6 de janeiro de 2017

54

Nós dois levamos alguns segundos para registrar o que acabou de acontecer antes de Kenji arrancar sua mão da minha e, em um momento de espontaneidade perfeita, usá-la para dar um soco no rosto de Adam.
Todos os outros na sala agora estão em pé e alertas. Castle avança correndo imediatamente, e Ian e Winston — que já estavam parados por perto — apressam-se para se juntar a ele. Brendan sai depressa do vestiário usando uma toalha, os olhos procurando a fonte da comoção; Lily e Alia saltam das bicicletas e se amontoam em volta de nós.
Temos sorte de ser tão tarde; James já está dormindo em silêncio no canto.
Adam foi jogado para trás pelo soco de Kenji, mas ele rapidamente recuperou o equilíbrio. Está com a respiração pesada, arrastando a parte de trás da mão pelo lábio agora ensanguentado. Ele não pede desculpas.
Eu penso que deveria gritar, mas nenhum som sai da minha boca aberta e horrorizada.
— O que, em nome de Deus, há de errado com você? — a voz de Kenji é suave, mas mortalmente cortante, seu punho direito ainda fechado. — Você estava tentando me fazer morrer?
Adam revira os olhos.
— Eu sabia que não iria matá-lo. Não tão rápido. Eu já senti antes — ele fala. — Só queima um pouco.
— Controle-se, seu imbecil! — Kenji dispara. — Você está agindo como um louco.
Adam não diz nada. Na verdade, ele ri, mostra o dedo do meio para Kenji e segue na direção do vestiário.
— Ei... você está bem? — pergunto para Kenji, tentando dar uma olhada na mão dele.
— Estou bem — ele suspira, olhando a figura de Adam se afastando antes de olhar de volta para mim. — Mas o queixo dele é duro feito o diabo.
Ele flexiona o punho um pouco.
— Mas o meu toque... Não o machucou?
Kenji faz que não com a cabeça.
— Não, eu não senti nada — ele conta. — E eu saberia se tivesse sentido.
Ele quase ri, e eu, em vez disso, franzo as sobrancelhas. Encolho o corpo com a lembrança da última vez em que isso aconteceu.
— Acho que era o Kent desviando o seu poder de alguma forma — Kenji diz.
— Não, ele não estava — eu sussurro. — Ele soltou a minha outra mão. Eu senti a energia voltar para dentro de mim.
Nós dois olhamos Adam se afastando.
Kenji encolhe os ombros.
— Mas, então, como...
— Não sei — Kenji diz de novo.
Ele suspira.
— Acho que eu dei sorte. Escute — ele olha ao redor, para todos—, eu não quero conversar agora, tudo bem? Vou me sentar. Preciso me acalmar.
O grupo se separa devagar, todos voltando a seus cantos.
Mas não consigo me afastar. Estou plantada no mesmo lugar.
Senti minha pele tocar na pele de Kenji, e isso não é algo que eu possa ignorar. Esse tipo de momento é tão raro para mim que não posso simplesmente tirá-lo da cabeça. Eu nunca posso ficar tão perto assim das pessoas sem consequências graves. E senti o poder dentro de meu corpo. Kenji devia ter sentido alguma coisa.
Meu cérebro está trabalhando depressa, tentando resolver uma equação impossível, e uma teoria louca cria raízes dentro de mim, cristalizando-se de uma maneira como eu nunca pensei que pudesse se cristalizar.
Durante este tempo todo, eu estive treinando para controlar meu poder, para restringi-lo, para concentrá-lo; mas eu nunca pensei que seria capaz de desligá-lo. E não sei por quê.
Adam tinha um problema parecido: ele estivera funcionando em electricum a vida toda. Mas, agora, ele aprendeu a controlar. A desligar quando precisa.
Eu não deveria conseguir fazer o mesmo?
Kenji pode ficar visível e invisível quando quer; foi algo que ele teve de ensinar a si mesmo depois de treinar por muito tempo, depois de entender como mudar de um estado para o outro. Eu me lembro da história que ele me contou sobre quando era pequeno: Kenji ficava invisível por alguns dias sem saber como mudar de volta. Mas acabava mudando.
Castle, Brendan, Winston, Lily: todos eles podem ligar e desligar suas habilidades. Castle não mexe os objetos com a mente por acidente. Brendan não eletrocuta tudo em que toca. Winston pode recolher e soltar as pernas e os braços quando quer e Lily pode olhar ao redor normalmente, sem tirar fotos de tudo com os olhos.
Por que eu sou a única sem um botão de desligar?
Minha mente está esmagada pela quantidade de pensamentos conforme eu processo as possibilidades. Começo a perceber que eu nunca tentei desligar meu poder, porque sempre pensei que seria impossível. Eu presumi que estava destinada a esta vida, a uma existência em que minhas mãos — minha pele — sempre, sempre me manteriam afastada dos outros.
Mas, agora?
— Kenji! — eu grito enquanto corro na direção dele.
Kenji olha para mim por cima do ombro, mas não tem a chance de se virar por completo antes de eu bater contra ele, agarrando suas mãos e apertando-as nas minhas.
— Não solte — digo a ele, meus olhos se enchendo de lágrimas depressa. — Não solte. Você não precisa soltar.
Kenji está paralisado, choque e admiração por todo o seu rosto. Ele olha para nossas mãos.
Levanta o olhar de novo para mim.
— Você aprendeu a controlar seu poder? — ele pergunta.
Mal posso falar. Consigo fazer que sim com a cabeça, as lágrimas rolando pelo meu rosto.
— Acho que eu o mantive contido todo este tempo e não sabia. Eu nunca teria arriscado praticar em ninguém.
— Caramba, princesa — ele diz, com suavidade, seus próprios olhos brilhando. — Estou muito orgulhoso de você.
Todos estão se aglomerando em volta de nós.
Castle me aperta em um forte abraço e Brendan e Winston e Lily e Ian e Alia pulam em cima dele, me esmagando imediatamente. Eles estão comemorando e batendo palmas e apertando minhas mãos e eu nunca senti tanto apoio ou tanta força em nosso grupo antes. Nenhum momento em minha vida foi mais extraordinário que este.
Porém, quando os parabéns se esgotam e os boa-noites começam, puxo Kenji de lado para um último abraço.
— Então — digo a ele, balançando sobre os calcanhares. — Eu posso tocar em quem eu quiser agora.
— É, eu sei.
Ele ri, levantando uma sobrancelha.
— Você sabe o que isso significa?
— Você está me convidando para sair?
— Você sabe o que isso significa, certo?
— Porque eu me sinto lisonjeado, de verdade, mas ainda acho que ficamos muito melhor como amigos...
— Kenji.
Ele sorri. Bagunça meus cabelos.
— Não — ele diz. — Não sei. O que isso significa?
— Significa um milhão de coisas — falo para ele, ficando na ponta dos pés para olhá-lo nos olhos. — E também significa que, agora, eu nunca vou estar com alguém por falta de alternativa. Posso fazer o que quiser agora. Ficar com quem eu quiser. E a escolha vai ser minha.
Kenji apenas olha para mim por um longo tempo. Sorri. Finalmente, baixa os olhos. Faz que sim com a cabeça.
E diz:
— Faça o que você tem que fazer, J.

8 comentários:

  1. Va pegar seu homem,garota!
    Bia

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  2. Que lindoooooo. Finalmente ela vai poder abraçar kenji sem machucá-lo. E os outros.

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  3. Tô chorando, mas dessa vez d emoção, vc conseguiu Juju, vc finalmente conseguiu, agora não precisa mais ter medo d ficar perto das pessoas e VÁ PEGAR SEU HOMEM, VAI LÁ COMER ELE e.e

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  4. Aí céus... Tô tão imensamente feliz pela juju

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  5. Pera ai, de que homem estão falando? Pelo que eu saiba, Warner já podia tocar nela...O único homem que não fazia isso era Adam.
    ~polly~

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  6. gente estou seriamente achando que o kenji eata secretamente apaixonado por ela !!!!!!!!!!!!!!

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  7. No começo do capitulo eu tava REVOLTADA com esse comportamento imbecil do Adam, ele virou um maluco(quando eu não sei)
    Mas fiquei MEGAFELIZ pelo fato da Juliette finalmente ter aprendido a controlar o poder dela. Aeeeeeee!!!!! Agora ela finalmente vai poder viver de verdade e ser feliz sem se preocupar em machucar quem ela ama

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  8. Que Warner que nada. Vai pegar o Kenji mulheeeeeeeeerrrrrrrrr

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Boa leitura :)