6 de janeiro de 2017

45

Os dias voaram, pipas carregando-os para longe.
Warner tem trabalhado comigo todas as manhãs agora. Depois de seu treino e depois de meu treino com Kenji, ele conseguiu duas horas por dia para passar comigo. Sete dias por semana.
Ele é um professor extraordinário.
Tão paciente comigo. Tão agradável. Ele nunca fica frustrado, nunca se incomoda com quanto tempo eu levo para aprender algo. Ele é paciente para me explicar a lógica por trás de cada detalhe, cada movimento, cada posição. Ele quer que eu entenda o que estou fazendo em um nível elementar. Ele garante que eu esteja internalizando as informações e repetindo-as por conta própria, não apenas copiando os movimentos dele.
Eu enfim estou aprendendo a ser forte de mais de uma maneira.
É estranho. Nunca pensei que saber dar um soco pudesse fazer a diferença, mas o simples conhecimento de entender como me defender me deixou muito mais confiante.
Estou muito mais consciente de mim mesma agora.
Eu ando por aí sentindo a força nas minhas pernas e nos meus braços. Sou capaz de dar o nome de todos os músculos de meu corpo, sabendo exatamente como usá-los; e como abusar deles, se eu fizer do jeito errado. Meus reflexos estão melhorando, meus sentidos estão mais apurados. Estou começando a entender meus arredores, a prever perigos e a reconhecer as mudanças sutis na linguagem corporal que indicam raiva ou agressão.
E minha projeção está quase fácil demais agora.
Warner reuniu todo tipo de coisa para eu destruir, só para eu treinar com alvos. Pedaços de madeira e metal, mesas e cadeiras velhas. Blocos de concreto. Qualquer coisa que pudesse testar minha força. Castle usa sua energia para jogar os objetos no ar e é meu trabalho destruí-los do outro lado da sala. No começo, era praticamente impossível; é um exercício extremamente intenso que me exige estar em completo controle de mim mesma.
No entanto, agora é um de meus jogos favoritos.
Posso parar e destruir qualquer coisa no ar. De qualquer distância da sala. Tudo de que preciso são minhas mãos para controlar a energia. Posso movimentar meu poder em qualquer direção, focando-o em pequenos objetos e, depois, aumentando o escopo para uma massa maior.
Posso movimentar qualquer coisa da sala de treinamento. Nada mais é difícil.
Kenji acha que eu preciso de um novo desafio.
— Quero levá-la lá para fora — ele diz.
Está falando diretamente com Warner — bem casualmente —, algo que, para mim, ainda é estranho de se ver.
— Acho que ela precisa começar a experimentar com materiais naturais. Estamos muito limitados aqui.
Warner olha para mim.
— O que você acha?
— Vai ser seguro? — pergunto.
— Bem — ele fala —, não importa de verdade, importa? Em uma semana vamos nos expor de qualquer forma.
— Bom argumento.
Eu tento sorrir.

Adam tem estado estranhamente quieto nestas duas últimas semanas.
Não sei se é porque Kenji conversou com ele e lhe disse para ter cuidado ou se é porque ele realmente se resignou com esta situação. Talvez tenha percebido que não há nada romântico acontecendo entre Warner e mim. O que me agrada e também me decepciona.
Warner e eu parecemos ter chegado a algum tipo de entendimento. Um relacionamento civilizado e estranhamente formal que se equilibra de maneira precária entre a amizade e algo mais que nunca foi definido.
Não posso dizer que gosto disso.
No entanto, Adam não interfere quando James fala com Warner, e Kenji me disse que isso é porque Adam não quer traumatizar James dando-lhe um motivo para ter medo de morar aqui.
O que significa que ele está constantemente falando com Warner.
Ele é um menino curioso, e Warner é tão naturalmente fechado que é o alvo mais óbvio das perguntas de James. Suas conversas são sempre interessantes para todos nós. James não tem vergonha nenhuma e é mais ousado do que quase qualquer pessoa seria ao falar com Warner.
Na verdade, é meio fofo.
Exceto por isso, todos estão progredindo bem. Brendan e Winston estão em perfeitas condições de novo, Castle está com o humor melhor a cada dia e Lily é uma menina autossuficiente que não precisa de muito para se entreter; embora ela e Ian pareçam ter encontrado um tipo de consolo na companhia um do outro.
Acho que faz sentido esse tipo de isolamento aproximar as pessoas.
Como Adam e Alia.
Ele tem passado muito tempo com ela ultimamente, e não sei o que isso significa; pode não ser nada além de amizade. Porém, na maior parte do tempo em que fico na sala de treinamento, eu o tenho visto sentado ao lado dela, apenas observando-a desenhar, fazendo uma pergunta de vez em quando.
Ela sempre está com o rosto corado.
De algumas maneiras, ela me lembra muito de como eu costumava ser. Eu adoro a Alia, mas, às vezes, observá-los juntos me faz pensar se é isso que Adam sempre quis. Uma menina doce, quieta e gentil. Alguém que compensaria toda a dureza que ele viu na vida. Ele me disse isso uma vez, eu me lembro. Disse que amava essa característica minha. Que eu era muito boa. Muito doce. Que eu era a única coisa boa que restara neste mundo.
Acho que eu sempre soube que não era verdade.
Talvez ele esteja começando a perceber isso também.

6 comentários:

  1. Respostas
    1. Novos casais. O Ian e a Lily tbm S2

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  2. Warner é o melhor professor do mundo *-*

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  3. Pra quem leu Fragmenta-me essa aproximação do Addie c/a Alia não é surpresa

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  4. Eu gostava do adam se ele não fosse tão chato eu queria que ele ficasse com Juli,mais prefiro o Warner agora esse homem é verdadeiramente o paraíso.

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Boa leitura :)