2 de janeiro de 2017

61

Adam me acompanha até meu quarto.
As luzes estão apagadas há cerca de uma hora e, com exceção das fracas luzes de emergência que brilham a poucos metros umas das outras, tudo está, literalmente, apagado. É escuridão absoluta e, ainda assim, os guardas em patrulha conseguem nos ver apenas para nos avisar que devemos ir direto para nossos alojamentos separados.
Adam e eu não conversamos muito até chegarmos à entrada da ala das mulheres. Há muita tensão, muitas preocupações não ditas entre nós. Muitos pensamentos sobre hoje e amanhã e as muitas semanas que já passamos juntos. Muito que não sabemos sobre o que já está acontecendo conosco e o que nos acontecerá eventualmente. Simplesmente olhar para ele, estar tão perto e tão longe dele... é doloroso.
Quero, desesperadamente, acabar com a distância entre nossos corpos. Quero contrair meus lábios contra todas as partes dele e quero saborear o aroma da sua pele, a força dos seus braços e das suas pernas, do seu coração. Quero me enrolar no calor e na tranquilidade com os quais passei a contar.
Mas.
Por outro lado, passei a entender que ficar longe dele forçou-me a contar comigo mesma. Permitir-me ficar com medo e encontrar meu próprio caminho para enfrentá-lo. Tive de treinar sem ele, lutar sem ele, enfrentar Warner e Anderson e o caos da minha cabeça sem tê-lo ao meu lado. E sinto-me diferente agora. Sinto-me mais forte desde que coloquei um espaço entre nós.
E não sei o que isso significa.
Tudo que sei é que, para mim, nunca será seguro contar com outra pessoa de novo, precisar ser constantemente tranquilizada quanto à pessoa que sou e quem poderei ser um dia. Eu o amo, mas não posso depender dele para ser meu suporte. Não posso ser eu mesma se precisar o tempo todo de alguém para me manter inteira.
Minha cabeça é uma bagunça. Todo santo dia, fico confusa, incerta, preocupada se vou cometer um novo erro, preocupada se vou perder o controle, preocupada se vou me perder. Porém, é algo que tenho de trabalhar. Porque, pelo restante da minha vida, sempre, sempre serei mais forte que todos ao meu redor.
No entanto, pelo menos nunca mais precisarei ter medo.
— Você vai ficar bem? — Adam pergunta, enfim dissipando o silêncio entre nós.
Levanto o olhar para descobrir que seus olhos estão preocupados, tentando me ler.
— Sim — respondo a ele. — Sim. Vou ficar bem.
Ofereço-lhe um sorriso tenso, mas parece errado ficar assim tão perto dele sem poder tocá-lo nem um pouco.
Adam concorda balançando a cabeça. Hesita. Diz:
— Foi uma noite dos infernos.
— E será um dia dos infernos amanhã também — sussurro.
— Sim — ele diz, em voz baixa, ainda olhando para mim como se tentasse encontrar alguma coisa, como se procurasse uma resposta a uma pergunta não dita, e pergunto-me se ele vê algo diferente em meus olhos agora.
Ele abre um sorriso pequeno. Diz:
— Acho melhor eu ir.
E faz um gesto com a cabeça na direção de James, embrulhado em seus braços.
Eu faço que sim com a cabeça, sem saber ao certo o que mais fazer. O que dizer.
Tanta coisa está incerta.
— Vamos sair desta situação — Adam afirma, respondendo aos meus pensamentos silenciosos. — De toda ela. Vamos ficar bem. E Kenji vai ficar bem.
Ele toca no meu ombro, permite que seus dedos desçam para meu braço e para logo antes da minha mão nua.
Fecho os olhos, tento aproveitar o momento.
E, então, os dedos dele roçam minha pele e meus olhos se abrem de repente, meu coração acelerado no peito.
Ele está olhando para mim como se pudesse ter feito muito mais do que tocar minha mão se não estivesse segurando James contra seu peito.
— Adam...
— Vou encontrar uma maneira — ele diz para mim. — Vou encontrar uma maneira de isto dar certo. Prometo. Preciso apenas de um pouco de tempo.
Tenho medo de falar. Medo do que posso dizer, do que posso fazer; medo da esperança que se expande dentro de mim.
— Boa noite — ele sussurra.
— Boa noite — respondo.
Estou começando a achar que a esperança é algo perigoso e aterrorizante.

4 comentários:

  1. Kenji Kishimoto... Kishimoto... Sim, sim. Agora lembro pq esse nome me era familiar. Kishimoto é o sobremome do autor de Naruto: Kishimoto Masashi. Qualquer semelhança, é mera coincidência!

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    1. Conheço uns cinco Kenjis dois primos e três amigos hauehaueaheu

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  2. Amo o Kenji ainda mais dps q li o sobrenome dele, Kishimoto é o autor do meu anime favorito, Naruto <3 sou uma otaku com muito orgulho *-*

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  3. :0 Naruto é meu anime favorito também <3 Otome com orgulho *-*

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