2 de janeiro de 2017

48

James encontra-nos durante nossa sessão de treinamento antes do jantar.
Ele tem passado muito tempo conosco desde que voltamos, e todos nós parecemos mais felizes quando ele está por perto. Há algo na presença dele que é muito tranquilizador, muito bem-vindo. É tão bom tê-lo de volta.
Tenho mostrado a ele como consigo quebrar as coisas com facilidade agora. Tijolos não são nada. É como esmagar um pedaço de bolo. Os canos de metal curvam-se nas minhas mãos como canudos de plástico. A madeira é um pouco complicada porque, se eu a quebrar do jeito errado, posso me ferir com uma ou duas lascas, mas quase nada é difícil mais. Kenji tem pensado em novas maneiras de testar minhas habilidades; ultimamente, ele está tentando descobrir se eu consigo projetar, se consigo concentrar meu poder a partir de uma distância.
Nem todas as habilidades funcionam com projeção, é o que parece. Lily, por exemplo, tem uma incrível memória fotográfica, mas nunca conseguiu projetar essa habilidade em mais ninguém.
A projeção é, de longe, a coisa mais difícil que já tentei fazer. É extremamente complicada e requer atenção mental e física. Tenho de ter controle completo da minha mente e tenho de saber com exatidão como meu cérebro se comunica com qualquer que seja o osso invisível do meu sistema responsável pelo meu dom. O que significa que tenho de saber localizar a fonte da minha habilidade... E como focá-la em um ponto concentrado de poder que eu possa usar de qualquer lugar.
Meu cérebro está doendo.
— Posso tentar quebrar alguma coisa também? — James pergunta.
Ele pega um dos tijolos da pilha e pesa-o nas mãos.
— Talvez eu seja superforte como você.
— Você já se sentiu superforte? — Kenji pergunta a ele. — Tipo, sabe, anormalmente forte?
— Não — James responde —, mas também nunca tentei quebrar nada.
Ele olha para Kenji e pisca os dois olhos.
— Você acha que, de repente, eu posso ser como vocês? Que, talvez, eu também tenha algum tipo de poder?
Kenji o analisa. Parece estar organizando os pensamentos na cabeça. Diz:
— Definitivamente, é possível. Seu irmão tem algo no DNA dele, é óbvio, o que significa que você pode ter também.
— Sério?
James está praticamente pulando.
Kenji ri.
— Não faço ideia. Estou apenas dizendo que pode ser possí... Não — ele grita. — James...
— Opa.
James está encolhido, deixou cair o tijolo no chão e está apertando o punho contra o corte que sangra na palma da sua mão.
— Acho que apertei com muita força e ele escorregou — ele diz, esforçando-se para não chorar.
— Você acha?
Kenji balança a cabeça, com a respiração rápida.
— Droga, garoto, você não pode sair por aí machucando a mão assim. Vai me dar um maldito ataque do coração. Vem aqui — ele diz, com mais delicadeza agora. — Deixe-me ver.
— Está bem — James garante, com as bochechas coradas, escondendo a mão atrás das costas. — Não é nada. Vai sumir logo.
— Esse tipo de corte não vai simplesmente sumir — Kenji afirma. — Agora, deixe-me ver isso...
— Espere.
Eu o interrompo, atraída pelo olhar intenso no rosto de James, a maneira como ele parece muito concentrado no punho cerrado que está escondendo.
— James... O que quer dizer com “vai sumir”? Quer dizer que vai melhorar? Sozinho?
James olha para mim e pisca os dois olhos.
— Bem, é — ele responde. — Sempre melhora bem rápido.
— O que melhora? O que melhora bem rápido?
Kenji está encarando agora também, já entendendo minha teoria e lançando olhares para mim, formando a palavra caramba com a boca sem fazer som.
— Quando eu me machuco — James explica, olhando para nós dois como se tivéssemos ficado loucos. — Por exemplo, se você se cortar — ele diz para Kenji —, o corte não melhora, simplesmente?
— Depende do tamanho do corte — Kenji responde. — Mas um corte como o da sua mão?
Ele balança a cabeça.
— Eu teria de limpá-lo para não infeccionar. Depois, teria de envolver com gaze e algum tipo de unguento para não deixar cicatriz. E, depois — ele continua —, seriam necessários pelo menos alguns dias para formar uma crosta. E, depois, ele começaria a melhorar.
James está piscando, como se nunca tivesse escutado algo tão absurdo na vida.
— Deixe-me ver sua mão — Kenji pede a ele.
James hesita.
— Está tudo bem — digo a ele. — De verdade. Só estamos curiosos.
Devagar, muito devagar, James mostra seu punho cerrado. Ainda mais devagar, ele abre os dedos, observando nossa reação o tempo todo. E bem onde, um instante atrás, havia um corte enorme, agora não há nada além de uma pele rosa perfeita e uma pequena poça de sangue.
— Filho da mãe — Kenji suspira, admirado. — Desculpe — ele diz para mim, pulando para frente e agarrando o braço de James, quase incapaz de controlar seus sorrisos —, mas preciso levar este rapaz para a ala médica. Tudo bem? Podemos continuar amanhã...
— Mas não estou machucado mais — James protesta. — Estou bem...
— Eu sei, garoto, mas você vai querer vir comigo.
— Mas por quê?
— O que você acharia — ele começa, levando James porta a fora — de começar a passar um tempo com duas garotas muito bonitas...
E eles foram embora.
E estou rindo.
Sentada no meio da sala de treinamento totalmente sozinha, ouço duas batidas familiares na minha porta.
Já sei quem é.
— Senhorita Ferrars.
Eu me viro de repente, não porque estou surpresa por ouvir a voz de Castle, mas porque estou surpresa com a entonação. Os olhos dele estão contraídos, os lábios, tensos, o olhar, penetrante e brilhante sob esta luz.
Ele está muito, muito bravo.
Merda.
— Sinto muito pela cena no corredor — digo a ele. — Eu não...
— Podemos discutir suas demonstrações de afeto públicas e altamente inadequadas em outro momento, senhorita Ferrars, mas, agora, eu tenho uma pergunta mais importante a fazer e aconselho-a a ser sincera, o mais sincera que for fisicamente possível.
— O quê — mal consigo respirar —, o que foi?
Castle comprime os olhos.
— Acabei de ter uma conversa com o senhor Aaron Warner, que diz ser capaz de tocar na senhorita sem sofrer consequências, e diz que a senhorita sabe bem disso.
E eu penso, uau, consegui. Eu realmente consegui morrer de um derrame aos 17 anos de idade.
— Preciso saber — Castle apressa-se — se essa informação é ou não correta e preciso saber agora.
Há cola por toda a minha língua, grudada em meus dentes, meus lábios, o céu da minha boca, e não consigo falar, não consigo me mexer, tenho quase certeza de que tive uma convulsão ou um aneurisma ou uma parada cardíaca ou algo tão horrível quanto, mas não posso explicar nada disso a Castle porque não consigo mexer minha mandíbula nem um centímetro.
— Senhorita Ferrars.
A boca dele está tão tensa que tenho medo de que se quebre.
— Acho que não entende o quanto essa questão é importante. Preciso de uma resposta sua e preciso dela trinta segundo atrás.
— Eu... Eu...
— Hoje, preciso de uma resposta hoje, agora, neste instante...
— Sim — eu solto, meio engasgada, o rosto todo corado, terrivelmente envergonhada, constrangida, horrorizada de todas as maneiras possíveis e meu único pensamento é Adam Adam Adam como Adam reagirá a essa informação agora, por que isso tem de acontecer agora, por que Warner abriu a boca e quero matá-lo por compartilhar um segredo que era escolha minha contar, escolha minha esconder, escolha minha guardar.
Castle parece uma bexiga que se apaixonou por uma tachinha que se aproximou demais e arruinou-o para sempre.
— Então, é verdade?
Eu baixo os olhos.
— Sim, é verdade.
Ele cai no chão bem em frente a mim, atônito.
— Como isso é possível? O que você acha?
Porque Warner é irmão de Adam, eu não digo a ele.
E não digo porque é decisão do Adam contar seu segredo e não falarei disso até ele falar, embora queira desesperadamente dizer a Castle que a ligação deve estar no sangue deles, que os dois devem compartilhar um tipo parecido de dom ou Energia, ou ó ó ó
Ó, meu Deus.
Ó, não.
Warner é um de nós.

10 comentários:

  1. Eu estou começando a ficar preocupada. Será que o pai deles também tem algum tipo de poder??? Afinal o único motivo deles terem o "mesmo sangue" é o pai.

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    1. Né! Isso também me passou pela cabeça. Espero que, se ele tiver, seja um poder bem idiota

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    2. Já pensou se ele for igual ao James... seria foda vilão que não podem matar... acho que eu riria eternamente disso...

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  2. Jesus do céu, essa garota só percebeu isso agora, to na dúvida se isso é burrice ou falta de pensar nas coisas óbvias a sua volta.

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  3. Vou ter certeza se eles dois podem tocar nela devido o pai deles se o James poder tocar nela a Juliette tem que fazer esse teste
    Eu estou feliz que o James tenha o dom da cura ele poderia ter outras abilidades tambem

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  4. Num sei pq, mas achei o poder do James fofo, poder da cura, talvez com treinamento adequado ele também consiga fazer projeção, tipo expandir pra outras pessoas e cura-las *-*
    espero q o sogrão ñ tenha poderes e se tiver, espero q seja um bem idiota, como soltar um.super pum heuheu

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  5. Um super pum venenoso seria bem ruim, poderia matar dezenas de uma só vez! Hahaha. .. gostei colega. .. Hahaha. ..
    Bianca

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  6. Sim queridinha o habibi é farinha do mesmo saco e o pai deles não é imune ao toque dela. Ela tocou nele e o resto vcs já sabem, mas agora pq Adam e o habibi são?

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  7. Sabia que James tinha um poder também! Estou muito feliz por ele.
    E sim, quero que Anderson se exploda e tenha um poder bem inútil kkk.
    E Warner, meu querido malvado favorito, BEM-VINDO A FAMÍLIA ÔMEGA ;)
    Espero que Warner se junte a eles.
    #TeamWarner

    ~polly~

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Boa leitura :)