6 de janeiro de 2017

39

Estivemos praticando a semana toda.
Estou tão exausta que nem consigo mais ficar em pé, mas fiz mais progresso do que poderia ter esperado. Kenji ainda está trabalhando diretamente comigo, e Castle está supervisionando meu progresso, mas todos os outros passam o tempo treinando em todas as várias máquinas.
Winston e Brendan parecem estar com o humor melhor a cada dia — parecem mais saudáveis, mais animados —, e o corte no rosto de Brendan está começando a sumir. Estou muito feliz em ver o progresso deles e duas vezes mais feliz por Delalieu ter sido capaz de encontrar os remédios certos para eles.
Os dois passavam a maior parte dos dias comendo e dormindo e pulando das bicicletas para a esteira. Lily tem experimentado um pouco de tudo e, hoje, ela está se exercitando com as bolas medicinais no canto. Ian tem levantado pesos e cuidado de Castle, e Alia passou a semana toda sentada no canto, desenhando coisas em um bloco de papel. Ela parece mais feliz, mais confortável.
E não posso deixar de me perguntar se Adam e James estão bem também. Espero que eles estejam seguros.
Warner nunca está por aqui durante o dia.
De vez em quando, olho para as portas do elevador, esperando secretamente que elas se abram e o depositem de volta dentro desta sala. Às vezes, ele passa aqui rapidamente — pula na bicicleta ou dá uma corrida rápida —, mas, na maior parte do tempo, não está.
Eu só o vejo de verdade pelas manhãs para seus exercícios matinais e nos fins de tarde, quando ele faz outra rodada de exercícios aeróbicos. O fim da noite é minha parte favorita do dia. É quando nós oito nos sentamos e conversamos sobre nosso progresso. Winston e Brendan estão se curando, eu estou ficando mais forte, e Warner nos avisa se houve alguma novidade com os civis, os soldados ou O Restabelecimento... Até agora, tudo ainda está quieto.
E, depois, Warner e eu subimos de volta para os aposentos dele, onde tomamos banho e seguimos para lugares separados. Eu durmo na cama dele. Ele dorme no sofá de seu escritório.
Toda noite, eu digo a mim mesma que serei corajosa o bastante para bater na porta dele, mas nunca o fiz.
Ainda não sei o que dizer.

Kenji puxa meu braço.
Ai...
Eu me afasto depressa, fazendo careta.
— Qual é o seu problema?
— Você recebeu uma dose extraforte de estupidez hoje.
— O quê? Pensei que você tivesse dito que eu estava me saindo bem...
— Você está. Mas está distraída. Você fica olhando para o elevador como se ele estivesse prestes a lhe conceder três desejos.
— Ah — eu digo. — Bem. Desculpe.
— Não peça desculpas — ele suspira. Franze um pouco as sobrancelhas. — Que diabos está acontecendo entre vocês dois, afinal? E eu vou querer saber?
Eu suspiro. Relaxo sobre os tapetes.
— Não faço ideia, Kenji. Ele fica mudando de comportamento. — Encolho os ombros. — Acho que não tem problema. Eu só preciso de um pouco de espaço por enquanto.
— Mas você gosta dele?
Kenji levanta uma sobrancelha.
Eu não falo nada. Sinto meu rosto ficar quente.
Kenji revira os olhos.
— Sabe, eu realmente nunca acharia que o Warner poderia fazê-la feliz.
— Eu pareço feliz? — retruco.
— Bom argumento.
Ele suspira.
— Só quis dizer que você sempre pareceu muito feliz com o Kent. Isso é um pouco difícil para eu processar.
Ele hesita. Esfrega a testa.
— Bem. Na verdade, você era muito, muito mais esquisita quando estava com o Kent. Superreclamona. E muito dramática. E você chorava. O. Tempo. Todo. — Ele contorce o rosto. — Meu Deus. Não consigo decidir qual deles é pior.
— Você acha que eu sou dramática? — pergunto a ele, os olhos arregalados. — Você se conhece pelo menos um pouquinho?
— Eu não sou dramático, ok? Minha presença apenas exige um certo tipo de atenção...
Eu bufo.
— Ei — ele diz, apontando para o meu rosto. — Só estou dizendo que não sei mais em quê acreditar. Eu já estive nesse carrossel. Primeiro o Adam. Agora, o Warner. Na próxima semana, você vai tentar ficar comigo.
— Você queria mesmo que isso fosse verdade, não é?
— Tanto faz — ele diz, desviando o olhar. — Eu nem gosto de você.
— Você me acha bonita.
— Eu acho que você está delirando.
— Eu nem sei o que é isto, Kenji.
Olho nos olhos dele.
— Esse é o problema. Não sei como explicar e não tenho certeza se já entendo a profundidade disso. Tudo o que sei é que, o que quer que isso seja, nunca senti com o Adam.
Os olhos de Kenji se apertam, surpresos e assustados. Ele não fala nada por um segundo. Solta o ar em um sopro.
— É sério?
Faço que sim com a cabeça.
— É sério, sério?
— É — eu digo. — Eu me sinto tão... leve. Como se eu pudesse simplesmente... Não sei... — Minha voz some. — É como se eu sentisse que, pela primeira vez na vida, vou ficar bem. Como se eu fosse ficar forte.
— Mas parece que é apenas com você — ele fala. — Que não tem nada a ver com o Warner.
— Isso é verdade — digo a ele. — Mas, às vezes, as pessoas podem ser um peso para nós. E sei que Adam não tinha a intenção, mas ele estava sendo um peso para mim. Éramos duas pessoas tristes presas uma à outra.
— Hum.
Kenji inclina-se para trás apoiado nas mãos.
— O meu tempo com o Adam sempre era obscurecido por algum tipo de dor ou de dificuldade — explico —, e ele sempre foi muito sério. Ele era intenso de uma forma que me esgotava às vezes. Estávamos sempre nos escondendo, ou nos esgueirando pelos cantos, ou fugindo, e nunca encontramos momentos sem interrupção suficientes para estarmos juntos. Era quase como se o universo estivesse tentando me dizer que eu estava me esforçando demais para fazer as coisas darem certo com ele.
— O Kent não era tão ruim, J. — Kenji franze as sobrancelhas. — Você não está dando crédito suficiente para ele. Ele tem agido de um jeito meio babaca ultimamente, mas ele é um cara legal. Você sabe que ele é. A situação só está mesmo uma merda para ele agora.
— Eu sei. — Suspiro, sentindo-me de alguma forma triste. — Mas este mundo ainda está desmoronando. Mesmo se nós ganharmos esta guerra, tudo vai ficar muito, muito ruim antes de melhorar.
Faço uma pausa. Olho para minhas mãos.
— E eu acho que as pessoas se tornam quem realmente são quando as coisas estão difíceis. Eu já vi em primeira mão. Comigo, com meus pais, até com a sociedade. E, sim, o Adam é um cara legal. Ele é mesmo. Mas só porque ele é um cara legal não significa que ele é o cara certo para mim.
Eu levanto o olhar.
— Estou tão diferente agora. Não sou mais a pessoa certa para ele, e ele não é a pessoa certa para mim.
— Mas ele ainda te ama.
— Não — eu falo. — Não ama.
— Essa é uma acusação bem pesada.
— Não é uma acusação — digo. — Um dia, o Adam vai perceber que o que ele sentia por mim era apenas um tipo louco de desespero. Nós éramos duas pessoas que realmente precisavam de alguém a quem se agarrar, e tínhamos um passado que fazia parecer que éramos muito compatíveis. Mas não era o suficiente. Porque, se fosse, eu não teria sido capaz de abandonar tudo com tanta facilidade.
Eu baixo os olhos, a voz.
— O Warner não me seduziu, Kenji. Ele não me roubou do Adam. Eu só... Eu cheguei a um ponto em que tudo mudou para mim. Tudo o que eu achava que sabia sobre o Warner estava errado. Tudo em que eu achava que acreditava a respeito de mim mesma estava errado. E eu sabia que eu estava mudando — explico a ele. — Eu queria seguir em frente. Eu queria ficar brava e queria gritar pela primeira vez na minha vida e não podia. Não queria que as pessoas tivessem medo de mim e, por isso, tentei me calar e desaparecer, esperando que isso as deixasse mais confortáveis. Mas odeio o fato de eu ter me deixado ser tão passiva a vida toda, e vejo como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse tido fé em mim mesma quando era importante. Não quero voltar a isso — digo a ele. — Não vou voltar. Nunca.
— Você não precisa voltar — Kenji observa. — Por que voltaria? Eu não acho que o Kent quisesse que você fosse passiva.
Eu encolho os ombros.
— Ainda me pergunto se ele quer que eu seja a menina por quem ele se apaixonou lá atrás. A pessoa que eu era quando nos conhecemos.
— E isso é ruim?
— Não é mais quem eu sou, Kenji. Eu ainda pareço aquela menina para você?
— Como é que eu vou saber?
— Você não sabe — digo, exasperada. — Por isso não entende. Você não sabe como eu costumava ser. Você não sabe como era dentro da minha cabeça. Eu vivia em um lugar muito escuro — digo a ele. — Eu não estava segura dentro da minha própria mente. Eu acordava todas as manhãs esperando morrer e passava o resto do dia me perguntando se eu já estava morta, porque nem sabia qual era a diferença — conto, mais áspera do que pretendo ser. — Eu tinha um pequeno fio de esperança e me agarrava a ele, mas a maior parte da minha vida foi passada esperando para ver se alguém teria dó de mim.
Kenji só está me encarando, os olhos tensos.
— Você não acha que eu percebi — falo para ele, mais brava agora — que, se eu tivesse me permitido ficar brava há muito tempo, eu teria descoberto que tinha força para quebrar e atravessar aquele manicômio com as minhas próprias mãos?
Kenji se retrai.
— Você acha que eu não penso nisso, o tempo todo? — pergunto a ele, minha voz tremendo. — Você não acha que me mata saber que foi minha própria resistência em me reconhecer como ser humano que me manteve presa por tanto tempo? Por 264 dias, Kenji — digo, engolindo a seco com dificuldade. — Fiquei lá por 264 dias e, durante o tempo todo, eu tinha o poder de quebrar tudo e escapar e não fiz isso, porque não fazia ideia de que conseguiria. Porque eu nunca nem mesmo tentei. Porque eu deixei o mundo me ensinar a odiar a mim mesma. Eu era uma covarde — afirmo — que precisava que outra pessoa me dissesse que eu valia alguma coisa antes de eu dar qualquer passo para me salvar. Não se trata de Adam nem de Warner — digo a ele. — Trata-se de mim e do que eu quero. Trata-se de enfim entender onde quero estar daqui a dez anos. Porque eu vou estar viva, Kenji. Vou estar viva daqui a dez anos e vou ser feliz. Vou ser forte. E não preciso mais de ninguém para me dizer isso. Eu sou suficiente e sempre vou ser.
Estou com a respiração pesada agora, tentando acalmar meu coração.
Kenji está me encarando, um pouco aterrorizado.
— Quero que o Adam seja feliz, Kenji, quero mesmo. Mas ele e eu poderíamos acabar como um rio que não vai a lugar nenhum.
— O que você quer dizer...?
— Água que nunca se mexe — falo para ele. — Ela fica boa por um tempinho. Você pode bebê-la e ela vai sustentá-lo. Mas, se ficar parada muito tempo, vai ficar ruim. Vai ficar velha. Vai se tornar tóxica.
Faço que não com a cabeça.
— Eu preciso de ondas. Eu preciso de cachoeiras. Eu quero correntes rápidas.
— Maldição — Kenji diz.
Ele dá uma risada nervosa, coça a parte de trás da cabeça.
— Acho que você deveria escrever esse discurso, princesa. Porque você vai ter que dizer tudo isso a ele pessoalmente.
— O quê?
Meu corpo fica rígido.
— É.
Kenji tosse.
— O Adam e o James virão para cá amanhã.
— O quê? — eu ofego.
— É. Constrangedor, não?
Ele tenta rir.
— Muuuito constrangedor.
— Por quê? Por que ele viria aqui? Como você sabe disso?
— Eu tenho, hum, tipo, voltado lá. — Ele limpa a garganta. — Para, você sabe, ver como eles estão. Principalmente o James. Mas você sabe.
Ele desvia o olhar. Olha a seu redor.
— Para ver como eles estão?
— É. Apenas para garantir que eles estão indo bem.
Ele faz que sim com a cabeça na direção do nada.
— Tipo, eu disse a ele que nós tínhamos um plano realmente incrível em ação — Kenji diz, apontando para mim. — Graças a você, é claro. Um plano incrível mesmo. Então. E eu disse a ele que a comida era boa — Kenji acrescenta. — E que os chuveiros eram quentes. Então, tipo, ele sabe que o Warner não foi muquirana com a gente nem nada. E, é, você sabe, algumas outras coisas.
— Que outras coisas? — pergunto, agora desconfiada. — O que você disse a ele?
— Hum?
Kenji está estudando a barra de sua camisa, puxando-a.
— Kenji.
— Certo, escute — Kenji diz, levantando as duas mãos. — Só... não fique brava, combinado?
— Já estou ficando brava...
— Eles iriam morrer lá fora. Eu não podia simplesmente deixá-los ficar naquele espacinho horroroso completamente sozinhos... Principalmente o James... E especialmente não agora que temos um plano sólido em ação...
— O que você disse a ele, Kenji?
Minha paciência está se esgotando.
— Talvez — ele diz, recuando agora —, talvez eu tenha dito a ele que você era uma pessoa calma, racional e muito gentil que não gosta de magoar as pessoas, em especial não o seu amigo muito bonito Kenji...
— Maldição, Kenji, conte o que você fez...
— Preciso de um metro e meio — ele fala.
— O quê?
— Um metro e meio. De espaço — diz. — Entre nós.
— Vou dar um centímetro e meio.
Kenji engole a seco, com dificuldade.
— Certo, bem, talvez — ele começa —, talvez eu tenha dito a ele... que... hum, você sentia falta dele. Muita falta.
Eu quase balanço para trás, fugindo do impacto das palavras dele.
— Você fez o quê? — Minha voz baixa para um sussurro.
— Era o único jeito de eu conseguir trazê-lo para cá, tudo bem? Ele achou que você estava apaixonada pelo Warner e o orgulho é um problema tão grande com ele...
— Qual é o seu problema? — eu grito. — Eles vão se matar!
— Esta pode ser a chance deles de fazer as pazes — Kenji diz. — E, assim, todos nós poderemos ser amigos, do jeito que você queria...
— Ai, meu Deus — eu digo, passando uma mão sobre os olhos. — Você está louco? Por que você faria isso? Eu vou ter que partir o coração dele de novo!
— É, sabe, eu estava pensando que talvez você pudesse fingir que, tipo, não está interessada no Warner. Só até depois de esta guerra acabar? Porque isso deixaria as coisas um pouco menos estressantes. E, assim, todos nós nos daríamos bem, e o Adam e o James não iriam morrer lá fora completamente sozinhos. Sabe? Final feliz.
Estou tão brava agora que estou tremendo.
— Você falou mais alguma coisa para ele, não falou? — pergunto, meus olhos se estreitando. — Você disse algo mais para ele. Sobre mim. Não disse?
— O quê?
Kenji está andando para trás agora.
— Eu não...
— Isso foi tudo o que você disse para ele? — quero saber. — Que eu sentia falta dele? Ou você falou mais alguma coisa?
— Ah. Bem, agora que você tocou no assunto, é, hum, eu posso ter dito a ele, hum, que você ainda estava apaixonada por ele.
Meu cérebro está gritando.
— E... talvez que você fala dele o tempo todo. E talvez eu tenha dito a ele que você chora muito porque sente tanta falta dele. Não sei, nós conversamos sobre muitas coisas, então...
— Eu vou MATÁ-LO...
— Não — ele diz, apontando para mim conforme recua de novo. — Juliette feia. Você não gosta de matar pessoas, lembra? Você é contra isso, lembra? Você gosta de conversar sobre sentimentos e arco-íris...
— Por quê, Kenji? — Eu baixo a cabeça para as mãos. — Por quê? Por que você mentiria para ele?
— Porque — ele dispara, frustrado — isso é uma merda! Todo mundo já está morrendo neste mundo. Todo mundo perdeu sua casa, sua família... Tudo que já amaram. E você e o Kent deveriam conseguir resolver o seu drama de colégio idiota como dois adultos. Nós não deveríamos ter que perder uns aos outros assim. Já perdemos todas as outras pessoas — ele fala, bravo agora. — Eles estão vivos, J. Eles ainda estão vivos.
Kenji olha para mim, os olhos brilhando de uma emoção quase não contida.
— Isso é motivo suficiente para eu tentar mantê-los na minha vida.
Ele desvia o olhar. Baixa a voz.
— Por favor — diz. — Isso é uma merda tão grande. Essa coisa toda. Me sinto como se eu fosse o filho preso no meio de um divórcio. E eu não queria mentir para ele, tudo bem? Não queria. Mas, pelo menos, eu o convenci a vir para cá. E, talvez, depois de ele chegar aqui, ele queira ficar.
Eu olho feio para ele.
— Quando eles vão chegar aqui?
Kenji tira um momento para respirar.
— Vou pegá-los de manhã.
— Você sabe que eu vou contar para o Warner, não sabe? Você sabe que não pode simplesmente mantê-los aqui e deixá-los invisíveis.
— Eu sei — ele concorda.
— Ótimo.
Estou tão furiosa que nem sei mais o que dizer. Nem consigo olhar para ele agora.
— Então... — Kenji diz. — Foi uma boa conversa, não?
Eu me viro. Minha voz está mortalmente suave, meu rosto, apenas a centímetros do dele.
— Se eles se matarem — digo para ele —, eu vou quebrar o seu pescoço.
— Caramba, princesa. Quando foi que você se tornou tão violenta?
— Não estou brincado, Kenji. Eles já tentaram se matar antes, e quase conseguiram. Espero que você não tenha se esquecido desse detalhe quando estava fazendo seus planos felizes de arco-íris.
Eu olho para ele de cima.
— Esta não é apenas a história de dois caras que não gostam um do outro. Um quer o outro morto.
Kenji suspira. Olha na direção da parede.
— Vai ficar tudo bem — diz. — Vamos dar um jeito.
— Não. Você vai dar um jeito.
— Você não pode tentar ver os meus motivos? — ele pergunta. — Não consegue ver que seria muito melhor para nós ficarmos todos juntos? Não sobrou mais ninguém, J. Somos só nós. Não deveríamos ter que sofrer todos só porque você e o Kent não estão mais dando uns amassos. Não deveríamos estar vivendo assim.
Eu fecho os olhos. Solto um suspiro profundo e tento me acalmar.
— Eu entendo — falo em voz baixa. — Eu entendo seus motivos. Eu entendo mesmo, de verdade. E eu te amo por querer que todos fiquem bem e te amo por cuidar de mim e por querer que o Adam e eu fiquemos juntos de novo. Eu sei o quanto você está sofrendo agora. E sinto muito, muito, Kenji. De verdade. Sei que isto não é fácil para você. Mas também é exatamente por isso que eu não entendo por que você forçaria os dois a ficarem juntos. Você quer colocá-los na mesma sala. Em um espaço confinado. Pensei que você não quisesse que eles morressem.
— Acho que você está sendo um pouco pessimista a respeito disso.
— Caramba, Kenji!
Lanço um braço, exasperada, e nem percebo o que fiz até ouvir o barulho de algo quebrando. Olho na direção do som. Eu consegui derrubar uma prateleira inteira de pesos. Do outro lado da sala.
Sou uma catástrofe ambulante.
— Eu preciso me acalmar — digo a ele, tentando controlar minha voz. — Vou voltar para raspar sua cabeça quando você estiver dormindo.
Kenji parece verdadeiramente aterrorizado pela primeira vez.
— Você não faria isso.
Sigo na direção da parede oposta. Aperto o botão do elevador.
— Você tem o sono pesado, não tem?
— Isso não é engraçado, J... Isso não é nem um pouquinho engraçado...
O elevador solta um sonzinho agudo e abre. Eu entro.
— Boa noite, Kenji.
Ainda posso ouvi-lo gritar comigo conforme as portas se fecham.

8 comentários:

  1. Kkk esses dois
    O kenje parece o filho de um casal divorciado tentando juntar os pais
    Bia

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  2. "— Eu vou MATÁ-LO...
    — Não — ele diz, apontando
    para mim conforme recua de
    novo. — Juliette feia. Você não
    gosta de matar pessoas, lembra?
    Você é contra isso, lembra? Você
    gosta de conversar sobre
    sentimentos e arco-íris..."

    Juliette feia KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    mano quando finalmente a Juju admite q não ama o Adam, o Kenji faz merda -_-

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    1. Melhor parte do livro ate o momento kkkkk Amo esse Kenji s2

      Michelle

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  3. Eu morri de rir, voltei só pra terminar o livro kkkk

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  4. AMO ESSA DUPLA DINÂMICA!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    " — Eu vou MATÁ-LO...
    — Não — ele diz, apontando para mim conforme recua de novo. — Juliette feia. Você não gosta de matar pessoas, lembra? Você é contra isso, lembra? Você gosta de conversar sobre sentimentos e arco-íris..."
    MESMO BRIGANDO, ESSES DOIS SE ENTENDEM (MESMO QUE SEJA RUIM). E A AMEAÇA DA JUJU?? KKKKK VAI FICAR CARECA KENJI...
    #TEAMOKENJI-MELHOR-AMIGO-DOMUNDO
    ~polly~

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  5. Quando acho que tiveram a melhor conversa, o Kenji vem e me surpreende! Kkkkkk

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  6. Todo mundo dizendo que riu, meu, o Adam vai voltar! lá vem problema, tudo por causa do kenji idiota

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Boa leitura :)