6 de janeiro de 2017

36

Estamos todos sentados em bancos pela sala de treinamento. Warner está sentado a meu lado e estou fazendo tudo o que posso para garantir que nossos ombros não se toquem por acidente.
— Certo, então, vamos começar do início, ok? — Winston diz, olhando ao redor. — Precisamos trazer Sonya e Sara de volta. A pergunta é: como.
Uma pausa.
— Não temos ideia de como chegar ao Supremo.
Todos olham para Warner.
Warner olha para o relógio.
— Então? — Kenji diz.
— Então o quê? — Warner fala, entediado.
— Então, você vai nos ajudar? — Ian dispara. — Este é o seu território.
Warner olha para mim pela primeira vez a noite toda.
— Você tem certeza absoluta de que confia nestas pessoas? — ele me pergunta. — Em todas elas?
— Sim — respondo em voz baixa. — Confio mesmo.
— Muito bem.
Warner respira fundo antes de se dirigir ao grupo.
— Meu pai — ele fala com calma — está em um navio. No meio do oceano.
— Ele está em um navio? — Kenji pergunta, pasmo. — A capital é um navio?
— Não exatamente.
Warner hesita.
— Mas a questão é que temos de atraí-lo para . Ir até ele não vai funcionar. Temos que criar um problema grande o bastante para ele ser forçado a vir até nós.
Ele então olha para mim.
— Juliette disse que já tem um plano.
Eu faço que sim com a cabeça. Respiro fundo. Estudo os rostos diante de mim.
— Acho que deveríamos tomar o Setor 45.
Silêncio atordoado.
— Acho que, juntos — digo a eles —, conseguiremos convencer os soldados a lutar do nosso lado. No final das contas, ninguém recebe os benefícios d’O Restabelecimento exceto quem está no poder. Esses homens estão cansados e famintos e provavelmente só aceitaram esse emprego porque não tinham opções.
Eu faço uma pausa.
— Podemos convocar civis soldados. Todos do setor. Fazê-los se juntarem a nós. E eles me conhecem — digo. — Os soldados. Eles já me viram... Sabem o que posso fazer. Mas todos nós juntos?
Balanço a cabeça de um lado para o outro.
— Seria incrível. Podemos mostrar a eles que somos diferentes. Mais fortes. Podemos lhes dar esperança... Um motivo para revidar. Depois de termos o apoio deles, a notícia vai se espalhar. E Anderson será forçado a voltar para cá. Ele terá de tentar nos derrubar; não vai ter escolha. E, quando voltar, nós o pegamos. Lutamos com ele e seu exército e ganhamos. E, então, tomamos conta do país.
— Minha nossa.
Castle é o primeiro a falar.
— Senhorita Ferrars — diz —, você pensou muito nisso.
Faço que sim com a cabeça.
Kenji está olhando para mim como se não tivesse certeza se deve rir ou aplaudir.
— O que vocês acham? — pergunto, olhando ao redor.
— E se não funcionar? — Lily questiona. — E se os soldados tiverem medo demais para mudar sua aliança? E se eles a matarem em vez disso?
— É com certeza uma possibilidade — afirmo. — Mas acho que, se formos fortes o bastante... Se nós oito ficarmos unidos, com todas as nossas forças combinadas... Acho que eles podem acreditar que podemos fazer algo muito incrível.
— É, mas como eles vão saber quais são as nossas forças? — Brendan pergunta. — E se não acreditarem em nós?
— Podemos mostrar a eles.
— E se atirarem em nós? — Ian retruca.
— Posso fazer isso sozinha, se estiverem preocupados com isso. Não me importo. Kenji estava me ensinando a projetar minha energia antes da guerra, e acho que, se aprender a usar bem isso, posso fazer algumas coisas bem assustadoras. Coisas que podem impressioná-los o suficiente para se unirem a nós.
— Você consegue projetar? — Winston pergunta, os olhos arregalados. — Quer dizer que pode, tipo, fazer um assassinato em massa com sua coisa de sugar vidas?
— Hum, não — respondo. — Digo, bem, sim, acho que eu poderia fazer isso também, mas não estou falando disso. Digo que posso projetar minha força. Não a... coisa de sugar vidas...
— Espere, que força? — Brendan pergunta, confuso. — Eu pensei que sua pele é que fosse letal.
Estou prestes a responder quando me lembro de que Brendan e Winston e Ian eram todos reféns antes de eu começar a treinar seriamente. Eu não sei se eles sabem qualquer coisa sobre o meu progresso.
Assim, começo do início.
— Meu... poder — digo — tem a ver com mais do que apenas minha pele.
Olho para Kenji. Faço um gesto para ele.
— Nós estávamos trabalhando fazia um tempo, tentando descobrir do que, exatamente, eu era capaz, e Kenji percebeu que minha energia real está vindo bem de dentro de mim, não da superfície. Está nos meus ossos, meu sangue minha pele — tento explicar. — Meu poder real é um tipo louco de superforça. Minha pele é um elemento disso — digo a eles. — É como a forma mais elevada da minha energia e a forma mais louca de proteção; é como se meu corpo tivesse sido vestido com um escudo. Arame farpado metafórico. Ela mantém os intrusos do lado de fora.
Eu quase rio, perguntando-me quando ficou tão fácil, para mim, falar sobre essas coisas. Ficar confortável com elas.
— Mas também sou forte o bastante para atravessar quase qualquer coisa — conto para eles — sem nem me machucar. Concreto. Tijolo. Vidro...
— A terra — Kenji acrescenta.
— Sim — falo, sorrindo para ele. — Até a terra.
— Ela criou um terremoto — Alia diz, animada, e eu fico, na verdade, surpresa de ouvir a voz dela. — Durante a primeira batalha — ela conta para Brendan e Winston e Ian. — Quando estávamos tentando salvá-los. Ela socou o chão e ele se partiu. Foi assim que conseguimos fugir.
Os meninos estão me olhando pasmos.
— Então, o que estou tentando dizer — falo para eles — é: e se eu puder projetar minha força e realmente aprender a controlá-la? Não sei. — Encolho os ombros. — Eu poderia mover montanhas, provavelmente.
— Isso é um pouco ambicioso.
Kenji sorri, sempre o pai orgulhoso.
— Ambicioso, mas provavelmente não impossível.
Eu sorrio de volta.
— Uau — Lily diz. — Então você pode simplesmente... destruir coisas? Tipo, qualquer coisa?
Eu faço que sim com a cabeça.
Olho para Warner.
— Você se importa?
— Nem um pouco — ele fala.
Seus olhos estão cuidadosamente impenetráveis.
Eu me levanto e ando até a pilha de halteres, o tempo todo me preparando mentalmente para aproveitar minha energia. Essa ainda é a parte mais difícil para mim: aprender como moderar minha força com finesse.
Eu pego um peso de 23 quilos e o levo até o grupo.
Por um momento, pergunto-me se ele deveria ser pesado para mim, em especial levando-se em consideração que ele pesa mais ou menos metade de mim, mas não consigo sentir de verdade.
Sento-me de novo no banco. Apoio o peso no chão.
— O que você vai fazer com isso? — Ian pergunta, os olhos arregalados.
— O que querem que eu faça? — pergunto a ele.
— Está me dizendo que pode simplesmente, tipo, rasgá-lo ou algo assim? — Winston diz.
Faço que sim com a cabeça.
— Faça isso — Kenji pede. Ele está praticamente pulando sentado. — Faça faça.
Assim, eu faço.
Pego-o e literalmente esmago o peso entre as mãos. Ele vira uma massa destroçada de metal. Um caroço de 23 quilos. Rasgo-o ao meio e derrubo os dois pedaços no chão.
Os bancos chacoalham.
— Desculpem — falo depressa, olhando ao redor. — Não tive a intenção de jogar assim...
— Caramba! — Ian diz. — Isso é muito legal.
— Faça de novo — Winston diz, os olhos brilhando.
— Eu realmente prefiro que ela não destrua todas as minhas coisas — Warner interrompe.
— Ei, então... Espere — Winston diz, percebendo algo enquanto encara Warner. — Você pode fazer isso também, não pode? Você pode simplesmente pegar o poder dela e usá-lo assim também?
— Posso pegar os poderes de todos vocês — Warner o corrige. — E fazer o que quiser com eles.
O terror na sala é algo muito palpável.
Franzo as sobrancelhas para Warner.
— Por favor, não os assuste.
Ele não diz nada. Olha para o nada.
— Então, vocês dois — Ian tenta encontrar sua voz —, digo, juntos... vocês poderiam basicamente...
— Tomar conta do mundo?
Warner está olhando para a parede agora.
— Eu ia dizer dar umas boas porradas, mas, é, isso também, eu acho.
Ian faz que não com a cabeça.
— Você tem certeza de que pode confiar nesse cara? — Lily me pergunta, mexendo um polegar para Warner e olhando para mim como se estivesse séria e genuinamente preocupada. — E se ele só a estiver usando pelo seu poder?
— Eu confio minha vida a ele — falo em voz baixa. — Já confiei e faria de novo.
Warner olha para mim e desvia o olhar, e, por um breve instante, eu vejo a carga da emoção em seus olhos.
— Então, veja se eu entendi — Winston diz. — Nosso plano é basicamente seduzir os soldados e os civis do Setor 45 para lutarem conosco?
Kenji cruza os braços.
— É, parece que vamos ter que dar uma de pavão e esperar que eles nos achem atraentes o suficiente para cruzarem conosco.
— Nojento — Brendan franze as sobrancelhas.
— Apesar do quão estranho o Kenji tenha feito parecer — eu falo, virando um olhar ríspido na direção dele —, a resposta é sim, basicamente. Podemos oferecer a eles um grupo em torno do qual eles podem se reunir. Tomaremos o controle do exército e, depois, tomaremos o controle das pessoas. E, então, vamos levá-los para a batalha. Nós revidamos mesmo, de verdade.
— E se você ganhar? — Castle pergunta. Ele ficara muito quieto esse tempo todo. — O que você planeja fazer então?
— O que você quer dizer? — questiono.
— Digamos que você tenha sucesso — ele começa. — Você derrota o Supremo. Você o mata e mata seus homens. E depois? Quem vai assumir como Comandante Supremo?
— Eu.
Todos ofegam. Sinto Warner ficar rígido a meu lado.
— Caramba, princesa — Kenji fala em voz baixa.
— E depois? — Castle pergunta, ignorando todos, menos eu. — Depois disso?
Seus olhos estão preocupados. Quase assustados.
— Você vai matar quem quer que fique no seu caminho? Todos os líderes dos outros setores, em todo o país? São mais 554 guerras...
— Alguns vão se render — digo a ele.
— E os outros? — ele questiona. — Como você pode liderar uma nação no caminho certo se simplesmente massacrar todos que se opõem a você? Como isso vai torná-la diferente daqueles que derrotou?
— Eu confio em mim mesma — falo para ele — para ser forte o suficiente para fazer o que é certo. Nosso mundo está morrendo agora. Você mesmo disse que temos meios para recuperar nossa terra... De fazer as coisas voltarem ao que eram antes. Depois de o poder estar no lugar certo, conosco, você pode reconstruir o que começou no Ponto Ômega. Você vai ter a liberdade de implantar aquelas mudanças com a nossa terra, a nossa água, os nossos animais e a atmosfera e salvar milhões de vidas no processo... Dando às novas gerações a esperança de um futuro diferente. Temos de tentar — digo a ele. — Não podemos simplesmente ficar sentados e observar as pessoas morrerem quando temos poder para fazer a diferença.
A sala fica em silêncio. Parada.
— Que se dane — Winston diz. — Eu a seguiria na batalha.
— Eu também — Alia concorda.
— E eu.
Brendan.
— Você sabe que estou nessa — Kenji fala.
— Eu também — Lily e Ian dizem ao mesmo tempo.
Castle respira fundo.
— Talvez — ele diz.
Ele se inclina para trás em sua cadeira, junta as mãos.
— Talvez você consiga fazer do jeito certo o que eu fiz errado.
Ele faz que não com a cabeça.
— Tenho 27 anos a mais que você e nunca tive a sua confiança, mas entendo seu coração. E confio que você diz o que acredita ser verdade.
Uma pausa. Um olhar cuidadoso.
— Vamos apoiá-la. Mas saiba já que você está assumindo uma responsabilidade enorme e assustadora. Algo que pode dar errado de maneira irreversível.
— Eu entendo isso — falo baixinho.
— Muito bem então, senhorita Ferrars. Boa sorte e faça uma boa jornada. Nosso mundo está em suas mãos.

5 comentários:

  1. Então, vocês dois — Ian tenta encontrar sua voz —, digo, juntos... vocês poderiam basicamente...
    — Tomar conta do mundo?
    Warner está olhando para a parede agora.
    — Eu ia dizer dar umas boas porradas, mas, é, isso também, eu acho.
    kkkkkkkkk Warner sendo o Warner

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  2. "Kenji cruza os braços.
    — É, parece que vamos ter
    que dar uma de pavão e esperar
    que eles nos achem atraentes o
    suficiente para cruzarem
    conosco."

    MDS MURRI KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK #MortaEEnterrada
    mano a Juju só ta me dando orgulho *-*

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  3. — Muito bem então, senhorita Ferrars. Boa sorte e faça uma boa jornada. Nosso mundo está em suas mãos.
    Nao se preocupe J , sem pressão kkkk

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  4. "Kenji cruza os braços.
    — É, parece que vamos ter que dar uma de pavão e esperar que eles nos achem atraentes o suficiente para cruzarem conosco."


    Ri muitooooooooooo tipo muito

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Boa leitura :)