6 de janeiro de 2017

56

Warner passou a manhã toda dormindo.
Ele não acordou para se exercitar. Não acordou para tomar banho. Não acordou para fazer nada.
Ele simplesmente está deitado aqui, de bruços, os braços envolvendo um travesseiro.
Eu estou acordada desde as 8 horas e estou olhando para ele há duas horas.
Ele costuma acordar às 5h30. Às vezes, mais cedo.
Eu estou preocupada por ele poder ter perdido muitas coisas importantes até agora. Não faço ideia se ele tem reuniões ou lugares específicos para visitar hoje. Eu não sei se ele estragou por completo sua programação por estar dormindo até tão tarde. Não sei se alguém virá ver como ele está. Não faço ideia.
Eu sei que não quero acordá-lo.
Ficamos acordados até muito tarde na noite anterior.
Passo os dedos descendo pelas costas dele, ainda confusa com a palavra INCENDIAR tatuada na sua pele e viro meus olhos para ver suas cicatrizes como algo além dos aterrorizantes maus-tratos que ele sofreu a vida toda. Não consigo lidar com a verdade horrível delas. Enrolo meu corpo em volta do dele, descanso o rosto contra suas costas, meus braços apertados na lateral de seu corpo.
Deixo um beijo em sua coluna. Posso senti-lo respirando, para dentro e para fora, muito regular.
Muito firme.
Warner se mexe, apenas um pouco.
Eu me sento.
Ele se vira devagar, ainda meio adormecido. Usa a parte de trás de um punho para esfregar os olhos. Pisca várias vezes. E, então, ele me vê.
Sorri.
É um sorriso sonolento, sonolento.
Não posso deixar de sorrir de volta. Sinto que fui rasgada e aberta, e colocaram raios de sol dentro de mim. Nunca vi um Warner sonolento antes. Nunca acordei em seus braços. Nunca o vi ser nada além de desperto e alerta e rápido.
Ele parece quase preguiçoso agora.
É adorável.
— Venha aqui — ele diz, estendendo os braços para mim.
Eu me arrasto até seus braços e me agarro, e ele me aperta com força contra seu corpo. Deixa um beijo no topo da minha cabeça. Sussurra:
— Bom dia, querida.
— Eu gosto disso — falo em voz baixa, sorrindo, embora ele não consiga ver. — Gosto de quando você me chama de querida.
Ele então ri, os ombros chacoalhando com isso. Vira-se para cima, os braços abertos para os lados.
Meu Deus, ele é tão bonito sem as roupas.
— Eu nunca dormi tão bem na vida toda — ele diz com suavidade.
Sorri, os olhos ainda fechados. Covinhas nas duas bochechas.
— Eu me sinto tão estranho.
— Você dormiu por muito tempo — digo a ele, enlaçando seus dedos nos meus.
Me espia com um olho.
— Dormi?
Eu faço que sim com a cabeça.
— É tarde. Já são 10h30.
Ele fica tenso.
— Mesmo?
Faço que sim de novo.
— Eu não queria acordá-lo.
Ele suspira.
— Temo que eu tenha que ir então. O Delalieu provavelmente teve um aneurisma.
Uma pausa.
— Aaron — eu falo, hesitante. — Quem é o Delalieu exatamente? Por que ele é tão merecedor de tudo isso?
Uma respiração profunda.
— Eu o conheço há muitos, muitos anos.
— Isso é tudo? — pergunto, inclinando-me para trás para olhá-lo nos olhos. — Ele sabe muito sobre nós e o que estamos fazendo e isso me preocupa às vezes. Achei que você tivesse dito que todos os seus soldados o odeiam. Você não devia ficar desconfiado? Confiar menos nele?
— Sim — ele fala em voz baixa —, seria de se esperar.
— Mas você não faz isso.
Warner me olha nos olhos. Suaviza a voz.
— Ele é o pai da minha mãe, amor.
Eu fico rígida por um instante, recuando depressa.
— O quê?
Warner olha para o teto.
— Ele é seu avô?
Estou sentada bem ereta na cama agora.
Warner faz que sim com a cabeça.
— Há quanto tempo você sabe?
Não sei como ficar calma a respeito disso.
— A vida toda.
Warner encolhe os ombros.
— Ele sempre esteve por perto. Conheço o rosto dele desde que eu era criança; eu costumava vê-lo pela nossa casa, participando de reuniões para O Restabelecimento, todas organizadas pelo meu pai.
Estou tão pasma que mal sei o que dizer.
— Mas... você o trata como se ele fosse...
— Meu tenente?
Warner alonga o pescoço.
— Bem, ele é.
— Mas ele é da sua família...
— Ele foi designado para este setor pelo meu pai, e eu não tinha razão para acreditar que ele fosse diferente do homem que me deu metade do meu DNA. Ele nunca foi visitar minha mãe. Nunca pergunta sobre ela. Nunca mostrou nenhum interesse nela. Delalieu levou 19 anos para conquistar minha confiança, e eu me permiti essa fraqueza há pouco tempo porque pude sentir a sinceridade dele com consistência ao longo dos anos.
Warner faz uma pausa.
— E, embora nós tenhamos chegado a certo nível de familiaridade, ele nunca reconheceu, nem reconhecerá, a nossa biologia compartilhada.
— Mas por que não?
— Porque ele não é mais meu avô do que eu sou filho do meu pai.
Eu encaro Warner por muito tempo antes de perceber que não há motivo para continuar esta conversa. Porque eu acho que entendo. Ele e Delalieu não têm nada além de um tipo estranho e formal de respeito um pelo outro. E as pessoas serem ligadas pelo sangue não é o suficiente para fazer uma família.
Eu sei bem.
— Então, você tem que ir agora? — eu sussurro, arrependida de ter puxado o assunto sobre Delalieu.
— Ainda não.
Ele sorri. Toca a minha bochecha.
Nós dois ficamos quietos por um momento.
— No que você está pensando? — pergunto.
Ele se inclina, me beija com muita suavidade. Faz que não com a cabeça.
Encosto a ponta do meu dedo nos lábios dele.
— Há segredos aqui — digo. — Quero que eles saiam.
Ele tenta morder meu dedo.
Eu o puxo de volta.
— Por que o seu cheiro é tão gostoso? — ele fala, ainda sorrindo enquanto evita minha pergunta. Ele se inclina de novo, deixa beijos leves pela linha do meu maxilar, sob meu queixo. — Está me deixando louco.
— Eu tenho roubado os seus sabonetes — conto a ele.
Ele ergue uma sobrancelha para mim.
— Desculpe.
Eu me sinto corar.
— Não se sinta mal — ele diz, de repente muito sério. — Você pode ter qualquer coisa minha que quiser. Você pode ter tudo.
Sou pega de surpresa, muito tocada pela sinceridade na voz dele.
— É mesmo? — pergunto. — Porque eu realmente amo aquele sabonete.
Ele então sorri para mim. Seus olhos estão maliciosos.
— O que foi?
Ele faz que não com a cabeça. Afasta-se. Desliza para fora da cama.
— Aaron...
— Eu já volto — ele fala.
Eu o vejo entrar no banheiro. Ouço o som de uma torneira, o fluxo de água enchendo uma banheira.
Meu coração começa a acelerar.
Ele volta para o quarto e eu estou agarrada aos lençóis, já protestando contra o que eu acho que ele está prestes a fazer.
Ele puxa uma coberta. Tomba a cabeça para mim.
— Solte, por favor.
— Não.
— Por que não?
— O que você vai fazer? — pergunto.
— Nada.
— Mentiroso.
— Está tudo bem, amor. — Seus olhos estão me provocando. — Não fique com vergonha.
— Está muito claro aqui. Apague as luzes.
Ele ri alto. Puxa os cobertores para fora da cama.
Eu seguro um grito.
— Aaron...
— Você é perfeita — ele diz. — Cada centímetro seu. Perfeita — repete. — Não se esconda de mim.
— Eu retiro o que disse — falo, em pânico, agarrando um travesseiro ao meu corpo. — Não quero seu sabonete... Eu retiro o que eu disse...
Mas ele então arranca o travesseiro dos meus braços, me pega no colo e me leva.

11 comentários:

  1. Casal mais estranho e fofo *0*

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  2. Genteeeee, eles são muito fofos💜

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  3. Gente. Mortaaaaaa com essa do Delalieu. É por isso qe ele sempre pareceu o único a se importar com Warner e o único a estar do lado dele.

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  4. Mas o Warner não estaria atrasado ?
    Ainda tem tempo para um banho de banheira

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  5. "Meu Deus, ele é tão bonito
    sem as roupas."

    Pois é querida, vc tem a sorte d ver ele sem roupa, enquantos nós temos q ficar só na imaginação e.e
    Amei esse capítulo, e morri d tanto rir com a parte final do capítulo heuheu *0*

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    1. eu tava rindo demais nesse capitulo , ai lembro q vc tem razão , só podemos imaginar esse homem incrivel , bateu uma bad agora

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  6. Tô em um misto de felicidade e amor por causa desses dois♥
    Aproveita a visão então juju pq nós só podemos ficar imaginando

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  7. Omg lindosss

    Ass: Elisa caçadora de sombras

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Boa leitura :)