6 de janeiro de 2017

38

Eu nunca pensei que veria Warner usando calça de moletom.
Ou tênis.
E, neste instante, ele está usando ambos. E uma camiseta.
Agora que nosso grupo está ficando na área de treinamento de Warner, eu não tenho motivo para acompanhá-lo conforme ele começa o dia. Eu sempre soube que ele passava muito tempo trabalhando, mas nunca soube o quanto do seu tempo era gasto se exercitando. Ele é tão disciplinado, tão preciso com tudo. Isso me deixa admirada.
Ele começa suas manhãs em uma bicicleta ergométrica e termina as tardes com uma corrida na esteira. E em cada dia da semana ele exercita uma parte diferente do corpo.
— As segundas-feiras são para as pernas — eu o ouço explicar para Castle. — Nas terças, eu trabalho o peito. Nas quartas, trabalho os ombros e as costas. As quintas são para os tríceps e deltoides. Sextas são para os bíceps e antebraços. E todos os dias são para abdominais e exercícios aeróbicos. Também passo a maioria dos fins de semana treinando tiro ao alvo — ele disse.
Hoje é terça-feira.
O que significa que, agora, eu o estou observando no banco de supino levantando pesos de 140 quilos. Três pratos de 20 quilos de cada lado do que Kenji me disse que se chama barra olímpica, que pesa mais 20 quilos. Não consigo parar de olhar. Acho que nunca me senti tão atraída por ele em todo o tempo em que o conheço.
Kenji para a meu lado. Faz um aceno com a cabeça na direção de Warner.
— Então, ele a deixa animada, hein?
Fico mortificada.
Kenji solta uma risada.
— Eu nunca o vi de calça de moletom antes.
Tento deixar a voz normal.
— Nunca nem o vi usar short.
Kenji levanta uma sobrancelha para mim.
— Aposto que já o viu com menos.
Eu quero morrer.

Kenji e eu devemos gastar a manhã seguinte treinando. Esse é o plano. Preciso treinar o suficiente para lutar e usar minha força sem nunca mais ser dominada. Este não é o tipo de situação em que podemos entrar sem confiança absoluta e, já que eu devo liderar a missão, ainda tenho muito trabalho a fazer. Preciso ser capaz de acessar minha energia em um instante e preciso ser capaz de moderar a quantidade de poder que emprego em um determinado momento. Em outras palavras: preciso alcançar o controle absoluto da minha habilidade.
Kenji também está treinando do seu jeito; ele quer aperfeiçoar sua habilidade de projetar; ele quer ser capaz de fazer isso sem precisar ter contato direto com outra pessoa. Porém, ele e eu somos os únicos que têm um trabalho de verdade a fazer. Castle tem o controle de si mesmo há décadas e todos os outros têm habilidades bem óbvias às quais se adaptaram naturalmente. No meu caso, tenho 17 anos de trauma psicológico a desfazer.
Preciso quebrar estas paredes feitas por mim mesma.
Hoje, Kenji está começando aos poucos. Ele quer que eu desloque um haltere para o outro lado da sala por pura força de vontade. Mas tudo o que consegui foi fazê-lo estremecer. E nem tenho certeza se fui eu.
— Você não está se concentrando — Kenji me diz. — Você precisa se conectar... Achar seu centro e puxar de dentro dele — está dizendo. — Você precisa, tipo, literalmente puxar de dentro de você e, depois, empurrar para fora ao seu redor, J. Só é difícil no começo — afirma — porque seu corpo está muito acostumado a conter a energia. No seu caso, vai ser ainda mais difícil, porque você passou a vida toda reprimindo isso. Você precisa se dar permissão e se soltar. Baixar a guarda. Encontrá-la. Dominá-la. Soltá-la.
Ele faz o mesmo sermão para mim, de novo e de novo.
E eu continuo tentando, de novo e de novo.
Conto até três.
Fecho os olhos e tento me concentrar mesmo desta vez. Presto atenção na vontade repentina de levantar meus braços, plantando os pés com firmeza no chão. Solto a respiração em um sopro. Aperto ainda mais os olhos fechados. Sinto a energia subindo, através de meus ossos, meu sangue, ficando mais intensa e aumentando até culminar em uma massa tão potente que não posso mais conter. Sei que preciso liberar, e preciso disso agora.
Mas como?
Antes, eu sempre pensava que precisava tocar em alguma coisa para deixar o poder sair. Nunca me ocorreu jogar a energia em um objeto imóvel. Eu achava que minhas mãos fossem o destino final; nunca pensei em usá-las como transmissoras, como um meio para a energia atravessar.
Só agora estou percebendo que posso soltá-la através de minhas mãos... Através de minha pele. E, talvez, se eu for forte o bastante, posso conseguir aprender a manipular o poder no ar, forçando-o a se mover pelo caminho que eu quiser.
Minha compreensão repentina me dá uma onda renovada de confiança. Estou animada agora, ansiosa para ver se minha teoria está certa. Eu me preparo, sentindo o fluxo de poder me inundar de novo. Meus ombros ficam tensos conforme a energia reveste minhas mãos, meus pulsos, meus antebraços. Ela é tão quente, tão intensa, quase como se fosse algo tangível; o tipo de poder que poderia se entrelaçar em meus dedos.
Eu fecho os punhos.
Puxo os braços para trás.
E, depois, os empurro para a frente, abrindo as mãos com força ao mesmo tempo.
Silêncio.
Abro um pouco um dos olhos, espiando o haltere ainda parado no mesmo lugar.
Suspiro.
— ABAIXE — Kenji grita, puxando-me para baixo e me empurrando de cara no chão.
Posso ouvir todos gritando e caindo no chão em volta de nós. Eu levanto o pescoço e tudo o que vejo é que eles estão com as mãos sobre as cabeças, os rostos cobertos; tento olhar em volta.
O pânico me agarra pela garganta.
A parede de pedra está rachando no que podem ser centenas de pedaços, chiando e gemendo conforme desmorona. Eu observo, horrorizada, enquanto um pedaço enorme e irregular treme logo antes de descolar da parede.
Warner está parado embaixo.
Estou prestes a gritar antes de vê-lo olhar para cima, as duas mãos estendidas na direção do caos.
Imediatamente, a parede para de tremer. Os pedaços ficam suspensos, chacoalhando apenas um pouco, pegos entre tombar e voltar ao lugar.
Meu queixo ainda está caído.
Warner olha para a direita. Faz que sim com a cabeça.
Eu sigo seu olhar e vejo Castle, do outro lado, usando seu poder para segurar a outra ponta. Juntos, eles controlam os pedaços conforme caem no chão, permitindo que flutuem para baixo, apoiando cada lasca quebrada e cada pedaço irregular gentilmente contra o que resta da parede.
Todos começam a levantar a cabeça, percebendo que algo mudou. Devagar, ficamos em pé, e observamos, pasmos, conforme Castle e Warner contêm o desastre e o juntam em um único espaço.
Mais nada está danificado. Ninguém está ferido. Ainda estou olhando, os olhos arregalados de admiração.
Quando o trabalho enfim está terminado, Warner e Castle compartilham um breve momento de reconhecimento antes de seguirem em direções opostas.
Warner vem me procurar. Castle vai até os outros.
— Você está bem? — Warner pergunta.
Seu tom é profissional, mas seus olhos o entregam.
— Você não está machucada?
Faço que não com a cabeça.
— Aquilo foi incrível.
— Não posso levar todo o crédito — Warner fala. — Foi o poder do Castle que eu peguei emprestado.
— Mas você é muito bom com ele — digo, esquecendo por um momento que deveríamos estar bravos um com o outro. — Você acabou de saber que tem essa habilidade e já pode controlá-la. Tão naturalmente. Mas, quando tento fazer alguma coisa, eu quase mato todo mundo no processo.
Eu baixo a cabeça.
— Sou a pior em tudo — murmuro. — A pior.
— Não se sinta mal — ele diz em voz baixa. — Você vai aprender.
— Já foi difícil para você? — Eu levanto os olhos, esperançosa. — Aprender a controlar a energia?
— Ah — ele diz, surpreso. — Não. Embora eu sempre tenha sido bom em tudo o que faço.
Baixo a cabeça de novo. Suspiro.
Warner ri e eu o espio.
Ele está sorrindo.
— O que foi?
— Nada — ele sussurra.
Eu ouço um assobio cortante. Dou um giro.
— Ei... Mãozinha de jazz! — Kenji grita. — Volte já aqui. — Ele faz questão de parecer o mais irritado possível. — De volta ao trabalho. E, desta vez, concentração. Você não é um macaco. Não fique jogando sua merda para todo lado.
Warner ri de verdade.
Alto.
Olho de volta para ele e ele está olhando na direção da parede, tentando conter um sorriso largo conforme passa uma mão pelo cabelo, descendo até a nuca.
— Pelo menos alguém gosta do meu senso de humor — Kenji diz antes de me puxar pelo braço. — Venha, princesa. Vamos tentar de novo. E, por favor, tente não matar todos que estão nesta sala.

5 comentários:

  1. — Ei... Mãozinha de jazz! — Kenji grita. — Volte já aqui. — Ele faz questão de parecer o mais irritado possível. — De volta ao trabalho. E, desta vez, concentração. Você não é um macaco. Não fique jogando sua merda para todo lado.
    Kkkkkkkk

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  2. A Juju ta ficando cada vez mais foda *-* e vejo q o Warner e o Kenji vão se tornar amigos <333333333

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  3. " Baixo a cabeça de novo. Suspiro.
    Warner ri e eu o espio.
    Ele está sorrindo.
    — O que foi?
    — Nada — ele sussurra.
    Eu ouço um assobio cortante. Dou um giro.
    — Ei... Mãozinha de jazz! — Kenji grita. — Volte já aqui. — Ele faz questão de parecer o mais irritado possível. — De volta ao trabalho. E, desta vez, concentração. Você não é um macaco. Não fique jogando sua merda para todo lado.
    Warner ri de verdade.
    Alto." BUAAAAAAAAAAÁ KKKKKKKKKKKKKKK
    ~POLLY~

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  4. Nessa hora que ela falou que tava sentindo o poder descer pelos braços e soltar pelas mãos EU JURO QUE IMAGINEI ELA FEITO O GOKU KKKKKKKKKKKK
    ~Amanda

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  5. Ai meu Deus, Kenji também está apaixonado por Warner! Hihihi ^.^
    #TeamKenji&Warner <3 Não? kkk...

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Boa leitura :)