6 de janeiro de 2017

59

Estou sentada na borda da cama, cotovelos apoiados nos joelhos, rosto baixado para as mãos.
— Você está bem? — ele pergunta para mim.
Ergo o olhar. Levanto-me. Faço que não com a cabeça.
— Respire, querida.
Ele para em frente a mim, desliza a mão em volta do meu rosto. Seus olhos estão brilhantes, intensos, firmes e cheios de confiança. Em mim.
— Você é magnífica. Você é extraordinária.
Eu tento rir e sai completamente errado.
Warner inclina sua testa contra a minha.
— Não há nada a temer. Não há nada com que se preocupar. Não se aflija com nada neste mundo transitório — ele fala suavemente.
Eu me inclino para trás, uma pergunta em meus olhos.
— É a única maneira como eu sei existir — ele fala. — Em um mundo onde há tanto com que se afligir e tão poucas coisas boas a aproveitar? Eu não me aflijo com nada. Eu aproveito tudo.
Eu olho nos olhos dele pelo que parece uma eternidade.
Ele se inclina para a minha orelha. Baixa a voz.
— Quero que você me incendeie, meu amor.

Warner convocou uma assembleia.
Ele diz que é um procedimento bem rotineiro, em que os soldados devem usar um uniforme preto padrão.
— E eles estarão desarmados — Warner diz para mim.
Kenji e Castle e todos os outros virão assistir, sob os cuidados da invisibilidade de Kenji, mas sou a única que vai falar hoje. Eu disse a eles que queria liderar. Eu disse a eles que estava disposta a correr o primeiro risco.
Assim, aqui estou.
Warner me acompanha para fora de seu quarto.
Os corredores estão abandonados. Os soldados que patrulham os aposentos dele se foram, já reunidos e esperando a sua presença. Estou apenas começando a compreender a realidade do que estou prestes a fazer.
Porque, independentemente do resultado de hoje, estou me expondo. É uma mensagem minha para Anderson. Uma mensagem que sei que ele vai receber.
Estou viva.
Vou usar seus próprios exércitos para assombrá-lo.
E vou matá-lo.
Algo nesta ideia me deixa absurdamente feliz.
Nós entramos no elevador e Warner pega minha mão. Eu aperto os dedos dele. Ele sorri olhando direto para a frente. E, de repente, estamos saindo do elevador e passando por outra porta e indo diretamente para o pátio aberto no qual eu só estive uma vez antes.
Que estranho, eu penso, voltar a este terraço não como prisioneira. Sem medo mais. E me agarrando com força à mão do mesmo menino loiro que me trouxe para cá antes.
Como este mundo é estranho.
Warner hesita antes de caminhar para ficar à vista. Ele olha para mim em busca de confirmação.
Eu faço que sim com a cabeça. Ele solta minha mão.
Damos um passo para a frente juntos.

5 comentários:

  1. "Ele se inclina para a minha
    orelha. Baixa a voz.
    — Quero que você me
    incendeie, meu amor."

    WUOOOOUUUUUUU MANOO, ELE DISSE ISSO PRA ELA, MAS QUEM SE ARREPIOU TODA FOI EU e.e

    PELO MEU JUÍZO, PELO BEM DO POVO, POR MAIS MOMENTOS JULINER, PELO SOGRÃO MORTO, E PELA JUJU COMO COMANDANTE SUPREMA, EU VOTO SIM!!!!
    ARRASA NO DISCURSO GATA <3333333

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Boa leitura :)