2 de janeiro de 2017

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Esta é a porta.
Esta, bem em frente a mim, é aqui que Warner está. Não há janelas nem como ver o interior do quarto e estou começando a pensar que esta situação é o exato antônimo de excelente.
Sim.
Vou entrar nesse quarto, totalmente desarmada, porque as armas são enterradas bem fundo no depósito e porque sou letal, e, assim, por que precisaria de uma arma? Ninguém em sã consciência colocaria as mãos em mim, ninguém exceto Warner, é claro, cuja tentativa meio louca de me impedir de escapar pela janela resultou nessa descoberta, na descoberta de que ele pode tocar em mim sem se machucar.
E eu contei isso para exatamente ninguém.
Eu pensei, de verdade, que talvez tivesse imaginado tudo, até Warner me beijar e dizer que me amava e tal, foi quando eu soube que não podia mais fingir que isso não estava acontecendo. Porém, faz apenas cerca de quatro semanas desde aquele dia e eu não sabia como tocar no assunto. Pensei que, talvez, não precisasse falar sobre isso.
Verdadeira e desesperadamente, não queria tocar no assunto.
E, agora, a ideia de contar a alguém, de deixar Adam (entre todas as pessoas) saber que o ser humano que ele mais odeia no mundo — perdendo apenas para o pai — é a única outra pessoa que pode tocar em mim? Que Warner já tocou em mim, que suas mãos conheceram as formas do meu corpo e seus lábios conheceram o gosto da minha boca — independentemente de ser algo que eu não queria —, não posso fazer isso.
Não agora. Não depois de tudo.
Assim, esta situação é culpa minha por inteiro. E tenho de lidar com isso.
Preparo-me e dou um passo à frente.
Há dois homens que nunca vi antes de guarda do lado de fora da porta de Warner. Isso não quer dizer muito, mas me dá uma gota de calma. Aceno com a cabeça para cumprimentar os guardas e eles me cumprimentam com tanto entusiasmo que chego a pensar se me confundiram com outra pessoa.
— Muito obrigado por ter vindo — um deles diz para mim, com os cabelos loiros, longos e desarrumados caindo nos olhos. — Ele está totalmente louco desde que acordou... Jogando coisas pelo quarto e tentando destruir as paredes... Está ameaçando nos matar, todos nós. Diz que você é a única com quem ele quer falar e se acalmou apenas porque dissemos que você estava vindo.
— Tivemos de tirar todos os móveis — o outro guarda acrescenta, com os olhos castanhos arregalados, incrédulos. — Ele estava quebrando tudo. Não queria comer a refeição que lhe demos.
O antônimo de excelente.
O antônimo de excelente.
O antônimo de excelente.
Eu consigo abrir um sorriso fraco e digo que verei o que posso fazer para sedá-lo. Eles acenam com a cabeça, ansiosos para acreditarem que sou capaz de algo que sei que não sou, e destrancam a porta.
— Bata na porta para nos avisar quando estiver pronta para sair — eles me dizem. — Chame por nós e abriremos a porta.
Estou balançando a cabeça, sim e é claro e com certeza, e tentando ignorar o fato de que estou mais nervosa agora do que quando fui conhecer o pai dele.
Ficar sozinha em um quarto com Warner... Ficar sozinha com ele e não saber o que ele pode fazer ou do que ele é capaz e estou muito confusa, porque nem sei mais quem ele é.
Ele é 100 pessoas diferentes.
Ele é a pessoa que me forçou a torturar um bebê contra minha vontade. Ele é a criança tão aterrorizada, tão psicologicamente atormentada que tentou matar o próprio pai enquanto ele dormia. Ele é o garoto que atirou na cabeça de um soldado desertor; o garoto treinado para ser um assassino frio e sem coração pelo homem em quem achava que podia confiar. Vejo Warner como uma criança que busca desesperadamente a aprovação do pai. Eu o vejo como o líder de um setor inteiro, ansioso para me conquistar, para me usar contra minha vontade. Eu o vejo alimentar um cão de rua. Eu o vejo torturar Adam quase até a morte. E, depois, eu o ouço dizer que me ama, sinto-o me beijar com tanta paixão inesperada e desespero que não sei, não sei, não sei no que estou me metendo.
Não sei quem diabos ele será desta vez. Que lado seu me mostrará hoje.
Mas, depois, penso que agora deve ser diferente. Porque ele está no meu território agora, e sempre posso pedir ajuda se algo der errado.
Ele não vai me machucar.
Espero.

8 comentários:

  1. queria tanto que ele amasse ela.. realmente gosto dele. Pena que isso que ele sente não é 100% amor. </3

    ~Giulliana~

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    1. ~Giulliana~ como não 😱😱😱? Ele se apaixonou por ela antes mesmo de a conhece-la, implorou pro pai dele não a mata-la... Como isso não é 100% amor e.e?

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    2. Ele a ama.Só que sua mente perturbada não separa o amor da carência afetiva,resultando em uma louca obsessão por Juliette.Ou seja,não é 100% amor,uma parcela disso é pura obsessão.

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  2. "Ele é 100 pessoas diferentes..." 50 tons de Warner... Ops 100 Kkkkkk

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  3. Tenho dó do Warner. Tudo culpa do pai dele por ele ser assim, e Warner nem é uma pessoa TÃO horrível, ele consegue ser bom as vezes.
    #TeamWarner
    Gente, será que James também pode tocar na Juliette? Ele é irmão do Adam e do Aaron, então talvez ele também possa.(Claro, só teoria).

    ~polly~

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    1. Ele teve um pai lixo.Fato.Contudo,as poucas demonstrações de humanidade do Warner,não anulam toda sua maldade.Talvez ele se arrependa e passe para o lado bom da força.
      Tenho esperança.

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  4. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 02:06

    tenho pena do Aaron

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  5. Apesar de tudo que o Aaron passou não consigo ter muita dó dele,pois o Adam e a Juliette também sofreram mas não são más (apesar de a Juliette dar uma de louca as vezes)

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Boa leitura :)