6 de janeiro de 2017

48

Warner está atrasado.
Kenji e eu tivemos uma sessão semi-bem-sucedida, formada principalmente por nós dois discutindo sobre onde cada um estava e para o quê cada um estava olhando. Teremos de criar sinais muito melhores da próxima vez, porque tentar coordenar uma sessão de treinamento entre duas pessoas invisíveis é muito mais difícil do que parece. E já parece bem difícil.
Assim, agora estamos cansados e um pouco decepcionados, tendo conquistado pouco em termos de progresso, e estamos parados no exato mesmo local onde Warner nos deixou.
E Warner está atrasado.
Isso é muito incomum por vários motivos. O primeiro deles é que Warner nunca está atrasado. Para nada. E o segundo é que, se ele fosse se atrasar, com certeza não seria para algo assim. Esta situação é perigosa demais para ser tratada de modo casual. Ele não teria sido descuidado com isto.
Eu sei que não.
Assim, estou andando de um lado para o outro.
— Tenho certeza de que está tudo bem — Kenji está dizendo para mim. — Ele provavelmente só ficou preso fazendo o que quer que esteja fazendo. Sabe, comandanteando e merdas assim.
— Comandanteando não é uma palavra.
— Tem letras, não tem? Parece uma palavra para mim.
Estou muito nervosa para brincadeiras agora.
Kenji suspira. Eu o ouço bater os pés contra o frio.
— Ele vai vir.
— Eu não me sinto bem, Kenji.
— Eu também não me sinto bem — ele fala. — Estou com uma fome dos infernos.
— Warner não se atrasaria. Ele não é de se atrasar.
— Como você sabe? — Kenji dispara de volta. — Você o conhece há quanto tempo exatamente? Cinco meses? E acha que o conhece tão bem? Talvez ele esteja em um clube secreto de jazz onde canta a cappella e usa coletes brilhantes e pensa que é legal dançar cancan.
— Warner não usaria coletes brilhantes — eu estouro.
— Mas você acha que ele toparia o cancan.
— Kenji, eu te amo, de verdade, mas, neste instante, estou tão ansiosa e me sinto tão enjoada que, quanto mais você fala, mais eu quero matá-lo.
— Não venha com essa conversa sexy para cima de mim, J.
Eu bufo, irritada. Meu Deus, estou muito preocupada.
— Que horas são?
— Duas e quarenta e cinco.
— Isto não está certo. Deveríamos ir procurá-lo.
— Nós nem sabemos onde ele está.
— Eu sei — digo. — Eu sei onde ele está.
— O quê? Como?
— Você se lembra de onde encontramos o Anderson pela primeira vez? — pergunto a ele. — Você se lembra de como voltar à Rua Sycamore?
— Sim... — Kenji diz devagar. — Por quê?
— Ele está a cerca de duas ruas dali.
— Hum. Que diabos? Por que ele está lá?
— Você vai comigo? — pergunto, nervosa. — Por favor? Agora?
— Certo — ele diz, sem convicção. — Mas só porque estou curioso. E porque está frio pra caramba aqui fora e eu preciso mexer as pernas antes de congelar até a morte.
— Obrigada — digo. — Onde você está?
Nós seguimos o som da voz um do outro até trombarmos. Kenji desliza seu braço para prendê-lo ao meu. Nós nos apertamos um no outro contra o frio.
Ele nos guia.

3 comentários:

  1. Se controla Kenji kkkkk mano eu tô preocupada, será q aconteceu algo com a sogrona? *^*

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  2. — Warner não usaria coletes brilhantes — eu estouro.
    — Mas você acha que ele toparia o cancan.
    — Kenji, eu te amo, de verdade, mas, neste instante, estou tão ansiosa e me sinto tão enjoada que, quanto mais você fala, mais eu quero matá-lo.
    — Não venha com essa conversa sexy para cima de mim, J.
    kkkk eu simplesmente nao resisto ao Kenji , de todos é o que mais amo , sempre sabe o que dizer nas piores horas kkk

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Boa leitura :)