2 de janeiro de 2017

40

Ainda estou aqui.
Abro os olhos e, por um momento, estou atônita, confusa, meio esperando encontrar-me morta ou com o cérebro danificado ou, no mínimo, destroçada no chão, mas esta realidade recusa-se a desaparecer.
O mundo sob meus pés está retumbando, chacoalhando, tremendo, ressoando e ganhando vida, e meu punho ainda está pressionado contra o chão e tenho medo de afastá-lo. Estou de joelhos, levantando o olhar para os dois lados desta batalha e vejo os soldados diminuírem a velocidade. Vejo seus olhos virarem rapidamente de um lado ao outro. Vejo seus pés escorregarem sem conseguirem manter-se em pé e os estalos, os gemidos, os inconfundíveis estrépitos que agora estão chiando pelo meio do pavimento não podem ser ignorados e é como se as maxilas da vida estivessem alongando suas articulações, rangendo os dentes, bocejando para acordarem e serem testemunhas da desgraça da raça humana.
O chão olha ao redor, sua boca abrindo-se para a injustiça, a violência, as manobras calculadas pelo poder que não param por ninguém e por nada e se satisfazem apenas com o sangue dos fracos, os gritos dos opositores. É como se a terra pensasse em dar uma espiada no que temos feito durante todo esse tempo e é assustador o quanto ela parece decepcionada.
Adam está correndo.
Ele está voando em meio à multidão que ainda ofega em busca de ar e de uma explicação para o terremoto sob seus pés e pega Castle, faz com que ele se abaixe, grita com os homens e as mulheres e se agacha, escapando de uma bala perdida, puxa Castle para ficar em pé e nosso pessoal começa a correr.
Os soldados do outro lado estão tropeçando um nos outros e escorregando em um emaranhado de pernas e braços enquanto tentam correr mais do que os companheiros, e fico me perguntando por quanto tempo devo aguentar, por quanto tempo mais isto deve continuar até ser suficiente, e Kenji grita:
— Juliette!
E eu me viro a tempo de ouvi-lo me mandar parar.
É o que eu faço.
O vento, as árvores, as folhas caídas, tudo escorrega e desliza de volta ao lugar com uma inspiração gigante e tudo para e, por um instante, não consigo me lembrar de como é viver em um mundo que não está desmoronando.
Kenji me puxa pelo braço para eu ficar em pé e estamos correndo, somos os últimos do nosso grupo a ir embora e ele está perguntando se estou bem e eu me pergunto como ele ainda está carregando Warner, estou pensando que Kenji deve ser muito mais forte do que parece e estou pensando que sou muito dura com ele às vezes, estou pensando que não lhe dou crédito suficiente. Estou começando a perceber que ele é uma das pessoas de que mais gosto neste planeta e estou muito feliz por ele estar bem.
Estou muito feliz por ele ser meu amigo.
Eu agarro a mão dele e deixo-o me guiar até um tanque abandonado do nosso lado do terreno e, de repente, percebo que não estou vendo Adam, que não sei para onde ele foi e fico fora de mim, estou gritando seu nome até que sinto os braços dele em volta da minha cintura, suas palavras em meu ouvido e ainda estamos buscando abrigo conforme os últimos disparos ressoam a distância.
Subimos para dentro do tanque.
Fechamos as portas.
Desaparecemos.

6 comentários:

  1. Eu te entendo Juju, também amo o Kenji e acho fofo a preocupação dele por ela, ele pode dizer qualquer coisa, mas ta óbvio q ele se preocupa com a Juju <3

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  2. Sim amada vc ama o Kenji e o Warner tbm queridinha, mas não do mesmo jeito.

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  3. Agora ela se tocou que existem pessoas que amam ela. Isso ai Juju, você tem ótimos amigos que fariam muitas coisas por você.
    #TeamWarner

    ~polly~

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  4. Yesubai, a filha do vilão12 de abril de 2017 01:41

    Estou muito feliz por ele ser meu amigo. annnnnw achei cute *_*

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  5. To viciada nesse livro nao consigo parar de ler,ai vem a bad quando lembro que um dia qualquer por ai acabarei de ler ele

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Boa leitura :)