuttal se esconderiam na sala ao lado. Quando Gilan abrisse a porta, ele iria imediatamente ver Jenny. Seu primeiro instinto seria apressar-se para libertá-la e quando o fizesse, Mound o atingiria de seu esconderijo atrás da porta aberta. Ele tinha um porrete pesado – de madeira dura com pregos de ferro presos na ponta sem corte. Um golpe iria esmagar o crânio de Gilan, Jenny sabia. Em seguida, Tomas e Nuttal iriam terminar o trabalho com suas adagas.
Em sua mente, ela podia ver Gilan de bruços no chão, o sangue escorrendo de sua cabeça e de seu corpo sem vida. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela balançou a cabeça para dissipar a visão.
Então foi surpreendida com raiva quando olhou para os três homens. Mound e Tomas estavam jogando um jogo de dados na mesa da cozinha, brigando de tempo em tempos sobre as pontuações. Tomas era um perdedor particularmente ruim, pensou.
Então a raiva lentamente deu lugar ao ódio, enquanto observava o homem barbudo, ouvindo a sua ostentação, quando ele ganhava uma mão e as suas queixas e lamentações quando ele perdia.
Mound ficou em silêncio. Ele era o verdadeiro perigo dos três, ela pensou. Era grande e musculoso. E parecia um tipo que permaneceria para acalmar em uma crise. Tomas era um intimidador autocentrado e Nuttal era um covarde lamuriento. Mas Mound era quem vigiava. Se ela pudesse encontrar uma maneira de detê-lo, teria boas chances para salvar a vida de Gilan.
E a dela. Ela percebeu o fato com um estremecimento. Sua própria vida estava em perigo, tanto quanto a de Gilan. Ela tinha percebido mais cedo que os três homens não iriam deixá-la ir quando tivessem ido. No entanto, de alguma forma, ela pôde enfrentar o pensamento de seu próprio destino com muito mais facilidade do que de Gilan.
Seu olhar voltou para Mound. Poderoso. Pensativo. Imperturbável. Como ela poderia detê-lo? Ela sabia que não podia esperar muito mais tempo. Logo eles iriam amarrá-la e colocá-la na cadeira em frente à porta. Ela olhou para o relógio. Mais um minuto passou quando ela ouviu um plop! Ondulações se espalham pela superfície da água no cilindro inferior e ela olhou de relance para a escala. Eram quase cinco e meia.
Ela olhou de volta para Mound. Ele estava sentado próximo ao forno, onde o pernil chiava quietamente no interior. Pela primeira vez em uma hora, ela tornou-se consciente do cheiro de dar água na boca do cordeiro assado. Ela olhou para o banco da cozinha ao lado do forno. Sua pesada colher estava ali, a mesma que ela tinha usado para mexer a massa da torta de ameixa arruinada. Alguns centímetros além, estava o seu conjunto de facas, cada uma delas bem afiadas. Se ela pudesse pôr as mãos em uma delas, pensou, podia mostrar a esses bandidos uma coisa ou duas. Mas ela sabia que eles nunca iriam deixá-la chegar perto das facas.
A colher era outra questão. Ela e a frigideira de ferro pesado estavam pendurados em um gancho na parede. Se ela pudesse apenas encontrar uma maneira de distrair a atenção dos ladrões por alguns segundos...
Ela não pensou no fato de que estava planejando lidar com três criminosos armados com nada mais do que um par de utensílios de cozinha. O instinto de proteção de Jenny havia sido despertado. Se ela não fizesse algo, Gilan morreria.
Ela percebeu que nunca poderia viver com isso. Depois, com outro choque, percebeu que não iria viver com isso.
Plop! Outra gota de água. Outros trinta segundos desapareceram.
— Qualquer sinal dele? — Tomas perguntou, olhando para cima a partir do jogo de dados desconexo.
Nuttal andou para a janela da cozinha, abriu uma fresta a cortina e olhou para a rua escura.
— Nada — disse ele, deixando a cortina cair novamente.
Jenny prendeu a respiração, desejando que ele se afastasse da janela sobre a bancada da cozinha. Uma ideia foi formada em sua mente, mas se todos eles estivessem agrupados perto do forno e do banco, sua tarefa seria mais difícil. Ela soltou a respiração quando Nuttal retornou para o seu lugar através da cozinha, sentado e olhando sem rumo no espaço.
Hora de agir, pensou.
— O cordeiro está pronto — ela falou.
Todos os três olharam para ela. Ela tinha ficado em silêncio durante os últimos vinte minutos e por um momento, nenhum deles sabia do que a cozinheira estava falando. Ela fez um gesto para o forno.
— Há um pernil de cordeiro assado. Eu deveria tirá-lo ou ele vai ficar queimado e seco.
— O que nos preocupa isso? — Nuttal indagou em sua voz chorosa.
Mound olhou para ele.
— Eu me preocupo com isso. Estou com fome e nós precisamos de comida para a estrada. Uma perna de cordeiro assado cairia muito bem, eu acho.
— Oh — disse Nuttal, parecendo um tanto cabisbaixo. — É. Acho que sim.
Jenny olhou para Tomas.
— O que você acha? Se eu não tirar agora, vai ficar horrível.
Na verdade, ela sabia que o cordeiro poderia facilmente ficar mais uns trinta minutos assando lentamente. Mas esses três não sabiam disso.
Tomas zombou dela.
— Horrível como você deixou a torta de ameixa? — Disse. Então ele fez um gesto em direção ao forno. — Sim. Vá em frente se você quiser.
Ela se levantou, pegou um pano e abriu a porta do forno. O aroma rico do cordeiro encheu a sala. Tinha um conjunto de pinças de madeira no banco e ela casualmente apanhou-os, os mantendo prontos debaixo do braço enquanto alcançava o assado, com as mãos protegidas do calor pelo pano de cozinha enquanto pegava a grande panela de ferro de assar com o escaldante pernil de cordeiro marrom nela.
Mound virou para ver enquanto ela tirava o cordeiro do forno. A gordura chiou e pulou e ele, inconscientemente, passou a língua nos lábios. Ele não tinha comido durante todo o dia, percebeu.
Tomas, sobre a mesa, observava com igual interesse e apetite. Enquanto Jenny endireitou-se, segurando a panela de assar de ferro pesada, ela tramou ao deixar as pinças de madeira caírem debaixo do braço. Elas bateram no chão e ela fingiu um momento de confusão.
— Oh! Droga! — ela exclamou.
Ela começou a se inclinar como se para recuperá-los, então pareceu perceber que ainda estava sobrecarregada com a assadeira. Ela hesitou incerta. Como ela esperava, Mound se levantou da cadeira e aproximou-se dela. Ele começou a se inclinar para pegar as pinças, mas ela parou, pisando em direção a ele.
— Eu vou pegá-la — disse ela. — Segure a panela um segundo.
Ela empurrou a panela de ferro em direção a ele, e sem pensar, ele a pegou com as duas mãos. Era uma reação natural. Houve uma pausa de um segundo antes de ele registrar o fato de que a panela estava quente e o ferro da panela ardente queimou a carne de ambas as suas mãos. Ele gritou em agonia e recuou, deixando cair a panela e enfiando as mãos em suas axilas para tentar aliviar a agonia e tentar diminuir o ardor das queimaduras. Ele se chocou contra a mesa, mandando-a na direção de Tomas, que estava começando a levantar.
Ignorando a panela no chão, Jenny chegou por trás e agarrou a pesada colher do banco. Mound, com ambas as mãos enfiadas em suas axilas, estava completamente vulnerável quando ela avançou e bateu com a parte pesada de madeira ao lado de sua cabeça.
Crack!
Mound olhou para ela, seus olhos vidrados com o golpe.
— Você... — ele começou, mas ela balançou o utensílio novamente, batendo-o contra o outro lado da sua cabeça desta vez.
Crack!
Seus olhos rolaram e ele caiu no chão, inconsciente. Mas ela sentiu uma pontada de pânico invadi-la quando a ponta virou-se durante o segundo impacto, jogando a extremidade pesada de madeira girando para longe através do cômodo e deixando-a desarmada. Tomas veio ao redor da mesa, a adaga desembainhada na altura da cintura. Ela viu a fúria em seus olhos e percebeu que ele iria matá-la se ela não agisse. O banco, com suas facas e a frigideira pesada, estava fora de alcance. Mas havia outra arma em potencial em seus pés.
Ela inclinou-se rapidamente, no mesmo momento que Tomas avançou. O punhal passou um pouco acima dela quando tinha abaixado inesperadamente. Então Tomas, passando por cima do corpo inconsciente Mound, pisou em uma poça de gordura do cordeiro e seus pés derraparam. Enquanto lutava para recuperar seu equilíbrio, Jenny teve tempo para pegar a ponta do pesado pernil de cordeiro. Ela bateu-a no chão às cegas, com toda sua força.
Tomas foi pego com as pernas bem separadas e o pernil de cordeiro bateu entre elas. Seus olhos se arregalaram de surpresa com o choque repentino de dor, o ar foi expulso de seu corpo em um explosivo woof.
O punhal caiu de sua mão. Jenny, ainda segurando o pernil de cordeiro pesado com ambas as mãos, ajeitou e girou em um círculo completo para ganhar impulso, em seguida, bateu a extremidade mais grossa do assado na mandíbula de Tomas. O impacto da carne fez um baque no ladrão barbudo, seu rosto lambuzado com gordura quente e molho, deslizando estatelado sobre a mesa da cozinha. Ele foi parar do outro lado, derrubou uma cadeira e bateu no chão, desmaiado.
Tudo tinha acontecido no espaço de poucos segundos. Nuttal, com sua habitual incapacidade de reagir rapidamente a uma situação, ficou parado na cozinha de olhos arregalados, olhando para Jenny e para seus dois companheiros inconscientes. Então, sua própria mão caiu em seu punhal e ele começou a caminhar em sua direção, resmungando uma maldição.
Somente pôde parar e abaixar rapidamente quando ela atirou o pernil de cordeiro girando por toda a sala em sua direção. Ele sentiu passar acima de sua cabeça, em seguida, ficou de pé novamente e viu que o seu atraso havia dado tempo para a jovem alcançar uma prateleira de facas. Ele deu um passo para trás quando a primeira faca, uma lâmina de entalhar pesada, seguiu a perna de cordeiro, captando a luz enquanto girava em direção a ele.
Com um relincho agudo de susto, ele abaixou-se novamente, apenas para perceber que uma faca de legumes menor, mas igualmente forte veio após a primeira. Esta ricocheteou na parede atrás dele e, quando ele girou de volta, acertou a sua orelha. Sangue escorria de seu pescoço.
Um garfo de dois dentes afiados seguiu em rápida sucessão. Este atingiu com a ponta na parede e ficou preso lá, vibrando intensamente. Nuttal olhou para o utensílio, e sua determinação enfraqueceu por um segundo. Ele olhou para Jenny, viu que ela tinha uma machadinha pesada na mão e estava afastando para trás para jogá-la. E havia ainda mais quatro facas na prateleira.
Ele correu para a porta na hora certa. A machadinha zumbiu girando e bateu na parede ao lado do garfo de dois dentes, exatamente onde ele tinha estado em pé. Ela vibrou com um tom muito mais sinistro. Choramingando de medo mais uma vez, ele abriu a porta da frente e correu para fora.
Diretamente sobre Gilan, que estava subindo o caminho do portão da frente. Nuttal recuperou-se, em seguida, atirou-se no arqueiro, sua adaga movendo-se para uma estocada mortal.
Como todos os arqueiros, Gilan tinha reflexos soberbos. Ele não tinha ideia de quem o agressor poderia ser, mas reagiu instantaneamente. Ele estendeu o braço direito sobre seu corpo para desviar a mão que segurava o punhal e, no mesmo movimento, girou o pé direito e direcionou a palma aberta da sua mão esquerda até colidir com a mandíbula de Nuttal. A cabeça de Nuttal sacudiu para trás. Seus calcanhares deixaram o chão alguns centímetros e depois ele caiu sobre os degraus da frente da casa, no frio. Gilan não lhe deu atenção. Ele saltou os três degraus baixos para a casa de Jenny.
O arqueiro percebeu que a bela menina loira que significa muito para ele estava em perigo. A porta estava aberta alguns centímetros e ele empurrou-o de lado e pulou no meio da cozinha, a pesada faca de caça apareceu em sua mão como se por magia.
Agachou-se, os olhos correndo de um lado para outro, em busca de perigo.
E viu Jenny perto da mesa da cozinha, o rosto entre as mãos, chorando. Aos pés dela estavam as formas imóveis de dois homens. Um grande e pesado, o outro um pouco menor e de barba negra. Ambos estavam mortos ou inconscientes, Gilan viu. De qualquer forma, não ofereciam qualquer ameaça para ele ou Jenny. Ele embainhou a faca de caça.
— Jenny?
Ela olhou para cima e o viu, em seguida, correu toda a sala para seus braços. Ele a segurou junto dele, curtindo a sensação, sentindo o aroma fresco de seu cabelo e pele. Ela chorou copiosamente, grandes soluços que fizeram seu corpo inteiro tremer.
— Tudo bem, tudo bem — ele disse, acariciando seus cabelos suavemente enquanto a segurava. — Está tudo bem agora.
Ela afastou-se em seu abraço para olhá-lo. O rosto de Jenny estava riscado com lágrimas, os olhos azuis avermelhados. Pensou que ela nunca pareceu tão bonita.
— Você não deveria estar aqui até as seis — disse ela.
— Eu terminei cedo no castelo e vim direto para cá. E estou feliz que o fiz.
— Eu também — ela concordou e escondeu o rosto contra seu pescoço, mais uma vez.
Novamente, ele acariciou seus cabelos com ternura.
— Vamos, meu doce — disse ele. — Não há mais necessidade de ter medo.
Mais uma vez, ela recostou-se em seu abraço.
— Eu não estou com medo. Eu estou furiosa.
— O que aconteceu aqui? — ele perguntou, em seguida, somou dois mais dois. — São estes os homens que roubaram o joalheiro? Você os pegou?
Ela assentiu com a cabeça, fungando.
— Eu tinha planejado um belo jantar para dois e, em seguida, estes três invadiram o local — Jenny contou. — Eles arruinaram a sua torta de ameixa — indicou com pena os restos de recheio de ameixa, que já haviam sidos esmagados e pisoteados nas tábuas do piso várias vezes. — E então eles arruinaram o pernil de cordeiro também.
Gilan olhou interrogativamente para os dois homens inconscientes. O barbudo estava deitado em posição fetal, gemendo fracamente. Manchas de gordura de cordeiro tinham congelado em sua barba e seu nariz tinha sido esmagado em todos os lados, desalinhado.
— Então, ficaram com nosso jantar? — Gilan perguntou.
Jenny fungou, limpando o nariz com as costas da mão.
— É isso mesmo.
— Bem, eu não acho que eles gostaram.

6 comentários:

  1. Achei um errinho nesse também. :D
    "Girou o pé direta (direito)."

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    1. Deuses, tem erros pra caramba, né? Essa série precisa ser revisada... estou corrigindo tudo o que você falou, obrigada :)

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  2. Amei a frase no final de Gilan! kkkkkkkkkkkk
    Ass: Bina.

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  3. Eu quero casar com ele também.
    Ass: Lua

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  4. cansei de :tem um errinho...a por favor o que mais importa é a história e uma letra errada não vai mudar a história. ...

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Boa leitura :)