6 de janeiro de 2017

3

Aguente firme
Segure-se bem
Melhore
Fique forte
Aguente bem
Segure firme
Pareça forte
Fique por cima
Um dia eu posso romper
Um dia eu posso
r o m p e r
e me libertar

Warner não consegue esconder a surpresa quando entra de novo no quarto.
Olho para cima, fecho o caderno nas minhas mãos.
— Vou pegar isso de volta — falo para ele.
Ele pisca para mim.
— Você está se sentindo melhor?
Faço que sim com a cabeça.
— Meu caderno estava simplesmente aqui, na mesa de cabeceira.
— Sim — ele diz devagar. Com cuidado.
— Vou pegar de volta.
— Entendo.
Ele ainda está de pé perto da porta, ainda congelado no mesmo lugar, ainda encarando.
— Você vai...
Ele sacode a cabeça.
— Desculpe, você vai para algum lugar?
É apenas nesse momento que percebo que já andei metade do caminho até a porta.
— Preciso sair daqui.
Warner não diz nada. Ele dá alguns passos cautelosos para dentro do quarto, tira o casaco, coloca-o sobre uma cadeira. Tira três armas do coldre preso às suas costas e demora-se enquanto as coloca sobre a mesa onde meu caderno antes estava. Quando enfim levanta o olhar, tem um leve sorriso no rosto.
Mãos nos bolsos. O sorriso um pouco maior.
— Aonde vai, amor?
— Preciso cuidar de algumas coisas.
— É mesmo?
Ele inclina um ombro contra a parede, cruza os braços contra o peito. Não consegue parar de sorrir.
— Sim.
Estou ficando irritada.
Warner espera. Fica olhando. Faz que sim com a cabeça uma vez, como se dissesse “continue”.
— Seu pai...
— Não está aqui.
— Ah.
Tento esconder meu choque, mas então não sei por que eu tinha tanta certeza de que Anderson ainda estaria aqui. Isso complica a situação.
— Você achou mesmo que poderia simplesmente sair andando deste quarto — Warner diz para mim — bater na porta do meu pai e acabar com ele?
Sim.
— Não.
— Mentirosa, seu nariz vai crescer — Warner diz com suavidade.
Olho brava para ele.
— Meu pai foi embora — Warner diz. — Ele voltou para a capital e levou Sonya e Sara com ele.
Eu seguro um grito, horrorizada.
— Não.
Warner não está mais sorrindo.
— Elas estão... vivas?
— Não sei.
Um simples dar de ombros.
— Imagino que devam estar, já que não têm utilidade para meu pai em nenhuma outra condição.
— Elas estão vivas?
Meu coração acelera tão rápido que eu posso estar tendo um infarto.
— Eu preciso trazer as duas de volta... Eu preciso encontrar as garotas, eu...
— Você o quê?
Warner está me olhando com atenção.
— Como você vai chegar até meu pai? Como vai lutar com ele?
— Não sei!
Estou andando de um lado para o outro no quarto agora.
— Mas preciso encontrar as duas. Talvez elas sejam as minhas únicas amigas que restam neste mundo e...
Eu paro.
Viro-me de repente, o coração na boca.
— E se houver outros? — sussurro, com muito medo de ter esperança.
Vou até Warner do outro lado do quarto.
— E se houver outros sobreviventes? — pergunto, a voz mais alta. — E se estiverem escondidos em algum lugar?
— Parece improvável.
— Mas há uma chance, não há?
Estou desesperada.
— Se houver mesmo a menor chance...
Warner suspira. Passa uma mão pelo cabelo da nuca.
— Se você tivesse visto a devastação da maneira como eu vi, não estaria dizendo coisas assim. A esperança vai despedaçar o seu coração de novo.
Meus joelhos começam a dobrar.
Eu me agarro à estrutura da cama, a respiração agitada, as mãos tremendo. Não sei de mais nada. Não sei de verdade o que aconteceu com o Ponto Ômega. Não sei onde é a capital ou como eu chegaria lá. Nem sei se eu conseguiria chegar a Sonya e Sara a tempo. Mas não consigo afastar essa esperança repentina e estúpida de que mais de meus amigos tenham, de alguma maneira, sobrevivido.
Porque eles são mais fortes que isso; mais espertos.
— Eles estavam planejando uma guerra fazia tanto tempo — eu me ouço dizer. — Eles devem ter tido algum tipo de plano de apoio. Um lugar para se esconderem...
— Juliette...
— Droga, Warner! Eu tenho que tentar. Você tem que me deixar procurar.
— Isso não é bom.
Ele não me olha nos olhos.
— É perigoso você pensar que há uma chance de que alguém ainda possa estar vivo.
Encaro o perfil forte e estável dele.
Ele estuda as próprias mãos.
— Por favor — eu sussurro.
Ele suspira.
— Preciso ir aos aglomerados amanhã ou depois, só para supervisionar melhor o processo de reconstrução da área.
Ele fica tenso enquanto fala.
— Perdemos muitos civis — ele declara. — Demais. Os cidadãos que restaram estão traumatizados e derrotados, o que é fácil de compreender, como era a intenção do meu pai. Foram destituídos de qualquer última esperança que poderiam ter de rebelião.
Uma respiração nervosa.
— E, agora, tudo precisa ser colocado de novo em ordem, depressa — ele conta. — Os corpos estão sendo retirados ou incinerados. As unidades de residência danificadas estão sendo substituídas. Civis estão sendo forçados a voltar ao trabalho, os órfãos estão sendo realocados e as crianças restantes estão sendo obrigadas a frequentar as escolas de seus setores. O Restabelecimento — ele diz — não dá tempo para as pessoas se lamentarem.
Há um silêncio pesado entre nós.
— Enquanto eu estou supervisionando os aglomerados — Warner fala —, posso encontrar uma maneira de levá-la de volta ao Ponto Ômega. Posso mostrar o que aconteceu. Então, depois de ter provas, você vai ter que fazer uma escolha.
— Que escolha?
— Você precisa decidir seu próximo passo. Pode ficar comigo — ele diz, hesitante — ou, se preferir, posso organizar uma forma de você viver sem ser detectada, em algum lugar de uma área não regulamentada. Mas será uma existência solitária — ele acrescenta em voz baixa. — Você nunca pode ser descoberta.
— Ah.
Uma pausa.
— Sim — ele diz.
Outra pausa.
— Ou então — falo para ele — eu saio, encontro seu pai, mato-o e lido com as consequências sozinha.
Warner tenta conter um sorriso e não consegue.
Ele olha para baixo e ri um pouco antes de me olhar bem nos olhos. Faz que não com a cabeça.
— O que é tão engraçado?
— Minha querida menina.
— O quê?
— Eu estava esperando por este momento fazia muito tempo.
— O que você quer dizer?
— Você enfim está pronta — ele diz. — Você enfim está pronta para lutar.
O choque flui por mim.
— É claro que estou.
Em um instante, sou bombardeada por memórias do campo de batalha; o terror de levar um tiro fatal. Eu não esqueci meus amigos ou minha convicção renovada, minha determinação em fazer as coisas de um modo diferente. Em fazer a diferença. Em lutar de verdade desta vez, sem hesitação.
Não importa o que aconteça — e não importa o que eu descubra —, não há mais volta para mim. Não há alternativas.
Eu não esqueci.
— Eu sigo em frente ou morro.
Warner ri alto. Parece que pode chorar.
— Eu vou matar seu pai — digo a ele — e vou destruir O Restabelecimento.
Ele ainda está sorrindo.
— Eu vou.
— Eu sei — ele afirma.
— Então por que você está rindo de mim?
— Não estou — ele fala com suavidade. — Só estou me perguntando se você gostaria da minha ajuda.

20 comentários:

  1. Ah, finalmente esses dois juntos assim *-*

    Carla

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    1. E ele acredita no potencial dela ...
      #teamWarner
      Ass•analu

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  2. Finalmente ela parou com o mimimi e vai reagir a situação.

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  3. Aquela Feliciano de: AGORA SIM VAMOS VER O CIRCO PEGAR FOGO!!!

    O felicidade por isso :D

    Letícia.

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  4. Tô tão orgulhosa da Juju, ela parou com os draminhas e finalmente vai lutar, ela finalmente aceitou quem é e FINALMENTE O CASAL JULINER VÃO LUTAR JUNTOS, MDS TÔ PIRANDO, ELES SÃO PERFEITOS JUNTOS *-*

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  5. Ela precisou levar uma bala no peito pra acordar pra vida! Aaaaleluiaa...
    Bianca

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  6. Eu ia falar que esses dois juntos seriam de abalar Adarlan, mas Adarlan é outra história. Kkkkk, mas vão abalar do mesmo jeito. #Warnette♥

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    1. Kkkk.
      Pois é.. Não é o trono de ferro.. rs

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    2. Ahn... A referência a GoT aqui foi proposital ou vc trocou os nomes sem querer também?
      Hoje eu tava lendo A Seleção, e tava falando do príncipe Maxon de... Eu automaticamente conpletei a frase com "Adarlan" kkkkk

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  7. ISSO! Lutem juntos!
    MATA AQUELA MERD@ DO ANDERSON!
    ELE VEIO DO INFERNO PRA TE PREJUDICAR JULIETTE, MANDA ELE PRA LÁ DE NOVO.

    #TeamWarner ~polly~

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  8. Como vcs são capazes de gosta do Warner? Eu tenho tanto ódio dele, mas que raiva


    Com o final do outro livro, só eu que shippo Kenji com a nossa Ju?

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    1. É lindo ver como o Warner confia na Ju mais do que ela mesma. Ele é show!
      #TEAM WARNER

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  9. Warner seu lindo.
    ...
    Tem como ser mais fofo?
    Óbvio que tem pq Warner é Warner né pai?
    Até que enfim a Ju acordou para a vida!
    "Nada como quase morrer para fazer vc se sentir mais viva"

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  10. O livro mal começou e eu ja to tipo com vontade de terminar ele ainda hj ... Mds socorro q casal gostoso cara aff <3
    #LeiamFragmenta-me ...

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  11. Warner, te amo. Se fosse o Adam, ele iria tentar impedi-la

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Boa leitura :)