6 de janeiro de 2017

4

— O quê?
Eu pisco depressa, sem acreditar.
— Eu sempre disse para você — Warner fala — que nós formaríamos um time excelente. Eu sempre disse que estava esperando que você ficasse pronta; que você reconhecesse sua raiva, sua própria força. Estou esperando desde o dia em que a conheci.
— Mas você queria me usar para O Restabelecimento; você queria que eu torturasse pessoas inocentes...
— Não é verdade.
— O quê? Do que você está falando? Você mesmo me disse...
— Menti.
Ele encolhe os ombros.
Meu queixo cai.
— Há três coisas que você deveria saber a meu respeito, amor.
Ele dá um passo à frente.
— A primeira — diz — é que eu odeio meu pai mais do que você um dia poderá ser capaz de entender.
Ele limpa a garganta.
— A segunda é que eu sou uma pessoa egoísta sem culpa, que, em quase todas as situações, toma decisões com base inteiramente no meu próprio interesse. E a terceira.
Uma pausa enquanto ele olha para baixo. Ri um pouco.
— Eu nunca tive nenhuma intenção de usá-la como arma.
Fiquei sem palavras.
Mexo-me para trás até a cama, sento-me.
Entorpecida.
— Aquele foi um esquema elaborado que eu criei para o meu pai — Warner conta. — Eu tinha que convencê-lo de que era uma boa ideia investir em alguém como você, que poderíamos usá-la para vantagens militares. E, para ser bem, bem honesto, ainda não tenho certeza de como consegui isso. A ideia é ridícula. Gastar todo aquele tempo, dinheiro e energia para recuperar uma garota supostamente psicótica só para a tortura?
Ele faz que não com a cabeça.
— Eu sabia desde o começo que seria uma empreitada sem frutos; uma perda de tempo completa. Há métodos muito mais eficazes de extrair informações de quem não quer dar.
— Então, por que... por que você me queria?
Os olhos dele estão tremendo em sua sinceridade.
— Eu queria estudá-la.
— O quê? — eu ofego.
Ele vira as costas para mim.
— Você sabia — ele diz, com a voz tão baixa que tenho de me esforçar para escutá-lo — que minha mãe vive naquela casa?
Ele olha para a porta fechada.
— Aquela para onde meu pai a levou? Aquela onde você levou o tiro? Ela estava no quarto dela. No final do corredor em relação a onde você estava sendo mantida presa por ele.
Como não respondo, Warner se vira para me olhar.
— Sim — sussurro. — Seu pai mencionou alguma coisa sobre ela.
— Ahn?
O susto aparece e some dos traços dele. Ele rapidamente mascara a emoção.
— E o que — ele fala, fazendo um esforço para soar calmo — ele disse sobre ela?
— Que ela está doente — conto a ele, odiando-me pelo tremor que atravessa meu corpo. — Que ele a guarda lá porque ela não fica bem nos aglomerados.
Warner inclina-se contra a parede, parecendo precisar do apoio. Puxa uma respiração pesada.
— Sim — ele diz finalmente. — É verdade. Ela está doente. Ela ficou muito doente de repente.
Os olhos dele estão focados em um ponto distante em outro mundo.
— Quando eu era criança, ela parecia perfeitamente bem — conta, virando e virando o anel de jade no dedo. — Um dia, ela simplesmente... desmoronou. Durante anos, briguei com meu pai para buscar tratamento, para encontrar uma cura, mas ele nunca se importou. Eu fiquei sozinho na busca por ajuda para ela e, não importava com quem eu entrava em contato, nenhum médico conseguiu tratá-la. Nenhum — ele diz, mal respirando agora — sabia o que havia de errado com ela. Ela vive em um estado constante de agonia — fala — e eu sempre fui muito egoísta para deixá-la morrer.
Ele levanta o olhar.
— E, então, fiquei sabendo sobre você. Eu tinha ouvido histórias sobre você, rumores — diz. — E isso me deu esperança pela primeiríssima vez. Eu queria acesso a você; eu queria estudá-la. Eu queria conhecê-la e entendê-la em primeira mão. Porque, em toda a minha pesquisa, você era a única pessoa de quem eu já tinha ouvido falar que poderia ser capaz de me oferecer respostas sobre a condição da minha mãe. Eu estava desesperado — ele afirma. — Estava disposto a tentar qualquer coisa.
— O que você quer dizer? — pergunto. — Como alguém como eu poderia conseguir ajudá-lo com sua mãe?
Os olhos dele encontram os meus de novo, brilhando de angústia.
— Porque, amor, você não pode tocar em ninguém. E ela — ele diz —, ela não pode ser tocada.

10 comentários:

  1. Que triste. Deve ser doloroso para ela.

    ResponderExcluir
  2. Nossa! Não fazia ideia. Deve ser difícil pra ele, e principalmente para ela.

    ResponderExcluir
  3. Que doloroso, nem consigo imaginar o tanto q ele sofreu e sofre, e ainda não entendi sobre o fato da sogrona não pode ser tocada, mas pensando bem, ela deu banho na Juju ;-;

    ResponderExcluir
  4. Aí que dó! Pobrezinho... Vem cá Aaron, senta aqui, deixa eu te abraçar.

    ResponderExcluir
  5. GENTE! O AARON, ADAM E JAMES HERDARAM PODERES DA MÃE! Que alívio saber que o Anderson não tem nada a ver.
    #SemprePostareiHASHTAG

    ~polly~

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem, Aaron sim.. Mas a mãe de Adam e James é outra!

      Excluir
    2. Quer ver só que a mãe dele vai acabar sendo a mãe dela ... sei nal viu .. tipo do nada ela surfar e ficar doente ? Os poderes do Aaron e bem parecido com os da Juju. ..Eles vão ser irmão ... Você vai ver

      Excluir
    3. Na verdade, se ela não pode ser tocada e pra fazer um filho ela teria que ser tocada, o Anderson deve ter um poder tipo o do Adam ou do Aaron.

      Excluir
  6. Estou tendo dificuldades em processar o que acabei de ler.

    ResponderExcluir
  7. Mas tipo quando a Juliette chegou na casa que o pai do Warner estava, quando ela foi "sequestrada" ela disse que uma mulher ajudou ela a tomar banho, então a mãe dele pode tocar nela?! Não estou entendendo mais nada...

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Boa leitura :)